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Nostalgia Cinza



Mindhunter é o livro que deu origem à série de mesmo nome da Netflix e conta a história real de um investigador do FBI que revolucionou a forma de entender a mente dos famosos serial killers. Além de ter tido contato com alguns dos mais conhecidos e temidos psicopatas como Ted Bundy e Ed Kemper, John Douglas dedicou sua carreira à análise comportamental de centenas assassinos, o que ajudou a solucionar casos em todo o mundo. Em Mindhunter, John conta sua trajetória no FBI e apresenta alguns dos casos mais arrepiantes de sua carreira. Quase como um diário, Mindhunter é um livro interessante que se destaca por sua sinceridade, didática e profundidade.
Quer saber o que achei do livro? Então confira a resenha de Mindhunter:

“Em detalhes assustadores, Mindhunter mostra os bastidores de alguns dos casos mais terríveis, fascinantes e desafiadores do FBI.
Durante as mais de duas décadas em que atuou no FBI, o agente especial John Douglas tornou-se uma figura lendária. Em uma época em que a expressão serial killer, assassino em série, nem existia, Douglas foi um oficial exemplar na aplicação da lei e na perseguição aos mais conhecidos e sádicos homicidas de nosso tempo. Como Jack Crawford em O Silêncio dos Inocentes, Douglas confrontou, entrevistou e estudou dezenas de serial killers e assassinos, incluindo Charles Manson, Ted Bundy e Ed Gein.
Com uma habilidade fantástica de se colocar no lugar tanto da vítima quando no do criminoso, Douglas analisa cada cena de crime, revivendo as ações de um e de outro, definindo seus perfis, descrevendo seus hábitos e, sobretudo, prevendo seus próximos passos.
Com a força de um thriller, ainda que terrivelmente verdadeiro, Mindhunter: o primeiro caçador de serial killers americano é um fascinante relato da vida de um agente especial do FBI e da mente dos mais perturbados assassinos em série que ele perseguiu. A história de Douglas serviu de inspiração para a série homônima da Netflix, que conta com a direção de David Fincher (Garota Exemplar e Clube da Luta) e Jonathan Groff, Holt McCallany e Anna Torv."








FICHA TÉCNICA 
Título: Mindhunter
Autores: John Douglas, Mark Olshaker
Ano: 2017
Páginas: 383
Idioma: Português
Editora: Intrínseca
Nota: 5/5
Compre: Amazon
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LIVRO CEDIDO PELA EDITORA




Mindhunter começa com John Douglas contando um pouco de sua vida pessoal para contextualizar o leitor. Ele narra sua história, detalhes pessoais de sua vida para conduzir a narrativa até seu cargo no FBI. Ele mostra como ter pensado em fazer veterinária, ter participado da equipe de baseball e do time de futebol americano o ajudou a adquirir as habilidades necessárias para ser um investigador e fazer os perfis dos criminosos.  É interessante entender como sua carreira não foi planejada e como a vida o surpreendeu de maneira irreversível. John mostra que ele tinha a vida mais humana possível antes de ter contato com algumas das mentes mais perigosas e assustadoras dos Estados Unidos.
Apesar de começar como uma autobiografia em sua forma mais pura, não achei tedioso. É interessante ver como alguém que nunca teve pretensões de ser um agente especial se tornou um reconhecido caçador de serial killers e foi responsável por começar uma das divisões mais conhecidas e renomadas do FBI, sendo procurado, inclusive, pelo elenco de O Silêncio dos Inocentes para ajudar a entender a mente de um psicopata. 


“O dragão nem sempre vence e estamos fazendo o possível para garantir que vença cada vez menos. Mas o mal que ele representa - a coisa contra a qual lutei durante toda a minha carreira - não vai embora, e alguém precisa contar a história real. Isso foi o que eu tentei fazer, a partir do que eu mesmo vivi." p.373 

Após o extenso prelúdio de seu passado até sua chegada no FBI e o funcionamento da instituição, John Douglas começa a apresentar alguns casos de assassinatos e mostra como a ciência e a análise comportamental ajudaram a entender melhor a mente dos criminosos e, com isso, resolver casos que pareciam sem solução. O investigador começa a mostrar como é preciso se atentar ao crime para tentar entender o criminoso. Tal pensamento se fortalece ao longo de todo o livro com diversos exemplos de crimes dos mais aterrorizantes possíveis. Eu, que sempre senti falta de conhecer alguns assassinatos fora dos grandes escândalos midiáticos de serial killers extremamente famosos, me vi rodeada de histórias quase excessivas. Para aqueles que buscam histórias reais de assassinato e o desenrolar das investigações, Mindhunter oferece um prato cheio. O que não faltam são exemplos para apresentar os mais diversos perfis e desvios comportamentais.
Em uma época em que os serial killers são abordados das mais diversas formas em séries de tv, filmes e livros, é difícil acreditar que há 30 anos nem o termo serial killer existia ou era amplamente aceito. Foram os trabalhos de John Douglas e de seu departamento que popularizaram o termo e mostraram a importância de se buscar aquilo que está além da cena do crime. Aprender um pouco mais sobre como era o pensamento da época é extremamente interessante e esclarecedor.







