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Nostalgia Cinza

 


Prêmios literários, adaptações aguardadas pelos fãs, transformações no varejo, novos programas de fidelização para leitores e sinais preocupantes sobre os hábitos de leitura ao redor do mundo. A última semana foi movimentada para quem acompanha o mercado editorial e a indústria do livro.

Reuni em um boletim literário alguns dos acontecimentos que mais chamaram atenção no Brasil e no exterior: da consagração de autoras em importantes premiações literárias ao anúncio da adaptação de um dos romances mais populares do BookTok, passando por debates sobre a concentração do mercado, o fechamento de livrarias em diferentes países e até um curioso caso de reimpressão de mais de 55 mil exemplares por causa de um erro de digitação.

Confira os principais destaques que movimentaram o universo dos livros nos últimos dias ⤵️

Julia Elliott leva prêmio de US$ 150 mil dedicado a escritoras e pessoas não binárias

Julia Elliott venceu a edição 2026 do Carol Shields Prize for Fiction com a coletânea de contos Hellions (Tin House Press) e foi premiada com US$ 150 mil. Este é considerado o maior prêmio literário em língua inglesa dedicado exclusivamente a escritoras e pessoas não binárias dos EUA e do Canadá. A coletânea de contos mistura folclore, contos de fadas, gótico sulista e terror.

Eliana Alves Cruz vence Prêmio Guimarães Rosa, da ABL, com 'Meridiana'

A carioca Eliana Alves Cruz foi a primeira vencedora do Prêmio Guimarães Rosa, criado ainda este ano pela Academia Brasileira de Letras (ABL) e entregue ao melhor livro de ficção publicado em 2025, com o romance Meridiana (Companhia das Letras). De acordo com a comissão julgadora, Meridiana se destacou por construir uma “odisseia, ou anti-odisseia, de uma família negra”, em uma narrativa marcada pela intensidade emocional e pelos conflitos desencadeados pela mudança de classe e de território.

Quebrando o Gelo será adaptado pela Netflix

A Netflix anunciou que adaptará o best-seller Quebrando o Gelo, da autora Hannah Grace, seguindo sucessos de séries de romances de hóquei como Off Campus e Heated Rivalry. A série terá como produtora executiva Alex Cooper, criadora do podcast Call Her Daddy. O romance passou 70 semanas consecutivas na lista de best-sellers do New York Times, ultrapassando a marca de 5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, foi traduzido para 24 idiomas e distribuído em 34 territórios, se consolidando como um fenômeno internacional.

Magazine Luiza e Amazon fecham parceria comercial

Com o acordo, Magazine Luiza passa a vender produtos no site da Amazon do Brasil. Mais de 12 mil produtos entram nessa parceria, incluindo itens de terceiros comercializados pela Magalu e produtos de suas marcas, como KaBuM!, Netshoes e Época Cosméticos. Apesar de representar uma tendencia do mercado de centralizar clientes, especialistas afirmam que essa concentração dificulte ainda mais a entrada de pequenas empresas no setor.

Audible lança novo programa que recompensa membros por ouvirem seu conteúdo

A Audible anunciou o lançamento do Audible Rewards, um programa que reconhece e recompensa os usuários por ouvirem seus audiolivros por meio de vantagens e descontos exclusivos, desafios gamificados, níveis de benefícios etc. O programa Audible Rewards já começou a ser disponibilizado para clientes nos Estados Unidos, em plataformas iOS, Android, web e Amazon.com, com planos de expansão para outros mercados em 2027 e anos seguintes.

França perde livrarias, confirma mau momento do mercado editorial local e evidencia crise na leitura

Em 2025, o Centro Nacional do Livro (CNL) da França contabilizou 83 aberturas de livrarias contra 85 fechamentos, resultando em um saldo líquido negativo pela primeira vez desde o início do monitoramento, em 1993. No mesmo período, 57 livrarias foram objeto de aquisições ou fusões. De acordo com uma análise publicada no site francês Actualitté, a crise no mercado livreiro francês cruza-se com uma crise que vem sendo notada nos hábitos de leitura.

Mais de 55 mil exemplares de Heated Rivalry serão recolhidos e reimpressos por erro de digitação antes do lançamento

Mais de 55 mil exemplares do livro "Heated Rivalry", de Rachel Reid, serão destruídos e reimpressos na França depois que o título foi grafado incorretamente na lombada com um "T" a mais, transformando o livro em "Heatted Rivalry". A edição francesa, que tinha seu lançamento previsto para o dia 18 de junho, precisou ser empurrada para o final do mês após um recall. Segundo a Chatterley, editora francesa que detém os direitos de publicação da série, as cópias defeituosas nunca serão comercializadas, mas serão recicladas. A decisão é por reimprimir os livros para garantir qualidade editorial e o trabalho de marketing. 

Os leitores franceses preferem as livrarias independentes

Segundo relatório do sindicato de livrarias da França, revelou um forte apoio às livrarias independentes entre seus clientes, que representam 26% da população francesa. Dentre eles, 38% se declaram apoiadores do comércio local e 33% relatam ter aumentado o tempo dedicado à leitura nos últimos anos (uma média de 12,2 livros por ano). A pesquisa também constatou que 36% aumentaram suas compras em livrarias independentes desde a implementação da taxa mínima de entrega para pedidos de livros online na França. No entanto, com o crescimento do e-commerce, as livrarias estão encontrando cada vez mais dificuldades para manter a viabilidade econômica em um setor construído em torno de um grande número de títulos e margens relativamente baixas.

Monopoly lançará edição especial de ACOTAR

Enquanto os leitores aguardam os próximos livros da série Corte de Espinhos e Rosas, de Sarah J. Maas, Monopoly, o famoso jogo de tabuleiro, ganhará duas edições ACOTAR este ano, ambas inspiradas nos três primeiros livros da série — Corte de Espinhos e Rosas, Corte de Névoa e Fúria e A Corte de Asas e Ruína. O jogo vermelho será uma versão padrão do jogo, enquanto o Monopoly: A Court of Thorns and Roses, na cor verde, será uma edição especial exclusiva da Amazon, que inclui um marcador de jogo colecionável extra.

