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Nostalgia Cinza


Preciso confessar um segredo: eu nunca havia lido um livro do Stephen King. Um dos maiores mestres da literatura ainda não ocupava um espaço na minha estante e em 2019 decidi mudar isso. Recentemente a Editora Suma lançou mais um título para a Biblioteca Stephen King e aproveitei para corrigir esse erro. A Metade Sombria, relançado no Brasil depois de anos esgotado, foi minha primeira leitura de Stephen King.

Quer saber quais foram as minhas impressões ao ler, pela primeira vez, um livro de Stephen King? Então confira a resenha de A Metade Sombria!

"Criar George Stark foi fácil. Se livrar dele, nem tanto. Há anos, Thad Beaumont vem escrevendo, sob o pseudônimo George Stark, thrillers violentos que pagam as contas da família, mas não são considerados “livros sérios” pelo escritor. Quando um jornalista ameaça expor o segredo, Thad decide abrir o jogo primeiro, e dá um fim público ao pseudônimo. Beaumont volta a escrever sob o próprio nome, e seu alter ego ameaçador está definitivamente enterrado. Tudo vai bem. Até que uma série de assassinatos tem início, e todas as pistas apontam para Thad. Ele gostaria de poder dizer que é inocente, que não participou dos atos monstruosos acontecendo ao seu redor. Mas a verdade é que George Stark não ficou feliz de ser dispensado tão facilmente, e está de volta para perseguir os responsáveis por sua morte."

FICHA TÉCNICA
Título: A Metade Sombria
Autor: Stephen King
Ano: 2019
Páginas: 464
Idioma: Português
Editora: Suma de Letras (Companhia das Letras)
Nota: 4,5/5 
Compre: Amazon
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LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA




Não foi difícil entender porque Stephen King é um dos autores mais aclamados de todos os tempos. Além do enredo extremamente bem estruturado, King tem uma forma incrível de conduzir o leitor por todas as páginas, fazendo com que o suspense seja colocado na medida certa para impedir que o livro seja deixado de lado. É fácil se identificar com os personagens, suas motivações e impulsos.

Em A Metade Sombria somos apresentados a um protagonista bem interessante e que esconde múltiplas facetas, algumas delas bem arrepiantes. A Metade Sombria tem como foco a história macabra de um pseudônimo que ganha vida após ser desmascarado e morto, e de um escritor que precisa lidar com os rumos de sua carreira após perder o nome que lhe rendeu o status de best-seller, ao mesmo tempo em que começa a ser ligado a crimes das quais não teve nenhuma participação. O que começa com uma história de suspense, se transforma em um conto de terror digno de causar pesadelos.



Além de retratar o terror de um escritor em enfrentar a persona que criou para escrever livros sob um pseudônimo, A Metade Sombria aborda o conflito de um homem com uma parte sombria de si. Thad Beaumont percebe que ele mesmo guarda mais do que estava disposto a perceber e é obrigado a encarar a realidade de quem ele pode ser por baixo de suas várias camadas. É interessante quando, em um posfácio, o próprio Stephen King fala a respeito de como Thad Beamount reflete muito sua própria personalidade, conflitos e receios. O próprio King já escreveu alguns livros sob o pseudônimo de x, o que faz com que A Metade Sombria ganhe um quê autobiográfico bem curioso.

A Metade Sombria é tudo o que um bom suspense e terror precisa ser: envolvente, inquietante, assustador e imprevisível. É difícil largar a leitura sem querer mergulhar na narrativa criada por King, cada acontecimento contribui para a construção de um enredo rico em detalhes, a descrição das cenas e o desenvolvimento do vilão causam arrepios, e existe uma clara construção de expectativa feita para ser reconstruída a cada página.



A Metade Sombria bebe muito da fonte de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, famosa história novela gótica de Robert Louis Stevenson, que se tornou um clássico da ficção científica e do terror. O próprio Stephen King já declarou sua admiração pela história, colocando-a como uma das melhores do gênero, então não é difícil perceber de onde veio a inspiração. A dualidade entre o médico e o monstro, no caso de A Metade Sombria, entre escritor e pseudônimo, revela mais sobre o próprio mocinho do que do vilão. É difícil definir onde começa um e onde termina o outro, trabalhando a ideia de que uma mesma pessoa pode ter múltiplas personalidades e camadas escondidas sob a máscara que veste para si e para o mundo. O aspecto psicológico também é algo explorado no que diz respeito ao protagonista e é algo que gosto bastante de ler, principalmente em suspenses.



Um dos aspectos mais interessantes e que acredito ser fundamental para consagrar um autor é o conseguir transformar um ato cotidiano em inspiração para uma história riquíssima em detalhes e desdobramentos. Stephen King consegue pegar o simples ato de matar um pseudônimo em um clássico de terror dos anos 80.

Além disso, conseguir fazer com que o leitor comece a questionar o próprio protagonista é algo difícil de fazer sem apelar para o óbvio e A Metade Sombria é um bom exemplo de como fazer isso sem precisar abusar dos clichês.


