facebook google twitter tumblr instagram

Pages

  • Início
  • Sobre
  • Resenhas
  • Cotidianos
  • Devaneios
  • Mercado editorial
  • Parcerias
  • Contato

Nostalgia Cinza

 


Estado Elétrico é um quadrinho diferente de tudo que eu já vi. Um formato inusitado, um trabalho gráfico impressionante e uma história surpreendente pelas mãos de Simon Stålenhag. Saiba mais sobre Estado Elétrico! 

FICHA TÉCNICA
Título: Estado elétrico
Autor: Simon Stålenhag
Páginas: 144
Ano: 2022
Editora: Quadrinhos na Cia (Companhia das Letras)
Nota: 4
Compre: Amazon
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA

"Numa mistura delirante de On the road e Black Mirror, o artista sueco Simon Stålenhag cria um livro único. Uma viagem visual a um futuro aterrador e sombrio.

Num 1997 imaginado e apocalíptico, uma jovem em fuga e seu robô atravessam os Estados Unidos rumo ao oeste. Ruínas de gigantescos drones de batalha se espalham pela paisagem, junto a toda espécie de lixo descartado de uma sociedade ultra tecnológica e consumista em declínio. À medida que se aproximam da fronteira do país, o mundo parece se desfazer num ritmo cada vez mais alucinante, como se em algum lugar além do horizonte o núcleo oco da civilização finalmente fosse desabar. Em Estado elétrico, Simon Stålenhag volta sua visão atordoante para a América. Com desenhos hiper-realistas e um talento extraordinário para narrar, o artista sueco coloca em cena uma história de amizade e horror, lealdade e suspense, em que uma sensação de constante ameaça paira sobre cada sequência e imagem."


A narrativa de Estado Elétrico é contada da perspectiva de uma possível sobrevivente ou fugitiva, que dirige um carro roubado pelas estradas de um país apocalíptico. As pessoas foram praticamente sugadas por projetores neurais que oferecem algum tipo de experiência alucinógena, proporcionando um escape para outra realidade. Ela caminha pelas ruínas de antigos drones de guerra. Todo o país se tornou um campo de batalha abandonado.

A protagonista é imune aos efeitos dessa tecnologia, mas não às consequências em um mundo devastado. Uma narradora desconhecida traz insights mais objetivos e informações concretas sobre o que levou o mundo àquele estado. Ela me lembra bastante a de O Conto da Aia, trazendo alguns recortes de uma vida passada enquanto navega pelo presente da melhor forma possível, tentando sobreviver. 


“É preciso dizer: eles eram fantásticos. Algo em mim tinha vontade de parar o carro, descer e caminhar até eles para tocá-los, examinar de perto cada um daqueles estranhos tumores. Em outra realidade, eu teria adorado fazer isso. Teria caminhado sem pressa por essas ruas, fascinada, certamente sentindo alguma repulsa, mas uma repulsa agradável, extasiada. Agora, no mundo real, tudo estava invertido. Nós éramos os tumores fascinantes, os lunáticos - as únicas almas doentes em um mundo sadio. Não havia nenhuma espécie de vida cotidiana protegida à qual pudéssemos retornar, e a única saída era seguir em frente.”


Sem balões, caixas de texto ou letreiramento, Simon Stalenhag nos carrega pelas páginas como se fossem pinturas com uma descrição. Uma única imagem ocupa praticamente as duas páginas, na horizontal, e uma coluna branca é dedicada ao texto, ora normal para a narração da protagonista, ora em itálico para possíveis registros de um diário desconhecido. 

Em alguns momentos o texto descreve a imagem de forma a contextualizá-la para o leitor. Em outros, a medida que a narrativa avança, texto e imagem caminham de forma independente, completando as lacunas da história que cabem ao leitor interpretar. 



Estado Elétrico é visualmente impressionante. O estilo de Simon mais se parece fotografia do que ilustração. Cada imagem traz uma sensação inegável de movimento, como se ele tivesse registrado uma fração de tempo, e não criado aquele mundo do zero. A riqueza de detalhes, de profundidade, de realismo faz com que a experiência de ler uma ficção científica sistólica seja ainda mais intensa.

Ao acompanhar a história nesse formato, temos a sensação de estar olhando para quadros em um museu, acompanhando uma linha do tempo de uma civilização em ruínas. 


Estado Elétrico não tem um começo, meio e fim. Ao leitor só é permitido entrar para espiar uma página dessa história, um fascículo desse mundo distópico e apocalíptico. A dependência tecnológica, o vício em estímulos artificiais e a desconexão com a realidade infelizmente encontra um eco no nosso mundo e nos faz refletir, como toda boa ficção científica, qual a real distância entre a ficção e a realidade.

Estado Elétrico é uma experiência de leitura. Uma história perfeita para os fãs de sci-fi e de trabalhos gráficos incríveis. Um quadrinho diferente de tudo que já li. 

Gostou da resenha e quer conhecer outra distopia nos quadrinhos? Confira a resenha da adaptação de 1984! 


Gosta do meu trabalho e quer apoiar de alguma forma? Conheça meu projeto no Catarse! Com esse apoio mensal é possível cobrir alguns custos para manter o trabalho, investir em equipamentos novos, pagar algumas continhas e dedicar mais tempo aos livros que tanto amo e quero apresentar para vocês ♥
11:41 1 comments

 


Um dos últimos quadrinhos lidos por aqui foi essa adaptação de duas histórias do uruguaio Horácio Quiroga, pelas mãos de Odyr.

👉🏼 Já havia tido contato com o trabalho de Odyr com a adaptação de A Revolução dos Bichos (que já tem resenha lá no blog e menciono direto) e nunca esqueci o traço do artista. Ao contrário da história de Orwell, não conhecia as de Quiroga e foi interessante poder ter esse primeiro acesso por meio dos quadrinhos, ainda mais pelas mãos de um artista já conhecido. Confira a resenha de O Leão e a Pátria!