Japão tem menos de 10 mil livrarias pela primeira vez

De acordo com uma pesquisa do Japan Publishing Infrastructure Center, o número de livrarias em todo o país atingiu 9.993 no final do último ano, caindo para menos de 10 mil lojas pela primeira vez desde o início da contagem, em 1994. O número de livrarias no Japão atingiu o pico de 24.237 em 1998 e depois começou a cair, com a expansão da internet e o crescimento das livrarias online reduzindo para pouco mais de 40%.

Para conferir outras manchetes literárias e falar de forma um pouco mais aprofundada sobre temas e notícias relevantes do mercado editorial, confira meu último videocast ⤵️


08:24 No comments


 Muitos livros, filmes, contos de fadas se passam na neve e no inverno. O inverno tem uma áurea de magia, de sombrio, mas é também uma época extremamente simbólica e potente. Sou uma pessoa que segue muito os rituais da roda do ano, então as estações e seus simbolismos me pegam muito. Por isso me senti tão conectada com Inverno da Alma. 

A Katherine May traz curiosidades sobre as mais diversas camadas do inverno. Desde o funcionamento das folhas no hemisfério norte que mudam de cor com as estações, o trabalho de animais como abelhas e formigas que se preparam para os meses mais frios do ano, o comportamento de lobos. E tudo sempre trazendo pra si porque ela mergulhou no inverno por causa de momentos bem profundos que ela mesma estava passando.

Eu sou apaixonada por tentar entender um pouco como as pessoas enxergam o mundo e a vida. E Inverno da Alma navega pelo olhar sensível e apurado da autora. Os capítulos são divididos em meses do ano e eu adorei essa estratégia porque o inverno, talvez mais que qualquer estação, ensina sobre a passagem do tempo.

A Katherine May usa o exemplo do inverno, com todos os dados, referências, que eu comentei, pra falar sobre um inverno metafórico que acontece com a gente em diversos momentos da vida. Talvez as pessoas com útero consigam perceber melhor esses invernos pelos ciclos do próprio corpo, mas vale pra todo mundo que tenha uma mínima sensibilidade pra perceber mudanças sutis

Gosto de pensar sempre que o micro é uma representação do macro e que o macro se faz presente na percepção do micro. Da mesma forma como as estações mudam e isso impacta todas as formas de vida, quando a gente se permite perceber as mudanças sutis que acontecem com a gente, também podemos transformar nossa relação com a vida. E sinto que o livro é muito sobre isso. Um convite para acolhermos nossos ciclos e nos permitirmos enxergar beleza principalmente nos momentos de introspecção, de recolhimento, enfim, nos nossos invernos.

O engraçado é que o livro traz exatamente a sensação da estação e do período sobre o qual ele fala. Parece que você está sentada, debaixo das cobertas, trocando ideia com uma conhecida que pode vir a se tornar uma amiga. Aquele momento em que você se permite compartilhar algo com alguém de um jeito diferente ao mesmo tempo em que se permite ruminar alguns pensamentos e sentimentos adormecidos, sabe? 

O inverno como estação tá chegando ao fim pra gente aqui no hemisfério sul, mas quem sabe você, assim como eu, esteja vivendo um inverno pessoal por aí. Fica a dica de, assim como Katherine May sugere ao longo do livro todo, se recolher e silenciar. Observar. Se quiser fazer isso tendo Inverno da Alma como companhia, acho que vai ser uma bela escolha. Saiba mais sobre o livro aqui e garanta seu exemplar. 

Gosta do meu trabalho e quer apoiar de alguma forma? Conheça meu projeto no Catarse! Com esse apoio mensal é possível cobrir alguns custos para manter o trabalho, investir em equipamentos novos, pagar algumas continhas e dedicar mais tempo aos livros que tanto amo e quero apresentar para vocês ♥

10:19 No comments

 


As Bruxas da Noite foram mulheres corajosas que fizeram parte do Regimento Aéreo Feminino Russo Durante a Segunda Guerra Mundial, mas tiveram suas histórias praticamente apagadas. 

Durante o desafio "uma bruxa por mês", um projetinho que criei lá pro canal do YouTube em que comento a representação da figura da bruxa na literatura, me deparei com a história fantástica dessas mulheres. Registrei minha experiência lendo o livro em um vlog, espero que goste. E se quiser saber mais sobre o livro que conta a história delas, confira Bruxas da Noite: A História não Contada do Regimento Aéreo Feminino Russo Durante a Segunda Guerra Mundial.

"A jornalista italiana e escritora premiada, Ritanna Armeni, reconstrói a história de um grupo de mulheres soviéticas fiéis à sua pátria: as aviadoras do 588º Regimento de Bombardeio Aéreo Noturno Soviético. Com um importante papel de liderança durante as batalhas contra o Terceiro Reich, elas prejudicavam e muito a vida dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, aparecendo nos céus carregadas de bombas. Os nazistas as chamavam de “bruxas da noite”. A autora revela informações sobre a criação, a luta e as vitórias dessas mulheres que foram apagadas da história após o declínio de suas carreiras como aviadoras devido ao conservadorismo e preconceito do Estado Soviético."

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Um livro sobre a evolução dos livros, um passeio pela trajetória do artefato fascinante que inventamos para que as palavras pudessem ser transportadas pelo espaço e pelo tempo. Falei um pouco sobre O Infinito em um Junco, uma das minhas leituras favoritas do ano e uma recomendação certeira para quem quer aprender mais sobre os livros 📖✍🏻

"Um livro sobre a evolução dos livros, um passeio pela trajetória desse artefato fascinante que inventamos para que as palavras pudessem ser transportadas pelo espaço e pelo tempo: O infinito em um junco conta a história desse objeto desde sua criação, milênios atrás, passando por todos os modelos e formatos que testamos ao longo da jornada humana.

