Um pouco sobre meu amor por livros

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Leio desde que me conheço por gente e não é exagero. Me recordo perfeitamente de estar sentada envolta de livros infantis, cadernos de colorir e histórias inventadas quando era nada mais do que uma garotinha que, desde cedo, tentava encontrar fora algo que desse sentido para o que sentia dentro.

Em todas as minhas inconstâncias emocionais, a literatura sempre teve um papel fundamental para me trazer de volta de onde quer que eu tenha sentido que eu ia e me dar um chão, mesmo que esse chão fosse um mar debaixo de algum barquinho de um livro de aventura ou a grama que amaciava os pés da protagonista do meu conto de fadas favorito.

Quando eu mais me sentia sozinha, bastava mergulhar em algum livro que estivesse perto para sentir a angústia indo embora por alguns segundos. Tive sorte por ter pais que, desde muito cedo, incentivaram a leitura. Desde as histórias lidas pela minha mãe antes de dormir até os livros de porta de escola que meu pai sempre me dava, mesmo quando o dinheiro estava longe de ser um excesso. Aprendi logo nos meus primeiros anos de vida que a leitura era uma necessidade fundamental para me tornar alguém melhor.

Fui muito privilegiada por ter pais que não apenas entendiam o papel dos livros na formação de uma criança como compartilhavam o gosto pela leitura, cada um do seu jeito. Meu pai, entusiasta de livros de história e ficções à lá Dan Brown, e minha mãe, amante dos bons romances e suspenses de Joy Fielding e Agatha Christie, nunca falharam em me oferecer opções e sugestões de leitura até que eu estivesse preparada para desbravar esse mundo sozinha. 

Quando comecei a ler por conta própria, pude sentir o universo inteiro se abrindo na minha frente. Percebi que não importava o momento, não importava a companhia, não importava o lugar, não importava como eu estava me sentindo, eu sempre poderia fugir para dentro de alguma narrativa mágica, inspiradora ou pitoresca.

Cada vez que eu deixava meus olhos percorrerem as páginas e visualizava perfeitamente o que acontecia como se estivesse diante dos meus olhos, sentia que estava ganhando um propósito. Quando percebi que cada livro guardava uma história diferente, todas as bibliotecas do mundo passaram a parecer pequenas demais para a minha vontade de devorar enredos.

Desde então sempre tenho um livro ao alcance das mãos para me reconfortar. Pergunte para qualquer um que me conhece o que carrego na bolsa e todos dirão que, com certeza, tem um livro ali dentro. Porque passei a precisar carregar comigo algum livro, qualquer que fosse. Eu, que sempre me senti muito sozinha, percebi que não precisava me sentir assim, desde que eu sempre soubesse que tinha algumas páginas esperando para serem lidas.

Comecei a colecionar livros, a memorizar histórias, rabiscar continuações que nunca existiriam, só para tentar matar um pouco dessa fome insaciável. Perdi a conta de quantos rascunhos tenho salvos no computador porque não consegui aceitar determinado final, porque me apaixonei tanto pelos personagens que não conseguia aceitar que não teria mais páginas inéditas para ler, ou simplesmente quantas narrativas comecei a criar com base em reflexões causadas por alguns dos livros que lia.

Passei a escrever as histórias que eu tanto amava ler, passei a me tornar parte daquilo que, por toda uma vida, eu apenas acompanhava de forma insaciável. Por algum tempo eu cheguei a criar mais do que ler, hábito que eu adoraria poder incorporar mais e mais na minha rotina. Passei a cultivar o sonho de me tornar alguém capaz de escrever histórias e fazer com que mais pessoas sintam o que eu sinto quanto abro um livro incrível e começo a lê-lo.

Depois de tanto me procurarem pedindo recomendações de livros e dicas de leitura, criar um blog literário pareceu algo extremamente natural. Mesmo que eu gostasse – e gosto – de escrever sobre outras coisas, resenhar e indicar livros se tornou meu hobby número um. E que hobby maravilhoso...
Foi apenas quando comecei a receber livros em parcerias com editoras que percebi como existe muita coisa por aí e eu nem sabia. Receber livros apenas para escrever uma opinião a respeito me pareceu um sonho realizado. Eu, já acostumada a mergulhar em romances, me vi descobrindo novos gêneros literários e me redescobrindo em cada livro novo que chegava em minhas mãos. Quando achava que já havia encontrado um porto seguro na literatura, descobri que existiam livros mais incríveis ainda me esperando. E essa é uma descoberta constante e deliciosa.

