Resenha: Observações sobre um planeta nervoso

by - 14:41


Em meio à pandemia, a literatura tem se mostrado uma ferramenta poderosa de ajuda e refúgio. Muitos leitores têm buscado na não-ficção respostas para algumas aflições pungentes. Matt Haig, mesmo autor de Razões para continuar vivo, traz em seu novo livro colocações que não poderiam ser mais atuais. Saiba mais na resenha de Observações sobre um planeta nervoso!

"Após anos convivendo com a depressão e as crises de pânico, Matt Haig percebeu que determinadas interações nas redes sociais agiam como gatilhos para a sua ansiedade. Em uma tentativa de buscar uma saúde mental mais equilibrada no mundo altamente conectado em que vivemos, Haig começou a pesquisar a relação entre a quantidade de informações, imagens e interação virtual ao nosso dispor e nossa sensação crescente de cansaço, solidão e depressão.
Se somos bombardeados de imagens felizes e temos acesso a todo tipo de informação o tempo todo, por que nos sentimos cada vez mais perdidos e solitários? Por que vemos a incidência de quadros como depressão, ansiedade e síndrome do pânico aumentar? Para o autor, essas perguntas só podem ser respondidas fazendo uma análise da nossa sociedade, hoje dominada pela tecnologia e pela lógica do consumo. Uma de suas conclusões é que o modo como vivemos está projetado para nos fazer perder o controle.
A partir desse prognóstico, Haig traz propostas para manter a sanidade em um planeta que nos deixa desequilibrados e para buscar a felicidade mesmo com a ansiedade sendo encorajada. Observações sobre um planeta nervoso é um olhar pessoal e fundamental sobre como se sentir feliz, humano e pleno no século XXI."

FICHA TÉCNICA
Título
: Observações sobre um planeta nervoso
Autora: Matt Haig
Ano: 2020
Páginas: 320
Idioma: Português
Editora: Intrínseca
Nota: 4/5
Compre: Amazon
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA





Em Razões Para Continuar Vivo, Matt Haig faz uma contribuição literária importantíssima ao falar abertamente sobre transtornos mentais e mostrar da forma mais pessoal e íntima possível o que se passa na mente de alguém que sofre com depressão, ansiedade, ataques de pânico, dentre outros. Além de ser um livro essencial para leitores com vivências semelhantes, Razões Para Continuar Vivo é uma referência importante para aqueles que precisam e querem ajudar os outros.

Já em Observações sobre um planeta nervoso Matt Haig discute sobre como a sociedade como um todo precisa aprender a viver em um mundo cada vez mais rápido, caótico e frenético. Em seu novo livro, Matt expande seus conflitos internos e pessoais de forma a analisar o mundo e tentar oferecer saídas para que todos possamos viver com um pouco mais de leveza, sanidade e empatia.



O livro mantém a mestra estrutura que Razões para continuar vivo, com capítulos extremamente cursos, que mesclam devaneios, listas, dicas, dados e relatos pessoais do autor. Ele traz várias pílulas de sabedoria ao longo do livro, na forma de reflexões íntimas e profundas sobre a existência em geral e a forma como existimos nesse mundo.

“Eu já tinha falado sobre minha saúde mental em Razões para continuar vivo. Mas a questão era mais por que devo ficar vivo. Desta vez, era uma mais ampla: como viver em um mundo louco sem enlouquecer?” Página 19


Ao longo de toda a leitura, não pude deixar de pensar que Observações sobre um planeta nervoso é um livro extremamente necessário não apenas para a sociedade contemporânea, mas para o momento que estamos vivendo. Matt Haig questiona exatamente alguns comportamentos e hábitos que levaram a humanidade ao ponto em que estamos e, meio a quarentenas e isolamentos, é um bálsamo ter em mãos um conteúdo tão certeiro.

Um dos pontos levantados pelo autor é o de que grande parte da nossa ansiedade não é acusada pela nossa situação atual, mas pelo medo de que as coisas possam ficar pior do que estão, mesmo que não estejam ruins de fato. Isso, de novo, conversa bastante com diversas aflições que estamos vivenciando em momento de incerteza extrema.

