Resenha: Uma mulher no escuro

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Uma mulher no escuro, de Raphael Montes, está dando o que falar. Um autor querido por seus suspenses e thrillers psicológicos chega com mais um lançamento arrepiante e que está conquistando os fãs do gênero.

Quer saber por que estão todos falando do livro? Então confira a resenha de Uma mulher no escuro!

"Um crime brutal cometido há vinte anos, uma única sobrevivente, o retorno calculado do assassino. Em quem Victoria deve confiar? Neste thriller psicológico, Raphael Montes une romance e suspense em uma narrativa intrincada e sedutora. 

Victoria Bravo tinha quatro anos quando um homem invadiu sua casa e matou sua família a facadas, pichando seus rostos com tinta preta. Única sobrevivente, ela agora é uma jovem solitária e tímida, com pesadelos frequentes e sérias dificuldades para se relacionar. Seu refúgio é ficar em casa e observar a vida alheia pelas janelas do apartamento onde mora, na Lapa, Rio de Janeiro.
Mas o passado bate à sua porta, e ela não sabe mais em quem pode confiar. Obrigada a enfrentar sua própria tragédia, Victoria embarca em uma jornada de amadurecimento e descoberta que a levará a zonas obscuras, mas também revelará as possibilidades do amor. Um psiquiatra, um amigo feito pela internet e um possível namorado — qual dos três homens está usando tudo o que sabe para aterrorizar a vida de Vic? E o que afinal ele quer com ela?
Na literatura nacional, Raphael Montes é unanimidade quando se trata de livros de suspense. Uma Mulher no Escuro traz sua primeira protagonista feminina e confirma o autor como um dos mais originais da atualidade — além de deixar o leitor intrigado do começo ao fim."

 FICHA TÉCNICA
Título: Uma mulher no escuro
Autor: Raphael Montes
Ano: 2019
Páginas: 256
Idioma: Português
Editora: Companhia das Letras
Nota: 4/5 
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Só de olhar para o currículo de Raphael Montes é fácil entender que Uma mulher no escuro traz toda a experiência de um autor renomado. Com livros traduzidos em vinte países, finalista e vencedor de diversos prêmios, Raphael Montes sabe como trabalhar o suspense como poucos.

"Então, de repente, as investidas cessaram. O invasor jogou a faca longe e pegou algo no cinto de ferramentas. Sacudiu o objeto e mirou na direção dela. A menina reuniu forças e gritou o mais alto que podia, mas era tarde demais. Sentiu de novo o cheiro ruim, os olhos arderam e um gosto amargo desceu pela garganta.
Tsssss.
Na madrugada de seu aniversário de quatro anos, Victoria mergulhou na escuridão." Página 14



O livro já começa de um jeito bem forte e intenso, mostrando para o leitor o que ele pode esperar pelo restante do livro, mesmo que seja de forma mais subjetiva e alerta. Somos apresentados logo de cara ao crime brutal e à noite que mudou para sempre a vida da protagonista. O assassinato cruel de sua família deixa marcas profundas em Victoria que nem o tempo foi capaz de apagar ou apaziguar. Por conta desse início, assim como a protagonista, ficamos alertas durante toda a leitura, procurando detalhes e nuances que possam nos dar respostas que Victoria não vê.

Raphael Montes consegue trabalhar muito bem toda a construção do medo, deixando o leitor suspenso por toda a narrativa. É difícil desgrudar do livro porque a todo momento somos puxados de volta para a história. Quando pensamos que a narrativa fica mais tranquila e encontra um eixo, Raphael Montes muda todo o rumo do enredo e nos faz questionar o tempo todo, assim como Victoria, todas as escolhas e pessoas ali.



"Victoria não reagiu como eu pensava. Movidas algumas peças, esperei que ela perdesse o controle, se sentisse indefesa e me procurasse na mesma hora. Não foi o que ela fez. Por um lado, estou decepcionado. Por outro, orgulhoso. Gosto de desafios, gosto que ela quebre minhas expectativas. Torna tudo mais excitante." Página 59

O livro é narrado majoritariamente pelo ponto de vista de Victoria, mesmo não sendo contado em primeira pessoa. Apenas em alguns momentos o leitor tem acesso a pensamentos e reflexões do assassino, em partes que dividem capítulos e blocos de texto. Isso só contribui para que fiquemos ainda mais imersos na leitura e mais curiosos para conferir o que virá em seguida.


Mesmo sendo escrito por um homem e narrado pelo ponto de vista de uma mulher, não existiram momentos que me incomodaram e que me fizeram desacreditar na protagonista. Comprei a ideia da personagem desde o começo e isso foi sustentado de forma primorosa até o fim. Raphael Montes consegue escrever de maneira que nos esquecemos da vida e nos percebemos imersos nessa realidade.

O enredo é apresentado logo na sinopse do livro e no primeiro capítulo, então acreditei que fosse mais fácil fazer suposições e conseguir pensar em desfechos. Entretanto, nada acontece da forma como pensamos. Nada. Ao longo de toda a narrativa, Raphael Montes vai guiando o autor por caminhos tortuosos, nos enganando a cada página, fazendo com que cada conclusão seja conquistada apenas para ser descartada na página seguinte. Mesmo ao final do livro, quando parece que temos algumas pistas que, aparentemente, nos mostram o caminho, somos surpreendidos de forma impagável. Vi muitas pessoas comentando que a leitura vale mesmo que seja apenas pelo final e concordo plenamente. São poucas as histórias que conseguem me enganar de tal forma e me deixar arrepiada com um plot twist, uma reviravolta dessas.




Como é um livro pequeno, toda a narrativa é bem objetiva, com poucas descrições em excesso, diálogos pontuais e cenas que são colocadas como parte de um sentido maior. Não é um livro que tenta forçar demais um enredo, ele é sucinto da forma como deve ser. Sem mais. Por causa disso, a leitura flui de um jeito bem agradável e faz com que o livro seja muito envolvente desde a primeira página. Confesso que eu ainda não havia tido contato com nenhum livro do autor, apesar de agora estar bem curiosa para conferir outros de seus trabalhos.

Uma mulher no escuro é um livro que os fãs de bons suspenses e thrillers psicológicos vão gostar, mas também é uma indicação para quem quer começar a se aventurar nesse gênero, mas tem medo de começar por um calhamaço. Raphael Montes sabe como conduzir o leitor pelo universo de seus personagens. Raphael Montes me surpreendeu positivamente com seu mais novo lançamento e mal posso esperar para descobrir qual suspense o autor guarda para nós.

"Victoria não resistiu a abrir o envelope e ler depressa as novas páginas enquanto o ônibus sacudia no cainho para casa. Ao entrar no apartamento, cogitou reler o que já tinha para compreender melhor, mas estava tão enjoada que foi se deitar, abraçada a Abu." Página 186


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