A obra de Irene Vallejo é também sobre viagens e diferentes lugares. Uma rota com paradas nos campos de batalha de Alexandre, o Grande, e na Vila dos Papiros sepultada pelas lavas do Vesúvio, nos palácios de Cleópatra e na cena do crime de Hipátia, nas primeiras livrarias e nas oficinas de cópia manuscrita, nas fogueiras em que eram queimados códices proibidos, no gulag, na Biblioteca de Sarajevo e no labirinto subterrâneo de Oxford no ano 2000. Um fio que une os clássicos ao mundo contemporâneo, conectando-os aos debates atuais: Aristófanes e os processos judiciais contra os humoristas, Safo e a voz literária das mulheres, Tito Lívio e o fenômeno dos fãs, Sêneca e a pós-verdade.

Acima de tudo, esta é uma fabulosa aventura coletiva protagonizada por milhares de pessoas que, ao longo do tempo, protegeram e tornaram o livro possível: contadores de histórias, escribas, iluminadores, tradutores, vendedores ambulantes, professores, sábios, espiões, rebeldes, freiras, aventureiros; leitores de todos os cantos, nas capitais onde se concentra o poder e nas regiões mais remotas, onde o conhecimento se refugia em tempos de caos. Pessoas comuns cujos nomes muitas vezes são apagados da história; gente que salva essas fontes de memória, os verdadeiros protagonistas desta obra."


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10:15 No comments

 

Foto de Ines Sayadi na Unsplash

Por que os livros estão ficando tão caros? Por que existe diferença entre preços de ebooks e livros físicos? O valor que se paga na Amazon é realmente o preço real do livro? Durante as nossas lives diárias lá na Twitch a gente fala bastante sobre mercado editorial e o trabalho com livros e, com frequência, o assunto preços de livros vira pauta. 

Fiz um corte de um dos nossos papos e compartilhei lá no canal do YouTube, explicando um pouco por que os livros estão ficando tão caros e por que existe diferença entre preços de ebooks e livros físicos. 


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Foto de Chamindu Perera na Unsplash

Tem uma história fantástica que parece muito algo que poderia acontecer hoje no Twitter. Essa é uma das curiosidades que eu venho compartilhando lá no meu TikTok - sim, me rendi à rede da dancinha e estou amando, fica o convite para me acompanhar por lá também. 

Sherlock Holmes deve ser, até hoje, um dos personagens mais famosos não só da literatura, mas da cultura pop. Na época, um historiador chegou a dizer que, por causa do personagem, o Arthur Conan Doyle era tão famoso quanto a rainha Victoria. E esse não é um daqueles casos de fama póstuma não, o autor sofreu nas mãos dos fãs alucinados pelo detetive.

Em 1893 Sir Arthur Conan Doyle achou que tinha dado um fim para seu personagem na edição de dezembro da The Strand, um dos periódicos literários mais famosos da época, e onde as aventuras do Sherlock Holmes eram publicadas. Na época, os leitores faziam filas nas bancas no dia em que sairia a nova edição da Strand com capítulos novos da história do Sherlock.

O próprio autor teria ficado emocionado com o desfecho, afinal, era Sherlock Holmes né. Só que em uma época em que o Twitter estava longe de existir, Sir Arthur Conan Doyle não tinha como prever o que a ira de um grupo de bookstans poderia gerar.

Mais de 20 mil assinantes da Strand cancelaram sua assinatura indignados com a morte de Sherlock Holmes. Isso quase quebou a revista! Diz que a lenda que vários homens saíram nas ruas de Londres usando roupas pretas como se estivessem indo a um velório.

Grupos de leitores e fãs apaixonados começaram a se formar, o autor recebeu cartas indignadas. Ele não entendeu como poderia existir tamanha revolta. Pra gente, hoje, pode parecer algo passível de acontecer, mas na época foi uma coisa inédita. A palavra fã nem existia ainda desse jeito. 

Quando a pressão se tornou insuportável, o autor escreveu uma história pré morte do Shelock e, depois, até ressuscitou o personagem inventando que só o Moriarty tinha morrido. Segundo um artigo da BBC que explica essa história toda, foram os leitores de Sherlock Holmes que ajudaram a criar os fandoms como a gente conhece hoje. Ou seja, Sherlock Holmes foi responsável pelos primeiros bookstans.

Hoje em dia, com tantas adaptações do personagem, os fãs podem ficar tranquilos porque né, além dos livros, sempre vai ter histórias novas com Sherlock Holmes.

Se quiser conferir essas e outras curiosidades literárias, me segue lá no TikTok ♥

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O Prêmio Pulitzer é uma premiação estadunidense que tem como objetivo premiar pessoas e obras nas áreas de jornalismo, literatura e composição musical. Os vencedores sempre ganham destaque no mercado seja pelo interesse crescente gerado pela premiação, seja pelo reflexo dos temas abordados nas obras para a sociedade. 

Entre reportagens, profissionais e trabalhos fotográficos, confira quais foram os livros vencedores do Prêmio Pulitzer 2023! 

  • Ficção: Demon Copperhead - Barbara Kingsolver 
  • Ficção: Confiança - Hernán Díaz 
  • História: Freedom's Dominion: A Saga of White Resistance to Federal Power - Jefferson Cowie 
  • Biografia: G-Man – J. Edgar Hoover and the Making of the American Century - Beverly Gage 
  • Memória ou autobiografia: Stay True -  Hua Hsu 
  • Poesia: Then the War: And Selected Poems, 2007-2020 - Carl Phillips 
  • Não-ficção geral: His Name Is George Floyd - Robert Samuels e Toluse Olorunnipa 

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Reprodução: Women's Prize

O Women's Prize é um dos mais prestigiados prêmios literários internacionais e, anualmente, ele consagra as melhores obras de ficção escritas por mulheres ao redor do mundo.

A presidente das juradas, Louise Minchin, disse: “Este é um conjunto requintado de romances ambiciosos, diversificados, atenciosos, contundentes e emocionalmente envolventes. Uma vitrine brilhante do poder da escrita feminina. Minhas colegas juradas e eu sentimos que foi um grande privilégio ler esses romances e estamos muito satisfeitas por fazer parte de suas jornadas, trazendo-os à atenção de mais leitores ao redor do mundo." 

