Resenha: Minha História

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Minha História, de Michelle Obama, se tornou logo nas primeiras páginas uma das minhas leituras favoritas de 2018. Estou me cercando cada vez mais de livros escritos por mulheres e não poderia ter um presente melhor do que ter Michelle Obama como uma referência.

Michelle Obama ficou mundialmente conhecida como a esposa do 44.º presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Entretanto, como diz o ditado "por trás de todo grande homem existe uma grande mulher" e isso não poderia ser mais verídico. E que mulher! Michelle LaVaughn Robinson Obama é uma mulher que tomou a frente de sua vida e faz de cada obstáculo uma escolha em prol de um bem maior. Uma mulher que sabe usar sua voz e, diariamente, inspira milhões de meninas e mulheres do mundo todo a fazer o mesmo. Em um mundo com os olhos voltados para seu marido e sua família, Michelle tirou de letra um dos maiores desafios que alguém poderia ter. Em Minha História ela abre as portas para seu passado, presente e suas perspectivas para o futuro. Uma leitura deliciosa e extremamente necessária.

Quer saber por que sua autobiografia se tornou um dos meus livros favoritos? Então confira a resenha de Minha História, por Michelle Obama!

"Um relato íntimo, poderoso e inspirador da ex-primeira-dama dos Estados Unidos.
Com uma vida repleta de realizações significativas, Michelle Obama se consolidou como uma das mulheres mais icônicas e cativantes de nosso tempo. Como primeira-dama dos Estados Unidos — a primeira afro-americana a ocupar essa posição —, ela ajudou a criar a mais acolhedora e inclusiva Casa Branca da história. Ao mesmo tempo, se posicionou como uma poderosa porta-voz das mulheres e meninas nos Estados Unidos e ao redor do mundo, mudando drasticamente a forma como as famílias levam suas vidas em busca de um modelo mais saudável e ativo, e se posicionando ao lado de seu marido durante os anos em que Obama presidiu os Estados Unidos em alguns dos momentos mais angustiantes da história do país. Ao longo do caminho, ela nos ensinou alguns passos de dança, arrasou no Carpool Karaoke e criou duas filhas responsáveis e centradas, apesar do impiedoso olhar da mídia.
Em suas memórias, um trabalho de profunda reflexão e com uma narrativa envolvente, Michelle Obama convida os leitores a conhecer seu mundo, recontando as experiências que a moldaram — da infância na região de South Side, em Chicago, e os seus anos como executiva tentando equilibrar as demandas da maternidade e do trabalho, ao período em que passou no endereço mais famoso do mundo. Com honestidade e uma inteligência aguçada, ela descreve seus triunfos e suas decepções, tanto públicas quanto privadas, e conta toda a sua história, conforme a viveu — em suas próprias palavras e em seus próprios termos. Reconfortante, sábio e revelador, Minha história traz um relato íntimo e singular, de uma mulher com alma e consistência que desafiou constantemente as expectativas — e cuja história nos inspira a fazer o mesmo."



FICHA TÉCNICA
Título: Minha História
Autora: Michelle Obama
Ano: 2018
Páginas: 416
Idioma: Português
Editora: Objetiva
Nota: 5/5
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LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA


Confesso que ainda estou tentando digerir a leitura de Minha História. Michelle Obama é uma mulher absolutamente admirável e foi um prazer poder absorver um pouco de sua visão de mundo e experiências ao longo de todo o livro. Sua forma de narrar eventos e de fazer uma reflexão acerca de cada momento é simplesmente inspiradora. Selecionei diversos trechos enquanto lia e ao final tinha um bloco de notas inteiro recheado de frases, parágrafos e pensamentos de Michelle. Ela aborda diversas temáticas enquanto fala de sua trajetória até ser a primeira-dama dos Estados Unidos e é incrível acompanhar sua escrita.

Michelle começa o livro narrando sua infância em South Side, um bairro de Chicago. Ela compartilha seu relacionamento com a família e com as pessoas com quem morava, com seus avós, seu irmão e seus pais. Além de contextualizar o momento histórico dos Estados Unidos em diversos pontos de suas recordações do passado, Michelle também faz uso de vários momentos da infância para exemplificar comportamentos que futuramente a definiriam como uma das mulheres mais poderosas e determinadas do mundo. Desde nova ela sempre se impôs, sempre questionou a forma como o avô falava com a avó, sempre questionou a forma como os negros eram tratados de forma diferente no bairro em que vivia e nunca deixou de se empenhar para ser a melhor versão de si, reflexos de uma mulher que seria a primeira-dama mais amada do mundo.