FICHA TÉCNICA
Título: O leão e a pátria
Autores: Horacio Quiroga (texto) e Odyr (quadrinista)
Páginas: 88
Ano: 2022
Editora: Quadrinhos na Cia (Companhia das Letras)
Nota: 4
Compre: Amazon
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA


"“Uma flecha que, cuidadosamente apontada, sai do arco para ir direto ao alvo.” Assim o uruguaio Horacio Quiroga (1878-1937) definiu a arte do conto, gênero que o consagrou como um dos maiores escritores latino-americanos do século XX. Influenciado pela vida em Misiones e no Chaco missioneiro, no nordeste argentino, e cada vez mais obcecado por relatos fabulares e parábolas à Kipling, Quiroga escreveu onze contos reunidos sob o título de El desierto, publicado em 1924. São deste livro as duas parábolas recolhidas, adaptadas e ilustradas pelo gaúcho Odyr: “O leão” e “A pátria”. Na primeira, um leão é ludibriado de modo a submeter-se à civilização. Na outra, um grupo de animais decide, a exemplo dos homens, fundar uma pátria, humanizando-se e traindo sua existência selvagem. As consequências são misteriosas e sombrias.

O leão e a pátria, ao combinar as extraordinárias visões de Odyr e Quiroga, sugere uma meditação profunda sobre homens, animais, meio ambiente e as complexas relações entre natureza e cultura."



Essa edição traz duas histórias de Horácio Quiroga, a primeira O Leão e, a segunda, A Pátria. Na primeira, um leão é ludibriado de modo a submeter-se à civilização. Na outra, um grupo de animais decide, a exemplo dos homens, fundar uma pátria, humanizando-se e traindo sua existência selvagem. As consequências são misteriosas e sombrias.

🪶 Duas fábulas sutis, mas poderosas O Leão e a Pátria nos convidam a refletir sobre a profunda relação entre os humanos, o ambiente e os animais. Ambas exploram a convivência entre nós e outros seres, brincam com o contato e as relações criadas a partir desse encontro, e nos fazem questionar o que entendemos como humanidade.



Mesmo com duas narrativas curtas é possível perceber a potência da escrita de Quiroga e sua capacidade de trabalhar com os detalhes daquilo que nos faz quem somos. Já com Odyr, encontramos um universo de cores claras, pastéis, e pinceladas grossas que convidam nossos olhos a ficar um pouco mais por ali.

O Leão e a Pátria foi uma grata surpresa, mais um quadrinho excelente que pude ter contato e deixo a recomendação aos fãs de HQs 🦁🐆

Gostou da resenha e quer conhecer outro trabalho de Odyr? Confira a resenha de A Revolução dos Bichos HQ!


Gosta do meu trabalho e quer apoiar de alguma forma? Conheça meu projeto no Catarse! Com esse apoio mensal é possível cobrir alguns custos para manter o trabalho, investir em equipamentos novos, pagar algumas continhas e dedicar mais tempo aos livros que tanto amo e quero apresentar para vocês ♥
09:31 1 comments

 


Recentemente testei um formato de mini resenhas postadas nos stories e destaques lá do Instagram e a resposta foi bem positiva. Só que como sou velha de internet e não resisto a deixar algo registrado, não poderia deixar de trazer aqui pro blog as impressões sobre Veneno: Anjo de Bremen, uma graphic novel curta, rápida, mas intensa.

"Quando, em 1831, uma jovem escritora chega a Bremen, Alemanha, para escrever um relato de viagem, encontra muito mais do que apenas um lindo porto, igrejas e praças arborizadas. Um único assunto domina as conversas entre donas de casa, comerciantes e autoridades: Gesche Gottfried.

Por um lado, uma assassina impiedosa, que servia torradas envenenadas com manteiga de camundongos aos filhos, maridos e amigas. Por outro, uma mulher caridosa, que doava alimentos aos famintos.

Com grande empenho, idealismo e olhando para os casos com as lentes de uma mulher que vive em uma sociedade dominada por homens, a jovem escritora busca por informações — guiada pelo profundo desejo de compreender a razão dos assassinatos e as motivações de Gesche. Em sua fúria por encontrar uma resposta, essa acaba se envolvendo com figuras suspeitas, segredos e perseguições, fazendo com que sua própria experiência na cidade acabe entrelaçando-se com a da lady killer envenenadora."

FICHA TÉCNICA
Título: Veneno: Anjo de Bremen
Autores: Peer Meter (roteirista) e Barbara YelinVerissimo (ilustradora)
Páginas: 208
Ano: 2022
Editora: DarkSide®Books
Nota: 4
Compre: Amazon
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA


Veneno: Anjo de Bremen é uma graphic novel de true crime que conta a história de Gesche Gottfried, a envenenadora em série que era considerada por muitos uma cidadã exemplar e altruísta. Já conhecia a história de Gesche Gottfried por causa de Lady Killers em que a assassina é mencionada na galeria letal, ao final do livro, mas foi interessante conhecer a história por outra perspectiva.

Sempre falo que os quadrinhos são um formato incrível para adaptar e contar diversas histórias e nesse caso as escolhas de roteiro para Veneno: Anjo de Bremen foram interessantíssimas. 

O quadrinho conta a história desse acontecimento marcante na história de Bremen por meio de uma escritora britânica que visita a cidade para escrever um roteiro de viagem, sem saber dos crimes de Gottfried e da execução marcada para o dia seguinte. 

Além da recepção desconfiada e agressiva por parte dos moradores, ela se depara com uma realidade extremamente machista e foi inesperado ver esse enfoque em meio a uma história de true crime baseada em uma assassina em série. Acrescentou mais uma camada na história que já me era familiar e me fez devorar o quadrinho com ainda mais gosto. 

E ainda deixo aqui a recomendação de outro livro, caso goste de true crime, Lady Killers Profile: Belle Gunness. Não é quadrinho, mas é uma pedida certa pra quem curte um bom true crime e foi escrito por ninguém mais ninguém menos que Harold Schechter. Caso você queira outro quadrinho, fica a recomendação de Lady Killer, uma graphic novel de ficção sobre uma esposa amorosa, mãe dedicada e assassina de aluguel. 