Confira a lista completa das obras e das autoras finalistas com links para os livros, caso queira conferir sinopses e saber mais sobre cada:


  • Black Butterflies, Priscilla Morris
  • Pod, de Laline Paull
  • Fire Rush, de Jacqueline Crooks
  • Trespasses, de Louise Kennedy
  • The Marriage Portrait, de Maggie O’Farrell
  • Demon Copperhead, de Barbara Kingsolver



Embora a lista de finalistas de 2023 tenha cenários que abrangem todo o mundo – da ex-Iugoslávia, Jamaica e Oceano Índico à Itália, Virgínia e Irlanda – as próprias autoras são predominantemente britânicas: quatro da lista são britânicas, ao lado de uma americana e uma irlandesa.

A vencedora do Women’s Prize for Fiction deste ano será premiada na quarta-feira, 14 de junho de 2023.

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06:19 No comments

 


O desafio "uma bruxa por mês" é meu projeto favorito do canal e, desde que foi criado lá em 2021, conheci histórias sensacionais que vêm sendo foco de várias TBRs, todos os meses. Por isso montar a lista de livros sobre bruxas e bruxaria para ler em 2023 foi tão prazeroso. 

👉 Ultimamente venho montando minhas TBRs nas minhas estantes do maratona.app que você pode conferir aqui e centralizado algumas indicações de livros na minha lojinha na Amazon (vou colocando todos os livros sobre bruxas e bruxaria que recomendo por lá também). 

Com tantos livros novos saindo, com o hype por livros com o tema as perspectivas para o desafio "uma bruxa por mês" estão cada vez melhores e dá pra perceber isso na listinha de livros que separei para o ano. Confira no vídeo: 


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08:50 1 comments


 Sei que muitos me acompanham para saber mais sobre o trabalho em uma editora, o trabalho com livros e o mercado editorial em geral. Quando comecei não tinha tanto conteúdo sobre o tema disponível então sempre tentei ser bem transparente em relação ao mercado e gosto de compartilhar o que vou aprendendo. 

Depois de um tempinho sem vlogs, trouxe um pra quem tem curiosidade sobre meu trabalho e minha rotina. Acompanhe tudo que eu faço em relação ao trabalho com livros durante um dia ⤵️


Caso queira saber mais, tenho uma playlist inteira no YouTube só com vídeos sobre o mercado editorial. Você pode conferir clicando aqui. Fica aqui algumas sugestões de vídeos para assistir em seguida: 

  • PRECISAMOS FALAR SOBRE PREÇOS DE LIVROS 
  • COMO É TRABALHAR EM UMA EDITORA DE LIVROS: PARTE 3 
  • COMO COMECEI A TRABALHAR COM LIVROS 
  • COMO FOI EDITAR UM QUADRINHO (feat Nathan Matos) 
  • COMO COMEÇAR A TRABALHAR COM LIVROS 
  • 10 COISAS QUE APRENDI TRABALHANDO EM UMA EDITORA 


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05:08 No comments

 


A arte latino-americana guarda alguns tesouros dos quadrinhos como Alberto Breccia. Adaptando algumas das mais famosas histórias de autores clássicos como H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe, Breccia presenteia os leitores com um volume de tirar o fôlego. 

Saiba mais sobre Lovecraft/Poe, de Alberto Breccia!


FICHA TÉCNICA
Título: Lovecraft/Poe
Autor: H.P. Lovecraft, Edgar Allan Poe
Quadrinista: Alberto Breccia
Tradução: Bruno Cobalchini Mattos
Páginas: 200
Ano: 2022
Editora: Quadrinhos na Cia (Companhia das Letras)
Nota: 4
Compre: Amazon 
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA


"Reunidos pela primeira vez em um único volume, os universos inquietantes de H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe adaptados por um dos maiores quadrinistas de todos os tempos.

No início dos anos 1970, durante uma viagem de Madri a Milão, Alberto Breccia compra uma edição barata com os contos de H.P. Lovecraft. O episódio o transporta imediatamente para a sua adolescência em Buenos Aires, quando nas páginas da edição argentina da revista Weird Tales entrou pela primeira vez em contato com o universo daquele que, segundo Neil Gaiman, é “o começo de toda a literatura de horror”. Nos anos seguintes, Breccia criaria versões para clássicos de Lovecraft e também de Edgar Allan Poe, testando diversas variações estilísticas e demonstrando seu domínio excepcional do desenho e da composição.

Das experiências com colagem e monotipo de “O chamado de Cthulhu” à montagem cinematográfica e minimalista de “O coração delator”, dos tons grotescos de “William Wilson” ao clima expressionista de “O estranho caso do Sr. Valdemar”, o virtuosismo e a desenvoltura de Breccia assombram. Exemplo extraordinário da complexa relação entre literatura e quadrinhos, o mundo dos dois mestres do horror ressurge mais perturbador do que nunca. “Eu não queria oferecer ao leitor apenas a minha visão”, anotou Breccia, “também queria que cada leitor acrescentasse algo de seu, que utilizasse a base que eu fornecia para revesti-la com seus próprios temores, com seu próprio medo”."

Dividido em duas partes, Lovecraft/Poe traz uma coletânea de dois mestres do horror. As histórias selecionadas de Lovecraft envolvem seres mitológicos, extraterrestres e surreais e brincam com a imaginação humana e os limites do bizarro. Já as de Poe apresentam o melhor do horror pelo qual o autor se tornou tão famoso. Foi um belo crivo de contos e histórias de ambos os autores e pode ser um quadrinho perfeito para apresentar a obra dos autores para novos públicos que talvez não estejam inseridos na literatura.