Stephen King faz questão de descrever cada personagem que é apresentado, mesmo que ele tenha pouca importância nas páginas seguintes, para tornar a história mais crível. Mesmo que seja apenas um espectador de uma das cenas de terror ou a vítima do assassino, King contextualiza o cenário, apresenta um passado da personagem e deixa o leitor a par de quem é aquele que está participando do enredo, mesmo que de forma breve.

Stephen King também é conhecido pelo tamanho de seus livros, verdadeiros calhamaços. A princípio, por não ter tido contato com nenhuma de suas histórias escritas, apenas com as adaptações, fiquei receosa de que o enredo fosse se arrastar de forma tediosa e desnecessária. Entretanto, o efeito foi o contrário.


Acredito que justamente por ter uma narrativa tão bem estruturada, descritiva e cheia de detalhes, me senti sugada para dentro do livro, sem conseguir largar A Metade Sombria até terminá-la. Foi uma leitura surpreendentemente rápida e extremamente agradável. Algumas pessoas haviam dito que talvez não fosse tão interessante ter o primeiro contato com a escrita de Stephen King por meio de A Metade Sombria, mas minha experiência não poderia ter sido melhor, o que me deixou mais curiosa e interessada em conferir outros títulos do autor.

A Metade Sombria foi uma leitura extremamente agradável e estou ansiosa para os próximos títulos do autor que vão entrar para a minha coleção. Tenho mais alguns em mente, mas adoraria receber indicações já que sei que existem muitos fãs do King por aí. O que você acha? Depois de A Metade Sombria, qual deve ser minha próxima leitura de Stephen King?


Gostou da resenha e quer conferir outro livro da família King? Então conheça Pequenas Realidades!






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10:30 1 comments

Uma mulher no escuro, de Raphael Montes, está dando o que falar. Um autor querido por seus suspenses e thrillers psicológicos chega com mais um lançamento arrepiante e que está conquistando os fãs do gênero.

Quer saber por que estão todos falando do livro? Então confira a resenha de Uma mulher no escuro!

"Um crime brutal cometido há vinte anos, uma única sobrevivente, o retorno calculado do assassino. Em quem Victoria deve confiar? Neste thriller psicológico, Raphael Montes une romance e suspense em uma narrativa intrincada e sedutora. 

Victoria Bravo tinha quatro anos quando um homem invadiu sua casa e matou sua família a facadas, pichando seus rostos com tinta preta. Única sobrevivente, ela agora é uma jovem solitária e tímida, com pesadelos frequentes e sérias dificuldades para se relacionar. Seu refúgio é ficar em casa e observar a vida alheia pelas janelas do apartamento onde mora, na Lapa, Rio de Janeiro.
Mas o passado bate à sua porta, e ela não sabe mais em quem pode confiar. Obrigada a enfrentar sua própria tragédia, Victoria embarca em uma jornada de amadurecimento e descoberta que a levará a zonas obscuras, mas também revelará as possibilidades do amor. Um psiquiatra, um amigo feito pela internet e um possível namorado — qual dos três homens está usando tudo o que sabe para aterrorizar a vida de Vic? E o que afinal ele quer com ela?
Na literatura nacional, Raphael Montes é unanimidade quando se trata de livros de suspense. Uma Mulher no Escuro traz sua primeira protagonista feminina e confirma o autor como um dos mais originais da atualidade — além de deixar o leitor intrigado do começo ao fim."

 FICHA TÉCNICA
Título: Uma mulher no escuro
Autor: Raphael Montes
Ano: 2019
Páginas: 256
Idioma: Português
Editora: Companhia das Letras
Nota: 4/5 
Compre: Amazon
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LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA



Só de olhar para o currículo de Raphael Montes é fácil entender que Uma mulher no escuro traz toda a experiência de um autor renomado. Com livros traduzidos em vinte países, finalista e vencedor de diversos prêmios, Raphael Montes sabe como trabalhar o suspense como poucos.

"Então, de repente, as investidas cessaram. O invasor jogou a faca longe e pegou algo no cinto de ferramentas. Sacudiu o objeto e mirou na direção dela. A menina reuniu forças e gritou o mais alto que podia, mas era tarde demais. Sentiu de novo o cheiro ruim, os olhos arderam e um gosto amargo desceu pela garganta.
Tsssss.
Na madrugada de seu aniversário de quatro anos, Victoria mergulhou na escuridão." Página 14



O livro já começa de um jeito bem forte e intenso, mostrando para o leitor o que ele pode esperar pelo restante do livro, mesmo que seja de forma mais subjetiva e alerta. Somos apresentados logo de cara ao crime brutal e à noite que mudou para sempre a vida da protagonista. O assassinato cruel de sua família deixa marcas profundas em Victoria que nem o tempo foi capaz de apagar ou apaziguar. Por conta desse início, assim como a protagonista, ficamos alertas durante toda a leitura, procurando detalhes e nuances que possam nos dar respostas que Victoria não vê.

