Resenha: Verdades do Além-Túmulo

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 Caitlin Doughty, autora de Confissões do Crematório e Para Toda a Eternidade, chega com mais um livro para desmistificar a morte. Verdades do Além-Túmulo é uma leitura divertida, bem-humorada e maravilhosa. Saiba mais!

"Uma agente funerária não só pondera sobre a morte: ela também recebe incontáveis perguntas sobre o que nos espera no além. Ao longo de sua peculiar trajetória profissional, Caitlin Doughty ouviu centenas de dúvidas curiosas, engraçadas e bizarras. As melhores foram selecionadas em Verdades do Além-Túmulo, seu novo e esperado terceiro livro, que chega à DarkSide® Books em uma edição especial.

Inspirada pela curiosidade das crianças e dos adolescentes sobre a morte, a autora reuniu 34 perguntas e as respondeu com seu estilo único: técnico, informativo e absolutamente bem-humorado. O resultado é um livro divertido e instigante, que dá continuidade ao empenho da autora em desconstruir o tabu da morte e dissipar o silêncio que costuma permear o assunto, para que possamos ter uma relação mais saudável com nossas perdas, lutos e a memória dos nossos entes queridos.

De perguntas insólitas como “quando eu morrer, meu gato vai comer meus olhos?” ao dilema ético e imobiliário do corretor que precisa decidir como contar a um possível comprador que alguém morreu em uma casa à venda, Caitlin Doughty nos guia pelo universo que conhece como ninguém e, de quebra, nos convida a mergulhar no inevitável mistério da nossa existência.

Seguindo os passos furtivos de um gato que transita entre os vivos e os mortos, o mais recente lançamento da marca DarkLove — que publicou os outros títulos da autora, Confissões do Crematório (2016) e Para Toda a Eternidade (2019) — é uma celebração à curiosidade humana sobre a morte, comprovando a eternidade sempre viva de seus insondáveis mistérios."

FICHA TÉCNICA
Título: Verdades do Além-Túmulo
Autora: Caitlin Doughty
Ano: 2020
Páginas: 224
Idioma: Português
Editora: DarkSide Books
Nota: 4,5
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LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA

Caitlin Doughty é uma agente funerária e escritora americana. Personalidade do YouTube, é conhecida por defender a aceitação da morte e a reforma das práticas da indústria fúnebre ocidental. É a criadora da web série "Ask a Mortician", fundadora do grupo The Order of the Good Death (que junta profissionais, acadêmicos e artistas para falar sobre a mortalidade. Em Verdades do Além-Túmulo, ela reúne algumas das perguntas mais comuns que recebeu sobre a morte e as transformou em um livro.


Confissões do crematório é um dos meus livros favoritos e, desde que o li pela primeira vez, nunca mais deixei de acompanhar o trabalho de Caitlin Doughty. Já falei um pouco sobre o livro que trouxe a fama para a autora e também sobre Para Toda a Eternidade, segundo livro lançado por ela, que aborda como diversas culturas, ao redor do mundo, lidam com a morte. Então as expectativas estavam altas para Verdades do Além-Túmulo e fiquei bem feliz em ter acesso a mais do universo de Caitlin Doughty, de um jeito tão extrovertido e despretensioso. 

Caitlin Doughty aborda essa questão já no começo do livro, quando comenta como as respostas mais curiosas e diretas que ela recebe a respeito da morte vêm justamente de crianças. Não pude deixar de pensar em como, com o passar dos anos, somos moldados a não abordar temas sensíveis, mesmo que eles digam respeito a algo inevitável: a morte. Como ela mesma diz, “conforme as pessoas crescem, internalizam essa ideia de que querer saber da morte é “mórbido” ou “estranho”. Ficam com medo e criticam o interesse dos outros no assunto para não precisar enfrentar a morte.”. E ela não poderia estar mais correta. 