Gosta do meu trabalho e quer apoiar de alguma forma? Conheça meu projeto no Catarse! Com esse apoio mensal é possível cobrir alguns custos para manter o trabalho, investir em equipamentos novos, pagar algumas continhas e dedicar mais tempo aos livros que tanto amo e quero apresentar para vocês ♥

06:15 1 comments

 



A história real em quadrinhos do assassino que inspirou Psicose, O Massacre da Serra Elétrica e O Silêncio dos Inocentes 

Ed Gein assassinou e desmembrou mulheres e, de forma particularmente macabra, arrombou túmulos e roubou cadáveres para confeccionar máscaras com suas peles, enfeites com seus membros e utensílios de cozinha com seus ossos. O assassino necrófilo assombrou os sonhos da América dos anos 1950 e mudou para sempre a cultura pop. Lançado recentemente pela DarkSide Books, Ed Gein conta a história do assassino de mesmo nome, nos quadrinhos. 

Como todo bom true crime, a história de Ed Gein nos faz refletir sobre o fascínio por histórias reais tão macabras, nos mostra o que pode existir por trás de tais atrocidades e questiona a forma como a sociedade abraça tão facilmente histórias de terror que custaram a vida de vítimas inocentes. 


Harold Schechter é um nome já bastante familiar para mim. Ele é especialista em crimes históricos, responsável por apresentar alguns dos maiores assassinos da história e é o nome por trás de publicações como Anatomia do Mal, Lady Killers Profile: Belle Gunness e H. H. Holmes: Maligno – O Psicopata da Cidade Branca. Harold Schechter é um mestre do true crime e poder ver seu trabalho na nona arte foi um deleite. Casos de assassinos em série sempre são complexos e trazem muitas camadas e Schechter consegue traduzir bem parte dessa realidade macabra para o leitor comum. 

Em pouco mais de 200 páginas, Harold Schechter consegue contar a história de um serial killer responsável por mudar completamente a cultura pop e a forma como a mídia transforma assassinos em celebridades, e essa narrativa ganha vida nas mãos do habilidoso quadrinista Eric Powell. 


Como fã de true crime e, claro, de quadrinhos, Ed Gein é um prato cheio. Foi uma das minhas primeiras experiências com o gênero adaptado aos quadrinhos e não poderia ter sido melhor. A edição da DarkSide Books, em capa dura, ainda vem com informações complementares sobre o processo de escrita do livro e coleta das informações que são apresentadas, traz trechos de entrevistas feitas para o livro e fotografias reais da época dos assassinatos e do julgamento. 


Para tornar a experiência ainda mais completa, a editora ainda enviou um impresso que simula uma página de jornal da época, mostrando como a mídia tratou o caso; três marcadores em um formato diferente, com imagens de algumas cenas retratadas no quadrinho; postais com fotografias da época, incluindo o momento da prisão de Ed Gein; e um envelope contendo "evidências" do crime. 

Como o filme ainda serviu de inspiração para um dos maiores clássicos da cultura pop, a DarkSide Books ainda me mandou um exemplar do livro Psicose, de Robert Bloch, em uma edição limitada e especial que já está sendo uma das minhas próximas leituras e será o filme da vez no Cine Pão de Queijo, com o grupinho do Catarse. 


Ed Gein, por Schechter e Powell, nos mostra a verdadeira face de um dos mais notórios e macabros assassinos da história dos Estados Unidos e não nos deixa esquecer das atrocidades que a mente humana é capaz de conceber. Uma história aterrorizante, que vale muito a pena ser lida.

Quer saber mais sobre um assassino notório da história dos Estados Unidos? Então saiba quem foi H.H. Holmes, o assassino da cidade branca:



Gosta do meu trabalho e quer apoiar de alguma forma? Conheça meu projeto no Catarse! Com esse apoio mensal é possível cobrir alguns custos para manter o trabalho, investir em equipamentos novos, pagar algumas continhas e dedicar mais tempo aos livros que tanto amo e quero apresentar para vocês ♥

11:11 No comments


A batalha fluvial de Mbororé representou um importante, porém, pouco falado capítulo da história brasileira. Em 1641, povos originários davam início ao que viria a ser a derrota dos bandeirantes, durante uma tentativa de dominação dos aldeamentos jesuítas. A batalha ficou conhecida como um ato de resistência por parte dos guaranis, um dos povos originários do Brasil, no Rio Uruguai.

A Batalha, de Fernanda Verissimo e Eloar Guazzelli, conta a história desse conflito e convida o leitor a fazer uma viagem do tempo pelas páginas de um quadrinho extremamente relevante. 

"É 1756, estamos na redução de São Luís , onde se concentram as forças guaranis, reunidas por caciques que não aceitaram os termos do tratado de Madri e resolveram lutar contra as coroas ibéricas para permanecerem nas reduções. São passados mais de cem anos da batalha fluvial de Mbororé, e há iminência de um novo conflito que colocará novamente frente a frente índios guaranis e tropas espanholas e portuguesas.

Às vésperas desse embate, um cacique e um padre jesuíta contam a um menino índio sobre a vitória acontecida em 1641, quando os guaranis – fugindo dos paulistas, que buscavam escravizá-los – e alguns padres jesuítas organizam a resistência numa curva do rio Uruguai chamada Mbororé. Esta batalha decisiva é recriada de modo extraordinário pelo roteiro de Fernanda Veríssimo e o traço de Eloar Guazzelli. Serão oito dias de combate até a vitória final, quando, forçados a se embrenharem na mata, os paulistas serão caçados pelos guaranis. Prepare seu coração para entrar nessa narrativa ao mesmo tempo trágica e insurgente."


FICHA TÉCNICA
Título: A Batalha
Autores: Eloar Guazzelli e Fernanda Verissimo
Páginas: 96
Ano: 2022
Editora: Quadrinhos na Cia (Companhia das Letras)
Nota: 3,5
Compre: Amazon
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA


A Batalha começa em 1756, às vésperas de uma batalha que colocará guaranis e as tropas de duas coroas europeias frente a frente. A confronto acontece mais de 100 anos após a batalha fluvial de Mbororé, que marcou a instalação definitiva dos trinta povos das missões. 