Raphael Montes consegue trabalhar muito bem toda a construção do medo, deixando o leitor suspenso por toda a narrativa. É difícil desgrudar do livro porque a todo momento somos puxados de volta para a história. Quando pensamos que a narrativa fica mais tranquila e encontra um eixo, Raphael Montes muda todo o rumo do enredo e nos faz questionar o tempo todo, assim como Victoria, todas as escolhas e pessoas ali.



"Victoria não reagiu como eu pensava. Movidas algumas peças, esperei que ela perdesse o controle, se sentisse indefesa e me procurasse na mesma hora. Não foi o que ela fez. Por um lado, estou decepcionado. Por outro, orgulhoso. Gosto de desafios, gosto que ela quebre minhas expectativas. Torna tudo mais excitante." Página 59

O livro é narrado majoritariamente pelo ponto de vista de Victoria, mesmo não sendo contado em primeira pessoa. Apenas em alguns momentos o leitor tem acesso a pensamentos e reflexões do assassino, em partes que dividem capítulos e blocos de texto. Isso só contribui para que fiquemos ainda mais imersos na leitura e mais curiosos para conferir o que virá em seguida.


Mesmo sendo escrito por um homem e narrado pelo ponto de vista de uma mulher, não existiram momentos que me incomodaram e que me fizeram desacreditar na protagonista. Comprei a ideia da personagem desde o começo e isso foi sustentado de forma primorosa até o fim. Raphael Montes consegue escrever de maneira que nos esquecemos da vida e nos percebemos imersos nessa realidade.

O enredo é apresentado logo na sinopse do livro e no primeiro capítulo, então acreditei que fosse mais fácil fazer suposições e conseguir pensar em desfechos. Entretanto, nada acontece da forma como pensamos. Nada. Ao longo de toda a narrativa, Raphael Montes vai guiando o autor por caminhos tortuosos, nos enganando a cada página, fazendo com que cada conclusão seja conquistada apenas para ser descartada na página seguinte. Mesmo ao final do livro, quando parece que temos algumas pistas que, aparentemente, nos mostram o caminho, somos surpreendidos de forma impagável. Vi muitas pessoas comentando que a leitura vale mesmo que seja apenas pelo final e concordo plenamente. São poucas as histórias que conseguem me enganar de tal forma e me deixar arrepiada com um plot twist, uma reviravolta dessas.




Como é um livro pequeno, toda a narrativa é bem objetiva, com poucas descrições em excesso, diálogos pontuais e cenas que são colocadas como parte de um sentido maior. Não é um livro que tenta forçar demais um enredo, ele é sucinto da forma como deve ser. Sem mais. Por causa disso, a leitura flui de um jeito bem agradável e faz com que o livro seja muito envolvente desde a primeira página. Confesso que eu ainda não havia tido contato com nenhum livro do autor, apesar de agora estar bem curiosa para conferir outros de seus trabalhos.

Uma mulher no escuro é um livro que os fãs de bons suspenses e thrillers psicológicos vão gostar, mas também é uma indicação para quem quer começar a se aventurar nesse gênero, mas tem medo de começar por um calhamaço. Raphael Montes sabe como conduzir o leitor pelo universo de seus personagens. Raphael Montes me surpreendeu positivamente com seu mais novo lançamento e mal posso esperar para descobrir qual suspense o autor guarda para nós.

"Victoria não resistiu a abrir o envelope e ler depressa as novas páginas enquanto o ônibus sacudia no cainho para casa. Ao entrar no apartamento, cogitou reler o que já tinha para compreender melhor, mas estava tão enjoada que foi se deitar, abraçada a Abu." Página 186


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09:36 No comments

Adulta sim, madura nem sempre chegou em um momento bem especial. Em meio a conclusões de etapas importantes e perspectivas do futuro, é comum nos depararmos com inseguranças e receios típicos da vida adulta que bate à porta com mais afinco. A escrita de Camila Fremder traz um novo olhar sobre essa fase da vida e se tornou uma das leituras mais gostosas do ano.

Quer saber porque o livro de Camila Fremder precisa estar na sua lista de leituras? Então confira a resenha de Adulta sim, madura nem sempre!

"A vida adulta chega de uma hora para outra e nem sempre estamos preparados para ela. E tudo bem.
Um dia você é a jovem moderna que ouve música alta e incomoda a vizinha. Num piscar de olhos é você quem está interfonando para o porteiro e reclamando, aos berros, do som da garota que mora no andar de cima. O que aconteceu? Simples: a vida adulta chegou. Quer dizer, não tem nada de simples.
Como Camila Fremder mostra neste seu novo livro, a vida adulta costuma chegar de uma hora para outra, sem avisar, sem um curso preparatório, sem nada. Ou pelo menos é assim que a gente se sente. E a consequência disso é muito estranhamento, reflexões e boas risadas.
Saem de cena as noites agitadas e os dias sem grandes preocupações, sendo substituídos por fraldas (no caso de quem tem filho), boletos e muita paranoia com a aparência. Com observações perspicazes e bom humor, Camila nos ajuda a entender e aceitar melhor essa transição. Um livro que você não vai conseguir largar. A menos que o bebê acorde ou esteja na hora de você correr para o batente."

