Resenha: Todas as coisas belas

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Todas as coisas belas é um daqueles livros que nos surpreendem pela sua simplicidade. Um livro que, a princípio, parecia ser apenas mais um romance adolescente, se mostrou uma narrativa propensa a reflexões e questionamentos sobre liberdade e sobre o próprio sentido da vida. Em Todas as coisas belas, o autor de O lado bom da vida mostra um lado extremamente sensível e humano de personagens que poderiam muito bem ser eu e você.

Quer saber o que eu achei de Todas as coisas belas? Confira a resenha!

"Você é livre para ser quem quiser — mesmo que isso tenha um preço.
Depois de O Lado Bom da Vida, Matthew Quick cria romance para todos que desejam se encontrar Consagrado no Brasil com o best-seller O Lado Bom da Vida, Matthew Quick traz ao público jovem uma ode à liberdade, abordando as complexas questões de identidade que marcam a transição para a idade adulta.
Aos 18 anos, Nanette O’Hare é a típica boa garota. No fundo, porém, ela nunca se sentiu realmente parte do grupo, sufocando em um permanente desconforto com diversas atitudes das amigas e com os padrões sociais. Mas tudo muda quando, no último ano do colégio, ela ganha um livro de seu professor preferido, o clássico cult O ceifador de chicletes, e fica fascinada com a mensagem de que ela pode ser de fato quem é. Nanette se torna amiga do recluso autor e se apaixona por Alex, um jovem poeta que também é fã do livro. Encantada com esse novo mundo que se abre, ela se permite, pela primeira vez, tomar as próprias decisões. No entanto, aos poucos Nanette percebe que a liberdade pode ser um desejo arriscado e começa a se perguntar se a rebeldia não cobra um preço alto demais."


FICHA TÉCNICA


Título: Todas as coisas belas
Autor: Matthew Quick
Ano: 2018
Páginas: 272
Idioma: Português
Editora: Intrínseca
Nota: 4/5
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Todas as coisas belas é um livro mais profundo do que parece ser. A princípio pensei que encontraria uma história adolescente comum, com dilemas facilmente compreensíveis e típicos de uma fase emocional e mentalmente conturbada da vida. Entretanto, já nas primeiras páginas é possível perceber que Matthew Quick desenvolveu personagens interessantes e inquietantes e presenteia o leitor com um enredo simples, mas complexo.

É difícil não se conectar com Nanette e seus sentimentos para com o mundo. Além de viver uma fase conturbada em que ela precisa entender quem é e não quem as pessoas esperam que ela seja, Nanette se vê perdida em relações sem sentido, entre o extremo das pessoas superficiais que não conseguem entendê-la e aquelas que sentem as coisas de forma tóxica.

"O ceifador de chicletes é meu novo manifesto pessoal. Não sabia que existiam pessoas como eu, mas elas com certeza existem. E o senhor também me entende." Página 19


As reflexões de Nanette e a forma como ela vê a vida são o ponto alto do livro, sem dúvidas. Nanette é uma personagem com uma personalidade muito bem trabalhada e explorada pelo autor. Ela é o perfeito retrato de uma menina que precisa se esconder entre as próprias camadas de profundidade que guarda do mundo.

É um livro poético que tem a existência como foco de discussão e reflexão. Nanette e Alex se questionam a todo momento sobre seu papel, seu propósito e sobre o mundo e a sociedade em que vivem. É fácil se identificar com o sentimento de revolta e não pertencimento e é isso que torna Todas as coisas belas um livro tão humano.


Fiquei curiosa para conhecer a história do Ceifador de Chicletes, centro da narrativa e gatilho para todos os impulsos e ações dos personagens da história. É uma forma interessante de mostrar como um livro pode alterar a percepção das pessoas e como um enredo, por mais simples que pareça, é capaz de mudar completamente a forma como enxergamos a vida.

Apesar de sua fama com O lado bom da vida, nunca havia lido um livro do autor. Descobri que a escrita de Matthew Quick é leve, fácil e intrigante. Ele sabe conduzir bem o leitor pelas páginas e fazer com que a gente entenda perfeitamente cada situação sem precisar exagerar em descrições.

Todas as coisas belas é um livro que não se preocupa em amarrar todas as pontas, uma metáfora perfeita para a vida que não segue padrões: sempre em movimento, sempre mudando, sempre indo em frente. É um desses livros que oferecem uma experiência literária especial. Todas as coisas belas entrou para a lista de livros que me surpreenderam positivamente esse ano.

"- Só porque você é boa em determinada coisa não significa que precise fazê-la. 
Ficamos apenas nos encarando por um segundo.
Ele sorria como se estivesse me revelando o segredo da vida." Página 23

A edição do livro está impecável. Além da capa bem chamativa, com cores em pantone que dão um ar juvenil ao livro, a diagramação do miolo do livro é linda e faz com que a leitura seja ainda mais fácil e fluida. O espaçamento entre linhas foi feito na medida certa, a fonte é agradável e a abertura dos capítulos, apesar de simples, combinou perfeitamente com o livro. Além disso, os capítulos são bem curtos, o que ajuda a fluir mais a leitura e fazer com que seja fácil passar as páginas do livro.


Todas as coisas belas é um livro que propõem reflexões sobre o sentido da vida e nosso papel na sociedade, sobre o conceito de liberdade e suas implicações, sobre revolta, sobre seguir e se encaixar em padrões e sobre autodescoberta.

É um livro que indico tanto para jovens que estão passando por essa fase de transição e se sentem um tanto quanto perdidos, tanto para adultos que podem encontrar reflexões atemporais nas páginas de Todas as coisas belas.

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"- Você voltou a falar em primeira pessoa?
Eu não tinha percebido.
- Eu ... - digo, saboreando a palavra eu. - Acho que sim.
- Por que hoje? - pergunta meu pai.
Penso por um instante.
- Porque está na hora de ser eu mesma." Página 247


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