Comecei a encontrar um propósito na literatura, um gosto que passou de um lazer para uma tentativa de carreira. Os livros se mostraram como uma possível resposta para um dilema que me aflige desde nova: o que vou fazer da minha vida? Procurar um caminho no mercado editorial se tornou um novo começo no mundo da literatura. E quanto mais eu estudava a respeito, quanto mais conversava com pessoas do ramo e quantos cursos mais eu fazia, mais eu percebia que podia estar diante de uma carreira bem gostosa. A gente vive procurando um trabalho que seja prazeroso e que se encaixe naquilo que gostamos de fazer, né? Acabei percebendo que é isso que eu quero buscar.

Apesar de achar que isso nunca seria possível nesse primeiro momento, acabei conseguindo um estágio em uma pequena editora e, com pouco mais de 3 meses de trabalho, percebo que posso estar mesmo fazendo a escolha certa. Entendendo mais sobre livros e fazendo parte de sua produção, consigo valorizar ainda mais esse gosto tão intrínseco à minha pessoa.

Na minha entrevista para a vaga, lembro de ter confessado com pura honestidade: “eu respiro livros”. E essa máxima me pareceu e ainda me parece bem justa. As pessoas me perguntam com frequência “como você lê tanto?” e eu só consigo pensar que não tem como ser diferente. Ler é algo tão natural para mim quanto sentar à mesa de manhã e tomar café. É simplesmente uma parte extremamente necessária do meu dia, é um sustento mental e emocional.

Agora, com a maior parte dos meus vinte e um anos dedicados à literatura, entendo que, ao longo da vida, a gente vai encontrando aquilo que nos sustenta, que nos dá uma forcinha para levantar da cama todos os dias e buscar um propósito. Passo todos os meus dias tentando encontrar propósitos e falhando miseravelmente em quase todas as minhas tentativas. Mas algumas parecem certas e elas valem por todo o resto. Sinto que, mesmo com tantos anos como leitora e tantos livros na bagagem, ainda estou apenas no começo, sem nem raspar a pontinha do iceberg. Com um calorzinho no peito, vou tentando me achar entre livros e leituras, mas até lá já posso afirmar com toda certeza: é um caminho delicioso.

*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente. Fonte: Olivia Rose Lanier.


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5 comentários

  1. Meu coração está aquecido depois de ler suas palavras!
    Eu costumo dizer que leio a pouco mais de dois anos, por ser quando de fato mergulhei no mundo literário. Mas acontece que eu sempre gostei de ler, e quando era pequena eu lia aqueles livros infantis de poucas páginas, me encantava por histórias, e até me arriscava a escrever poesias.
    Eu quero tornar minha escrita meu trabalho um dia. Mas é que às vezes parece tão impossível isso se tornar real, principalmente no nosso país onde não é um ramo valorizado. Eu tento me agarrar a esse sonho, não deixar que ele parta para longe.
    Livros são um pedaço de mim..

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  2. Oi Laura!
    Lendo seu texto tive a sensação de estar encontrado uma irmã, alguém que entendo como me sinto em relação aos livros. Também leio desde que me conheço por gente e não consigo imaginar outra maneira de levar a vida. Ler é maravilhoso, é meu refúgio, meu consolo, minha alegria. Que bom saber que tem mais gente se sentindo assim.
    Bjs!

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  3. Oi.
    Assim como você leio desde que me entendo por gente. Meu pai foi um grande incentivador, mas dinheiro pra comprar livros não tinha, então era sempre na biblioteca.
    Amei a postagem.
    Beijos

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  4. Oi Laura,
    Que texto lindo, história linda. Também leio desde nova, mas confesso que só no ensino médio que me vi presa de verdade na arte de ler, depois de conhecer uma edição simplificada de Os Miseráveis. E desde então esse amor me acompanha e me salva, me acalanta nos momentos dificeis e como sou feliz por ter esses amigos lindos na estante.

    Beijokas

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  5. Muito legal ler sobre sua jornada como leitora. Também sempre amei ler então me identifiquei bastante, mas não tive a experiência de trabalhar diretamente com livros.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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