FICHA TÉCNICA
Título: Adulta sim, madura nem sempre
Autora: Camila Fremder
Ano: 2018
Páginas: 136
Idioma: Português
Editora: Paralela
Nota: 5/5
Compre: Amazon
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LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA



Adulta sim, madura nem sempre foi um presente que chegou em ótima hora na minha vida. Acabei de me formar na faculdade e vou começar meu primeiro emprego, recebendo um salário de verdade, com obrigações de verdade, e a perspectiva de que preciso começar logo a minha vida de verdade. Ler as palavras de Camila ajuda a desmistificar um pouco do que é "ser adulto" com muito humor e honestidade.

Camila Fremder cria uma narrativa de identificação e tranquilidade ao tratar com humor essa fase que é a mais duradoura da vida. Ao narrar o estranhamento de se perceber como adulta, contar sobre o primeiro cabelo grisalho, falar sobre os medos que ela, mesmo como adulta, têm, e até mesmo sobre a identificação que rola com a "tia do pavê", Camila nos apresenta uma nova percepção sobre o que é ser adulta nos dias de hoje.

"Comecei a perceber que minhas bandas favoritas são as mesmas de anos atrás porque mais difícil do que ficar a par da vida delas é descobrir novos artistas. É por isso que quando fico sabendo, bem em cima da hora geralmente, que vai rolar um festival de música na minha cidade, não conheço metade dos grupos que vão se apresentar. E tudo bem saber em cima da hora, nunca consigo ir mesmo. Primeiro porque os ingressos já estão esgotados. E segundo porque com esse dinheiro posso pagar meu IPTU." Página 49


Grande parte das crônicas fala sobre o período da gravidez de Camila e como ela lida com o fato de ser mãe. A princípio pensei que esse seria um fator um pouco limitante pra mim uma vez que estou longe de ser mãe, mas a forma como Camila aborda as questões e conversa com o leitor torna a leitura bastante inclusiva e extremamente divertida. Me peguei rindo em diversos momentos e achando graça das situações inusitadas que ela enfrentou.


Muitas vezes somos levados a pensar que existe uma linha extremamente bem delineada que define o momento exato em que nos tornamos adultos. Como ela não existe, ficamos nos perguntando repetidamente quando essa fase vai chegar e quando seremos adultos "de verdade", uma vez que não correspondemos ou nos encaixamos nos estereótipos de adultos que tanto repetíamos quando crianças.

Sempre achamos que a vida adulta é algo muito distante, mesmo quando já nos formamos no ensino médio e estamos buscando o diploma da faculdade. Parece que ser adulto sempre será algo terceirizado, nunca seremos nós esses protagonistas apressados, confusos e burocráticos, certo? Ser adulto parece algo de filme ou, no mínimo, coisa de pai e mãe. Afinal, se eu não me sinto como os adultos que eu vi a minha vida inteira, não devo ser uma, né?


Camila é gente como a gente, e quando digo isso é porque ela é uma adulta que carrega todos os medos, inseguranças e desejos que eu, com 22 anos, sinto. Em Adulta sim, madura nem sempre, Camila mostra as várias facetas de ser adulto e mostra que essa fase chega mais rápido do que a gente espera, mas que nem por isso precisa ser um sofrimento. Suas reflexões divertidas e honestas sobre essa fase da vida adoçam um pouco nosso medo clichê de envelhecer e mostram que dá, sim, pra ser adulta, madura e mãe do nosso próprio jeito. A vida está aí para ser vivida e para aprender, e Camila Fremder mostra que é possível fazer isso da forma mais leve, doce e bem humorada possível.

"Você começou a trabalhar e ganhar seu dinheiro. Ficou independente, o que é uma nova conquista da sua fase adulta. Mas é quando você percebe que vai ter que trabalhar para o resto da vida, e que daqui para a frente as suas responsabilidades só aumentarão, que você entende como é complicado ser adulto. Você começa então a fazer planos para, quem sabe um dia, conseguir se aposentar com dignidade. Afinal, ser adulto é perceber que um dia você vai ser velhinho, e velhinhos precisam cada vez mais de dinheiro. Eu acho muito injusto que, quanto mais velho você fica, mais dinheiro tem que gastar, enquanto menos dinheiro você ganha. Mas ser adulto é se deparar com as injustiças do mundo." Página 66


Toda a edição do livro é um prazer à parte. Além da capa adorável e bem humorada que reflete muito bem o tom do livro todo, a diagramação é extremamente divertida.

Além das ilustrações que acompanham algumas das crônicas e dão ainda mais leveza ao livro, mesmo em se tratando de assuntos como gravidez, inseguranças e até mesmo alguns perrengues, o livro conta com diversas listas engraçadinhas como "ranking dos 15 filmes mais vistos por mim na Sessão da Tarde" e "Lista de filmes de terror versão vida adulta".

Ao longo do texto também são grifadas frases em que ela se remete à conceitos da vida adulta e o que essa fase ensina ou significa pra ela de alguma forma.