Mais do que simplesmente apresentar crimes horrendos e surpreender o leitor com a crueldade humana, John Douglas se propõe a buscar motivos e razões para determinados comportamentos. Indo contra a maioria absoluta dos investigadores de seu tempo, ele acreditava que cada detalhe de uma cena do crime contava um pouco sobre como funciona a mente tanto de um assassino comum, quanto de um psicopata. Pioneiro, John Douglas se propõe a se colocar no lugar no assassino e a pensar como tal, característica muito abordada na adaptação feita pela Netflix. Ele também reflete sobre como essa proposta pode interferir em sua vida pessoal, na forma com que ele enxerga o mundo e as pessoas à sua volta. Afinal, após conviver com a morte em sua forma mais cruel deixa marcas até no mais preparado dos investigadores. 
É impressionante perceber como as cenas de um crime revelam tanto sobre a personalidade de um criminoso. John Douglas trabalha em cima dessa característica e exemplifica os mais diversos perfis de assassinos, desde os chamados organizados ao desorganizados, até os famosos e irreparáveis psicopatas. Após tantos exemplos e histórias relatadas em Mindhunter, o leitor se pega fazendo suposições a respeito dos criminosos e é impossível não tentar traçar um perfil antes de John Douglas apresentar o real culpado. É um exercício involuntário após algumas páginas de leitura e muito estimulante, especialmente para aqueles fascinados pelo assunto. 




“Tentamos desenvolver mecanismos de defesa para lidar com o que vemos no trabalho, mas podemos facilmente acabar parecendo uns filhos da puta frios e distantes. Desde que sua família esteja intacta e seu casamento esteja firme, você acaba conseguindo lidar com boa parte do que é obrigado a encarar no trabalho. Mas, quando há alguma fraqueza em casa, muitos estressores podem piorar os problemas, assim como acontece com as pessoas que perseguimos." p.367 


Mindhunter é um prato cheio para os fanáticos por histórias reais de serial killers. Com uma linguagem didática e descritiva, John Douglas e Mark Olshaker nos levam para dentro das da mente de alguns dos serial killers mais icônicos e perturbadores dos Estados Unidos. Uma leitura para arrepiar, informar e esclarecer como nenhuma outra do gênero. Um belo acerto, tanto o livro quanto a série televisiva. 

Se você gostou da resenha e quer conhecer mais um livro com essa temática, confira a resenha de Arquivos Serial Killers!

“Embora definitivamente existam coisas práticas que podem e devem ser feitas, acredito que a única maneira de resolvermos nosso problema de criminalidade é se uma quantidade suficiente de pessoas realmente quiser que isso aconteça. Não há problema algum em aumentar o número de policiais, tribuinais e presídios, e em melhorar técnicas investigativas, mas o único jeito de reduzir a criminalidade é se todos nós pararmos de aceitar e tolerar isso dentro de nossas famílias, entre nossos amigos e conhecidos. Essa é uma lição que devemos aprender de outros países com taxas muito mais baixas do que as nossas. Na minha opinião, só esse tipo de solução de base tem o poder de ser eficaz. O crime é um problema moral. Só pode ser solucionado em nível moral." p. 372




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07:39 1 comments

Serial killers sempre fizeram parte do imaginário popular, seja por causa da crueldade sem limites que caracteriza seus crimes ou sua falta de empatia para com qualquer pessoa. Faz tempo que sou fascinada por esses criminosos macabros, inteligentes e cruéis e estou constantemente tentando ampliar o espaço dedicado a eles na minha estante. Livros sobre serial killers nos ajudam a entender um pouco melhor essas pessoas e decidi reunir alguns ótimos exemplos para quem também gosta de se aventurar por esse universo literário.
São várias opções de livros sobre serial killers e dá até para fazer uma segunda parte desse post, então não se esqueça de deixar um comentário se você quiser mais algumas indicações arrepiantes ;)

