Resenha: Pequenas Realidades

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Pequenas Realidades acaba de chegar ao mercado editorial brasileiro pela DarkSide Books. O livro escrito por Tabitha King, esposa de um dos maiores nomes da literatura de terror, volta a conquistar leitores com uma história bem peculiar.

Quer saber o que existe de tão diferente no livro de Tabitha King? Então confira a resenha de Pequenas Realidades!


"Publicado no Brasil na década de 1980 em uma coleção de terror e fantasia, Pequenas Realidades viveu mais de trinta anos em sebos e prateleiras empoeiradas. Carregado de sutilezas, bizarrices e ferocidade, o livro carrega em seu cerne uma fascinação que fez parte da infância de muita gente: miniaturas. Casas, móveis... e, por que não?, pessoas.

Neste livro, conhecemos a socialite Dorothy Hardesty Douglas, filha de um antigo presidente norte-americano, que vive na redoma de seu legado de sucesso. Entusiasta de miniaturas, ela possui uma réplica da Casa Branca, perfeita em seus mínimos detalhes.Ao conhecer um homem chamado Roger Tinker, que trabalhou para o governo em um projeto secreto, ela descobre uma maneira fantástica — e um tanto perturbadora — de decorar sua casinha.

Em uma trama que envolve relações familiares problemáticas e o mundo estranho e obsessivo das miniaturas, Tabitha King conduz o leitor por uma história grotesca e disfuncional. Não sabemos para onde os personagens vão nos levar com seus atos extremos, e a sensação fascina e aterroriza na mesma medida.

Tabitha King é uma autora interessada no psicológico de seus personagens — e mostra os contornos mais sombrios que podem habitar a mente de todos nós. No mês em que completa setenta anos, a voz cativante e original de Tabitha King chega para fortalecer ainda mais a linha DarkLove, que publica autoras poderosas e cheias de atitude.

Depois de devorar Pequenas Realidades, você nunca mais vai olhar para casinhas de boneca do mesmo jeito."

FICHA TÉCNICA
Título: Pequenas Realidades 
Autora: Tabitha King
Ano: 2019
Páginas: 320
Idioma: Português
Editora: DarkSide Books
Nota: 3,5/5 
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Casas de boneca são mais antigas do que imaginamos. Objetos de admiração desde o século XVI, principalmente por causa da nobreza, essas miniaturas podem ser tão recheadas de detalhes quanto um cômodo de verdade. No final do século passado, uma febre de miniaturas fez com que o assunto voltasse à pauta e é daí que Tabitha King tira inspiração para Pequenas Realidades.




Publicado na década de 80, Pequenas Realidades já chama a atenção por sua temática curiosa. O livro conta a história de Dorothy Hardesty Douglas, que já vê o mundo de forma diferente por ser filha de um antigo presidente dos Estados Unidos. Por conta de uma criação privilegiada, ela se torna uma socialite completamente fora da realidade. Dizer que ela é mimada seria um eufemismo. Além do estilo de vida luxuoso, Dorothy é uma entusiasta de miniaturas que leva essa paixão ao nível da loucura e da psicopatia.



É interessante observar como o contexto histórico serve de pano de fundo para o desenvolvimento do enredo. Na década de 80, além da empolgação para com as miniaturas, os Estados Unidos ainda viviam o final da Guerra Fria e a corrida armamentista. A busca por avanços tecnológicos se faz presente no enredo, por ser um dos elementos centrais da narrativa. É nesse ponto que algumas características como invenções à lá ficção científica ganham força e ajudam a moldar a história de Pequenas Realidades. Os resquícios das tecnologias criadas no contexto da Guerra Fria ficam aparentes para o leitor mais atento.

Por conta da proximidade dos protagonistas, o núcleo familiar se faz constante ao longo de toda a narrativa. A temática familiar se faz forte, seja pelo relacionamento dos protagonistas, seja pelos sentimentos deles para com personagens secundários.



A escrita de Tabitha King é bem descritiva, tanto de cenários quanto de pensamentos e sensações de personagens. Entretanto, mesmo sendo uma característica que teria tudo para ser um ponto alto, acaba se virando contra a autora porque a maneira como ela coloca essas descrições torna a leitura um tanto quanto maçante.

A autora, mesmo trabalhando um pouco o emocional e o psicológico dos personagens, foca mais na descrição de cenas e acontecimentos, o que faz com que seja mais difícil se identificar com os protagonistas e criar algum vínculo com eles ao longo da leitura. Ao longo do enredo os personagens vão revelando mais camadas e, por mais que isso seja interessante, algumas vezes me senti perdida nas mudanças bruscas. É visível a tentativa de dar uma profundidade aos personagens, mas isso é feito de forma inexplicável e, por muitas vezes, incoerente.


Algo que faz com que a ficção científica faça parte de um gênero tão aclamado é a possibilidade do real. Alguns autores conseguem construir universos absurdos, mas que são tão plausíveis que fazem com que o leitor compre a ideia e mergulhe no enredo, por mais bizarro que possa parecer. Pequenas Realidades peca bastante nesse sentido porque não se preocupa em conquistar o leitor, em atraí-lo para aquele universo.

Algo que me incomodou bastante ao longo de toda a história foi a falta de consequências que deveriam acontecer devido aos eventos do livro. A maior parte dos acontecimentos, por mais grave que sejam, passam praticamente despercebidos e em branco. Isso só faz com que a leitura seja ainda mais desgastante para o leitor, que passa a ficar incomodado com o que lê.

É um livro cujo ritmo de leitura varia bastante e só começa a engrenar mesmo a partir da metade. O começo é um tanto quanto lento, é difícil se sentir imerso na história com rapidez, o que pode acabar deixando alguns leitores com o pé atrás. Além disso, a cronologia um pouco confusa e a falta de uma conexão lógica entre acontecimentos faz com que seja preciso voltar algumas páginas, reler trechos e isso acaba tirando o propósito de entretenimento da leitura. O que era para ser um momento de imersão acaba se tornando motivo de desgaste.


Confesso que fiquei decepcionada com a escrita de Tabitha King porque nunca havia lido nenhum livro da autora e criei expectativas que foram frustradas. Gostaria de dar mais uma chance para a autora que leva um sobrenome tão forte no mundo da literatura e estou curiosa para saber se o estilo da escrita se mantém ou se podemos esperar uma surpresa positiva.

A edição da DarkSide Books, como sempre, merece um complemento à parte. Além da capa dura toda branca que faz jus à promessa minimalista do livro, a folha de guarda faz com que o leitor entre no clima da história antes mesmo de ler a primeira página. A diagramação é simples, mas confortável e ajuda a deixar a leitura um pouco mais fluida.


Pequenas Realidades é um desses livros em que você lê mais pelo final do que pelo desenrolar da trama em si. O desfecho apresenta um plot twist inesperado que dá a sensação de que a leitura valeu a pena, apesar de todos os pontos negativos. É um livro com uma proposta diferente, curiosa e, para mim, inédita.

Gostou da resenha e quer conhecer outro livro do gênero? Então confira a resenha de Uma mulher no escuro!


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