Fazendo uso de paletas de cores diferentes para representar dois momentos históricos distintos, A Batalha nos leva a 1641 e 1756. Como o jovem Inácio, um menino guarani a quem essa narrativa é contada, o leitor se vê vagando entre um passado não tão distante e um presente que se desenrola aos seus olhos. Um capítulo sépia, desbotado pela passagem do tempo dá lugar a quadros macabros, mesclando um vermelho sangrento e um preto chapado nas páginas. 

A edição da Quadrinhos na Cia, selo dedicado aos quadrinhos da Companhia das Letras conta com texto de Fernanda Veríssimo, ilustraçõe de Eloar Guazzelli e posfácio de Francisco Doratioto. 



Curta, sem muito texto e visualmente impactante, A Batalha faz uso do melhor da nona arte para apresentar dois capítulos importantíssimos da história brasileira. Um registro histórico poderoso e uma obra de arte para o leitor de quadrinhos. 

Com uma linguagem formal, característica da época em questão, o texto de A Batalha não é tão facilmente entendido. O contexto histórico apenas é mastigado para o leitor no posfácio que acompanha a edição. Recomendo pesquisar um pouco melhor sobre a história antes de mergulhar no quadrinho ou começar pelo posfácio, caso o leitor não veja problemas. 



A linguagem e a objetividade do texto original deixaram a desejar porque gostaria de ter tido mais contato com a história como um todo. Acredito que existe muito a ser explorado, seja por meio de mais páginas ou mais textos complementares, o que acabou pesando na minha nota final, o que não tira os méritos desse trabalho notável. 

Para além da história gráfica, o texto complementar de Francisco Doriatioto é um verdadeiro acréscimo à edição. Além de contextualizar as Grandes Navegações que deram início à colonização das Américas, o autor também discorre sobre o conflito entre Portugal e Espanha, o papel das missões jesuítas e sua influência no que viria a ser a batalha de Mbororé e situa o leitor a respeito dos desdobramentos que levaram a esse capítulo da história brasileira. Nas palavras de Doriatioto, "uma saga extraordinária numa curva perdida do rio Uruguai". 

PARA COMPLEMENTAR: recomendo a matéria do Aventuras na História, que se aprofunda um pouco mais na batalha fluvial de Mbororé, clique aqui. 

Gostou da resenha e quer outra indicação de um quadrinho histórico? Confira Radioativos, um dos meus favoritos de 2021! 


Agora também tenho um projeto no Catarse! Criei esse espacinho para conseguir me dedicar cada vez mais ao trabalho como criadora de conteúdo literário e para me aproximar ainda mais da comunidade de leitores incríveis que conheci ao longo dos anos na internet. Conheça o projeto aqui! 
12:26 No comments

 


Reality shows oferecem entretenimento para milhões de espectadores desde que começaram a ganhar popularidade. Nos últimos tempos, eles também têm sido uma bela janela da sociedade ao retratar pautas vigentes, principalmente relacionadas a minorias.

Entretanto, a falta de representatividade de corpos ainda é constante, infelizmente. Raramente nos vemos retratados nos seriados, filmes e, claro, reality shows que tanto adoramos assistir. Bea Schumacher, blogueira de moda plus size, decide dar voz a essa indignação em relação a um de seus programas favoritos e acaba sendo colocada como um bode expiatório para que mudanças na indústria comecem a acontecer. 

Essa é a premissa de De olho nela, estreia literária de Kate Stayman-London. Saiba mais! 


"Bea Schumacher é uma blogueira de moda plus size que tem amigos maravilhosos, uma família dedicada, uma legião de seguidores… e um coração partido. Para se distrair, toda semana ela acompanha o viciante reality show É pra casar, em que uma pessoa busca o amor verdadeiro entre vinte belos pretendentes.

Justo quando Bea desiste de vez de procurar pelo amor, ela recebe uma proposta intrigante: É pra casar quer que ela seja a próxima estrela do programa. Bea concorda, mas com uma condição: ela não vai se apaixonar de jeito nenhum. O que ela quer é dar mais visibilidade para sua carreira e para outras mulheres plus size, inspirando pessoas no país inteiro a se aceitarem.

Mas, quando as câmeras começam a rodar, ela percebe que as coisas serão mais complicadas do que ela esperava… Em uma narrativa montada a partir de tweets, roteiros e blogs de fofocas, Kate Stayman-London nos convida a mergulhar no mundo incrivelmente real de Bea."


FICHA TÉCNICA
Título: De olho nela
Autora: Kate Stayman-London
Páginas: 384
Ano: 2021
Editora: Paralela (Companhia das Letras)
Nota: 4,5
Compre: Amazon 
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA
AVISO DE GATILHO: gordofobia, assédio

Quantas influenciadoras plus size você acompanha? Quantas mulheres fora do "padrão" você vê nas novelas em papéis de destaque? Quantas mulheres gordas você viu como protagonistas de reality shows? É isso que Bea Schumacher questiona ao criticar um de seus programas favoritos. E sua opinião faz barulho, como deveria fazer. E incomoda, como é de se esperar. 

Programas de TV cujo mote é encontrar um par perfeito estão aí aos montes e todos os anos somos capturados por um novo. Entretanto, algo tende a se manter: o padrão de corpos que, na verdade, não são padrão de verdade. De olho nela traz para a ficção uma realidade extremamente comum. Kate Stayman-London mescla a narração dos acontecimentos em ordem cronológica, recortes de matérias de jornais, blogs e revistas, comentários de internautas, transcrições de programas de TV e diversos outros recursos para mostrar a pluralidade da cobertura da mídia. São aspectos que são ainda mais credibilidade para a história são transferidos para a narrativa. 