Adulta sim, madura nem sempre é um livro extremamente gostoso de ler. Além de ser dividido em várias crônicas e recheado de elementos visuais que tornam a leitura ainda mais dinâmica, a escrita de Camila Fremder pende o leitor do início ao fim. É difícil largar o livro, mesmo quando já se leu mais da metade em uma sentada. Camila conversa como se estivesse falando ao telefone com uma melhor amiga, compartilhando experiências e dividindo segredos. Terminei o livro com um calorzinho no peito e um pouco mais tranquila em relação ao que o futuro me reserva.

Gostou de Adulta sim, madura nem sempre e quer conhecer outro livro incrível? Confira a resenha de Minha História, por Michelle Obama!

"Eu passei a repetir uma frase como uma espécie de mantra: "Va ficar tudo bem!". E para tudo eu repito isso. Até o momento está tudo bem. E vai ficar, eu sei. Mas, por via das dúvidas, repete comigo, gente: "Vai ficar tudo bem!". Página 134


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11:30 4 comments

Minha História, de Michelle Obama, se tornou logo nas primeiras páginas uma das minhas leituras favoritas de 2018. Estou me cercando cada vez mais de livros escritos por mulheres e não poderia ter um presente melhor do que ter Michelle Obama como uma referência.

Michelle Obama ficou mundialmente conhecida como a esposa do 44.º presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Entretanto, como diz o ditado "por trás de todo grande homem existe uma grande mulher" e isso não poderia ser mais verídico. E que mulher! Michelle LaVaughn Robinson Obama é uma mulher que tomou a frente de sua vida e faz de cada obstáculo uma escolha em prol de um bem maior. Uma mulher que sabe usar sua voz e, diariamente, inspira milhões de meninas e mulheres do mundo todo a fazer o mesmo. Em um mundo com os olhos voltados para seu marido e sua família, Michelle tirou de letra um dos maiores desafios que alguém poderia ter. Em Minha História ela abre as portas para seu passado, presente e suas perspectivas para o futuro. Uma leitura deliciosa e extremamente necessária.

Quer saber por que sua autobiografia se tornou um dos meus livros favoritos? Então confira a resenha de Minha História, por Michelle Obama!

"Um relato íntimo, poderoso e inspirador da ex-primeira-dama dos Estados Unidos.
Com uma vida repleta de realizações significativas, Michelle Obama se consolidou como uma das mulheres mais icônicas e cativantes de nosso tempo. Como primeira-dama dos Estados Unidos — a primeira afro-americana a ocupar essa posição —, ela ajudou a criar a mais acolhedora e inclusiva Casa Branca da história. Ao mesmo tempo, se posicionou como uma poderosa porta-voz das mulheres e meninas nos Estados Unidos e ao redor do mundo, mudando drasticamente a forma como as famílias levam suas vidas em busca de um modelo mais saudável e ativo, e se posicionando ao lado de seu marido durante os anos em que Obama presidiu os Estados Unidos em alguns dos momentos mais angustiantes da história do país. Ao longo do caminho, ela nos ensinou alguns passos de dança, arrasou no Carpool Karaoke e criou duas filhas responsáveis e centradas, apesar do impiedoso olhar da mídia.
Em suas memórias, um trabalho de profunda reflexão e com uma narrativa envolvente, Michelle Obama convida os leitores a conhecer seu mundo, recontando as experiências que a moldaram — da infância na região de South Side, em Chicago, e os seus anos como executiva tentando equilibrar as demandas da maternidade e do trabalho, ao período em que passou no endereço mais famoso do mundo. Com honestidade e uma inteligência aguçada, ela descreve seus triunfos e suas decepções, tanto públicas quanto privadas, e conta toda a sua história, conforme a viveu — em suas próprias palavras e em seus próprios termos. Reconfortante, sábio e revelador, Minha história traz um relato íntimo e singular, de uma mulher com alma e consistência que desafiou constantemente as expectativas — e cuja história nos inspira a fazer o mesmo."



FICHA TÉCNICA
Título: Minha História
Autora: Michelle Obama
Ano: 2018
Páginas: 416
Idioma: Português
Editora: Objetiva
Nota: 5/5
Compre: Amazon
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LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA


Confesso que ainda estou tentando digerir a leitura de Minha História. Michelle Obama é uma mulher absolutamente admirável e foi um prazer poder absorver um pouco de sua visão de mundo e experiências ao longo de todo o livro. Sua forma de narrar eventos e de fazer uma reflexão acerca de cada momento é simplesmente inspiradora. Selecionei diversos trechos enquanto lia e ao final tinha um bloco de notas inteiro recheado de frases, parágrafos e pensamentos de Michelle. Ela aborda diversas temáticas enquanto fala de sua trajetória até ser a primeira-dama dos Estados Unidos e é incrível acompanhar sua escrita.

