Resenha: Faca de água

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 Faca de Água é um cli-fi que mescla ação, suspense e romance. Num futuro árido e tumultuado, em que a água ganhou o status de commodity mais valiosa, Faca de Água trabalha as possibilidades e preocupações envolvendo a escassez. Saiba mais!

"Num futuro árido e tumultuado, em que a água ganhou o status de commodity mais valiosa, o direito de uso das fontes e dos rios é alvo de disputas ferrenhas. Uma guerra entre governos, órgãos públicos e empresários, na qual vale tudo. Enquanto advogados e burocratas armam-se com infinitos processos judiciais, mercenários e militares subjugam proprietários de terra, implodem estações de tratamento e interrompem o abastecimento de regiões inteiras.
Nesse cenário surge Angel, um faca de água, um dos muitos mercenários com a missão de cortar e desviar o fornecimento de água a mando de quem paga mais. Lucy é uma jornalista premiada que decidiu revelar para o mundo a realidade da Grande Seca. Maria é uma jovem cuja vida foi destruída pelos efeitos das mudanças climáticas. Quando o direito de usar a água significa dinheiro para alguns e sobrevivência para outros, o que esses três personagens não sabem é que seu encontro é um marco que poderá mudar tudo. Um novo fiel da balança que sempre pendeu para o mesmo lado.
Futurista, mas nada improvável, Faca de Água é um thriller que perpassa por questões econômicas, ambientais e éticas numa narrativa que extrapola o gênero, daquelas que se lê de uma tacada só e depois leva-se um longo tempo assimilando."

FICHA TÉCNICA
Título: Faca de Água
Autor: Paolo Bacigalupi
Ano: 2016
Páginas: 400
Idioma: Português
Editora: Intrínseca
Nota: 3
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LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA

Depois de ter lido A Seca, passei a me interessar bastante por livros do subgênero cli-fi. Caso você ainda não saiba o que é, escrevi um post falando e explicando um pouco melhor essa classificação, pode clicar aqui para lê-lo. De forma resumida, o Cli-fi, também conhecido como Climate fiction, é um subgênero da ficção que trata das mudanças climáticas, como o aquecimento global, e suas implicações passadas, presentes e futuras. Faca de Água é um perfeito exemplo do gênero.


Não é mais impossível pensar em um futuro em que a água seja o principal motivo para guerras e exploração humana. A falta de recursos hídricos já é uma realidade para muitas pessoas ao redor do mundo e Faca de Água explora essa possibilidade ao máximo. O livro mistura suspense e investigação policial em uma história que gira em torno de uma sociedade dividida por quem tem acesso à água e aqueles que precisam lutar diariamente para ter acesso a ela. 

A narrativa é conduzida por três personagens principais. Angel é o personagem responsável por explicar ao leitor o contexto político, social e econômico que envolve a trama de Faca de Água. Maria e Lucy servem para fazer o leitor entender o dia a dia da população, criam uma afinidade e uma identificação dentro de um contexto aparentemente parece muito distante. O contato com três personagens tão distintos ajuda a tornar a leitura mais acessível e aumenta o ritmo de leitura de um jeito agradável. 


A trama é muito bem desenvolvida e todo o enredo é claramente muito bem pensado, existe uma preocupação com a veracidade dos acontecimentos e a credibilidade da narrativa como um todo. A leitura é fácil, são muitos diálogos e o autor consegue conduzir bem a narrativa. Eu particularmente não consegui me sentir muito envolvida pela história e criar afinidade com os personagens, mas isso não tira o mérito da história muito bem escrita. 

Outro ponto negativo em relação à narrativa é que Faca de Água traz uma história que se passa nos Estados Unidos e é bem regional, o que pode acabar impondo um distanciamento a mais no que diz respeito ao envolvimento do leitor com a trama. É um livro que com certeza quem já tem um conhecimento prévio a respeito da geografia do país vai conseguir entender bem mais alguns dos conflitos, principalmente porque grande parte deles diz respeito às fronteiras. É um livro claramente escrito por um estadunidense para os leitores dos Estados Unidos, o que cria uma barreira difícil de relevar. 


Não é um livro para todos os públicos, não só por causa da trama política, mas também por conta de alguns descrições mais explícitas e insinuações. Não é um livro leve e possui certo conteúdo adulto. Além disso, é preciso um envolvimento e comprometimento maior principalmente nas primeiras páginas do livro, uma vez que a história demora um pouco a se tornar envolvente, mesmo com várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. 

Assim como em livros como A Mão Esquerda da Escuridão, as descrições chamam mais atenção que os próprios personagens e suas motivações. Assim como cli-fis como A Seca, um dos pontos altos de Faca de Água é a descrição dos cenários áridos e desérticos. Em um mundo onde a água é o novo ouro, o leitor tem acesso a uma possibilidade assustadora que, infelizmente, tem tudo para se tornar real, cada vez mais. 

Gostou da resenha e quer conhecer outro cli-fi? Então confira a resenha de A Seca



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