Resenha: Escola de Contos Eróticos Para Viúvas + VLOG de leitura

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Em fevereiro, a caixinha da TAG Inéditos trouxe uma surpresa extremamente agradável e um novidade dentro do clube. Escola de Contos Eróticos Para Viúvas é o primeiro livro de literatura erótica enviado aos assinantes e traz uma história de empoderamento por meio da sexualidade, da escrita e, claro, da própria literatura. Uma das minhas leituras favoritas de 2020 que me conquistou e tenho certeza que conquistará muitos leitores também. Quer saber mais? Então confira a resenha de Escola de Contos Eróticos Para Viúvas!

"Filha de imigrantes indianos, Nikki passou a maior parte de seus vinte e tantos anos distanciando-se da tradicional comunidade sikh, preferindo uma vida mais independente e, em outras palavras, ocidental. Quando a morte de seu pai deixa a família financeiramente desestruturada, Nikki se habilita a dar aulas de escrita criativa em um centro comunitário no coração da comunidade punjabi em Londres.

Logo no primeiro dia de trabalho, Nikki descobre que, na verdade, as viúvas sikh que aparecem para o curso estão esperando aprender alfabetização básica em inglês, e não a arte de escrever contos. Nikki está prestes a desistir da tarefa quando um livro erótico cai no colo das alunas e causa um furor na sala de aula. A jovem professora percebe, que, por baixo de seus sáris brancos, ela têm uma riqueza de fantasias e memórias. Ansiosa por libertar essas mulheres, Nikki as ensina a escrever suas histórias não contadas, desencadeando um processo criativo inesperado - e perigoso."

FICHA TÉCNICA
Título: Escola de contos eróticos para viúvas
Autora: Balli Kaur Jaswal
Páginas: 352
Ano: 2020
Editora: TAG Inéditos e Planeta de Livros
Nota: 4,5
LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA




A literatura erótica sempre foi vista com bastante preconceito e isso se mantém mesmo em uma época onde a sexualidade feminina vem sendo cada vez mais aceita e discutida. Ao contrário de romances, por exemplo, a literatura erótica tem como elemento essencial a descrição explícita de cenas envolvendo relações sexuais, a expressão de desejos íntimos, a liberdade de trazer para o papel a luxúria.

No caso de Escola de contos eróticos para viúvas, o erotismo se mostra presente nas histórias escritas pelas personagens do livro. A literatura erótica ganha espaço ao servir como catalisador de sonhos, registro de vivências, expressão de desejos e ferramenta de empoderamento para mulheres reprimidas tanto por sua cultura, quanto por sua idade e status.

"Nikki parou e olhou ao seu redor. Estava cercada por mulheres de cabeça coberta - mulheres correndo atrás de filhos pequenos, mulheres olhando de soslaio umas para as outras, mulheres debruçadas sobre andadores. Cada uma tinha a sua história. Ela era capaz de se imaginar falando para uma sala cheia daquelas mulheres punjabi. Seus sentidos inundados com as cores de seus kameezes, o som do tecido farfalhando e dos lápis batendo, o cheiro de perfume e cúrcuma. Sua motivação ficou bem clara. 'Algumas pessoas nem sabem que esse lugar existe', ela diria. 'Vamos mudar isso'. Indignadas e com os olhos inflamados, elas escreveriam suas histórias para o mundo inteiro ler." Página 23


Escola de contos eróticos para mulheres conta a história de um grupo de viúvas que encontra em uma aula de escrita criativa e alfabetização em inglês, um espaço de compartilhamento, acolhimento e inesperada sororidade. O livro tem como fio condutor da narrativa a história de Nikki, professora responsável por facilitar essas aulas.

O leitor tem acesso a seus dilemas familiares, seus dramas pessoais, sua própria trajetória de redescoberta da cultura punjabi, como filha de imigrantes. Entretanto, por mais interessante que seja sua história, ela perde espaço para as narrativas trazidas pelas viúvas. Não é um demérito da protagonista, as outras personagens apenas conseguem cativar mais o leitor com sua riqueza de vivências, mesmo que apareçam de forma mais pontual.


