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Nostalgia Cinza


Killing Eve é uma série que vem dando o que falar há algum tempo. Quando a Suma anunciou que lançaria o livro que inspirou esse sucesso, não pude conter a curiosidade para ler o livro antes de me aventurar na adaptação. Saiba mais na resenha de Codinome Villanelle!

"Villanelle (um codinome, é claro) é uma das assassinas mais habilidosas do mundo. Uma psicopata hedonista, que ama sua vida de luxo acima de quase qualquer coisa... menos a emoção da caçada. Especializada em matar as pessoas mais ricas e poderosas do mundo, Villanelle é encarregada de aniquilar um influente político russo, e acaba com uma inimiga determinada em seu encalço.
Eve Polastri é uma ex-funcionária do serviço secreto inglês, agora contratada pela agência de segurança nacional para uma tarefa peculiar: identificar e capturar a assassina responsável e aqueles que a contrataram. Apesar de levar uma vida tranquila e comum, Eve possui uma inteligência rápida e aguçada – e aceita a missão.
Assim começa uma perseguição através do globo, cruzando com governos corruptos e poderosas organizações criminosas, para culminar em um confronto do qual nenhuma das duas poderá sair ilesa. Codinome Villanelle é um thriller veloz, sensual e emocionante, que traz uma nova voz à ficção internacional."

FICHA TÉCNICA
Título
: Codinome Villanelle
Autora: Luke Jennings
Ano: 2020
Páginas: 216
Idioma: Português
Editora: Suma (Companhia das Letras)
Nota: 3,5/5
Compre: Amazon
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA



Codinome Villanelle conta a história de Villanelle, uma das assassinas mais perigosas e minuciosas do mundo e de Eve Polastri é uma ex-funcionária do serviço secreto inglês, agora contratada pela agência de segurança nacional. A história de ambas se cruza quando Eve começa a investigar alguns assassinatos que ela tem certeza que escondem algo em comum: uma assassina. O livro chama atenção logo de cara por ser duas protagonistas bem antagônicas, mas igualmente interessantes. De um lado, uma sociopata assassina, de outro, uma investigadora sensível e dedicada.

"- Então, o que você quer de mim? - perguntou ela.
Konstantin falou, com riqueza de detalhes, o que aconteceria. E conforme ela escutava, foi como se toda a sua vida tivesse sido conduzida para aquele momento. A expressão em seu rosto não vacilou nem por um instante, mas a empolgação que se espalhou pelo seu corpo era tão ávida quanto a fome."


Entre as duas protagonistas, Villanelle é, de longe, bem mais interessante. Sua personalidade é bem mais explorada e é inegável que psicopatas costumam chamar mais atenção do que os mocinhos, ainda mais quando a personagem tem um passado tão intrigante e uma história tão envolvente. Villanelle é imprevisível e atraente e Luke Jennings consegue fazer com que o leitor se sinta intrigado desde o começo. Ao lado de Villanelle, Eve acaba sendo até bem sem graça, suas cenas servem mais para fazer a narrativa fluir do que para construir uma personagem que caia no gosto do leitor. Seu desenvolvimento não é tão interessante.

Um dos pontos fracos de Codinome Villanelle e que me deixou menos ligada à narrativa é o fato de que a história começa a encontrar um ritmo pouco antes da metade do livro. A princípio tive a sensação de que estava lendo uma introdução enorme para um livro com pouco mais de 200 páginas. A escrita é muito boa e fluida, mas o tom do livro demorou um pouco para ser entendido.


As cenas de ação são, sem dúvidas, o ponto alto do livro. Bem descritivas, mas sem excessos, elas conseguem fazer a narrativa correr de forma bem agradável e ajudam a fazer o leitor se sentir imerso no enredo. Ao ler as cenas, consegui entender perfeitamente a urgência de fazer uma adaptação. Como leitora e como mulher, acho cada vez mais agradável ter em mãos histórias de investigação e espionagem com mulheres no cânone, tanto no papel de mocinhas quanto de vilãs. E poder ler cenas de ação bem elaboradas e inteligentes como as de Codinome Villanelle é um bálsamo nesse sentido.