As histórias selecionadas em Lovecraft/Poe, de Alberto Breccia, são: 

LOVECRAFT 

  • O festival
  • A coisa na soleira da porta
  • A sombra de Innsmouth
  • A cidade sem nome
  • O horror de Dunwich
  • O chamado de Cthulhu
  • A cor que caiu do espaço 
  • O assombro das trevas
  • Um sussurro nas trevas 

POE

  • O gato preto
  • O estranho caso do sr. Valdemar
  • William Wilson
  • A máscara da morte rubra
  • O coração delator 


O estilo usado nas histórias de Lovecraft e Poe também difere bastante e é interessante observar como Alberto Breccia despeja suas interpretações dessas narrativas de maneira tão distinta. As histórias de Lovecraft são ilustradas em preto e branco, com traços fortes e perfeitamente caóticos. É difícil não se sentir sugada para dentro dos quadros em meio ao caos que combina com a atmosfera das histórias de Lovecraft. Já a parte de Poe é praticamente toda colorida, com desenhos que brincam com o surrealismo e têm com um quê de abstrato.

Algumas das histórias selecionadas de Lovecraft tiveram a adaptação do texto feita por Norberto Buscaglia, o que não acontece com as de Poe, ao menos não há menção de tal. Na primeira parte confesso que a quantidade de texto me cansou um pouco pensando no formato do quadrinho. Como o desenho de Alberto Breccia já é tão complexo e rico em detalhes, acredito que a quantidade de texto tira um pouco o foco da adaptação e torna a leitura um tanto quanto cansativa, o que não acontece na segunda parte em que temos as histórias de Poe. 


Apesar de não ser uma fã do trabalho de Lovecraft, achei interessante conhecer um pouco mais de seu texto. Já com Poe, como já havia tido um contato maior com seu trabalho, foi um deleite ler histórias como O estranho caso do sr. Valdemar e O coração delator de forma tão diferente pelas mãos de Alberto Breccia. Foi uma experiência de leitura totalmente diferente e enriquecedora. 

👉 O quadrinho tem um formato grande, 21x27 cm, a capa é brochura e o papel tem uma boa gramatura. 


Adaptar histórias clássicas de horror é um desafio, ainda mais levando em conta trabalhos de autores que ficaram tão famosos por seus estilos únicos e já fazem praticamente parte do imaginário popular da literatura. Como sempre, afirmo que os quadrinhos podem ser plataformas riquíssimas para expandir ainda mais o alcance de histórias e aumentar o leque de pessoas que podem ter contato com determinadas narrativas. 

Se for para tocar em textos quase intocáveis, que seja alguém como Alberto Breccia. 

Gostou da resenha e quer conhecer outro quadrinho adaptado da literatura? Então confira a resenha de 1984 em quadrinhos!


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Há algum tempo comecei uma série no Instagram mostrando alguns detalhes das minhas prateleiras de livros que chamei de "fragmentos da estante". Tenho prateleiras e estantes espalhadas por aí e cada uma guarda meus livros com uma delicadeza e detalhes únicos. Nossas estantes, além dos livros, claro, sempre guardam pedacinhos de nós e podem estar ou não relacionados a esses títulos. 

Fotografar cantinhos e detalhes é uma das coisas que mais gosto de fazer e senti falta de registrar e compartilhar algumas partes de uma estante que muda todo dia um pouquinho. Seja por causa dos livros novos que vão chegando, dos velhos que vão saindo ou das lembranças que, pouco a pouco, vão encontrando seu espacinho nas prateleiras, gosto de observar a passagem do tempo no espaço que escolhi para guardar minhas histórias favoritas. 

Fica o registro das prateleiras da estante que uso para os livros que ainda não li, que estou lendo e os que pretendo ler no curto e médio prazo. Espero que inspire você aí do outro lado da tela ♥






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Em 2018 Michelle Obama conquistou o mundo com sua emocionante e inspiradora autobiografia. Minha História já apareceu por aqui no blog e foi uma das minhas leituras favoritas do ano quando saiu e ainda fica na minha cabeça sempre que penso em livros escritos por mulheres incríveis. 

Quatro anos depois a ex-primeira-dama dos Estados Unidos compartilha alguns conselhos e reflexões para manter a esperança e o equilíbrio em um mundo pós pandemia. Nossa luz interior: Superação em tempos incertos é um guia rápido e pessoal na voz de uma das mulheres mais conhecidas, adoradas e influentes do século XXI. 

Ao longo do livro que lembra uma continuação de Minha História, Michelle relembra alguns momentos marcantes de sua vida e compartilha alguns ensinamentos aprendidos nos últimos anos. Confira 5 lições de Nossa luz interior, por Michelle Obama: 

Ofereça a si mesmo a dádiva de se deixar absorver por algo 

No começo do livro Michelle Obama compartilha a angústia que sentiu durante a quarentena vivida na pandemia. Ela reflete sobre os detalhes que fizeram com que ela não se deixasse levar pela tristeza, pelo medo e pela dor e é, na minha opinião, a parte mais linda e tocante do livro. Ela fala sobre como aprender a tricotar ajudou não apenas a passar o tempo, mas a enxergar a grandeza de se permitir aproveitar pequenas coisas do dia a dia. 

O equilíbrio vem da associação 

Nesse ponto Michelle fala sobre alguns hábitos cultivados na época em que ainda estava na Casa Branca, sobre como o hábito de plantar e de fazer isso em comunidade. Ela discorre sobre saber olhar para o jardim e entender o que está faltando, o que está alimentando o solo etc. Sobre ter a sabedoria de enxergar e apreciar os detalhes.

São as práticas "só porque deu vontade" que nutrem nosso solo

Michelle bate na tecla de que priorizar algo que nos faz bem, mas que temos o hábito de deixar de lado em detrimento da rotina e do trabalho, faz a diferença em outras áreas da nossa vida. Ela encerra a primeira parte do livro que mesmo algo que consideramos pequeno tem o poder de fazer a diferença não só para nós, mas no que devolvemos para a sociedade. 

É mais fácil destruir algo que não nos pertence 

Nessa parte do livro Michelle compartilha sua experiência como uma mulher preta ocupando espaços majoritariamente masculinos e brancos. Ela fala sobre como "é complicado sonhar com o que não se vê" e como isso faz com que várias pessoas se questionem onde e como poderiam achar seu espaço se não existem versões delas mesmas no mundo. É uma parte necessária que me lembrou bastante Minha História. 

