Resenha: Lady Killer

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A DarkSide Books vem apostando cada vez mais em histórias em quadrinhos no mercado brasileiro. Lady Killer é uma das promessas de 2019 e já chegou mostrando a que veio. Uma HQ com toque de nostalgia e um enredo promissor. Mais uma vez a DarkSide aposta em uma protagonista feminista poderosa e cativante, no melhor estilo anti-heroína.

Quer entender porque você deveria incluir a HQ de Joëlle Jones nas suas próximas leituras? Então confira a resenha de Lady Killer!

"Josie Schuller é uma esposa dedicada, uma mãe amorosa e... uma assassina de aluguel. Ela é capaz de equilibrar os deveres de uma típica dona de casa norte-americana dos anos 1960 com uma porção de assassinatos a sangue-frio, até que um pequeno deslize faz com que seu chefe ameace aposentá-la de vez.
Com texto afiado de Joëlle Jones em parceria com Jamie S. Rich, e ilustrações matadoras da própria Jones (trocadilhos 100% intencionais), Lady Killer: Graphic Novel é o mais novo lançamento da DarkSide® Graphic Novel, e perfeito para quem caiu de amores por Lady Killers: Assassinas em Série, o livro assombrosamente espetacular de Tori Telfer, com perfis de mulheres reais que cruzaram a linha. Telfer inclusive é responsável pela Introdução exclusiva à edição brasileira da graphic novel."




FICHA TÉCNICA
Título
: Lady Killer
Autora: Caitlin Doughty
Ano: 2019
Páginas: 144
Idioma: Português
Editora: DarkSide Books
Nota: 5/5
Compre: Amazon
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No começo do ano, a DarkSide Books apresentou ao mercado brasileiro um queridinho dos leitores: Lady Killers, de Tori Telfer. O livro de Telfer traz as assassinas em série para os holofotes, mostrando que é possível pensar em serial killers sem imaginar, imediatamente, um homem. Lady Killers, além de trazer uma investigação criminal primorosa para a estante de todo bom leitor, ajudou a ampliar ainda mais o universo dos terríveis assassinos em série, questionando a "amnésia coletiva" a respeito dos crimes cometidos por mulheres.

Lady Killer, de Joëlle Jones, chega para apresentar novos olhares sobre a temática das assassinas, trazendo como protagonista uma dona de casa que trabalha como matadora de aluguel nas horas vagas. Josie Schuller, nossa assassina em questão, vive uma jornada dupla bem peculiar, precisando conciliar a vida doméstica com a criação das filhas, o bem-estar do marido e da sogra e a imagem de boa-moça perante a vizinhança, com as missões das quais é encarregada de executar. Literalmente.


A HQ já começa com Josie se apresentando como uma revendedora da Avon, entrando disfarçada na casa de uma mulher. Poucos instantes depois percebemos que essa senhora seria sua mais nova vítima, largada sangrando no chão da cozinha enquanto Josie se preocupa com as manchas deixadas em sua roupa pela matança. Poucas cenas depois entendemos o porquê: Josie é uma assassina de aluguel nas horas vagas, e uma das melhores do ramo. A partir daí a narrativa se desenvolve apresentando o núcleo familiar de Josie, sua relação conturbada com a sogra, suas missões e sua relação com seu chefe. Quando Josie se recusa e executar uma missão, o homem responsável por contratá-la decide que é hora de desligá-la permanentemente.

O ritmo de todo o enredo é extremamente envolvente, seja pela construção dos acontecimentos, seja pelas próprias cenas que fazem com que seja difícil largar a HQ até terminá-la, o que é exatamente o que acontece. Lady Killer é uma história bem fácil de ler de uma vez. Além do tamanho reduzido, 144 páginas compiladas, os diálogos são mais exutos e objetivos, não se extendendo mais do que o necessário. Fica a impressão de que Lady Killer poderia muito bem ser um filme à lá anos dourados.


Por se passar nos anos 50/60, todo o figurino dá um toque a mais à leitura. Laura Allred, responsável pelas cores de Lady Killer, capricha na vibe nostálgica, que lembra bastante os primeiros quadros de super-heróis, com cores espalhafatosas e traços mais cartunescos. Por isso, toda a leitura é um deleite e Lady Killer se transforma em uma dessas HQs em que apenas folhear as páginas já em um prazer.

A DarkSide Books também capricha na edição do livro de capa dura, com cores fortes para combinar com os quadros do interior do livro, e uma luva que se remete a uma caixa de sabão em pó. Recebi luvas de cozinha que deram um toque final a todo esse cuidado e já fizeram a leitura ficar divertida antes de abrir a primeira página. Mais um acerto para a Caveirinha.


Lady Killer traz várias pontadas de ironia a respeito do contexto da época e da própria representação da mulher nos anos em que vive Josie Schuller. Isso é feito tanto por meio dos diálogos e acontecimentos da história, quanto por meio das divisões dos fascículos. Além de colocar por terra a ideia da fragilidade do feminino, Joëlle Jones brinca com uma protagonista que sabe usar sua feminilidade para fazer o que faz de melhor: matar.

O embate com o sexismo se mostra como um elemento constante, mas sem tirar o foco da trama principal. Josie Schuller se volta contra os padrões machistas e patriarcais à sua própria maneira, sem levantar bandeiras de forma explícita. Nossa assassina é uma mulher forte e independente, que se empodera mesmo com todo um sistema reprimindo-a. A mensagem é passada nos detalhes, com humor e maestria.


Sempre digo como é importante apresentar novos pontos de vista para enredos muitas vezes clichês, como no caso de histórias de assassinos de aluguel que conquistam a simpatia do público. Colocar uma mulher, uma dona de casa, nesse papel, traz um suspiro de alívio para quem busca representatividade na literatura.

É como se o fato de Josie burlar o sistema à sua maneira, amenizasse o fato de que ela vive em tempos patriarcais e, muitas vezes, rasos. Lady Killer traz um toque de contemporaneidade para cenários vintage de forma cômica, inteligente e feminina.


Lady Killer não peca pelo excesso em momento algum. A mensagem é passada de forma sucinta e clara, os diálogos são objetivos, as cenas são pensadas de modo a manter um fluxo narrativo natural, as cores fazem com que o olhar do leitor seja atraído para as páginas sem cansá-lo e a própria questão da violência é apresentada sem exageros. Existem quadros um pouco mais explícitos, mas nada tarantinesco ou que force algo que não precisa existir ali. Tudo é pensado e executado de maneira primorosa.

Lady Killer é um achado e já é uma das melhores HQs de 2019. A combinação dos traços chamativos e do enredo envolvente fazem da história de Joëlle Jones, uma leitura imperdível.

Gostou da resenha e quer uma indicação de outro livro que aborda a temática de assassinas? Então conheça Lady Killers!





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