"Enquanto outros passavam por sofrimento e pavor, Oxana só conhecia um gélido desapego. Ela havia aprendido a imitar as reações emocionais de outros - os receios, as incertezas, a necessidade desesperada por afeto -, mas nunca chegara a sentí-las plenamente. Mas sabia que, para passar despercebida pelo mundo, era fundamental usar uma máscara de normalidade e disfarçar a dimensão de sua indiferença." 


Codinome Villanelle é um livro despretensioso, mas um bom entretenimento para quem busca uma leitura rápida, com boas cenas de ação e uma vilã interessante. Não é uma obra-prima, mas cumpre seu papel de entregar ao leitor uma narrativa interessante e fácil. Mesmo não sendo fisgada pela história, me senti muito tentada a assistir a série e acredito que gostaria de conferir o desenvolvimento da história nos próximos volumes.

Gostou da resenha e quer conhecer outro livro envolvendo espionagem e fortes protagonistas mulheres? Então confira Os segredos que guardamos!

"- Estamos aqui para caçar uma assassina profissional - diz Eve. - Não temos nomes, país de origem ou nenhuma informação a respeito de filiações políticas. Sabemos que é uma mulher, provavelmente de vinte e cinco a trinta anos de idade, e que responde a uma organização que conta com recursos extraordinários e alcance global. Sabemos que ela é responsável por no mínimo seis mortes de figuras importantes."


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07:56 1 comments

Preciso confessar um segredo: eu nunca havia lido um livro do Stephen King. Um dos maiores mestres da literatura ainda não ocupava um espaço na minha estante e em 2019 decidi mudar isso. Recentemente a Editora Suma lançou mais um título para a Biblioteca Stephen King e aproveitei para corrigir esse erro. A Metade Sombria, relançado no Brasil depois de anos esgotado, foi minha primeira leitura de Stephen King.

Quer saber quais foram as minhas impressões ao ler, pela primeira vez, um livro de Stephen King? Então confira a resenha de A Metade Sombria!

"Criar George Stark foi fácil. Se livrar dele, nem tanto. Há anos, Thad Beaumont vem escrevendo, sob o pseudônimo George Stark, thrillers violentos que pagam as contas da família, mas não são considerados “livros sérios” pelo escritor. Quando um jornalista ameaça expor o segredo, Thad decide abrir o jogo primeiro, e dá um fim público ao pseudônimo. Beaumont volta a escrever sob o próprio nome, e seu alter ego ameaçador está definitivamente enterrado. Tudo vai bem. Até que uma série de assassinatos tem início, e todas as pistas apontam para Thad. Ele gostaria de poder dizer que é inocente, que não participou dos atos monstruosos acontecendo ao seu redor. Mas a verdade é que George Stark não ficou feliz de ser dispensado tão facilmente, e está de volta para perseguir os responsáveis por sua morte."

FICHA TÉCNICA
Título: A Metade Sombria
Autor: Stephen King
Ano: 2019
Páginas: 464
Idioma: Português
Editora: Suma de Letras (Companhia das Letras)
Nota: 4,5/5 
Compre: Amazon
Comprando por esse link você ajuda e incentiva o Nostalgia Cinza
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA




Não foi difícil entender porque Stephen King é um dos autores mais aclamados de todos os tempos. Além do enredo extremamente bem estruturado, King tem uma forma incrível de conduzir o leitor por todas as páginas, fazendo com que o suspense seja colocado na medida certa para impedir que o livro seja deixado de lado. É fácil se identificar com os personagens, suas motivações e impulsos.

Em A Metade Sombria somos apresentados a um protagonista bem interessante e que esconde múltiplas facetas, algumas delas bem arrepiantes. A Metade Sombria tem como foco a história macabra de um pseudônimo que ganha vida após ser desmascarado e morto, e de um escritor que precisa lidar com os rumos de sua carreira após perder o nome que lhe rendeu o status de best-seller, ao mesmo tempo em que começa a ser ligado a crimes das quais não teve nenhuma participação. O que começa com uma história de suspense, se transforma em um conto de terror digno de causar pesadelos.