"Quando era primeira-dama, eu chegava ao fim de uma semana movimentada precisando que me lembrassem como ela havia começado. Mas a noção de tempo está começando a ficar diferente. Minhas meninas, que chegaram à Casa Branca com bonecas, uma cobertinha de estimação e um tigrinho de pelúcia chamado Tiger agora são adolescentes, jovens com planos e vozes próprias. Meu marido está se adaptando à vida depois da Casa Branca, recuperando o fôlego. E aqui estou eu, nesse lugar novo, com vontade de falar muita coisa." Página 17


A forma de narrar de Michelle é um ponto fortíssimo do livro. Ela conduz o leitor de forma natural e bem fluida pelas fases de sua vida, desde sua infância em South Side, até a troca de escolas, a dinâmica com seus familiares e amigos, seus namorados, seu tempo em Princeton e depois em Harvard, sua carreira como advogada, o momento em que foi mentora de Barack Obama durante seu tempo em escritório, sua paixão por ajudar os outros e se envolver com causas sociais, principalmente de gênero, até o mergulho na vida política, a chegada à Casa Branca e ao encontro de sua voz nesse novo mundo e como ela, como mãe, esposa e mulher, lidou com todas as abruptas reviravoltas de sua nova vida.

"Informei a Barack que, para que nosso relacionamento desse certo, seria melhor ele se sentir à vontade falando ao telefone. "Seu eu não puder falar com você", anunciei, "talvez tenha que encontrar outro cara que me dê ouvidos". Eu estava brincando, mas só um pouco." Página 136


Seria de se esperar que houvesse algum tipo de filtro em relação ao que é dito, em relação à vida pessoal de duas figuras que, por muito tempo, estiveram à frente da maior potência mundial. Se existe, não fica aparente uma vez que ela fala sobre sua atração física por Barack, sobre suas tentativas falhas de engravidar, sobre o aborto espontâneo que sofreu e faz diversos comentários extremamente honestos.

"Informei a Barack que, para que nosso relacionamento desse certo, seria melhor ele se sentir à vontade falando ao telefone. "Seu eu não puder falar com você", anunciei, "talvez tenha que encontrar outro cara que me dê ouvidos". Eu estava brincando, mas só um pouco." Página 136

Minha História é um livro que contextualiza diversos assuntos em pauta nos Estados Unidos e que faz um recorte de um país que é, muitas vezes, vangloriado e exaltado. Michelle mostra as diversas caras de um país que é sim, um oásis de oportunidades, mas que é ao mesmo tempo racista, preconceituoso, machista, misógino e conservador ao extremo.

Em determinado momento ela fala sobre seu contato com os militares do exército americano. Mostra como nunca foi muito próxima dos militares, mas tomou a causa pra si quando se tornou primeira-dama. Se dedicou às famílias dos militares e aos feridos em combate. A forma como ela fala sobre seu amor pelo país nos faz entender um pouco mais o patriotismo americano e como ele é extremamente enraizado no Estados Unidos.



Michelle também fala sobre como tentou fazer algo pelas meninas do país porque queria que elas tivessem o mesmo apoio e oportunidades que ela mesma teve. Queria mostrar que elas podiam se sentir confortáveis e confortantes para exercer sua voz em qualquer sala, qualquer mesa, dentro de qualquer grupo. Essa devoção por meninas e mulheres se mostra não apenas nas causas e projetos que lançou como primeira-dama, mas na forma como educou suas próprias filhas no ambiente doméstico. Este trecho representa bem:

“Pra mim, fazia muito mais sentido do que atrasar o jantar e fazer as meninas esperarem acordadas, às vezes morrendo de sono, para um abraço. E assim retomei meu desejo de que elas crescessem fortes e centradas, sem se acomodarem a qualquer forma de velho patriarcado: não queria que elas acreditassem um instante sequer que a vida começava quando o homem da casa chegava. Não esperávamos o papai. Agora cabia a ele vir até nós.” Página 226
Alguns dos momentos mais tocantes de sua narrativa estão relacionados aos tiroteios, principalmente em escolas, que ela precisou lidar como primeira-dama. É interessante poder, enquanto lia, procurar os vídeos dos discursos e reviver, com outros olhos, capítulos tão intensos da história dos Estados Unidos. Além de contar como foi estar no posto de primeira-dama e narrar os bastidores, Michelle não deixa de abordar a questão da venda e do porte de armas nos EUA, fazendo críticas e deixando bem claro seu posicionamento.


