Resenha: Nove Desconhecidos

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Liane Moriarty se tornou uma das minhas autoras favoritas com extrema facilidade. Desde O Segredo do Meu Marido, Moriarty conseguiu fidelizar uma leitora com seus enredos extremamente bem pensados, personagens trabalhados em profundidade e escrita envolvente. Nove Desconhecidos, seu último lançamento, já está entre os meus favoritos da autora e mostra, mais uma vez, a genialidade de Liane Moriarty.

Quer saber mais sobre o último livro de Liane Moriarty? Então confira a resenha de Nove Desconhecidos!

"Nove pessoas se reúnem em um spa bem distante da cidade. A quilômetros da civilização, sem carro nem celulares, elas não têm qualquer contato com o mundo exterior. Apenas tempo para pensarem em si mesmas e se conhecerem melhor. Algumas estão lá para perder peso, algumas para tentar recomeçar a vida, outras por razões inconfessáveis até para elas mesmas. No meio de tanto luxo e mimo, sucos e meditação, todos sabem que vão precisar se esforçar nos próximos dez dias. Mas ninguém é capaz de imaginar o tamanho do desafio.
Frances Welty, escritora de romances best-sellers, chega à Tranquillum House com um problema nas costas, um coração partido e um corte no dedo extremamente dolorido. Ela logo fica intrigada com os colegas de retiro — a maioria não parece precisar de fato de um spa. Mas quem mais a deixa curiosa é a diretora. Será que ela tem as respostas que Frances nem sabia que estava procurando? Será que Frances deve colocar suas dúvidas de lado e mergulhar em tudo que o spa tem a oferecer? Ou é melhor fugir enquanto é tempo?
Não demora muito para que todos os hóspedes estejam se fazendo esta pergunta."

FICHA TÉCNICA

Título: Nove Desconhecidos
Autora: Liane Moriarty
Ano: 2019
Páginas: 464
Idioma: Português
Editora: Intrínseca
Nota: 5/5 
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LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA




Nove Desconhecidos conta a história de nove pessoas completamente diferentes que se encontram no Tranquillum House, um spa que promete mudar por completo a vida dos hóspedes em poucos dias. O que parecia ser a oportunidade perfeita para um retiro espiritual e emocional, transforma-se em uma experiência que leva cada um dos personagens a extremos bem distantes de meros momentos de meditação e dietas forçadas. Pelo menos o spa cumpre sua promessa: a vida deles nunca mais será a mesma. 



Sempre que leio as histórias de Liane Moriarty tenho a impressão de que estou assistindo a uma série. Ela consegue mesclar cenários, enredos e personagens de forma tão natural e tão fluida que o esforço de ler é praticamente inexistente. Suas narrativas sempre me deixam curiosa, apreensiva e imersa. 

A escolha dos personagens e do cenário onde a história de passa foram extremamente inteligentes. Liane Moriarty trabalha o contraste entre personagens que representam todos os estereótipos que marcam nossa sociedade atualmente e um ambiente que promete a desconexão total com o mundo e o autoconhecimento, com direito a todos os clichês zen que também são abordados de forma irônica hoje em dia. 

Jessica, uma das personagens, é a representação perfeita da rendição à futilidade e superficialidade modernas. Uma mulher que tem a beleza como guia e nunca se sente satisfeita com seu corpo, precisa se submeter de forma constante a interferências estéticas e não consegue ficar um minuto sem compartilhar seu dia a dia nas redes sociais, mascarando o que sente internamente e os problemas que a acompanham diariamente. 


Nove Desconhecidos mostra como é possível reinventar propostas que teriam tudo para ser clichês. A autora consegue pegar a ideia do desenvolvimento pessoal prometido em um spa, conflitos familiares e individuais que poderiam muito bem pertencer a qualquer um de nós, críticas à forma como nos conectamos com as pessoas e a maneira como nos apresentamos para o mundo em meio à era das redes sociais, e constrói uma narrativa criativa, envolvente e redondinha.

Os livros de Liane Moriarty costumam ter um desenvolvimento mais lento, mas em suas narrativas isso é sinônimo de detalhes na construção dos personagens e apresentação desses nomes ao leitor. Moriarty tem um talento nato para escrever 100 páginas de introdução que passam de forma rápida e natural para quem lê. Ela cuida de cada detalhe da personalidade dos personagens e do controla da narrativa de tal forma que não percebemos o tempo passar, ficamos apenas imersos na narrativa. 

