Resenha: Glória e Ruína

by - 09:56


Glória e Ruína é a continuação da história criada por Tracy Banghart e apresentada em Graça e Fúria. Serina e Nomi são duas irmãs forçadas a viver sob o domínio de uma sociedade extremamente patriarcal, onde as mulheres são forçadas a se submeter aos homens em todos os sentidos, incluindo serem oferecidas como Graças ao monarca. Em Glória e Ruína Tracy expande um pouco mais esse universo e nos presenteia com uma história de empoderamento e união feminina.

Quer saber mais? Confira a resenha de Glória e Ruína, a continuação de Graça e Fúria!

"Na continuação de Graça e Fúria, Serina e Nomi Tessaro vão dar início a uma revolução que vai mudar a vida de todas as mulheres de seu país. As irmãs Serina e Nomi Tessaro nunca imaginaram que acabariam em lugares tão distintos: Serina em uma ilha-prisão, Monte Ruína; Nomi no palácio de Bellaqua, como uma graça, à disposição do príncipe herdeiro do reino. Depois de sofrer uma grande traição, Nomi também é mandada para a ilha e, ao chegar lá, para sua surpresa, encontra Serina à frente de uma rebelião das prisioneiras contra os guardas.
Agora as irmãs têm um objetivo em comum: mudar o funcionamento de toda a sociedade. Além disso, elas sabem que Renzo, gêmeo de Nomi, está em perigo. Relutantes, elas se separam mais uma vez, e Nomi retorna à capital, enquanto Serina permanece em Monte Ruína para garantir que todas as mulheres encontrem um lugar seguro para viver. Só que nada sai como o planejado ― e as duas vão ter de enfrentar os seus maiores medos para mudar o país de uma vez por todas."

FICHA TÉCNICA
Título
: Glória e Ruína (Graça e Fpuria #2)
Autora: Tracy Banghart
Páginas: 312
Ano: 2019
Editora: Seguinte (Companhia das Letras)
Nota: 4
Compre: Amazon
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA


Em Graça e Fúria fomos apresentados a Viridia e sua sociedade patriarcal e medieval. Em um mundo onde as mulheres foram obrigadas a se submeter aos homens, principalmente à monarquia vigente, Serina e Nomi foram enviadas como Graças para o palácio, com o objetivo de servir ao monarca, um jovem que tem como responsabilidade dar continuidade a esse regime totalitário e misógino. No primeiro volume, as duas irmãs viram o que essa sociedade tem de pior e, depois de algumas reviravoltas bem dolorosas, Nomi caiu na lábia de um perigoso golpista e Serina foi forçada a lutar pela sua vida em Monte Ruína, uma ilha-prisão dedicada a mulheres que ousaram, de alguma forma, desobedecer o regime e suas regras.

"- Serina foi condenada por ler - Nomi acrescentou. - Como...
- Como a morte pode ser punição para isso? - Anika terminou a frase por ela. Seus olhos se estreitaram. - Essa prisão não é só para assassinas e conspiradoras, entende? É para qualquer mulher que desafia o funcionamento de Viridia, em qualquer instância. É para desobedientes." Página 32


Graça e Fúria foi o começo de uma transformação profunda que cada uma das protagonistas viria a enfrentar. Elas foram forçadas a abrir mão das certezas que tinham e a se moldarem de acordo com a situação. Nomi precisou aprender mais sobre a realeza e o reino, descobrindo capítulos apagados da história que dava às mulheres uma importância inegável e surpreendente em Bellaqua. Serina foi obrigada a lutar por sua vida em uma ilha repleta de mulheres que precisaram se tornar assassinas para sobreviver à selvageria de Monte Ruína. As duas irmãs precisam abrir mão de quem eram para abraçar quem elas viriam a ser.