MINDHUNTER - Mark Olshaker, John Douglas
Em detalhes assustadores, Mindhunter mostra os bastidores de alguns dos casos mais terríveis, fascinantes e desafiadores do FBI.
Durante as mais de duas décadas em que atuou no FBI, o agente especial John Douglas tornou-se uma figura lendária. Em uma época em que a expressão serial killer, assassino em série, nem existia, Douglas foi um oficial exemplar na aplicação da lei e na perseguição aos mais conhecidos e sádicos homicidas de nosso tempo. Como Jack Crawford em O Silêncio dos Inocentes, Douglas confrontou, entrevistou e estudou dezenas de serial killers e assassinos, incluindo Charles Manson, Ted Bundy e Ed Gein.
Com uma habilidade fantástica de se colocar no lugar tanto da vítima quando no do criminoso, Douglas analisa cada cena de crime, revivendo as ações de um e de outro, definindo seus perfis, descrevendo seus hábitos e, sobretudo, prevendo seus próximos passos.
Com a força de um thriller, ainda que terrivelmente verdadeiro, Mindhunter: o primeiro caçador de serial killers americano é um fascinante relato da vida de um agente especial do FBI e da mente dos mais perturbados assassinos em série que ele perseguiu. A história de Douglas serviu de inspiração para a série homônima da Netflix, que conta com a direção de David Fincher (Garota Exemplar e Clube da Luta) e Jonathan Groff, Holt McCallany e Anna Torv.

ARQUIVOS SERIAL KILLERS: MADE IN BRAZIL - Ilana Casoy
Após o sucesso do seu primeiro livro, Ilana Casoy dedicou-se a uma pesquisa rigorosa para investigar os serial killers brasileiros, no que viria a ser o primeiro livro do gênero dedicado aos assassinos em série do Brasil. Foram cinco anos de pesquisas, visitas a arquivos públicos, manicômios e penitenciárias, além de entrevistas cara a cara com personificações do mal em terras tupiniquins, para compor um inquietante roteiro com rigor investigativo de como, por quê e com que métodos os serial killers brasileiros atuam.
Em Made in Brazil, Casoy relata sete casos de serial killers brasileiros, três dos quais ela entrevistou pessoalmente: Marcelo Costa de Andrade, o vampiro de Niterói, um dos casos e depoimentos mais chocantes do currículo da autora; Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho; e Pedro Rodrigues Filho, o Pedrinho Matador. Um relato cruel feito pelos próprios assassinos, conduzido com maestria por quem entende do assunto, que procura guiar o leitor pela sinuosa mente de pessoas frias e com movimentos mais que premeditados para o mal. Além deles, a autora se debruça sobre a vida e os crimes de José Augusto do Amaral (Preto Amaral), Febronio Índio do Brasil, Benedito Moreira de Carvalho (Monstro de Guaianases) e José Paz Bezerra (Monstro do Morumbi).

ZODÍACO - Robert Graysmith
Aterrorizando a cidade de San Francisco desde 1968, o serial killer Zodíaco, em cartas cheias de escárnio enviadas aos jornais, escondia pistas sobre sua identidade e usava astuciosas mensagens criptografadas que desafiavam as maiores mentes decifradoras de código da CIA, do FBI e da NSA. Nessa época, o autor, Robert Graysmith, era o cartunista de política do maior jornal do norte da Califórnia, o San Francisco Chronicle, de forma que estava lá quando cada uma das cartas criptografadas, cada mensagem codificada, cada farrapo de roupa ensangüentada das vítimas chegou à redação. Esta é a história real de uma caçada que se estende por mais de duas décadas e que ainda persiste. Ao longo dos anos, apenas fragmentos das cartas do Zodíaco foram revelados pela polícia ou reproduzidos e reimpressos pelos jornais. Neste livro está cada palavra que o Zodíaco escreveu à polícia.

MANSON - Jeff Guinn
Manson não é simplesmente uma biografia de um assassino e um líder de culto. É uma história da cultura norte-americana da Grande Depressão no final do século XX. Um estudo fascinante da abuso de poder, ambição, avareza, celebriphilia (um desejo intenso e patológico para se relacionar com uma celebridade), controle mental, mesquinharia, narcóticos, racismo e sexo É a história dos ex-presidentes Richard Nixon e Lyndon Johnson, da cultura lisérgica e de uma nação em processo de degradação, de Martin Luther King, do Vietnã, do movimento ativista estudantil da nova esquerda Students for a Democratic Society, dos Panteras Negras.