Quando a gente escolhe viver com outra pessoa, essa escolha determina como vamos viver 

Michelle Obama também compartilha um pouco do que aprendeu ao longo de tantos anos casada com Barack, não apenas na figura de presidente dos Estados Unidos, mas como o parceiro com quem escolheu dividir a vida. Ela fala sobre amores reais frente a um mundo onde as relações são romantizadas e exageradas e como os relacionamentos são dinâmicos, cheios de mudanças, sempre evoluindo. 

Michelle Obama é uma mulher extremamente cativante e gosto sempre que acompanhar o que ela decide compartilhar com o mundo. Nossa luz interior: Superação em tempos incertos não chegou aos pés de Minha História, mas é uma leitura relaxante e que conversa bastante principalmente com mulheres. Sempre uma inspiração ♥

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Todos os anos o goodreads abre votação para os melhores livros do ano. Os vencedores são eleitos por voto popular e sempre rende um burburinho em relação aos escolhidos. Além disso, várias editoras e marketplaces usam esse prêmio para divulgar os livros e usar como forma de destacá-los em meio aos lançamentos e best-sellers. 

Em 2022 aconteceu a 14 edição do Annual Goodreads Choice Awards e 17 títulos foram escolhidos em 17 categorias diferentes. Conheça os vencedores do goodreads choice awards 2022:


  • Amanhã, amanhã, e ainda outro amanhã (ficção)
  • A camareira (suspense e thriller)
  • Carrie Soto está de volta (ficção histórica)
  • Casa de céu e sopro (Cidade da Lua Crescente #2) (fantasia)
  • Book Lovers (romance)
  • Sea of Tranquility (ficção científica)


  • Hidden Pictures (horror)
  • The Office Bffs: Tales of the Office from Two Best Friends Who Were There (comédia)
  • Atlas of the Heart: Mapping Meaningful Connection and the Language of Human Experience (não ficção)
  • Estou feliz que minha mãe morreu (biografia e autobiografia)
  • Bad Gays: A Homosexual History (história)
  • Heartstopper: De mãos dadas (vol. 4) (quadrinhos, HQs e graphic novels)


  • Call Us What We Carry (poesia)
  • Uma questão de química (romance de estreia)
  • A aposta final: 3 (ficção YA)
  • Mansão Gallant (fantasia e sci-fi ya)
  • I Am Quiet: A Story for the Introvert in All of U (infantil)

E aí? O que achou dos selecionados? Já leu algum? ♥

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Estado Elétrico é um quadrinho diferente de tudo que eu já vi. Um formato inusitado, um trabalho gráfico impressionante e uma história surpreendente pelas mãos de Simon Stålenhag. Saiba mais sobre Estado Elétrico! 

FICHA TÉCNICA
Título: Estado elétrico
Autor: Simon Stålenhag
Páginas: 144
Ano: 2022
Editora: Quadrinhos na Cia (Companhia das Letras)
Nota: 4
Compre: Amazon
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA

"Numa mistura delirante de On the road e Black Mirror, o artista sueco Simon Stålenhag cria um livro único. Uma viagem visual a um futuro aterrador e sombrio.

Num 1997 imaginado e apocalíptico, uma jovem em fuga e seu robô atravessam os Estados Unidos rumo ao oeste. Ruínas de gigantescos drones de batalha se espalham pela paisagem, junto a toda espécie de lixo descartado de uma sociedade ultra tecnológica e consumista em declínio. À medida que se aproximam da fronteira do país, o mundo parece se desfazer num ritmo cada vez mais alucinante, como se em algum lugar além do horizonte o núcleo oco da civilização finalmente fosse desabar. Em Estado elétrico, Simon Stålenhag volta sua visão atordoante para a América. Com desenhos hiper-realistas e um talento extraordinário para narrar, o artista sueco coloca em cena uma história de amizade e horror, lealdade e suspense, em que uma sensação de constante ameaça paira sobre cada sequência e imagem."


A narrativa de Estado Elétrico é contada da perspectiva de uma possível sobrevivente ou fugitiva, que dirige um carro roubado pelas estradas de um país apocalíptico. As pessoas foram praticamente sugadas por projetores neurais que oferecem algum tipo de experiência alucinógena, proporcionando um escape para outra realidade. Ela caminha pelas ruínas de antigos drones de guerra. Todo o país se tornou um campo de batalha abandonado.

A protagonista é imune aos efeitos dessa tecnologia, mas não às consequências em um mundo devastado. Uma narradora desconhecida traz insights mais objetivos e informações concretas sobre o que levou o mundo àquele estado. Ela me lembra bastante a de O Conto da Aia, trazendo alguns recortes de uma vida passada enquanto navega pelo presente da melhor forma possível, tentando sobreviver. 


“É preciso dizer: eles eram fantásticos. Algo em mim tinha vontade de parar o carro, descer e caminhar até eles para tocá-los, examinar de perto cada um daqueles estranhos tumores. Em outra realidade, eu teria adorado fazer isso. Teria caminhado sem pressa por essas ruas, fascinada, certamente sentindo alguma repulsa, mas uma repulsa agradável, extasiada. Agora, no mundo real, tudo estava invertido. Nós éramos os tumores fascinantes, os lunáticos - as únicas almas doentes em um mundo sadio. Não havia nenhuma espécie de vida cotidiana protegida à qual pudéssemos retornar, e a única saída era seguir em frente.”


Sem balões, caixas de texto ou letreiramento, Simon Stalenhag nos carrega pelas páginas como se fossem pinturas com uma descrição. Uma única imagem ocupa praticamente as duas páginas, na horizontal, e uma coluna branca é dedicada ao texto, ora normal para a narração da protagonista, ora em itálico para possíveis registros de um diário desconhecido. 

Em alguns momentos o texto descreve a imagem de forma a contextualizá-la para o leitor. Em outros, a medida que a narrativa avança, texto e imagem caminham de forma independente, completando as lacunas da história que cabem ao leitor interpretar. 



