Resenha: Family Tree - Volume 1

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Os fãs de quadrinhos estão vivendo um momento próspero com grandes editoras abraçando alguns dos artistas mais adorados pelos leitores e lançando seus trabalhos para o público mainstream. A Intrínseca vem se tornando uma casa para os quadrinhos de Jeff Lemire e, em março, lançou o primeiro volume de Family Tree: Nascimento. 

"Não espere por meteoros, pragas ou guerras. No universo imaginado pelos aclamados quadrinistas Jeff Lemire e Phil Hester, o fim do mundo tem início num dia qualquer, numa cidade qualquer, quando uma menina de oito anos começa a se transformar numa... árvore.

Para salvá-la antes que seja tarde demais, sua mãe, seu irmão e seu excêntrico avô embarcam numa jornada bizarra e perigosa em busca da cura e de respostas, deparando-se com diversas ameaças pelo caminho, como mercenários assassinos e adeptos de cultos fanáticos, todos dispostos a destruir a menina ou usarem-na para benefício próprio. A cada passo longe de casa, mais a menina-árvore se vê perto de completar essa terrível transformação, correndo o risco de perder para sempre sua humanidade. Ou talvez tornar-se o que nasceu para ser.

Sombrio e impactante, este primeiro volume de Family Tree reúne os quatros fascículos iniciais da série, uma visão única do subgênero conhecido como body horror, ou horror corporal. Mistério, ação e terror se combinam nessa distopia sobrenatural sobre laços familiares indestrutíveis e a força apocalíptica da natureza."

FICHA TÉCNICA
Título: Family Tree: Volume 1
Autores: Jeff Lemire e Phil Hester
Ano: 2021
Páginas: 96
Idioma: Português
Editora: Intrínseca
Nota: 5
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Em Family Tree Jeff Lemire traz elementos que consagraram suas histórias como uma melancolia latente nos personagens e um núcleo familiar disfuncional e carregado de drama. O primeiro volume da nova série do artista vem para exaltar traços que o tornaram um dos principais quadrinistas atualmente e ainda abre um leque de possibilidades. 

A história começa com Loretta, mãe de dois filhos, refletindo sobre os acontecimentos que levaram ao fim do mundo, um apocalipse diferente de tudo o que imaginamos. “Não aconteceu como as pessoas imaginaram que aconteceria. Não foi uma guerra, não foi uma bomba ou um meteoro atingindo a Terra. O mundo não acabou de uma vez só. Acabou devagar... uma família de cada vez.” 

Quando sua filha de oito anos começa a se transformar em uma árvore e, de repente, sua família começa a ser perseguida por um grupo violento, ela precisa proteger seus filhos como pode enquanto procura a cura para essa doença misteriosa. O que ela não esperava é que personagens do seu passado fossem desempenhar um papel crucial nessa jornada. 

Family Tree traz a forte de um narrador problemático, com um passado capaz de interferir de forma constante na maneira com a qual ele vê o mundo e você sua vida. Os encontros e desencontros de personagens e suas histórias começam a ganhar espaço à medida que a narrativa corre, com novos nomes sendo apresentados a todo instante. 

Family Tree brinca bastante com analogias e metáforas. Exemplifica as raízes, a ancestralidade e a conexão familiar de uma forma ainda mais clara do que trabalhos anteriores de Jeff Lemire. O próprio título da série mostra isso ao fazer o paralelo entre Family Tree, que seria o mesmo que árvore genealógica, com a premissa da história de trazer personagens literalmente se transformando em árvores. 


É interessante pensar nos detalhes escolhidos para fugir de clichês e aprofundar em um enredo apocalíptico que teria tudo para ser apenas mais uma história de fim do mundo. Em Family Tree, a natureza se manifesta nos personagens, seja ela literal, por meio das árvores, seja ela metafórica, com a busca de uma identidade, de um lugar comum.  

Family Tree tem a paleta de cor mais sombria do que em quadrinhos como Black Hammer, Descender e Royal City. A predominância de cores mais escuras como preto, roxo e verde escuro dá o tom da graphic novel mais violenta que li de Lemire ate hoje. 

Mais uma vez a ambientação criada pelo artista é impressionante, tornando a leitura muito imersiva e envolvente. Além do deleite visual, a história é bem construída, oferecendo ao leitor apenas o suficiente para que ele possa se sentir conectado aos personagens e tenha a curiosidade atiçada. O primeiro volume acaba com um belíssimo cliffhanger, mal pude acreditar que terminaria dessa forma. 

Family Tree: Nascimento reúne os quatro fascículos iniciais da série criada por Jeff Lemire e Phil Hester e traz pouco mais do que uma introdução e deixa um enorme gosto de quero mais. Muita coisa ainda não foi explicada, deixando o leitor com mais perguntas que respostas e muitas suposições. Family Tree é uma série extremamente promissora e, assim como fiquei depois de ler Descender, mal posso esperar pelos próximos volumes dessa história que já me fisgou de primeira. 


Gostou da resenha e quer conhecer outros trabalhos de Jeff Lemire? Então confira a resenha de Black Hammer

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