Caitlin Doughty, por meio de seu conhecimento e experiência, aborda o assunto por diversas frentes. Como agente funerária, ela explica didaticamente para o leitor questões relacionadas aos cadáveres e processos de decomposição, embalsamento, piras funerárias etc. Por vivência, ela compartilha experiências pessoais e existenciais a respeito da lida com a morte, seja dela, seja de pessoas com as quais ela teve contato ao longo dos anos. Ela busca não apenas fazer com que a morte seja um assunto mais falado e pensado, mas Doughty também traz informações de forma acessível e didática, para ajudar a diminuir o medo do desconhecido, que aflige a maior parte das pessoas que se recusa a pensar na morte. Nas palavras de Caitlin Doughty, “Muitas pessoas, inclusive eu, acreditam que podemos controlar parte dos nossos medos abraçando a morte, aprendendo sobre ela e fazendo o máximo de perguntas possível.” 

“Sendo justa, a morte é difícil! Nós amamos uma pessoa, daí ela vai e morre. Às vezes, a morte pode ser violenta, repentina e insuportavelmente triste. Mas também é realidade, e a realidade não muda só porque você não gosta dela.” Página 13


Uma das características que mais adoro na escrita de Caitlin Doughty é o humor intrínseco ao seu texto. Mesmo em Confissões do Crematório, quando ela falava sobre alguns dos momentos mais difíceis de sua vida, entrando em assuntos bem existencialistas, ela nunca deixou de lado sua linguagem irônica e bem-humorada. E, quando um autor se propõe a esmiuçar temas como a morte, decomposição de corpos, práticas de embalsamentos, dentre outros, conseguir prender o leitor por meio da graça e do humor é algo primoroso. É uma estratégia abordada também em outro livro favorito, Medicina Macabra, e é uma das coisas que me faz indicar esses livros para pessoas de diversas idades e bagagens literárias. 


Olhar para a temática da morte significa olhar para alguns dos maiores medos e anseios da existência humana. Significa aceitar um fato e uma das únicas certezas que temos, ao mesmo tempo em que significa ter que abrir mão do controle e da insegurança sobre o pós-morte. E é aqui que entra a ciência, a religião, a espiritualidade, os medos, as angústias, a incerteza. E nem todos estão dispostos a mergulhar em tamanhas reflexões ou abrir mão do controle sobre as próprias certezas. 

Se você, assim como eu, busca por qualquer oportunidade para refletir um pouco sobre qualquer coisa, desde devaneios mais banais até verdadeiras aflições existenciais, vai se divertir e se encantar por Verdades do Além-Túmulo. Mesclando ciência e humor, Caitlin Doughty diverte e informa o leitor de uma forma única. 


Verdades do Além-Túmulo é um livro divertidíssimo e muito rápido de ser lido. Com capítulos divididos em explicações para as perguntas, não passando de 6 páginas cada, o livro é um desses que pode muito bem ser lido em uma sentada. Em Verdades do Além-Túmulo você vai aprender conceitos como livor mortis e rigor mortis, entender como funciona o processo de cremação de um cadáver, além de curiosidades mórbidas e hilárias sobre dúvidas envolvendo a morte. 

No penúltimo capítulo do livro, Caitlin Doughty ainda traz algumas respostas rápidas para perguntas que não ganharam capítulos próprios porque precisam apenas de explicações mais curtas. É uma maneira de enriquecer ainda mais o conteúdo do livro, ao mesmo tempo em que vai chegando a um desfecho. 


Verdades do Além-Túmulo foi um livro originalmente escrito para crianças e isso só mostra como Caitlin contribui para a desmistificação da temática da morte para leitores curiosos e pais compreensíveis desde cedo. Pensando nessa preocupação em tornar o livro acessível, sem chocar ou traumatizar crianças e jovens, Caitlin Doughty traz, ao final do livro, uma pequena entrevista com uma amiga e psiquiatra de crianças e adolescentes. Na entrevista elas discutem as melhores formas de abordar a temática da morte com crianças, além de outras questões envolvendo a curiosidade dos pequenos, trato em relação ao tema e muito mais.

Em uma sociedade que fecha os olhos para a morte e tudo aquilo que foge minimamente ao controle, é cada vez mais importante pensar e questionar o assunto. Porque ressignificar a morte significa ressignificar a maneira como vivemos a vida. 

Aproveite para conhecer outro livro da autora: Para Toda a Eternidade!

“Não podemos fazer a morte ficar divertida, mas podemos fazer o aprendizado sobre ela ser divertida. A mente é ciência e história, arte e literatura. Faz pontes entre todas as culturas e une toda a humanidade.” Página 13


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