Michelle começa o livro narrando sua infância em South Side, um bairro de Chicago. Ela compartilha seu relacionamento com a família e com as pessoas com quem morava, com seus avós, seu irmão e seus pais. Além de contextualizar o momento histórico dos Estados Unidos em diversos pontos de suas recordações do passado, Michelle também faz uso de vários momentos da infância para exemplificar comportamentos que futuramente a definiriam como uma das mulheres mais poderosas e determinadas do mundo. Desde nova ela sempre se impôs, sempre questionou a forma como o avô falava com a avó, sempre questionou a forma como os negros eram tratados de forma diferente no bairro em que vivia e nunca deixou de se empenhar para ser a melhor versão de si, reflexos de uma mulher que seria a primeira-dama mais amada do mundo.

"Quando era primeira-dama, eu chegava ao fim de uma semana movimentada precisando que me lembrassem como ela havia começado. Mas a noção de tempo está começando a ficar diferente. Minhas meninas, que chegaram à Casa Branca com bonecas, uma cobertinha de estimação e um tigrinho de pelúcia chamado Tiger agora são adolescentes, jovens com planos e vozes próprias. Meu marido está se adaptando à vida depois da Casa Branca, recuperando o fôlego. E aqui estou eu, nesse lugar novo, com vontade de falar muita coisa." Página 17


A forma de narrar de Michelle é um ponto fortíssimo do livro. Ela conduz o leitor de forma natural e bem fluida pelas fases de sua vida, desde sua infância em South Side, até a troca de escolas, a dinâmica com seus familiares e amigos, seus namorados, seu tempo em Princeton e depois em Harvard, sua carreira como advogada, o momento em que foi mentora de Barack Obama durante seu tempo em escritório, sua paixão por ajudar os outros e se envolver com causas sociais, principalmente de gênero, até o mergulho na vida política, a chegada à Casa Branca e ao encontro de sua voz nesse novo mundo e como ela, como mãe, esposa e mulher, lidou com todas as abruptas reviravoltas de sua nova vida.

"Informei a Barack que, para que nosso relacionamento desse certo, seria melhor ele se sentir à vontade falando ao telefone. "Seu eu não puder falar com você", anunciei, "talvez tenha que encontrar outro cara que me dê ouvidos". Eu estava brincando, mas só um pouco." Página 136


Seria de se esperar que houvesse algum tipo de filtro em relação ao que é dito, em relação à vida pessoal de duas figuras que, por muito tempo, estiveram à frente da maior potência mundial. Se existe, não fica aparente uma vez que ela fala sobre sua atração física por Barack, sobre suas tentativas falhas de engravidar, sobre o aborto espontâneo que sofreu e faz diversos comentários extremamente honestos.

"Informei a Barack que, para que nosso relacionamento desse certo, seria melhor ele se sentir à vontade falando ao telefone. "Seu eu não puder falar com você", anunciei, "talvez tenha que encontrar outro cara que me dê ouvidos". Eu estava brincando, mas só um pouco." Página 136

Minha História é um livro que contextualiza diversos assuntos em pauta nos Estados Unidos e que faz um recorte de um país que é, muitas vezes, vangloriado e exaltado. Michelle mostra as diversas caras de um país que é sim, um oásis de oportunidades, mas que é ao mesmo tempo racista, preconceituoso, machista, misógino e conservador ao extremo.

Em determinado momento ela fala sobre seu contato com os militares do exército americano. Mostra como nunca foi muito próxima dos militares, mas tomou a causa pra si quando se tornou primeira-dama. Se dedicou às famílias dos militares e aos feridos em combate. A forma como ela fala sobre seu amor pelo país nos faz entender um pouco mais o patriotismo americano e como ele é extremamente enraizado no Estados Unidos.



Michelle também fala sobre como tentou fazer algo pelas meninas do país porque queria que elas tivessem o mesmo apoio e oportunidades que ela mesma teve. Queria mostrar que elas podiam se sentir confortáveis e confortantes para exercer sua voz em qualquer sala, qualquer mesa, dentro de qualquer grupo. Essa devoção por meninas e mulheres se mostra não apenas nas causas e projetos que lançou como primeira-dama, mas na forma como educou suas próprias filhas no ambiente doméstico. Este trecho representa bem:

“Pra mim, fazia muito mais sentido do que atrasar o jantar e fazer as meninas esperarem acordadas, às vezes morrendo de sono, para um abraço. E assim retomei meu desejo de que elas crescessem fortes e centradas, sem se acomodarem a qualquer forma de velho patriarcado: não queria que elas acreditassem um instante sequer que a vida começava quando o homem da casa chegava. Não esperávamos o papai. Agora cabia a ele vir até nós.” Página 226
Alguns dos momentos mais tocantes de sua narrativa estão relacionados aos tiroteios, principalmente em escolas, que ela precisou lidar como primeira-dama. É interessante poder, enquanto lia, procurar os vídeos dos discursos e reviver, com outros olhos, capítulos tão intensos da história dos Estados Unidos. Além de contar como foi estar no posto de primeira-dama e narrar os bastidores, Michelle não deixa de abordar a questão da venda e do porte de armas nos EUA, fazendo críticas e deixando bem claro seu posicionamento.