SOCIAL KILLERS - RJ Parker, JJ Slate
Social Killers - Amigos Virtuais, Assassinos Reais é um livro assustadoramente verdadeiro. Seus autores, J. J. Slate e R. J. Parker, reúnem alguns dos casos mais angustiantes de criminosos que usaram as redes sociais para se aproximar de suas vítimas. Torturadores, stalkers, predadores sexuais, canibais, assassinos. A lista, infelizmente, não é pequena. E novas solicitações de amizade continuam chegando a cada dia.
Parker e Slate deixam claro que esse não é um fenômeno novo. Muito antes da internet, criminosos usavam classificados de jornal para descobrir e atrair suas presas. Mas o anonimato da web permite que cada vez mais lobos usem roupas de cordeiro nas suas fotos de perfil.
Mas existe luz no fim do túnel. Analisando mais de trinta casos famosos, os autores demonstram como as forças da lei estão usando, com sucesso, as novas ferramentas de comunicação para investigar e prender foras da lei e desmantelar quadrilhas. E ainda ensinam dicas de segurança. Social Killers – Amigos Virtuais, Assassinos Reais é um alerta para todos nós, que passamos tanto tempo conectados.

O que não falta é opção de livros sobre serial killers para colocar na lista de desejados, né? Deixe nos comentários se já posso fazer a segunda parte desse post e qual livro é uma leitura obrigatória sobre o tema!


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10:35 4 comments


O box Arquivos Serial Killers foi minha primeira aquisição da Darkside depois de muito tempo babando nas capas maravilhosas que a editora expõe nas prateleiras. Minhas primeiras leituras foram tudo o que eu esperava: eletrizantes, completas e incríveis. 

Ilana Casoy é autoridade no que diz respeito a mentes criminosas e resolução de crimes no Brasil. Para escrever seu primeiro livro, a escritora mergulhou em arquivos da polícia e da Justiça, do FBI e da Scotland Yard, além de ter feito extensas pesquisas em livros e artigos de jornais e revistas para compor um inquietante roteiro de como, por que razão e com que métodos os serial killers agem. Perturbador e por muitas vezes comovente, o relato de Casoy, escrito depois de rigorosa pesquisa em diversas fontes, nos apresenta histórias que nem a ficção e o cinema conseguiram imaginar.

Desde sempre me interessei por assuntos voltados aos famosos serial killers, sempre me interessei pela falta de empatia, por todo o mistério acerca da mente dos grandes psicopatas. O box parecia uma aquisição imperdível, e para quem é fã do tema, com toda certeza é essencial.
Ilana Casoy mostra, em cada parágrafo, porque é uma especialista e como é capaz de mergulhar na mente perturbada dos assassinos. Ao começo dos dois livros, Ilana explica de forma didática como a psicopatia é entendida por especialistas e procura deixar o leitor a par de tudo que será analisado, discutido e observado.
Dois livros compõe o box e decidi começar por Made in Brazil. 


Após o sucesso do seu primeiro livro, Ilana Casoy dedicou-se a uma pesquisa rigorosa para investigar os serial killers brasileiros, no que viria a ser o primeiro livro do gênero dedicado aos assassinos em série do Brasil. Foram cinco anos de pesquisas, visitas a arquivos públicos, manicômios e penitenciárias, além de entrevistas cara a cara com personificações do mal em terras tupiniquins, para compor um inquietante roteiro com rigor investigativo de como, por quê e com que métodos os serial killers brasileiros atuam. Em Made in Brazil, Casoy relata sete casos de serial killers brasileiros, três dos quais ela entrevistou pessoalmente: Marcelo Costa de Andrade, o vampiro de Niterói, um dos casos e depoimentos mais chocantes do currículo da autora; Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho; e Pedro Rodrigues Filho, o Pedrinho Matador”.

Por serem assassinos brasileiros, a leitura me chocou mais, mesmo que alguns dos crimes não fossem tão violentos ou animalescos como os de outros serial killers internacionais. O fato dos crimes terem acontecido muitas vezes em conhecidas cidades brasileiras dá uma sensação de proximidade aterrorizante. Ao contrário do livro Louco ou Cruel? da autora, em que são vários os assassinos retratados, Made in Brazil apresenta poucos, mas relatos extremamente detalhados e aprofundados.
Por ter tido contato direto com os assassinos, o relato se torna extremamente real e cruel. Ilana transcreve a entrevista com Marcelo Costa de Andrade com todas as suas palavras exatas e é bem perturbador. O assassino descreve cada um de seus crimes de forma detalhada e sem medir palavras, é como se nada daquilo o atingisse de forma alguma, como se ele estivesse descrevendo o que comeu no café da manhã. Além disso, Ilana teve acesso a fotos dos crimes e algumas delas compõem as páginas, deixando a leitura ainda mais completa e pesada. Made in Brazil não foi um livro fácil de digerir, não li com tanta rapidez como costumo ler outros livros. Foi uma leitura densa, não só pelo realismo daquilo que Ilana relata, mas pela reflexão dos pensamentos (ou possíveis pensamentos) dos assassinos. 