"Às vezes, Zoa tinha a impressão de estar esperando sua vida acabar, suportando-a, riscando eventos, dias, meses e anos, como se só precisasse passar por algo não especificado para que as coisas melhorassem, só que ela nunca passava por nada, as coisas nunca melhoravam e ela nunca o perdoaria. A morte dele fora o derradeiro "vá se foder".


Algumas narrativas prendem o leitor por suas descrições, reviravoltas, elementos fantásticos ou diálogos. O ponto alto dos livros de Liane Moriarty é, sem sombra de dúvidas, seus personagens. Em Nove Desconhecidos ela leva isso a outro patamar e agrada fãs e surpreende leitores.

Liane Moriarty também tem a habilidade de conseguir trabalhar vários personagens em um mesmo enredo, sem deixar que eles sejam apresentados de forma superficial ou desonesta. Mesmo com pelo menos nove nomes, como no caso de Nove Desconhecidoss, ela consegue explorar as nuances de cada um de forma primorosa, aborda mais de nove personalidades que dividem a atenção ao longo de todo o livro, ganhando e perdendo destaque no decorrer da narrativa.

A construção e desenvolvimento de personagens de Liane é algo que me deixa impressionada em todos os seus livros. Sua capacidade de criar protagonistas tão reais e envolventes é inspiradora para qualquer apostaste a escritor. Personagens absolutamente comuns ganham camadas de profundidade quando narrados por Liane Moriarty. Nove Desconhecidos é um perfeito exemplo disso e, como fã da escrita da autora, todo o enredo é um deleite. 


Nove Desconhecidos traz uma proposta de um livro bem semelhante com os anteriores de Liane, trazendo características de banalidade no contexto dos personagens e reflexões voltadas para o desenvolvimento pessoal de cada um e seus próprios dilemas morais. Entretanto, Nove Desconhecidos traz um surpreendente toque de suspense e uma reviravolta inesperada que levam os personagens a níveis mais extremos. Ao mesmo tempo em que essa escolha foi bem interessante no sentido de dar vida a narrativa e fazer com que o leitor tenha mais vontade de passar as páginas, imerso na leitura, isso afeta um pouco o desenvolvimento individual dos personagens, que precisam se envolver mais coletivamente. É nesse ponto que a narrativa se transforma e adquire novos tons. 

Foi interessante ver Liane Moriarty se arriscando um pouco mais nas suas histórias com um enredo envolvente e fácil de se identificar. Nove Desconhecidos foi o livro que li mais rapidamente entre os títulos da autora e deixou um gostinho de quero mais.

A todo instante pensei que daria uma bela adaptação e fiquei contente em saber que isso realmente vai acontecer. Espero que siga os passos de Pequenas Grandes Mentiras e que consigam produzir um conteúdo tão bom quanto o livro. 

"Ele faria tudo por suas garotas, tudo, então pegou aqueles segredos terríveis e pesados que elas estavam carregando e notou o alívio com que os entregavam, mas agora ele mesmo tinha um segredo, porque nunca contaria como os segredos delas o deixavam bravo, nunca, nunca, nunca, nunca, nunca. 
As paredes continuavam pulsando e a esposa e a filha seguravam suas mãos, e ele sabia que aquele pesadelo duraria uma eternidade."


Me sinto revigorada quando termino de ler algum livro de Liane Moriarty e o mesmo aconteceu com Nove Desconhecidos. Uma leitura fácil, divertida, envolvente e rápida. É uma ótima escolha para quem quer dar uma chance aos livros da autora e entender porque ela já é um dos nomes mais conceituados do gênero. Fico no aguardo de um próximo título e na torcida para que seja mais uma leitura digna de uma das minhas autoras favoritas.

Quer saber um pouco mais sobre as narrativas que conquistaram leitores no mundo todo e, de quebra, escolher sua próxima leitura? Então confira 4 livros para conhecer Liane Moriarty!

"As fotos da Tranquillum House a haviam enchido de um anseio estranho e inesperado. Todas tinham uma tonalidade dourada, tiradas durante o nascer ou o pôr do sol, ou então eram filtros que davam essa impressão. Pessoas felizes de meia-idade faziam a postura do guerreiro em um jardim de rosas brancas ao lado de uma linda casa de campo. Havia um casal sentado em uma das "fontes termais naturais" que cercavam a propriedade. Olhos fechados, cabeça pra trás, eles sorriam radiantes enquanto a água borbulhava ao redor. Outra foto mostrava uma mulher aproveitando "uma massagem com pedras quentes" na espreguiçadeira ao lado da piscina azul-esverdeada." Página 17


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