Além de retratar o terror de um escritor em enfrentar a persona que criou para escrever livros sob um pseudônimo, A Metade Sombria aborda o conflito de um homem com uma parte sombria de si. Thad Beaumont percebe que ele mesmo guarda mais do que estava disposto a perceber e é obrigado a encarar a realidade de quem ele pode ser por baixo de suas várias camadas. É interessante quando, em um posfácio, o próprio Stephen King fala a respeito de como Thad Beamount reflete muito sua própria personalidade, conflitos e receios. O próprio King já escreveu alguns livros sob o pseudônimo de x, o que faz com que A Metade Sombria ganhe um quê autobiográfico bem curioso.

A Metade Sombria é tudo o que um bom suspense e terror precisa ser: envolvente, inquietante, assustador e imprevisível. É difícil largar a leitura sem querer mergulhar na narrativa criada por King, cada acontecimento contribui para a construção de um enredo rico em detalhes, a descrição das cenas e o desenvolvimento do vilão causam arrepios, e existe uma clara construção de expectativa feita para ser reconstruída a cada página.



A Metade Sombria bebe muito da fonte de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, famosa história novela gótica de Robert Louis Stevenson, que se tornou um clássico da ficção científica e do terror. O próprio Stephen King já declarou sua admiração pela história, colocando-a como uma das melhores do gênero, então não é difícil perceber de onde veio a inspiração. A dualidade entre o médico e o monstro, no caso de A Metade Sombria, entre escritor e pseudônimo, revela mais sobre o próprio mocinho do que do vilão. É difícil definir onde começa um e onde termina o outro, trabalhando a ideia de que uma mesma pessoa pode ter múltiplas personalidades e camadas escondidas sob a máscara que veste para si e para o mundo. O aspecto psicológico também é algo explorado no que diz respeito ao protagonista e é algo que gosto bastante de ler, principalmente em suspenses.



Um dos aspectos mais interessantes e que acredito ser fundamental para consagrar um autor é o conseguir transformar um ato cotidiano em inspiração para uma história riquíssima em detalhes e desdobramentos. Stephen King consegue pegar o simples ato de matar um pseudônimo em um clássico de terror dos anos 80.

Além disso, conseguir fazer com que o leitor comece a questionar o próprio protagonista é algo difícil de fazer sem apelar para o óbvio e A Metade Sombria é um bom exemplo de como fazer isso sem precisar abusar dos clichês.


Stephen King faz questão de descrever cada personagem que é apresentado, mesmo que ele tenha pouca importância nas páginas seguintes, para tornar a história mais crível. Mesmo que seja apenas um espectador de uma das cenas de terror ou a vítima do assassino, King contextualiza o cenário, apresenta um passado da personagem e deixa o leitor a par de quem é aquele que está participando do enredo, mesmo que de forma breve.

Stephen King também é conhecido pelo tamanho de seus livros, verdadeiros calhamaços. A princípio, por não ter tido contato com nenhuma de suas histórias escritas, apenas com as adaptações, fiquei receosa de que o enredo fosse se arrastar de forma tediosa e desnecessária. Entretanto, o efeito foi o contrário.


Acredito que justamente por ter uma narrativa tão bem estruturada, descritiva e cheia de detalhes, me senti sugada para dentro do livro, sem conseguir largar A Metade Sombria até terminá-la. Foi uma leitura surpreendentemente rápida e extremamente agradável. Algumas pessoas haviam dito que talvez não fosse tão interessante ter o primeiro contato com a escrita de Stephen King por meio de A Metade Sombria, mas minha experiência não poderia ter sido melhor, o que me deixou mais curiosa e interessada em conferir outros títulos do autor.

A Metade Sombria foi uma leitura extremamente agradável e estou ansiosa para os próximos títulos do autor que vão entrar para a minha coleção. Tenho mais alguns em mente, mas adoraria receber indicações já que sei que existem muitos fãs do King por aí. O que você acha? Depois de A Metade Sombria, qual deve ser minha próxima leitura de Stephen King?


Gostou da resenha e quer conferir outro livro da família King? Então conheça Pequenas Realidades!






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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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