Resenha: A Boa Filha

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A Boa Filha é uma história sobre tragédias humanas e tramas familiares envolta em suspense e violência. É uma narrativa de traumas, redenções e coragem. Desde a primeira página, Karin Slaughter insere o leitor dentro da vida de duas mulheres marcadas para sempre por um crime violento.

Quer saber o que achei do livro? Então confira a resenha de A Boa Filha!

"Quando eram adolescentes, a vida tranquila de Charlotte e Samantha Quinn foi destruída por um terrível ataque em sua casa. Sua mãe foi assassinada. Seu pai um famoso advogado de defesa de Pikeville, Geórgia ficou arrasado. E a família foi dividida por anos, para além de qualquer conserto, consumida pelos segredos daquela noite terrível. Vinte e oito anos depois, Charlie seguiu os passos de Rusty, seu pai, e se tornou advogada mas está determinada a ser diferente dele.
Quando outro caso de violência assombra Pikeville, Charlie acaba embarcando em um pesadelo que a obriga a olhar para trás e reviver o passado. Além de ser a primeira testemunha a chegar na cena, o caso também revela as memórias que ela passou tanto tempo tentando esconder. Agora, a verdade chocante sobre o crime que destruiu sua família há quase trinta anos não poderá mais permanecer enterrada e Charlotte precisa se reencontrar com Samantha, não apenas para lidar com o crime, mas também com o trauma vivido.
A Boa Filha é mais uma obra-prima de Karin Slaughter, um enredo sólido, com caracterizações fortes e reviravoltas extraordinárias, um misto de drama e terror que faz arrepiar até os leitores mais corajosos."

FICHA TÉCNICA


Título: A Boa Filha
Autora: Karin Slaughter
Ano: 2018
Páginas: 464
Idioma: Português
Editora: HarperCollins Brasil
Nota: 3.5/5
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A Boa Filha é uma leitura interessante e controversa.  Thrillers vêm ganhando cada vez mais espaço no gosto popular e Karin Slaughter presenteia o leitor com uma história rica e cheia de nuances.

A Boa Filha é uma história de investigação policial com um roteiro pronto para ser adaptado ao cinema ou à televisão. A forma descritiva com a qual a autora desenvolve o enredo fazem com que o leitor não precise inventar cenários ou características, tudo está perfeitamente pronto e disposto para que o leitor apenas mergulhe na história de Sam e Charlie.

"Samantha Quinn sentiu as picadas de milhares de vespas dentro das suas pernas, enquanto descia correndo pela longa estrada abandonada até a casa da fazenda. O som dos tênis golpeando a terra batida ecoava junto com as pulsações rápidas de seu coração. O suor tinha transformado seu rabo de cavalo em uma corda grossa que chicoteava nos ombros. As varetas de ossos delicados dentro dos tornozelos dela pareciam que iam quebrar." Página 7


Não é difícil entender por que Karin Slaughter se tornou um sucesso internacional com seus livros policiais. É visível sua habilidade de pensar em detalhes de cenas de crime, relatos violentos, desenvolvimento do enredo e complexidade de personagens.

Karin Slaughter consegue criar uma narrativa extremamente bem pensada, complexa e instigante. Desde a primeira página, a tragédia que destruiu a família Quinn se torna praticamente uma personagem que assombrará as personagens ao longo de todo o enredo.


Ao contrário de livros que têm os diálogos como condutores da narrativa, em A Boa Filha, Karin Slaughter investe nas cenas altamente descritivas. Se por um lado esse recurso enriquece a narrativa e dá mais complexidade às protagonistas, Charlotte e Samantha, por outro torna a leitura mais densa e pesada, uma vez que cenas de violência são retratadas de forma explícita, assim como as sensações e percepções das personagens durante esses momentos.

Apesar de estar sendo considerado por muitas pessoas como um thriller psicológico, acredito que A Boa Filha seja muito mais uma história de relações familiares e percepção de traumas do que um thriller psicológico em si. O leitor é levado a se sensibilizar mais com o desenvolvimento das protagonistas e com seus traumas do que com a trama em si. A investigação do crime atual acaba em segundo plano, mesmo que ela seja o fio condutor da narrativa presente. Ao contrário de thrillers psicológicos como Eu sei onde você está e Por trás de seus olhos que criam uma atmosfera de perigo constante, A Boa Filha tem o ápice narrativo logo no princípio do texto. O restante da narrativa é extremamente bem elaborado, pensado e conduzido, mas não se compara às sensações que trazem as primeiras páginas. O maior perigo já aconteceu, então não existe expectativa em relação a alguma situação presente que faça com que a leitura se torne viciante a esse ponto.

"Samantha abriu a boca. O ar tinha engrossado como algodão, fechando sua garganta.
Um era mais alto que o outro. O mais baixo era mais pesado. Mais corpulento. Vestido com jeans e uma camisa abotoada preta. O homem mais alto usava uma camiseta branca desbotada de banca, jeans e um tênis de cano alto azul com cadarços vermelhos desamarrados. O mais baixo parecia mais perigoso, porém era difícil dizer, porque a única coisa que Samantha pôde ver por trás das máscaras eram suas bocas e seus olhos.
Não que estivesse olhando nos olhos deles." Página 22 


O que mais difere A Boa Filha de outros livros do gênero é a forma como a autora não se preocupa em acelerar o ritmo da narrativa para gerar ansiedade no leitor, ela constrói cada cena nos detalhes, de forma minuciosa e atenta. O fluxo de leitura acompanha o ritmo da investigação do crime mais recente: lento e intenso.

A Boa Filha é uma leitura muito indicada para fãs de suspense e investigações policiais. Apesar de não ter me conquistado da forma que eu esperava, o leitor que procura um enredo bem elaborado e personagens trabalhos em profundidade pode encontrar em A Boa Filha um livro favorito.

Gostou da resenha e quer conhecer outro thriller inquietante? Então confira a resenha de Por trás de seus olhos!

"Sam engasgou com a lufada repentina de ar. Cuspiu terra e sangue. O cabelo estava emaranhado. Encostou os dedos no lado da cabeça. O dedinho dela escorregou para dentro do pequeno buraco. O osso estava liso dentro do circulo. Era ali onde a bala tinha entrado. Tinha levado um tiro na cabeça." Página 40


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2 comentários

  1. Amo esse tipo de enredo. A historia é do tipo que chama atenção do inicio ao fim. Fiquei curiosa para saber o que de fato aconteceu em relação ao crime. Tanto tempo depois e esse passado vem a tona, mexendo com tantas pessoas, imagino que seja realmente algo chocante. Eu gosto do mistério e do drama familiar envolvido, geralmente são histórias fortes. O suspense deixa tudo mais atrativo. Obrigada pela resenha.

    Bjoxx

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