Em uma realidade que acoberta o chefe da maior nação do mundo é delicioso poder ter acesso a alguns bastidores da vida na Casa Branca e Michelle faz questão de escancarar as portas. Além de falar sobre a interações com os pais de outras crianças da mesma escola das filhas, ela comenta sobre as medidas de segurança e narra o dia em que tentou fugir da Casa Branca e do Serviço Secreto para ir aos jardins da casa com Malia para comemorar a legalização do casamento gay. Ela também relata como se escondia para assistir aos treinos de natação de Sasha e como precisou ficar escondida em um porão enquanto Malia visitava o campus de Columbia.

Em trechos mais poderosos, Michelle faz um paralelo sobre como ela e Obama, sendo os primeiros negros a ocupar a Casa Branca, ainda presenciaram uma violência policial extremamente presente contra a população negra dos Estados Unidos. Ela faz interessantes e importantes reflexões sobre a realidade violenta e racista do país e o fato de terem ocupado um espaço historicamente branco.

“Crescemos sendo bombardeados de mensagens eu alegam existir apenas uma maneira de ser americano – alegam que, se temos a pele escura ou o cabelo crespo, se não amamos de uma determinada maneira, se falamos outra língua ou nascemos em outro país, então aqui não é o nosso lugar. Até que alguém ouse começar a contar essa história de outra maneira.” Página 428


As últimas páginas são minhas favoritas. Além de refletir de forma mais intensa e profunda sobre sua própria trajetória, Michelle tenta criar um horizonte para o país como está e quais suas perspectivas para o futuro. Depois de narrar a transição, ela faz críticas ferrenhas ao governo e à pessoa de Trump, mas sem deixar de lado o otimismo de alguém que já viu e viveu o suficiente para saber que existe esperança em todo lugar. Acredito que, dada a atual situação do nosso próprio país, suas palavras oferecem um alento necessário.

“Posso machucar você e sair impune. Era uma expressão de ódio em geral excluída do convívio, mas ainda persistia no âmago de nossa sociedade supostamente esclarecida – viva e aceita a ponto de alguém como Donald Trump utilizá-la sem a mais vaga preocupação. Todas as mulheres que conheço notaram aquilo. Todas as pessoas que algum dia foram estigmatizadas notaram aquilo. Era exatamente isso que tantos de nós tínhamos esperança de que nossos filhos nunca precisassem, mas provavelmente experimentariam. A dominação e, mesmo sua ameaça, é uma forma de desumanização. É a espécie mais repulsiva de poder.” Página 421

Michelle é mãe, amiga, esposa. E ela consegue mostrar todas as suas facetas com perfeição. Minha História nos oferece o perfeito retrato de uma mulher digna de admiração e ao mesmo tempo parecida com todas nós. Michelle Obama é uma mulher capaz de tirar uma boa lição e um ensinamento incrível de cada momento passado e é incrível poder saber mais sobre sua trajetória enquanto nos espelhamos nas nossas próprias escolhas e visões de mundo.

Minha História se tornou uma das minhas leituras favoritas e é um desses livros imprescindíveis na estante de todas as mulheres que procuram uma referência feminina forte, independente e inspiradora. Um livro inesquecível.

Gostou da resenha e quer conhecer outro livro poderoso escrito por uma mulher inspiradora? Então confira a resenha de Coragem!

“Para mim, ter uma história não significa chegar a algum lugar ou alcançar algum objetivo. Entendo-a mais como um movimento adiante, um meio de evoluir, uma maneira de tentar, continuamente, ser uma pessoa melhor. É uma jornada sem fim. Tornei-me mãe, mas ainda tenho muito a ensinar e a aprender com minhas filhas. Tornei-me esposa, mas continuo a me adaptar e aceitar o verdadeiro significado de amar e construir uma vida com outra pessoa. Tornei-me, em certa medida, uma figura de poder, e mesmo assim há momentos em que ainda me sinto insegura e desconsiderada.” Página 430


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A continuação de O Beijo Traiçoeiro foi uma surpresa extremamente agradável que me deixou ansiosa para conferir o que Erin Beaty reservou para protagonistas tão marcantes e apaixonantes quanto Sage e Alex. Uma história de amor envolta por obstáculos e com tudo que merece uma boa aventura.

Confira o que achei de A Missão Traiçoeira, segundo volume da série de Erin Beaty!

"Sage Fowler abandona seu posto como aprendiz de casamenteira e se envolve em uma nova missão secreta ao lado do capitão Alex Quinn no segundo volume da série O Beijo Traiçoeiro.
Depois de se provar uma espiã habilidosa e uma casamenteira estrategista, Sage Fowler passou a ocupar uma posição confortável na alta sociedade, dando aulas para as princesas do reino de Demora. Quando surge a oportunidade de participar de uma nova missão secreta, porém, Sage quer aproveitar a chance para servir ao seu reino mais uma vez — e ficar mais próxima de seu noivo, o capitão Alexander Quinn. Alex não fica nada feliz com a ideia, já que está determinado a proteger a namorada de qualquer perigo.
A insistência de Sage em fazer parte da missão faz com que eles se desentendam cada vez mais e, quando um conflito com um reino vizinho resulta em uma tragédia, os dois acabam separados. Para completar a missão de Alex — e a sua própria —, Sage precisará contar com a ajuda de aliados inesperados para sobreviver em um território inimigo e salvar o reino de Demora mais uma vez."