Em uma realidade que acoberta o chefe da maior nação do mundo é delicioso poder ter acesso a alguns bastidores da vida na Casa Branca e Michelle faz questão de escancarar as portas. Além de falar sobre a interações com os pais de outras crianças da mesma escola das filhas, ela comenta sobre as medidas de segurança e narra o dia em que tentou fugir da Casa Branca e do Serviço Secreto para ir aos jardins da casa com Malia para comemorar a legalização do casamento gay. Ela também relata como se escondia para assistir aos treinos de natação de Sasha e como precisou ficar escondida em um porão enquanto Malia visitava o campus de Columbia.

Em trechos mais poderosos, Michelle faz um paralelo sobre como ela e Obama, sendo os primeiros negros a ocupar a Casa Branca, ainda presenciaram uma violência policial extremamente presente contra a população negra dos Estados Unidos. Ela faz interessantes e importantes reflexões sobre a realidade violenta e racista do país e o fato de terem ocupado um espaço historicamente branco.

“Crescemos sendo bombardeados de mensagens eu alegam existir apenas uma maneira de ser americano – alegam que, se temos a pele escura ou o cabelo crespo, se não amamos de uma determinada maneira, se falamos outra língua ou nascemos em outro país, então aqui não é o nosso lugar. Até que alguém ouse começar a contar essa história de outra maneira.” Página 428


As últimas páginas são minhas favoritas. Além de refletir de forma mais intensa e profunda sobre sua própria trajetória, Michelle tenta criar um horizonte para o país como está e quais suas perspectivas para o futuro. Depois de narrar a transição, ela faz críticas ferrenhas ao governo e à pessoa de Trump, mas sem deixar de lado o otimismo de alguém que já viu e viveu o suficiente para saber que existe esperança em todo lugar. Acredito que, dada a atual situação do nosso próprio país, suas palavras oferecem um alento necessário.

“Posso machucar você e sair impune. Era uma expressão de ódio em geral excluída do convívio, mas ainda persistia no âmago de nossa sociedade supostamente esclarecida – viva e aceita a ponto de alguém como Donald Trump utilizá-la sem a mais vaga preocupação. Todas as mulheres que conheço notaram aquilo. Todas as pessoas que algum dia foram estigmatizadas notaram aquilo. Era exatamente isso que tantos de nós tínhamos esperança de que nossos filhos nunca precisassem, mas provavelmente experimentariam. A dominação e, mesmo sua ameaça, é uma forma de desumanização. É a espécie mais repulsiva de poder.” Página 421

Michelle é mãe, amiga, esposa. E ela consegue mostrar todas as suas facetas com perfeição. Minha História nos oferece o perfeito retrato de uma mulher digna de admiração e ao mesmo tempo parecida com todas nós. Michelle Obama é uma mulher capaz de tirar uma boa lição e um ensinamento incrível de cada momento passado e é incrível poder saber mais sobre sua trajetória enquanto nos espelhamos nas nossas próprias escolhas e visões de mundo.

Minha História se tornou uma das minhas leituras favoritas e é um desses livros imprescindíveis na estante de todas as mulheres que procuram uma referência feminina forte, independente e inspiradora. Um livro inesquecível.

Gostou da resenha e quer conhecer outro livro poderoso escrito por uma mulher inspiradora? Então confira a resenha de Coragem!

“Para mim, ter uma história não significa chegar a algum lugar ou alcançar algum objetivo. Entendo-a mais como um movimento adiante, um meio de evoluir, uma maneira de tentar, continuamente, ser uma pessoa melhor. É uma jornada sem fim. Tornei-me mãe, mas ainda tenho muito a ensinar e a aprender com minhas filhas. Tornei-me esposa, mas continuo a me adaptar e aceitar o verdadeiro significado de amar e construir uma vida com outra pessoa. Tornei-me, em certa medida, uma figura de poder, e mesmo assim há momentos em que ainda me sinto insegura e desconsiderada.” Página 430


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1 comentários

  1. Eu acho a figura dela bastante carismática e seria interessante conhecer todas as nuances da história de vida dela contado de um jeito gostoso de ler. Vi que o livro tem bastante fotos e acho isso legal pra gente visualizar partes da história através desses registros também.
    E o legal é que ela fala de assuntos mais complexos e profundos como a questão do aborto que ela sofreu. Me interessei!
    Um beijo!
    http://colorindonuvens.com

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