Em Glória e Ruína o desenvolvimento das protagonistas, que já foi muito bem explorado pela autora, se torna ainda mais evidente, principalmente o de Serina, que se torna uma líder capaz de mudar para sempre a história de Monte Ruína e da própria sociedade como ela era até então. Tracy Banghart consegue criar protagonistas femininas fortes que servem de inspiração para toda uma geração que poderá ler, em suas histórias favoritas, exemplos de força feminina, de união e de rebeldia. Serina e Nomi são duas jovens que precisam amadurecer cedo e o fazem de forma exemplar, sem abandonar seus valores e sem perder de vista o poder que as mulheres têm ao se unirem. Elas mostram como é possível reescrever a história sem precisar se moldar ao regime. Muito pelo contrário, elas usam sua inteligência e empatia para começar uma revolução.



O texto é intercalado entre a narração de Serina e de Nomi, dando mais velocidade à leitura. Além disso, a escrita de Tracy Banghart é extremamente fluida e isso se mantém na conclusão dessa narrativa. A autora faz uso de muitos diálogos para dar ritmo à história e, mesmo sem descrições muito extensas, ela consegue fazer com que o leitor imagine perfeitamente cada cenário, cada personagen, cada cena. Ela sabe que menos é mais e navega com o leitor com tranquilidade e fluidez. Mesmo que o final não seja muito surpreendente, levando em conta toda a construção do enredo até então, não existem decepções em relação à narrativa e o leitor termina a duologia com a certeza de que são livros excelentes para uma nova geração de leitoras.



Mesmo sendo um livro voltado para o público jovem adulto, existem descrições bem intensas principalmente durante as cenas de batalhas, o que faz com que o livro tenha uma profundidade maior. Em um contexto tão violento e extremo como o abordado pela autora, seria incompatível que a narrativa não fizesse uso, pelo menos algumas vezes, de descrições fortes. Isso também dá um tom de seriedade ao livro, que mostra as consequências de uma revolução e as perdas inevitáveis que ela traz.

Glória e Ruína é um livro sobre sororidade. Tracy Banghart nada mais faz do que criar um universo em que as mulheres precisam de unir para combater o sistema e ir contra a opressão. É emocionante se envolver com o vínculo criado pelas personagens ao longo da narrativa, principalmente entre as mulheres presas em Monte Ruína. É um exemplo extremo de como mesmo em ambientes hostis pode existir união entre mulheres e como essa união é poderosa. É inspirador porque mostra que é possível criar um contexto de guerra sem que o feminino seja usado como artifício de desavença ou competitividade.

"- Será que algum dia não vou estar lidando com cem medos diferentes? - Nomi perguntou à irmã em voz baixa.
- Espero que sim. Mas, enquanto isso, talvez isso ajuda. - Serina tirou da bota uma pequena faca improvisada.
Hesitante, Nomi aceitou. Era fna e afiada; como segurar violência nas mãos.
- O que eu faço com isso?
- O que tiver que fazer." Página 81


Adoraria que a história tivesse um aprofundamento maior e que Tracy Banghart bebesse um pouco da escrita de Mary E. Pearson, autora de Kiss of Deception para melhorar ainda mais a ambientação de suas histórias, os conflitos internos dos personagens e desse mais magnitude às batalhas e conjunturas apresentadas de forma um pouco superficial. Entretanto, é compreensível que o universo criado pela autora cumpra bem o papel de ser uma porta de entrada para outras ficções do gênero.

Consigo ver várias novas leitoras se inspirando na história de Nomi e Serina e acredito que esse seja o ponto mais alto do livro. A literatura é uma poderosa ferramenta de transformação e criação de consciência e saber que está crescendo o número de enredos com protagonistas femininas da forma como são tratas em Glória e Ruína é um alívio extremo. Uma nova geração de leitoras pode encontrar nos livros de Tracy Banghart uma inspiração e um alento.

Gostou da resenha e quer conhecer outro livro do gênero? Então conheça The Kiss of Deception!

"Ela segurou firme no leme e não disse mais nada. Depois de um tempo, olhou para Malachi e viu que ele tinha adormecido, caído de lado, com a cabeça apoiada em sacos de juta.
Passou o resto da noite sozinha com as estrelas." Página 96



E se você quiser ficar por dentro de tudo que rola aqui no Nostalgia Cinza em primeira mão e de um jeito bem simples e objetivo, então assine a newsletter! Prometo não encher sua caixa de entrada e ainda mandar conteúdos bem legais ;)

You May Also Like

0 comentários