"Não que esteja fora de cogitação algum dia me casar, ter filhos, família - eu quero tudo isso. Mas essa parte de namorar não está indo nada bem ultimamente, então eu meio que desencanei. Não parece o melhor momento da minha vida pra participar de um reality show de romance, né?" Página 51

De olho nela foi um romance que me chamou a atenção logo de cara justamente pela premissa e o storytelling muito bem desenvolvido pela autora. Para uma estreia literária, Kate Stayman-London mostra a que veio com uma escrita maravilhosa. Entretanto, o desenvolvimento dos personagens, principalmente da protagonista deixa a desejar um pouco. Em determinados momentos senti que faltou profundidade à Bea, principalmente no decorrer da história. A forma como ela reagia a determinadas situações também pareceu um pouco irreal, ainda mais levando em conta o contexto do livro. Senti que faltou um pouco de maturidade a ela, ainda mais levando em conta o tom firme e impositivo que ela tinha em seu texto, que serve como estopim para a história. 


O livro esbarra em diversos assuntos que vão além de uma história de amor romântico. Muito além do reality no qual Bea Schumacher protagoniza, iremos acompanhar a sua jornada em busca da cura da forma como ela mesma se vê e se autossabota constantemente. A autora também traz, de forma crua e assustadora, a reação de haters e da sociedade como um todo, que demoniza ou supersexualiza os corpos gordos. De olho nela nos coloca na pele de uma mulher que precisa lidar, diariamente, com a opinião invasiva e cruel das pessoas ao seu redor. 

"O que a Bea de dezessete anos acharia se pudesse ver seu futuro como uma estrela de TV com um monte de homens lindos como pretendentes? A admiração dela se despedaçaria se soubesse que era tudo uma farsa?" Página 185


De olho nela, apesar de ter alguns pontos que poderiam ser melhorados na narrativa e no desenvolvimento dos personagens, é uma leitura necessária. A leitura flui muito bem, a escrita de Kate é uma delícia e o romance é muito gostoso de acompanhar. De olho nela traz uma vibe mais moderna para um estilo de comédia romântica clássica, uma indicação bem acertada para fãs do gênero. 

"Bea obrigou seu corpo a se mexer. Ela saiu do quarto 108 e voltou ao corredor, atravessou o saguão e pegou o elevador que levava à sala de figurino. Enquanto esperava, percebeu com uma amiga a ironia que sua visita a Lauren teve exatamente o efeito desejado: Bea não tinha mais dúvida nenhuma sobre quem deveria mandar para casa." Página 312

Gostou da resenha e quer conhecer outro romance? Confira a resenha de Os números do amor! 

Participe do grupo exclusivo no Telegram para ter acesso a conteúdos exclusivos sobre o mercado editorial, literatura e ainda fica à par dos lançamentos mais aguardados ♥

11:30 No comments

 


A história não costuma ser gentil com as mulheres, mesmo aquelas que deixaram um legado inquestionável. Marie Curie é uma delas. Sua vida também não foi tão gentil com uma mulher que perdeu o amor de sua vida, teve seu trabalho questionado, foi alvo da mídia e ainda precisou ver as consequências trágicas de um trabalho fantástico. 

Radioativos nos conta parte dessa história e faz o que os quadrinhos fazem de melhor: com uma narrativa extremamente visual, nos suga para a vida de uma mulher que a história nunca permitiu que esquecêssemos. E nem deveríamos. 


"Radioativos conta a história de Marie Curie, a física polonesa radicada na França famosa por seu trabalho com a radioatividade ― e a primeira pessoa a ganhar o Nobel duas vezes. O livro mostra sua infância, sua história de amor e colaboração científica com o marido Pierre, e a maneira como suas descobertas, que incluíam o rádio e o polônio, os envenenaram em câmera lenta.

Para as ilustrações, a autora usou um processo chamado impressão cianotipada, em que um desenho, através de um processo químico que envolve luz solar, se transforma numa espécie de negativo brilhante do original. E a partir de entrevistas com cientistas, engenheiros, sobreviventes de bombas atômicas e a neta de Marie e Pierre Curie, Redniss recriou com fidelidade a atmosfera e os embates científicos da Paris fin de siècle. Com um texto extraordinário e ilustrações deslumbrantes, Radioativos é uma narrativa vibrante, uma história de amor cheia de emoção e, sobretudo, uma obra de arte perfeita."


FICHA TÉCNICA
Título: Radioativos: Marie & Pierre Curie, uma história de amor e contaminação
Autora: Lauren Redniss
Páginas: 208
Ano: 2021
Editora: Companhia das Letras
Nota: 5
Compre: Amazon
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA


Marie Curie segue como uma das mulheres mais importantes e notórias da história da ciência. Foi a primeira mulher na França a receber o título de doutora, a primeira pessoa a receber dois prêmios Nobel, a primeira mulher a ganhar o mesmo prêmio, foi a primeira mulher a se tornar professora na Universidade de Paris e a primeira mulher a ser sepultada por seus méritos no Panteão de Paris. Em relação à forma como ela é descrita dentro da relação com Perie, a autora diz: “ele encontrou uma mulher que não impediria suas ambições científicas, mas serviria como colaboradora, musa e guia.”

A história de amor de Marie e Pierre Curie se tornou quase tão conhecida quanto o legado que deixaram na ciência. Radioativos começa com as páginas em preto e branco, traços minimalistas e quase grosseiros, com linhas de texto ocupando grande parte das páginas para contar, separadamente, a história de Marie e Pierre Curie. À medida que as vidas dos dois se entrelaçam, as páginas ganham cores e são preenchidas às vezes mais por ilustrações e desenhos do que pelo próprio texto. As cores também contam uma história paralela em Radioativos e parecem realmente vibrar nas páginas do livro.

Dividido entre a narração em terceira pessoa e trechos de diários do casal, a história é conduzida de uma forma diferente e extremamente envolvente. É difícil tirar os olhos da página de Radioativos. O quadrinho é um verdadeiro deleite para o leitor.  

O storytelling usado por Lauren Redniss é impecável. Se Leonardo da Vinci acreditava na unidade da natureza e que o micro espelha o macro e vice-versa, Radioativos faz uso de um pensamento semelhante para contar a história do casal. Enquanto a história do casal, com foco em Marie Curie é contada de forma cronológica, temos inserções da contribuição futura de seu trabalho - mesmo que não positiva -, como a influência de suas descobertas no desenvolvimento da bomba atômica por Oppenheimer, por exemplo. 