Estado Elétrico é visualmente impressionante. O estilo de Simon mais se parece fotografia do que ilustração. Cada imagem traz uma sensação inegável de movimento, como se ele tivesse registrado uma fração de tempo, e não criado aquele mundo do zero. A riqueza de detalhes, de profundidade, de realismo faz com que a experiência de ler uma ficção científica sistólica seja ainda mais intensa.

Ao acompanhar a história nesse formato, temos a sensação de estar olhando para quadros em um museu, acompanhando uma linha do tempo de uma civilização em ruínas. 


Estado Elétrico não tem um começo, meio e fim. Ao leitor só é permitido entrar para espiar uma página dessa história, um fascículo desse mundo distópico e apocalíptico. A dependência tecnológica, o vício em estímulos artificiais e a desconexão com a realidade infelizmente encontra um eco no nosso mundo e nos faz refletir, como toda boa ficção científica, qual a real distância entre a ficção e a realidade.

Estado Elétrico é uma experiência de leitura. Uma história perfeita para os fãs de sci-fi e de trabalhos gráficos incríveis. Um quadrinho diferente de tudo que já li. 

Gostou da resenha e quer conhecer outra distopia nos quadrinhos? Confira a resenha da adaptação de 1984! 


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Você acredita em destino? Essa é a pergunta que conduz a narrativa de Oito horas perfeitas, romance de Lia Louis. Desde que ficaram presos na estrada por oito horas, Noelle e Sam têm se esbarrado em todos os lugarese começam a perceber que talvez suas vidas estejam entrelaçadas de mais maneiras do que são capazes de compreender. Confira a resenha de Oito horas perfeitas!


FICHA TÉCNICA
Título: Oito horas perfeitas
Autora: Lia Louis
Páginas: 317
Ano: 2022
Editora: Paralela (Companhia das Letras)
Nota: 4,5
Compre: Amazon 
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA


Qualquer coisa poderia ter acontecido naquele dia. Mas Noelle nunca imaginou que uma nevasca fecharia a estrada e ela passaria a noite parada no trânsito, sozinha, sem comida, água ou um carregador de celular. E sequer pensou que, de repente, estaria sentada no carro do charmoso Sam, um norte-americano em uma breve visita à Inglaterra, tendo a melhor conversa de sua vida — por oito horas perfeitas. Mas Sam está a caminho do aeroporto e ambos sabem que, no dia seguinte, seus caminhos se separarão para sempre. Mas e se o destino reservar um plano diferente para eles?


Você já se perguntou o que teria acontecido se você não tivesse feito uma determinada escolha? Qual caminho sua vida poderia ter seguido se aquele "e se" acontecesse? Noelle sempre se perguntou quem poderia ser se tivesse feito tudo diferente. Insatisfeita com o emprego que tem, a situação familiar na qual foi colocada e questionando o fim de um longo relacionamento, ela sente o peso de suas escolhas (mesmo aquelas que nem foram feitas por ela). Tudo parece começar a mudar quando ela conhece Sam, após uma noite parada no trânsito. 

Desde o começo da narrativa somos envolvidos pela história dos dois. Noelle é uma personagem fácil de se identificar por todos os traumas que carrega e não é difícil entender porque ela fez as escolhas que fez. Descrito pela visão de Noelle, Sam é uma grata surpresa também para o leitor, porque ele representa uma esperança de algo maior e melhor. 


Entretanto, a vida também é feita de desencontros e Oito horas perfeitas traz isso de forma bem inteligente. Lia Louis brinca com as possibilidades de duas pessoas continuarem se esbarrando mesmo nas situações mais inusitadas e nos faz refletir sobre quem cruza nosso caminho no exato momento em que precisamos mais. 

Oito horas perfeitas é uma história muito bem humorada. Mesmo acompanhando Noelle, que precisa carregar o fardo de constantemente se diminuir para cuidar daqueles que ama, a história é leve, divertida e cativante. É fácil se prender nas páginas do livro e mais fácil ainda é desejar se perder ali. 

Os personagens coadjuvantes também são divertidos e contribuem para o desenrolar da narrativa, ainda mais porque alguns dos conflitos apresentados por eles enriquecem o desenvolvimento de Noelle. Entretanto, talvez pelo pouco espaço dado a eles, eles perdem um pouco a profundidade e sinto que alguns poderiam ter um desenvolvimento um pouco maior também, principalmente a melhor amiga de Noelle que trouxe uma questão interessante para a narrativa. 

Apesar de não se passar no Natal, a capa e toda a vibe de Oito horas perfeitas me lembraram muito essa época do ano, então encaixei na minha TBR e foi uma ótima escolha. Foi um romance que encontrou espaço entre outras histórias leves e outros livros mais densos e, por toda a atmosfera, combinou perfeitamente com o clima de final de ano. É um livro delicado, doce, emocionante e romântico, perfeito para começar a fechar as leituras de 2022. 

Gostou da resenha e quer outra indicação de romance? Então confira 5 motivos para ler e conhecer a trilogia das irmãs Brown!


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No final de 2021 fiz uma promessa para mim mesma e para o chat maravilhoso que me acompanha diariamente lá na Twitch. Depois de anos engavetando o sonho de ser escritora e ignorando a vozinha que tanto sentia falta de me perder um pouquinho escrevendo ficção, eu me comprometi a escrever um conto de Natal. 

O Natal é minha época favorita do ano todo e já compartilhei isso por aqui de algumas formas diferentes. Só que o Natal também é a época que abre espaço pra tanta história temática que foi impossível não misturar essa vontade e essa época do ano em uma promessa. 

Confesso que, ao longo do ano, parte de mim acreditava que daria tempo e foi empurrando com a barriga, enquanto outra parte não achava que conseguiria colocar essa vontade na minha lista de prioridades. Afinal, a gente sempre prioriza aquilo que paga as contas, não o que nos faz sonhar, né? Só que dezembro chegou e eu bati o pé (obrigada, chat, por me pressionar e relembrar que isso também era importante). Arranjei espaço, dormi menos, joguei menos, corri com meu trabalho no horário comercial e dediquei minhas noites à escrita. Uma playlist natalina no ouvido e parecia que meus dedos sabiam exatamente o que fazer. 