A primeira parte de Louco ou Cruel? aborda os serial killers sob diversos aspectos e à luz da Criminologia, do Direito, da Psiquiatria e da Psicologia, e dedica-se a dissecar este universo, analisando como tudo começa, quem são as vítimas, os aspectos gerais e psicológicos, os mitos e as crenças, o perfil do criminoso, a psicologia investigativa, a análise do local do crime e a encenação/organização da cena. Na segunda parte do livro, Casoy apresenta em detalhes 16 casos de serial killers que chocaram e marcaram o século XX, entre eles Albert Fish, Ed Gein, Ted Bundy, Andrei Chikatilo, Jeffrey Dahmer, Aileen Wuornos e o Zodíaco, cuja identidade segue desconhecida até hoje. Histórias que habitam as entranhas da humanidade e o que ela tem de pior: frieza, perversidade e falta de sensibilidade que acabam por produzir o mal em escalas inimagináveis.

Louco ou Cruel? foi um pouco mais fácil de ler, não porque os crimes foram “menos cruéis”, mas porque são relatos mais curtos devido à quantidade de assassinos e por já estar preparada para a leitura. Por me interessar muito pelo tema, sempre assisti a programas de investigação e alguns dos assassinos já me eram familiares. Nesse livro, Ilana não faz tantas análises aprofundadas a respeito da mente dos serial killers, até porque seu contato não foi direto, mas não deixa de escrever relatos detalhados e muito bem explicados. 


Ambos os livros foram escritos não apenas para esclarecer a respeito do tema, mas para saciar a curiosidade dos fãs e interessados pelo assunto. São dados estatísticos, entrevistas exclusivas com os "monstros" e várias curiosidades como, por exemplo, uma tabela com o número de assassinos seriais em vários países. Cada capítulo começa com uma frase dita pelo assassino em questão. Além disso, as fotografias deixam os relatos muito mais reais e palpáveis, as vítimas e assassinos ganham rostos e personalidades.
Os livros são extremamente bem escritos, gostei muito da forma com que Ilana escreve. É uma leitura fácil e muito didática. Não é um livro sádico, um livro perturbador, e sim esclarecedor e muito explicativo.
Também são livros muito bem feitos, dá pra perceber o trabalho e o acabamento. Esse é um detalhe que sempre me encantou muito nos livros da Darkside, todos os livros parecem ter sido feitos com muito carinho e de forma muito criativa. A diagramação, as ilustrações, fotos e composição dos relatos; tudo isso serviu para criar um livro visualmente bonito e atraente.
Se eu tivesse que escolher apenas um para ler, leria Louco ou Cruel? por ser uma coletânea mais vasta que Made in Brazil, mesmo que não tão detalhada. Nunca havia lido um livro da Ilana Casoy e com certeza lerei outros da autora, sua escrita me conquistou, além do tema extremamente interessante. Minha primeira leitura de um exemplar da Darkside foi tudo o que eu esperava e estou apaixonada pela editora, com certeza irei ler mais livros do selo e espero me surpreender cada vez mais.

O box Arquivos Serial Killers  foi escrito por Ilana Casoy e publicado pela editora Darkside.

            Classificação: 5/5 estrelas.

“Escrever um livro sobre casos reais e não uma ficção faz diferença no futuro de um escritor. A história de ficção está na imaginação, ela começa e termina quando é como você quiser. Durante o processo criativo não há limite, aí então você publica. Pronto! Trabalho encerrado. Se anos depois você ler e não gostar, paciência. Você pode dizer que mudou seu estilo, oitos podem chegar à mesma conclusão, mas a história ali contada não muda mais.
Relatar fatos reais muda tudo.
[...]
Houve muita reflexão sobre deixar ou não as fotografias dos assassinos, mas penso ser importante que todos percebam como é fácil um lobo se vestir em pele de cordeiro em uma cultura na qual o belo é bom e o feio é mau. Neste livro se vê que não é nada assim na vida real: o mais belo pode ser também o mais cruel. Seria maravilhoso que nossas crianças aprendessem isso.”


Gostou da resenha? Já leu o livro ou ficou com vontade de ler? Então não esqueça de deixar uma curtida ou um comentário ;)
09:02 1 comments
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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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