Radioativos é um livro que, mais do que contar a história de um casal de célebres cientistas, fala sobre heranças, sejam elas boas ou ruins. Para falar sobre radioatividade e esse capítulo na história é preciso honrar a memória daqueles que foram lesados pelo uso indevido de uma descoberta científica que foi, também, usada como arma. Mesclando desenhos e fotografias, Radioativos fala, como nenhuma outra publicação até então, da descoberta do rádio e do polônio, da vida de dois seres humanos únicos, dos sobreviventes de bombas atômicas e da herança familiar deixada por Marie e Pierre Curie. 

Um dos melhores quadrinhos do ano, Radioativos é uma verdadeira obra de arte que merece um destaque único. 

Gostou do livro e quer mais uma indicação? Então confira Medicina Macabra 2!



Participe do grupo exclusivo no Telegram para ter acesso a conteúdos exclusivos sobre o mercado editorial, literatura e ainda fica à par dos lançamentos mais aguardados ♥

10:10 No comments

 


Depois de Respire, tenho ficado cada vez mais atenta aos livros de não ficção da Editora Intrínseca, especialmente voltados para desenvolvimento pessoal e conhecimentos a respeito da forma como ocupamos o mundo.

Além disso, nos últimos tempos criei o hábito de acordar mais cedo que o normal para estudar assuntos que me interessam. É meu tempinho diário, um ritual necessário, que dedico apenas a consumir algum conteúdo que acrescente algo para além do trabalho ou das obrigações diárias. Pensando nisso, quando encontrei O que é a vida? me senti tentada a inserir a leitura nessa rotina.

Saiba mais sobre o livro escrito pelo ganhador do prêmio Nobel, Paul Nurse, na resenha de O que é a vida?

"O renomado geneticista e biólogo celular Paul Nurse dedicou a carreira a desvendar o funcionamento de células vivas. Em O que é a vida?, ele aceita o desafio de descrever o ciclo celular e, consequentemente, o que significa estar vivo de um jeito descomplicado e elegante, acessível a todos os leitores.

Para explicar o que é a vida, Nurse aborda cinco grandes ideias que são a base da biologia: a célula, o gene, a evolução por seleção natural, a vida enquanto química e a vida enquanto informação. Além de tratar de questões fundamentais e contar sobre o próprio trabalho e suas importantes descobertas (como quando identificou o gene cdc2), ele apresenta outros cientistas que contribuíram para os avanços mais notáveis. E, ao falar de suas experiências dentro e fora do laboratório, compartilha conosco os desafios, os lances de sorte e os momentos emocionantes de revelações.

Com uma linguagem direta e clara, o autor escreve sobre a riqueza da vida, conferindo à biologia o devido reconhecimento em nosso tempo. Afinal, para sobreviver aos desafios que enfrentamos todos os dias doenças, mudanças climáticas, pandemias, perda da biodiversidade e segurança alimentar, é vital que todos nós entendamos o que é a vida em seu estado mais primordial."

 

FICHA TÉCNICA
Título: O Que é a Vida?
Autor: Paul Nurse
Páginas: 256
Ano: 2021
Editora: Intrínseca
Nota: 3,5
Compre: Amazon 
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA

 

O que é a vida? Talvez essa seja a pergunta mais frequente já feita. Filósofos ao longo da história tentaram responder essa pergunta, escritores buscaram inspiração nos mistérios da vida para algumas das melhores histórias que conhecemos e até mesmo nós, em crises existenciais diárias, nos perguntamos sobre o que nos fez chegar até aqui. Paul Nurse, ganhador do prêmio Nobel, decidiu aceitar o desafio de responder a essa pergunta pelas lentes da biologia.


Nurse parte do princípio de que a vida é construída em cinco passos: a célula, o gene, a evolução por seleção natural, a vida enquanto química e a vida enquanto informação. Ao longo de cinco capítulos centrais o autor explica, de forma didática, acessível e divertida, algumas das questões centrais da biologia e do entendimento biológico para um entendimento maior sobre o que é a vida e de onde ela vem.

Assim como os livros de Stephen Hawking, O que é a vida?, de Paul Nurse, busca tornar o conhecimento mais acessível, mesmo para quem não tem esse tipo de livro como leitura comum. O autor mescla as explicações a respeito dos cinco passos da vida ou da biologia com suas experiências, reflexões de filósofos e analogias que tornam a compreensão das informações bem mais fácil.


Em tempos sombrios envoltos pelo negacionismo, Paul Nurse tenta reconquistar a confiança na ciência por meio dos ensinamentos básicos, que servem de fundação para tudo o que a ciência e a medicina se utilizam hoje. Assim como
Medicina Macabra 2, O que é a vida? é publicado em um momento extremamente propício e necessário.

O conteúdo dos cinco capítulos centrais é interessante, mas não foge do que encontramos em livros didáticos ou aulas de biologia comuns, então a maior parte do livro acaba não saindo do que é óbvio (afinal, seu conteúdo é baseado em fatos e não em interpretações). Por isso, talvez, a leitura pode ser repetitiva para quem já teve contato com essas informações e, talvez, não tenha tanto interesse em relembrá-las no formato de um livro comercial. A linguagem lembra bastante a de textos como da revista Superinteressante, que trazem a mesma proposta.



Os ensaios finais, a meu ver, são o ponto alto do livro. É por meio deles que o autor mostra sua voz e discorre sobre a importância da informação pura e simples para a vida. Como jornalista e comunicadora, me pego refletindo constantemente sobre isso e é interessante ter essa visão por parte de um pesquisador tão renomado quanto Paul Nurse. O autor fala como coletar informações está relacionado a um senso de propósito e constrói o argumento com embasamento científico.

O que é a vida? fala também sobre a importância do conhecimento para entender nosso papel na terra e a forma como coexistimos. Paul Nurse traz um livro interessante, rico e oportuno para uma nova geração de leitores.