Como uma velha conhecida voltando para casa, observei a tela em branco sendo preenchida com palavras que vazavam de mim contentes por terem onde pousar. Ao lado de amigas que me incentivavam e me ajudavam como eu precisasse, vi uma história tomar forma em um conto pelo qual eu mesma me apaixonei. Porque era um pedacinho meu ali. 

Sem pretensão de transformar isso em algo maior do que uma realização pessoal, publiquei o conto na Amazon para que meu chat pudesse ler e, quem sabe, compartilhar com quem também pudesse encontrar um pouco de si nas páginas de Nossa Noite de Natal. A história é sobre duas pessoas que não se suportam e nunca deveriam ficar juntas muito tempo – a menos que fiquem presas na véspera de Natal. 

Cecília é a louca do Natal. Todos os anos ela segue à risca a tradição de aproveitar a data com tudo a que ela tem direito. No entanto, ao invés de dividir a ceia de Natal ao lado das pessoas que ama, ela terá que passar a noite com seu vizinho insuportável e irritantemente atraente. Presos em um elevador, na véspera de Natal, eles serão obrigados a questionar o que sabem um sobre o outro e, talvez, deixar de resistir a uma atração inevitável.

Nossa Noite de Natal é um conto engraçado e sexy sobre como duas pessoas completamente diferentes podem finalmente se encontrar na noite mais mágica do ano. Caso queira conferir, deixo aqui o link para o conto na Amazon. Obrigada por fazer parte disso de alguma forma ♥


09:45 No comments


 Em 2022 voltei a mergulhar no meu gênero literário favorito. Ou melhor, me permiti voltar a colocar meus livros de conforto como prioridade nas minhas TBRs e listas de leitura. Romances sempre foram minha zona de conforto literária e a razão pela qual eu me tornei a leitora que sou. Só que, por conta do trabalho, acabo focando em outros gêneros e priorizando outras leituras. Só que eu não percebi o quanto eu sentia falta até voltar a ler romances maravilhosos. E é aqui que entram as irmãs Brown.

Já falei sobre o primeiro volume da trilogia aqui, na resenha de Acorda pra Vida, Chloe Brown. E em 2022 outros volumes da trilogia das irmãs Brown foram lançados e concluí a leitura de histórias que, como todo bom romance, vieram na hora certa. 

Pensando nisso, reuni 5 motivos para ler e conhecer a trilogia das irmãs Brown. Quem sabe você não encontra aquilo que anda procurando também? 

AS IRMÃS BROWN SÃO APAIXONANTES 

Chloe, Dani e Eve são personagens apaixonantes. Depois de quase ser atingida por um carro em alta velocidade, Chloe Brown se deu conta de que seu obituário seria um tanto entediante. Para reverter essa situação, ela decide montar uma lista de atividades necessárias para finalmente "acordar para a vida". Dani Brown precisa de um sinal. Tudo que ela quer é alguém com quem possa se divertir, sem complicações ou sentimentos envolvidos. O problema é encontrar essa pessoa, por isso ela pede ao universo que lhe avise se aparecer alguém que preencha os requisitos. Já Eve Brown não tem nada sob controle. Pouco importa o quanto ela se esforce, sua vida parece sempre ir na direção errada, tanto que ela já parou de tentar. Mas arruinar uma festa de casamento é demais até para Eve, e seus pais decidem dar um basta. É hora de ela crescer e se provar capaz de se sustentar, mesmo que não saiba como. As três irmãs vivem seus processos e é uma delícia acompanhar de perto cada uma delas. 

OS MELHORES TROPES DE ROMANCES

Tropes são os clichês mais queridos daqueles romances que dão um quentinho no coração e mexem com cada parte do leitor e, que delícia é descobrir que os três livros da trilogia carregam o que há de melhor deles. Acorda pra vida, Chloe Brown e Vê se cresce, Eve Brown têm enemies to lovers de um jeito divertidíssimo enquanto Se liga, Dani Brown traz um delicioso namoro falso na trama. Um prato cheio para fãs de romances eróticos. 

HOT NA MEDIDA CERTA 

É claro que eu não poderia deixar de exaltar as boas cenas picantes que são aquele gostinho a mais em todos os livros das irmãs Brown. Estou adorando a nova onda de livros como A Hipótese do Amor, Aconteceu Naquele Verão e outros que trazem exatamente a dose certa de erotismo para deixar as histórias ainda mais envolventes e as irmãs Brown são a pedida certa para quem gosta de livros assim. Eu particularmente gostei ainda mais das cenas do segundo, Se liga, Dani Brown 👀

REPRESENTATIVIDADE? TEMOS POR AQUI 

Em meio a tantos romances incríveis sendo lançados é uma lufada de ar fresco descobrir que muitos deles trazem representatividade do jeito mais natural e gostoso do mundo. Talia Hibbert escreve romances cheios de paixão, sarcasmo, amor e diversidade porque acredita que pessoas de identidades marginalizadas precisam de representação honesta e positiva e é exatamente isso que encontramos em todos os três livros das irmãs Brown. 

TEM GOSTINHO DE COMÉDIA ROMÂNTICA DAS BOAS 

Algo que sinto muita falta são aquelas comédias românticas dos anos 2000 que me faziam suspirar de amores e gargalhar com vontade. Todos os três livros das irmãs Brown são escritos com muito bom humor e me arrancaram boas risadas todas as vezes. Concluí cada um deles querendo que o seguinte já tivesse sido lançado para poder continuar imersa no universo das Brown e, agora que a trilogia foi concluída, mal posso esperar para conhecer e me apaixonar pelas outras histórias de Talia Hbbert. 


Conheça os três livros da trilogia das irmãs Brown:

  • Acorda pra vida, Chloe Brown
  • Se liga, Dani Brown
  • Vê se cresce, Eve Brown




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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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