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Nostalgia Cinza




Quem acompanha o blog há algum tempinho com certeza já me viu falando sobre os livros de Liane Moriarty e hoje vou explicar o porquê de suas histórias serem assunto recorrente aqui no Nostalgia Cinza. Li o primeiro livro de Liane Moriarty em 2014 e desde então tenho a autora como uma das minhas favoritas. Ela é uma inspiração tanto para a leitora em mim que está sempre em busca de histórias bem trabalhadas e intrigantes, quanto para a escritora que sonho ser que admira enredos com um desenvolvimento perfeito a construção narrativa invejável. Quer saber os 5 motivos que tornam as histórias de Liane Moriarty tão boas? Confira:

Esse post faz parte da Semana especial Liane Moriarty, em parceria com a editora Intrínseca, para conferir os outros posts clique aqui.
 
1. As protagonistas são mulheres
É cada vez mais gratificante ver mulheres conquistando um merecido espaço na literatura e isso inclui as próprias páginas das histórias que lemos. Liane, além de ser uma escritora digna de todo o sucesso que está fazendo, cria personagens fortes e complexas, fazendo jus às mulheres que leem suas histórias e procuram na literatura uma forma de se sentirem representadas. Liane dá voz aos dilemas femininos contemporâneos que vão desde a vida profissional, a relação com os filhos, a busca pelo autoconhecimento e a vida a dois. 

Em suas histórias, Liane Moriarty tem o hábito de dividir a condução da narrativa em três núcleos diferentes, geralmente protagonizados por três protagonistas femininas. É nessa escolha narrativa que Liane dá voz a todos os tipos de personalidades, bagagens e ações. É fácil se identificar com suas personagens ou pelo menos reconhecer traços de alguém em suas páginas. Ela dá vida a mulheres fictícias de maneira primorosa e inspiradora para nós, mulheres reais. 

2.Suas obras estão sendo adaptadas para a televisão e cinema
Muita gente não sabia que Big Little Lies, uma das séries mais premiadas de 2017, era uma adaptação de um livro e que essa história foi criada por Liane Moriarty em Pequenas Grandes Mentiras. Quem lê os livros da autora costuma ter a impressão de que está assistindo uma trama se desenrolando perfeitamente diante dos olhos, por isso é tão fácil adaptar suas histórias. Liane trabalha seus personagens bem e descreve cenários e momentos de forma objetiva e clara, o que fez com que Big Little Lies fosse uma adaptação extremamente fiel ao livro. 

Além da segunda temporada garantida com a inclusão de ninguém menos que Meryl Streep ao elenco, O segredo do meu marido vai virar filme e conta com Blake Lively como protagonista! Já não bastasse, Reese Witherspoon, protagonista da adaptação da HBO, também adquiriu os direitos para a adaptação de Até que a culpa nos separe. Ou seja, ainda vamos ler, ver e ouvir muito falar de Liane Moriarty!

3. Liane trabalha as relações familiares e a vida doméstica
Os arcos centrais das histórias de Liane Moriarty envolvem as relações familiares em núcleos domésticos, o que faz com que seja quase impossível não  criar vínculos com os personagens e estabelecer relações de empatia em meio aos enredos aparentemente simples. 

Suas histórias abordam desde problemas conjugais e descobertas individuais até violência doméstica e bullying. Seus temas são universais e necessários e é difícil terminar um de seus livros sem algumas reflexões em mente.

4. Os personagens são trabalhados em profundidade
Liane Moriarty, a cada livro, prova que é capaz de tornar extraordinário o banal. É uma autora que vem mostrando que sabe, como ninguém, criar personagens complexos sem precisar inventar acontecimentos mirabolantes para torná-los interessantes. 

A autor sempre trabalha com mais de um personagem como foco da narrativa e isso enriquece ainda mais as suas histórias. O que para muitos escritores poderia ser um obstáculo, para Liane é algo trivial. Ela consegue trabalhar muitos protagonistas ao mesmo tempo sem empobrecer a história ou se perder em meio a tantos acontecimentos paralelos. 

Liane consegue criar histórias tão críveis que às vezes nos esquecemos que estamos lendo uma ficção e não a história de alguém de verdade, seus protagonistas são muito bem trabalhados e não perdem sua essência ao longo das histórias, muito pelo contrário. Liane consegue fazer o leitor crescer com os personagens e se aprofundar no mesmo ritmo de desenvolvimento da trama.  