Gostou da resenha e quer uma indicação de livro do gênero? Então conheça Respire: A Nova Ciência de Uma ArtePerdida!


Participe do grupo exclusivo no Telegram para ter acesso a conteúdos exclusivos sobre o mercado editorial, literatura e ainda fica à par dos lançamentos mais aguardados ♥

11:11 No comments


 C.J. Tudor é o novo fenômeno dos apaixonados por thrillers. A autora de O Homem de Giz fez barulho em sua estreia, tendo conquistado um público fiel que continuou acompanhando seu trabalho em O que aconteceu com Annie e As Outras Pessoas. Agora, C.J. retorna com seu mais novo lançamento: Garotas em Chamas. Saiba mais! 

"Há muito tempo uma história sinistra é contada na pequena Chapel Croft. Cinco séculos atrás, mártires protestantes foram traídos, e então queimados. Trinta anos atrás, duas adolescentes desapareceram sem deixar vestígios. E há algumas semanas, o responsável pela paróquia local se enforcou na nave da igreja.

A reverenda Jack Brooks, mãe solteira de uma jovem de quatorze anos, chega a esse vilarejo em busca de um recomeço. Em vez disso, encontra um lugar tomado por conspirações e segredos, e é recebida com um estranho pacote de boas-vindas: um kit de exorcismo e um bilhete: Não há nada escondido que não venha a ser descoberto.

Quanto mais Jack e sua filha, Flo, exploram a cidadezinha e conhecem seus estranhos moradores, mais as duas se aprofundam em feridas antigas, mistérios e suspeitas. E, quando Flo começa a ver meninas ardendo em chamas, fica evidente que há fantasmas por ali que se recusam a descansar em paz."


FICHA TÉCNICA
Título
: Garotas Em Chamas
Autora: C.J. Tudor
Páginas: 352
Ano: 2021
Editora: Intrínseca
Nota: 4
Compre: Amazon 
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA


A pequena cidade de Chapel Croft guarda uma história interessante, para dizer o mínimo. Garotas em Chamas são bonecas de gravetos características do lugar, são feitas para homenagear os Mártires de Sussex - oito pessoas queimadas na fogueira durante a expurgação de protestantes (1553-58) da rainha Mary. Duas garotinhas estavam entre os mártires. Essas Garotas em Chamas são incendiadas em uma cerimônia que acontece todos os anos no aniversário da perseguição. Uma tradição que, para algumas famílias, significa uma honra, enquanto para outras é um símbolo de violência e tradicionalismo. 


Cidades pequenas vivem por suas tradições, muitas delas se remetendo às famílias mais antigas do local. Muitas vezes a história dessas cidades é contada pela história dessas famílias. Esse é o caso de Chael Croft e de seus habitantes. Quando Jack Brooks, nova reverenda designada para atuar na região, e sua filha de 15 anos chegam à cidade, elas precisam lidar com o conflito de gerações, o estranhamento do vilarejo ao receber uma mulher para atuar como vigária em um lugar tão antiquado, e acontecimentos macabros. 

O livro já começa inquieto, somos apresentados a acontecimentos arrepiantes e instigantes desde a primeira página. Garotas em Chamas brinca com o sobrenatural e o suspense a cada parágrafo e se mostra uma leitura fácil e rápida logo de cara. A ambientação é feita de imediato e o livro conta com muitos diálogos para fazer fluir a história. É um livro pouco descritivo e pouco complexo, o que faz com que seja facilmente assimilado por leitores que estão começando a se aventurar no gênero. 


Todos os capítulos terminam com cliffhangers, além de serem bem pequenos, com pouco mais de cinco, seis páginas, o que faz com que aquela vontade de ler "só mais um capítulo" surja o tempo todo. Foi um livro que li em duas tardes, durante os sprints de leitura lá na Twitch. 


Garotas em Chamas é meu primeiro contato com o trabalho de C.J. Tudor e me deixou bem curiosa para conferir seus outros livros e histórias. Além de explorar bem o suspense, a autora também traz alguns assuntos ao longo da narrativa que tornam a leitura mais interessante, mesmo que abordados de forma superficial. C.J. Tudor, por meio da narração da protagonista, reflete sobre o conservadorismo, o apego a tradições, fanatismo religioso e a presença feminina em espaços tradicionalmente masculinos. 

Uma das características que me faz gostar ou não de um thriller é sua capacidade de me deixar no limiar entre a curiosidade e o medo, aquele calafrio na espinha ao suspeitar de que a próxima página pode mudar tudo o que você considerava como certeza ou, de forma assustadora, confirmar um palpite arrepiante. Garotas em Chamas me deixou assim e me fez relembrar porque gosto tanto de livros de suspense e porque sinto tanta falta dos bons. 


Entretanto, alguns elementos me incomodaram e me deixaram um pouco decepcionada com a leitura. O comportamento de alguns personagens se apega aos clichês de livros do gênero, fazendo com que algumas cenas se tornassem extremamente previsíveis. A inconsistência na personalidade de alguns também deixa a desejar, assim como algumas resoluções fáceis demais. A reviravolta no final foi um dos pontos altos para mim e compensou alguns furos do começo. 

Garotas em Chamas é uma boa porta de entrada para os livros de C.J. Tudor e é uma boa recomendação para quem busca um suspense rápido de ler e fácil de ser fisgado logo de cara. O livro já vai virar uma série e tem tudo para ser uma das boas. 

Gostou do livro e gostaria de outra recomendação de um suspense arrepiante? Então conheça Por trás de seus olhos!


Participe do grupo exclusivo no Telegram para ter acesso a conteúdos exclusivos sobre o mercado editorial, literatura e ainda fica à par dos lançamentos mais aguardados ♥ 

08:43 No comments

 


Em 2019 chegou ao Brasil mais uma série de quadrinhos idealizada por Jeff Lemire: Descender: Estrelas de Lata. Agora, quase dois anos depois, chega às livrarias a continuação que expande ainda mais esse universo e que, muito em breve, chegará às telas também.  

