Resenha: O perfume da folha de chá

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Desde o início do ano em que comecei uma parceria com a Companhia das Letras, estou tendo a oportunidade de mergulhar em histórias novas que prometem me surpreender a cada página. Apesar de romances de época não fazerem parte dos meus gêneros preferidos, fiquei muito curiosa a respeito de todas as resenhas positivas de O perfume da folha de chá. 
Com uma narrativa extensa, bem trabalhada e descritiva, Dinah Jefferies leva o leitor para conhecer o Ceilão e todos os segredos escondidos por trás de um casal aristocrático aparentemente perfeito.
Quer saber o que achei do livro? Então confira a resenha de O perfume da folha de chá:

“Um homem atormentado por seu passado. Uma mulher diante da escolha mais terrível de sua vida.
Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurence, no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império.
Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos.
Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita."








FICHA TÉCNICA 
Título: O perfume da folha de chá
Autora: Dinah Jefferies
Ano: 2017
Páginas: 431
Idioma: Português
Editora: Paralela
Nota: 3/5
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LIVRO CEDIDO PELA EDITORA


O perfume da folha de chá é uma história sobre segredos inimagináveis, culpas que transformam para sempre uma pessoa e uma relação, e o efeito destrutivo de anos de muito sentimento reprimido e de acontecimentos negligenciados. O livro se baseia principalmente nas relações pessoais dos personagens e nos dilemas enfrentados em uma época na qual a liberdade individual e a própria libertação da mulher ainda não são tão levados em conta, Gwen ainda vive às custas do marido como uma dona de casa e mãe de família. É um livro que levanta brevemente a questão do racismo e da submissão da mulher, mas não se aprofunda nessas questões, não é o propósito do livro.
Gwen, a protagonista, é bem trabalhada e seu desenvolvimento em meio aos segredos que é obrigada a esconder de todos é o foco da narrativa. Apesar de ser narrado em terceira pessoa, ela é a personagem principal de todas as cenas e os outros personagens são pouco trabalhados, o que interferiu na forma como a história ganha o leitor. Laurence, o marido de Gwen, por exemplo, só é um pouco mais explorado ao final da narrativa, nas últimas páginas, quando o enredo já está se encaminhando para o fim.


“Tudo ficaria bem. Durante mais um minuto ou dois, ela respirou o cheiro dele enquanto as sombras no quarto se alongavam e então rapidamente escureciam. Ela respirou fundo e fechou os olhos." P. 25

Gostei do fato de a história se passar no Ceilão, no atual Sri Lanka, é um cenário inusitado e que foge às localidades tradicionais escolhidas por autores de romances de época. Comecei a ler o livro acreditando que seria mais um romance na Inglaterra e fui surpreendida com um cenário diferente e muito exótico. Foi bom dar uma variada nesse sentido, penso que essa escolha acrescentou bastante ao conteúdo da história.
Outro ponto alto de O perfume da folha de chá é a escrita de Dinah Jefferies. A autora é muito boa em descrições, é possível imaginar perfeitamente a paisagem do Ceilão, a casa generosa de Gwen, o terreno que envolve a moradia, os sentidos dos personagens quando estão em contato com as folhas de chá e especiarias do Ceilão. É um ponto forte na escrita da autora, mas aliando isso ao ritmo lento da história, a leitura de torna um pouco densa e cansativa caso o leitor não tenha o hábito de ler romances de época ou de ler com frequência.





Um dos pontos fracos da história é o desenvolvimento da narrativa como um todo. O ritmo da história é bem lento, tanto o desenvolvimento dos personagens quanto o próprio desenrolar da narrativa parece que seguem um ritmo próprio de uma época em que pouca coisa acontecia ao mesmo tempo. É uma narrativa muitas vezes cansativa, me peguei pensando em outras coisas enquanto corria os olhos pelas páginas e nisso o livro peca bastante, ele não consegue prender a atenção de um leitor que não é tão fã de romances de época, por exemplo. Confesso que muitas vezes senti vontade de pular as páginas, não fosse minha força de vontade de continuar a leitura e me obrigar a focar nos detalhes da narrativa.
Além disso, o livro é previsível em grande parte da narrativa, apenas alguns momentos rendem um arquear de sobrancelhas, não existem muitos momentos de surpresa ou imprevisibilidade. A forma como a protagonista lida com grande parte das situações também é criticável como personagem. Apesar de Gwen ter um pensamento um pouco a frente da maioria das mulheres da época, ainda é muito frígida, vulnerável, inocente e sem muita propriedade em relação aos seus sentimentos e opiniões, em vários momentos da narrativa me senti incomodada com suas escolhas e percepções. 



“Parada do outro lado do carro, Verity olhava para a frente com uma expressão vazia, mas mesmo assim Gwen soltou um suspiro de alívio. Tudo ficaria bem." P. 301


Acredito que o livro tinha muito potencial e acabou se perdendo em descrições excessivas e diálogos que não acrescentavam muito à narrativa. Talvez essas sejam características de um romance de época e, como não é meu gênero favorito, tenha ficado com uma impressão de calmaria mais forte nesse ponto. O ponto forte é o começo do livro e sua conclusão, a ponte entre esses momentos foi responsável por diminuir meu interesse por ser cansativa e entediante.
Entretanto, o final foi mais rápido e merece mérito por ter fugido de clichês, esperava que o final fosse perfeitinho e não foi o que aconteceu, ele fez jus à profundidade do dilema enfrentado por Gwen ao longo de toda a narrativa.
O perfume da folha de chá ganha por não se limitar a uma narrativa água com açúcar, de uma protagonista completamente submissa ao homem ou um romance superficial. Existe profundidade na história e nos personagens, mesmo que eles muitas vezes tenham ficado em segundo plano, mas, em geral, o final do livro passa a impressão de que ele é melhor do que é de fato.


Se você gostou da resenha e quer mais uma dica de um livro da Paralela, confira a resenha de Amigo secreto! 

“Gwen pensou um pouco a respeito. 'Sei que ele me ama. Mas é assim que as coisas são por aqui. A vergonha. A humilhação. Seria nosso fim como família. Eu perderia meu marido, perderia minha casa e perderia meu filho.'" P.397



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1 comentários

  1. Lau,

    Sempre vi esse livro, mas nunca o li. To com curiosidade depois de ler sua review, principalmente porque a autora descreve bem as situações. Além disso, essa capa me dar um ar nostálgico muito bom haha.

    Beiju. ♥

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