5. Suas histórias são fáceis de ler
Liane Moriarty se tornou uma de minhas autoras favoritas devido à sua capacidade de escrever histórias redondinhas que não deixam nenhuma ponta solta. Suas narrativas são pensadas nos detalhes e cada diálogo, cada momento, cada interação nos leva para um ponto adiante da narrativa. Cada detalhe mencionado ao longo da história tem papel fundamental para a construção da narrativa que é concluída sem pontas soltas. Liane escreve livros que seguem bem seu objetivo e não ficam enrolando ou guardando elementos para uma possível continuação. São raros os momentos em que nos sentimos entediados ou desconectados com a leitura. Mesmo com livros maiores, passando as 400 páginas, Liane escreve enredos fáceis de ler, quase viciantes. 

As histórias de Liane Moriarty são perfeitas para ler em tardes tediosas de domingo ou em dias chuvosos em que só queremos nos distrair um pouquinho com histórias que poderiam muito bem ser as nossas. Liane é uma autora que me conquistou com seus personagens interessantes, enredos envolventes e intrigas emocionantes. 

E aí? Você já leu algum livro da Liane Moriarty ou tem vontade de ler? Qual? Me conta aqui nos comentários, vamos conversar!
14:12 23 comments

Liane Moriarty é um nome que vem se tornando recorrente aqui no blog. Tive meu primeiro contato com a escrita da autora em 2014, quando comecei a parceria com a editora Intrínseca e recebi de presente o livro "O segredo do meu marido". Desde então fiquei encantada pelas histórias de Liane, por sua escrita e por seus personagens. 

Moriarty já mostrou seu talento para criar narrativas complexas partindo das situações mais banais tendo um de seus livros adaptado para a televisão. Não à toa Big Little Lies foi uma das séries mais premiadas de 2017, os personagens profundos de Liane e suas relações familiares deram peso para um enredo que tinha tudo para parecer comum. 

Com suas narrativas detalhadas, Liane se mostra como uma autora inteligente e criativa, que sabe como ninguém criar enredos interessantes e desdobramentos envolventes. Ela trabalha conflitos familiares, crises de idade, reviravoltas pessoais e amadurecimento individual de formas complexas e perfeitamente críveis. Nunca o banal pareceu tão interessante. 

Separei os quatro livros que li da autora publicados aqui no Brasil pela Intrínseca para que vocês possam conhecer sua escrita e mergulhar em suas tramas cativantes. Escolha um título e se delicie com Liane Moriarty. 

O SEGREDO DO MEU MARIDO 

O que você faria se seu marido tivesse lhe escrito uma carta que só poderia ser aberta depois que ele morresse?  Cecilia se vê diante desse dilema e precisa decidir entre continuar vivendo sua vida perfeita ou permitir que um segredo mude tudo o que ela construiu para si e destrua a vida de outras pessoas, incluindo Rachel e Tess.

"Emocionante, O segredo do meu marido é um livro que nos convida a refletir até onde conhecemos nossos companheiros - e, em última instância, a nós mesmos."



PEQUENAS GRANDES MENTIRAS


"Em meio a um encontro de pais vestidos de Audrey Hepburn e Elvis Presley, alguém morre e, dentre os suspeitos, temos três mulheres: Madeline, Celeste e Jane, amigas que não poderiam ser mais diferente. As relações familiares são a base para essa trama extremamente envolvente, capaz de prender o leitor do começo ao fim.

"Ao colocar em cena ex-maridos e segundas esposas, mãe e filhas, violência e escândalos familiares, Liane Moriarty escreveu um livro viciante, inteligente e bem-humorado, com observações perspicazes sobre a natureza humana."




ATÉ QUE A CULPA NOS SEPARE


Um acontecimento horrível mudou de forma irreversível a vida de três mulheres e seus maridos: Erika e Oliver, Clementine e Sam, Tiffany e Vid. Liane Moriarty constrói um enredo em volta de um mesmo acontecimento com consequências complexas e pessoais para cada um dos envolvidos e seus respectivos casamentos.

"Em Até Que a Culpa Nos Separe, Liane Moriarty mostra como a culpa é capaz de expor as fragilidades que existem mesmo nos relacionamentos estáveis, como as palavras podem ser mais poderosas que as ações e como dificilmente percebemos, antes que seja tarde demais, que nossa vida comum era, na realidade, extraordinária."



O QUE ALICE ESQUECEU


Quem você era há dez anos? E quem é agora? É isso que Alice Love precisa descobrir após um acidente que apagou suas lembranças dos últimos dez anos. Agora ela precisa tentar entender quem se tornou e quem é de verdade enquanto luta para conhecer seus filhos e reconquistar aqueles que perdeu com o tempo.