Saiba mais sobre Descender: Lua Mecânica Volume 2!

"No segundo volume da série vencedora do Eisner Awards, o androide Tim-21 chega a um novo planeta que pode ser exatamente o que ele procurava. Mas nem tudo é o que parece… A última lembrança de Tim-21 foi o beijo de boa-noite de sua mãe humana. Ao despertar, dez anos depois, ele se depara com uma realidade aterrorizante. Ao narrar a luta do jovem androide para sobreviver em um mundo que deseja aniquilá-lo, Jeff Lemire, criador de Black Hammer, e Dustin Nguyen deram vida a Descender, um épico comovente e apaixonante que conquistou milhares de fãs e foi agraciado com o Eisner, um dos prêmios mais importantes dos quadrinhos. No segundo volume, Lua Mecânica, que reúne os fascículos de 7 a 11, os autores dão sequência à jornada eletrizante de Tim-21 e seus amigos. Novas alianças se formam, antigas ameaças se fortalecem, e a chegada do robô a um lugar misterioso pode mudar drasticamente o destino da galáxia. No passado, robôs gigantes conhecidos como Ceifadores destruíram planetas e civilizações, criando nos que restaram uma aversão às máquinas. Desde então, foram implementadas políticas de perseguição e extermínio de robôs. Essa caça implacável põe em risco a vida de Tim-21, que pode conter em seu código vestígios dos assassinos do passado, o que faz dele o ser mais procurado do universo. Mas talvez ele não seja o único. Ao lado dos amigos, ele percorre planetas e galáxias, desviando de inimagináveis perigos para tentar sobreviver. Quando chega a um novo planeta, percebe que esse lugar surpreendente pode ser o que ele tanto procura: um lar. Mas será que é mesmo seguro?"


FICHA TÉCNICA
Título: Descender: Lua Mecânica (Descender #2)
Autor: Jeff Lemire
Páginas: 128
Ano: 2021
Editora: Intrínseca
Nota: 4,5
Compre: Amazon 
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA


Em Descender: Estrelas de Lata, Jeff Lemire nos apresenta um universo de sci-fi que agrada desde os fãs mais apaixonados pelo gênero até leitores de quadrinhos que estão começando a se aventurar na ficção científica. Em Lua Mecânica, Jeff expande ainda mais esse universo, trazendo evoluções perceptíveis na trajetória de alguns dos protagonistas. 


Um ataque de robôs quase divinos, conhecidos como Ceifadores, mudou a história da galáxia. No primeiro volume da série somos introduzidos a esse universo e às sequelas desse acontecimento. Tim-21, um jovem androide de aparência humana, criado para fazer companhia para crianças humanas, foi desligado e abandonado na lua Dirishu-6 pouco antes do ataque. Dez anos depois, ele desperta e se vê perdido e confuso em meio a uma realidade extremamente hostil aos robôs. 

Entretanto, Tim-21 tem em seu código o que pode ser a resposta para entender as origens dos Ceifadores e, de repente, a galáxia inteira está atrás do pequeno robô, que precisa lidar com essa nova realidade ao mesmo tempo em que precisa entender em quem pode confiar. 


Em Descender: Lua Mecânica Volume 2, Tim-21 desbrava novos cenários de um universo que parece querer atraí-lo cada vez mais. Mas até que ponto ele pode confiar nesses novos personagens que prometem um mundo mais pacífico e tolerante? Alguns personagens ganham ainda mais espaço como queridinhos dos leitores, enquanto outros chegam com desconfiança e prometem abalar as certezas dos próprios leitores.

Alguns elementos das histórias de Lemire continuam presentes em Descender como as relações e dramas familiares, mesmo que essa ligação não seja de sangue. Com Descender, Jeff Lemire e Dustin Nguyen trabalham a intolerância por meio de conflitos entre os seres de carne e osso e os androides. Em um mundo cada vez mais polarizado é importante observar a sétima arte abordando o tema com novas roupagens.


Descender continua sendo uma belíssima porta de entrada para a ficção científica. A série une a praticidade e acessibilidade das histórias em quadrinhos com uma narrativa fácil de envolver e de fácil compreensão, ao contrário de outros sci-fi's que exigem um pouco mais de familiaridade com o gênero. 

Descender tem um traço bem delicado, mesmo se tratando de uma história com bastante referência às novas tecnologias, e as páginas são bem coloridas, trazendo uma experiência visual agradável. Os fascículos são curtos e a HQ como um todo, na edição da Intrínseca, é maravilhosa. 


Valeu a pena esperar quase dois anos para a continuação chegar ao mercado brasileiro e mal posso esperar para continuar a mergulhar nessa trama que faz jus ao sucesso de Lemire. Descender é uma odisseia cósmica que discute família, amizade, intolerância e a relação muitas vezes conflituosa entre humanos e tecnologia. 

Descender já teve os direitos de adaptação para o cinema adquiridos pela Sony Pictures e para a TV pela NBCUniversal International Studios, então muito em breve teremos mais uma adaptação literária chegando. 

Outros trabalhos de Jeff Lemire publicados no Brasil para conhecer: 

  • Black Hammer
  • Family Tree
  • Royal City 


Participe do grupo exclusivo no Telegram para ter acesso a conteúdos exclusivos sobre o mercado editorial, literatura e ainda fica à par dos lançamentos mais aguardados ♥

07:54 No comments
Older Posts

About me

Whats-App-Image-2020-02-10-at-14-04-15

Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

Follow

Assine a newsletter!


Seguidores

Follow

Popular Posts

  • Entenda a ordem de leitura da Irmandade da Adaga Negra
  • 8 autoras de romances adultos que você precisa conhecer
  • Resenha: O Inferno de Gabriel
  • O que é a leitura sensível?
  • Resenha: A sutil arte de ligar o f*da-se
  • Tirinhas para acompanhar no twitter
  • Resenha: A Seca
  • 13 episódios de desenhos animados para assistir no dia das crianças
  • Dicas para tirar fotos incríveis de livros
  • Resenha: Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino
online

Created with by ThemeXpose