FICHA TÉCNICA

Título: A Missão Traiçoeira
Autora: Erin Beaty
Ano: 2018
Páginas: 456
Idioma: Português
Editora: Seguinte (Grupo Companhia das Letras)
Nota: 4/5
Compre: Amazon
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LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA



Em A Missão Traiçoeira podemos nos envolver mais com a história de amor de Sage e Alex de uma forma mais intensa. É interessante observar a dinâmica dos dois, como o relacionamento é - ou não - afetado por suas escolhas e pelas missões nas quais estão envolvidos. Me senti mais encantada pelo casal nesse segundo volume, mesmo tendo ficado bem apaixonada em O Beijo Traiçoeiro.

"Tirando o próprio capacete com dificuldade, voltou-se para Sage com um misto de orgulho e irritação nos olhos castanhos.
- Você é uma trapaceira, sabia?
- Pelo que me lembro, você me ensinou a usar todas as vantagens a meu favor.
Alex riu.
- Pois é. Me rendo, milady.
Todo o acolchoamento dificultava um beijo, mas ele deu um jeito." Página 17


Apesar da forma de narrar se manter do primeiro para o segundo livro, os cenários se alteram, oferecendo um enredo bem diferente do anterior. Tanto os problemas se tornaram mais abrangentes e políticos, quando os dilemas dos personagens se tornaram mais maduros. Senti que A Missão Traiçoeira mostra um lado mais maduro dos personagens e, ao contrário de O Beijo Traiçoeiro, deu um horizonte mais delineado para o futuro dos protagonistas e para a própria série de Erin Beaty.

Mesmo que a história trate do tempo presente, por meio de diálogos é possível conhecer ainda mais a fundo o passado dos personagens principais e suas motivações.

Sage Fowler é uma protagonista que, mesmo estando rodeada de homens e precisando se submeter às ordens de seus superiores, mantém sua feminilidade, força e independência. É um bom exemplo do futuro perfil das mulheres da literatura de ficção, o que só rende mais pontos positivos para a história de Erin Beaty.


Mesmo que os conflitos políticos sejam o fio condutor do enredo, A Missão Traiçoeira é um livro sobre pessoas e como os relações nos movem. As escolhas dos personagens são feitas com base em seus sentimentos em relação aos outros. Sage aceita sua missão para ficar mais próxima de Alex; Alex precisa entender como a profundidade de seus sentimentos afeta suas escolhas; Nicholas sente que precisa se provar para todos que ama.

Por mais envolvente que seja a narrativa, o enredo não traz nada de muito inédito, a história é bem parecida com a de vários outros livros do gênero, principalmente The Kiss of Deception, que, a meu ver, trata das questões políticas e territoriais dos reinos de forma mais profunda e detalhada. A Rainha de Tearling também é uma referência que surgiu enquanto lia a história criada por Erin Beaty.

"- Capitão, é a srta. Fowler! - uma voz exclamou.
- Eu sei quem ela é! - As mãos de Alex apalparam seu pescoço, sua cabeça e seus ombros à procura de ferimentos. Sage gemeu e tremulou as pálpebras, mas manteve os olhos fechados. Ele apalpou os braços e as costelas dela, depois desceu até conferir todo o seu corpo. - Pelo Espírito, Sage - Alex murmurou. - O que você está fazendo aqui?" Página 187


As edições dos livros da Seguinte sempre me encantam, são livros que dão prazer de continuar acumulando em formatos físicos. Além da linda ilustração de Rafel Nobre que segue o padrão estabelecido no primeiro título, o acabamento em soft touch dá um destaque ainda maior para as cores marcantes da capa. A diagramação é muito boa, com margens generosas, espaçamento entre linhas pouco econômico e fonte em tamanho razoável, o que contribui para que a leitura corra ainda mais naturalmente. É um livro que engana com suas quase 500 páginas já que pode facilmente ser lido em poucos dias.


A Missão Traiçoeira é um livro bem fácil de ler, com muitos diálogos e poucas descrições, o que não empobrece a leitura. Erin Beaty consegue criar cenários e desenvolver a narrativa de tal forma que o leitor se envolve na grama com facilidade. Só cresce a ansiedade para saber o que Erin Beaty guarda para o último volume dessa trilogia que me conquistou bem rápido.

Gostou da resenha e quer conhecer outra história do gênero? Então confira a resenha de The Kiss of Deception!

"Alex estava ali. Vivo.
E era dela.
- Eu te amo - Sage sussurrou.
- Essa - ele disse, puxando-a para um beijo intenso - é a melhor coisa que escuto em meses." Página 378


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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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