"Ao retratar a vida doméstica moderna provocando no leitor muitas risadas e surpresas, Liane Moriarty constrói uma narrativa ao mesmo tempo ágil e leve sobre recomeços, o que queremos lembrar e o que nos esforçamos para esquecer."



Você já leu algum dos livros de Liane Moriarty? Qual tem vontade de conhecer? Deixe um comentário contando suas impressões sobre os livros da autora, vamos conversar <3
05:38 2 comments

Quem você era há dez anos? E quem é agora?

Desde que li O segredo do meu marido, fiquei encantada com a escrita de Liane Moriarty e sua escolha por narrativas envolvendo dramas familiares. A autora é mestre em criar um ambiente repleto de conflitos cotidianos extremamente críveis e envolventes e em O que Alice esqueceu Liane nos presenteia com uma narrativa deliciosa de uma mulher que é obrigada a descobrir quem se tornou e quem ela realmente é. Um dos meus favoritos de Liane Moriarty, O que Alice esqueceu é um livro envolvente, fácil de ler e com uma narrativa impecável.

Quer saber por que você precisa ler O que Alice esqueceu? Então confira a resenha:

"Alice tinha certeza de que era feliz: aos 29 anos, casada com Nick, um marido lindo e amoroso, aguardando o nascimento do primeiro filho rodeada pela linda família formada por sua irmã, a mãe atenciosa e a avó. Mas tudo parece ir por água abaixo quando ela acorda no chão da academia... dez anos depois!
Enquanto tenta descobrir o que aconteceu nesse período, Alice percebe que se tornou alguém muito diferente: uma pessoa que não tem quase nada em comum com quem ela era na juventude e, pior, de quem ela não gosta nem um pouco.
Ao retratar a vida doméstica moderna provocando no leitor muitas risadas e surpresas, Liane Moriarty constrói uma narrativa ao mesmo tempo ágil e leve sobre recomeços, o que queremos lembrar e o que nos esforçamos para esquecer."



FICHA TÉCNICA

Título: O que Alice esqueceu
Autora: Liane Moriarty
Ano: 2018
Páginas: 416
Idioma: Português
Editora: Intrínseca
Nota: 4,5/5
Compre: Amazon 
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LIVRO CEDIDO EM PARCERIA COM A EDITORA



O que Alice esqueceu já começa com o acidente que faz a protagonista perder suas lembranças dos últimos dez anos. Em 1998 Alice estava casada e grávida de seu primeiro filho e tinha toda a inocência e felicidade de uma jovem que tem uma vida toda pela frente. Em 2008 Alice se vê quase divorciada, com três filhos e percebe que se tornou alguém infeliz, estressada e incompreensível, como se tudo o que imaginava para si tivesse terminado de um jeito abrupto e trágico. O problema é que ela não se lembra dos últimos dez anos e não faz a menor ideia do que aconteceu para que a Alice de 1998 se tornasse a de 2008. Sem memórias e vendo tudo aquilo que ela considerava sólido derretendo em suas mãos, ela precisa se esforçar para reconquistar sua vida e quem ela acredita ser.

O que Alice esqueceu, a princípio, nos faz ficar curiosos para saber o que aconteceu com a protagonista, ficamos curiosos para entender quem são os personagens que se apresentam ao longo do livro e ficamos tão angustiados quanto Alice ao perceber que existem segredos sendo guardados pelas pessoas que ela mais ama. Mas à medida que a história se desenvolve, é mais fácil sentir empatia pela protagonista. O maior dilema deixa de ser descobrir seu passado e passa a ser desvendar o que será de seu futuro. Alice é uma mulher que se vê perdida a níveis bem mais profundos do que sua falta de memória aparenta. Ela percebe que se tornou alguém irreconhecível para si mesma e isso nos faz pensar sobre nossas próprias escolhas e nossas expectativas para o futuro. O que Alice esqueceu é uma narrativa que fala diretamente com o leitor, o livro propõe um diálogo inconsciente e direto que nos prende até a última página.

"- Quantos anos você tem, Alice?
- Vinte e nova, Jane - respondeu ela, irritada com o tom dramático da outra sem entender aonde queria chegar. - A mesma idade que você.
Jane se afastou, olhou para George Clooney com uma expressão triunfante e disse:
- Acabei de receber o convite da festa de quarenta anos dela.
Este foi o dia em que Alice Mary Love foi à academia e, num descuido, perdeu uma década de vida."