“Este livro tenha reconhecer que o que sentimentos é tão importante quanto o que possuímos. O bem-estar mental vale tanto quanto o bem-estar físico - na verdade, ele faz parte do bem-estar físico. E que, nesses termos, alguma coisa vai mal.” 23


Alguns livros nos encontram nos momentos certos e Observações sobre um planeta nervoso chega ao público em meio a um momento de isolamento e incertezas. O que já parecia gritante antes de vivermos uma pandemia, agora merece ainda mais carinho, cuidado e atenção. Observações sobre um planeta nervoso oferece algumas ferramentas bem interessantes para passarmos por esse momento com um pouco mais de consciência e autocuidado. Matt Haig faz um convite para olharmos para dentro, para nossos processos e vivências, e para fora, para a maneira como estamos nos relacionando com o mundo e ocupando esse espaço. Um belo acréscimo para as discussões propostas para o momento.

“É preciso aprender a não se deixar chocar pelo choque. Não entrar em pânico pelo pânico. Mudar o que está ao seu alcance e não ficar frustrado pelo que não se pode mudar.
Não existe panaceia, tampouco utopia; existe apenas amor, bondade e a tentativa de, em meio ao caos, melhorar o que for possível. E manter a mente aberta, bem aberta. Em um mundo que tantas vezes quer fechá-la.” Página 143




O autor traz um livro com um estilo único. Ao mesmo tempo em que ele leva o leitor por um caminho linear de compartilhamento de experiências e histórias pessoais, ele vai “temperando” o livro com algumas quebras bem interessantes, da mesma forma como foi feito em Razões Para Continuar Vivo. Uma forma de trazer humor em meio à seriedade dos assuntos abordados é trazer capítulos como: “cinco razões para estar feliz com o fato de ser humano e não um robô senciente”, “como ter um celular e continuar funcionando como um ser humano”, “como viver no século XXI e não ter um ataque de pânico” etc.

Como o próprio autor fala em determinado momento do texto, “o problema não é que o mundo seja uma confusão, mas que esperamos que ele não o seja. Incutiram-nos a ideia de que controlamos tudo. Que podemos ir a qualquer parte e ser qualquer coisa. Que, graças ao livre-arbítrio em um mundo de escolhas, somos capazes de escolher não apenas o que visitar na internet, a que assistir pela TV ou azul receita seguir entre bilhões de receitas que encontramos on-line, mas também o que sentir. Então, quando não sentimos o que queremos ou o que esperamos sentir, as coisas tornam-se confusas ou desabonadoras.” Quem nunca se sentiu mal por não conseguir ser feliz em meio a tantas escolhas e ofertas? Quem nunca se sentiu triste, preocupado em momentos que esses sentimentos não deveriam estar presentes?


É um pouco deseserador pensar a respeito de diversas questões levantadas por Haig ao longo do livro, entretanto, é um alívio perceber que existem formas de sair de um ciclo vicioso e, aos poucos, repensar hábitos e mudar comportamentos que estão se tornando cada vez mais nocivos.

Observações sobre um planeta nervoso pode não trazer as respostas para todas as nossas mazelas, mas com certeza ajuda a tornar mais tolerável o dia a dia, seja qual for o momento, e oferece ferramentas práticas e reflexivas extremamente úteis.

“O peso e a complexidade crescentes da vida moderna podem isolar os indivíduos.
Acrescente-se a isso o fato de que nem sempre sabemos exatamente o que nós faz sentir sozinhos ou isolados. Pode ser difícil descobrir quais são os problemas. É como tentar sozinho abrir um iPhone para consertá-lo. Às vezes parece que a sociedade funciona como a Apple, como se não quisesse que pegássemos uma chave de fenda e olhássemos o interior do aparelho para ver por conta própria qual é o problema. Mas isso é o que precisamos saber. Porque muitas vezes identificar o problema, estar consciente dele, é a solução.” Página 159


Inscreva-se na newsletter para ter acesso a conteúdos exclusivos sobre o mercado editorial, literatura e ainda fica à par dos lançamentos mais aguardados. Faça parte da newsletter feita para os amantes dos livros ♥

You May Also Like

1 comentários