Escola de contos eróticos para viúvas é uma demonstração da importância de se falar sobre sexo na literatura. O sexo, principalmente para as mulheres, é motivo de mais repressão do que é possível abordar apenas em um post de resenha. Balli Kaur Jaswal mostra como a sexualidade feminina desperta ao encontrar acolhimento e espaço, e como é lindo ver essa expressão.

"- O engraçado é que também fiquei surpresa. Não percebi o que queria dizer até dizer. É por isso que eu evitava conversar com ele, para começar. [...] Estas sessões de contação de histórias são um bom divertimento, mas acho que também aprendi a defender o que eu quero. Exatamente o que eu quero." Página 291


Escola de contos eróticos para viúvas é uma leitura bem agradável. Além de ter uma protagonista consistente e um enredo envolvente, Balli Kaur Jaswal elaborou uma trama com coadjuvantes interessantes, com provocações que geram reflexões no leitor, questionamentos a respeito da liberdade sexual dentro de uma sociedade que segrega mulheres, principalmente viúvas, e oferece ao leitor um gostinho de uma cultura bem diferente da nossa.

É mais uma prova de como a literatura torna o conhecimento mais acessível de forma dinâmica, envolvente e intensa. Por meio da literatura temos contato com culturas diferentes através de uma imersão intensa e empática.


Em seu livro, Balli Kaur Jaswal também levanta uma questão bem interessante sobre o feminismo e que não poderia ser mais atual. Nikki, a protagonista, é uma mulher forte, decidida, que não deixou tradições e influências diminuírem sua vontade de correr atrás dos seus sonhos. Ao contrário de sua irmã, Nikki se sente limitada pelas imposições de sua cultura e faz de tudo para se distanciar daquilo que a tornaria uma mulher submissa. Entretanto, é interessante observar que ela é uma feminista que age de acordo com todos os ideais que acredita, mas precisa aprender a lidar com os diferentes pensamentos e vivências de outras mulheres, mesmo que não estejam tão de acordo com o que ela acredita ou faria com sua própria vida.


Escola de contos eróticos para viúvas também traz um panorama interessante sobre o que é ser estrangeiro e imigrante na Grã-Bretanha, principalmente em Londres. Mesmo sendo uma ficção, lembrei bastante The Good Immigrant, livro que reúne uma coletânea de relatos de escritores, com diversas vivências, que vivem em Londres. Esse é um ponto bem forte do livro e que enriquece bastante a leitura.

Mesmo se passando em Londres, o livro traz com intensidade diversos elementos da cultura indiana, com foco na cultura punjabi. O Punjab é uma região fronteiriça entre Paquistão e Índia, que carrega em suas entranhas uma enorme riqueza histórica.


A TAG Inéditos trouxe em sua caixinha de fevereiro Escola de contos eróticos para viúvas, uma revistinha com um conteúdo excelente sobre a cultura punjabi, uma contextualização da literatura erótica, uma entrevista interessante com a autora e muito mais. Além disso, os assinantes também receberam um marcador, um incensário e dois incensos que ajudam a tornar a leitura ainda mais imersiva. Uma caixinha delicada e muito bem pensada para combinar com o livro.


Escola de contos eróticos para viúvas é um livro que mostra, com delicadeza a empatia, a força de mulheres que se unem para compartilhar histórias, dividir experiências e escrever sonhos. Balli Kaur Jaswal nos presenteia com um livro rápido de ler e extremamente prazeroso, capaz de provocar no leitor sua própria capacidade de criar cenários para suas fantasias. Um achado literário excelente.

E se você quiser conferir ainda mais a minha experiência lendo Escola de contos eróticos para viúvas, confira o vlog de leitura do livro!


Gostou da resenha e quer mais uma indicação de livro relacionado à cultura indiana? Então conheça O Diário de Nisha!

"Pela primeira vez na vida delas, puderam compartilhar abertamente seus pensamentos mais privados e saber que não estavam sozinhas. Eu as ajudei a descobrir isso, e me dispus a aprender com elas também. Aquelas mulheres estavam acostumadas a dar a outra face quando injustiças eram cometidas porque é inapropriado se envolver, ou ir até a polícia e trair um dos seus. [...] Elas sabem que são capazes de lutar" Página 318


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1 comentários

  1. Muito bacana a abordagem, esse aspecto social que permeia todo o livro. Adorei a resenha! :)

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