Liane Moriarty tem o hábito de dividir a condução da narrativa em 3 núcleos diferentes, geralmente 3 protagonistas femininas. Enquanto em Pequenas grandes mentiras e Até que a culpa nos separe ela fez isso na forma de narrativa em primeira pessoa com três protagonistas diferentes, em O que Alice esqueceu ela escolhe uma estratégia diferente para fazer a mesma coisa. A narrativa se alterna entre uma narração em terceira pessoa com Alice como foco; em primeira pessoa com Elisabeth, irmã de Alice, narrando em primeira pessoa escrevendo uma espécie de diário para seu terapeuta; e Frannie, avó das duas, escrevendo em primeira pessoa em seu blog pessoal conversando com seus leitores e respondendo seus comentários.

Em narrativas anteriores como em Até que a culpa nos separe, Liane consegue mesclar de forma primorosa as três protagonistas de maneiras inesperadas. Em O que Alice esqueceu fiquei esperando que o mesmo acontecesse e, apesar de as três estarem ligadas pelo fato de serem da mesma família, fiquei esperando que algum acontecimento surpreendente que unisse as narrativas, mas não aconteceu. Ao invés de mesclar as visões em uma mesma história ou em volta de um mesmo acontecimento, Liane apresenta três mulheres completamente diferentes, seja pela idade, seja pelo momento de suas vidas, e trabalha seus núcleos praticamente de forma independente do começo ao fim.


"Ela respirou fundo, tremendo.
Aquilo era algo temporário. Logo mais, sua memória ia voltar e a vida ia continuar normal.
Mas será que ela queria recuperar a memória? Será que queria se lembrar de tudo? O que queria mesmo era pular numa máquina do tempo e voltar para 1998."

Liane Moriarty provou mais uma vez que é capaz de tornar extraordinário o banal. É uma autora que vem mostrando que sabe, como ninguém, criar personagens complexos sem precisar inventar acontecimentos mirabolantes para torná-los interessantes. Liane consegue criar histórias tão críveis que às vezes nos esquecemos que estamos lendo uma ficção e não a história de alguém de verdade.

Não sei se foi a perfeição com que Pequenas grandes mentiras foi adaptada para a televisão, mas ao longo de toda a leitura eu pude imaginar com facilidade um longa-metragem do livro. Ao mesmo tempo, é um daqueles livros para devorar em um final de semana debaixo das cobertas e com uma boa caneca de chá ao alcance das mãos.

O livro engana pelo tamanho, apesar das 416 páginas envoltas de dramas familiares parecem densas e preguiçosas, O que Alice esqueceu traz uma leitura extremamente fluida e gostosa. Liane consegue criar personagens tão críveis e nos transportar para situações tão reais que é impossível se sentir entediado enquanto lemos o livro, é como se fôssemos convidados a espiar de camarote a vida de pessoas normais se desenrolando na nossa frente.


No começo a escrita parece confusa, a narrativa mescla presente, passado e sonhos e é difícil diferenciar o que é real. Liane consegue nos colocar na pele de Alice e, ao mesmo tempo em que tudo se torna mais claro para a protagonista ao longo do livro, a leitura também se torna mais fácil. É quase como se fôssemos convidados para passar pelos mesmos processos de Alice e nos encontrar junto com ela.

A Intrínseca relança essa história de Liane Moriarty com uma edição simples, mas linda. A capa representa bem a efemeridade, elemento que chama bastante a atenção nas reflexões de Alice ao longo de toda a narrativa. Além disso, a capa combina bem com as outras edições da editora das histórias de Liane e gosto bastante da escolha da fonte e da diagramação agradável aos olhos.

O que Alice esqueceu traz uma história que nos faz refletir sobre como pequenas escolhas podem mudar nosso futuro, como simples gestos e palavras não ditas podem representar um divisor de águas difícil de recuperar. Alice percebe que poderia ter tido uma vida completamente diferente se tivesse feito ou falado uma ou outra coisa diferente em determinado momento. Ela tem a sorte de poder olhar para o seu presente com os olhos de quem era no passado. O que Alice esqueceu é uma leitura deliciosa, fácil de se envolver e surpreendente nos detalhes. Liane prova porque é uma das melhores autoras da atualidade e porque suas histórias são leituras essenciais na estante.

Gostou da resenha e quer conhecer outro livro incrível de Liane Moriarty? Então leia a resenha de Pequenas grandes mentiras!


"Se fosse 2008, Passinha tinha nove anos. Era muito maior que uma uva-passa. Teria progredido de passa para uva, depois para pêssego, para bola de tênis e para... bebê.
Alice sentiu uma risada imprópria presa na garganta.
Seu bebê tinha nove anos."


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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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