Me diz que
aquilo não significou nada pra você. Me diz que cada sorriso que você roubou
dos meus lábios não foi intencional. Me diz que cada vez que você me tocava e
me puxava pra si não era pra valer. Me diz que todas aquelas conversas sobre a
vida, sobre você e sobre o mundo não foram de verdade. Me diz que você fala
desse jeito com todo mundo. Por favor, me diz que você olha nos olhos de todo
mundo da mesma maneira que olhou nos meus. Eu não consigo acreditar que tenha
sido tão fácil assim pra você se despedir de algo tão bom... Foi bom, não foi?
Talvez eu esteja enganada. Acontece às vezes.
Sabe, eu tenho
essa coisa de sentir mais que a maioria. Ah, espera, você sabe disso. Você
soube, mas talvez tenha esquecido. Quem sabe? Talvez esse meu jeito tenha feito
com que eu imaginasse coisas, intensificasse sentimentos, idealizasse motivos.
Pode ser.
Me diz que eu
exagerei, que eu senti mais do que devia e que não passo de uma tola inocente
demais pra você. Me diz que você não sentiu algo diferente por mim, me diz que
nada daquilo aconteceu.
Dois estranhos descobriram
que já se conheciam mesmo que não soubessem. Parece mágico e, de certa maneira,
penso que foi. Eu achei que tínhamos tido a despedida perfeita, mas acho que na
verdade eu não queria me despedir. Não porque eu te deixaria, afinal, você não
era alguém pra eu deixar pra trás. Não estávamos nem remotamente perto disso.
Mas porque indo embora eu estaria me despedindo de uma parte de mim mesma. E eu
não estava preparada pra me despedir dela. Pelo menos não ainda.
Me diz que você
já sentiu isso por outra pessoa. Muitas outras pessoas. Me diz que não pareceu
tão certo pra você quanto pareceu pra mim. Me diz que você se interessa facilmente,
me diz que eu não tenho nada de mais. Não sei o que você me mostrou quando
entrou tão de repente na minha vida naquela manhã, só sei que eu quis mais.
Quis ver mais, saber mais. Sentir mais. Sentir. Fazia tempo que eu não sentia
alguma coisa além de não sentir. Faz sentido?
Me diz que
aquele jeito carinhoso de tocar meu rosto é algo banal pra você. Me diz que
aquele risinho provocador era de deboche. Me diz que sua mente não estava quase
que cem por cento comigo, com a gente, naqueles momentos. Me diz que você já
sentiu tanto em tão pouco tempo. Porque eu nunca senti. Me diz que aquilo tudo
já era corriqueiro pra você. Porque pra mim não era. Me diz que você já estava
acostumado com todas aquelas conversas, pensamentos e olhares cruzados. Porque
pra mim foi tudo absurdamente novo. Ridiculamente novo.
Me diz que você
costuma roubar beijos alheios, tocar bocas estranhas da mesma maneira com que
você beijou meus lábios. Me diz que você abraça outras da mesma maneira com que
me espremeu conta seu peito. Me diz que você é alguém naturalmente carinhoso,
que a minha pessoa não teve nada a ver com o seu afeto. Me diz que sou uma
idiota por sentir tanto, uma inocente por pensar demais e uma tola por querer
respostas.
Me diz... Não
sei o que, só me diz. Me diz qualquer coisa porque eu não faço mais ideia do
que pedir. Do que falar. Do que pensar. Do que sentir. Não quero mais imaginar
cenários, inventar desculpas. Não quero mais tentar entender, não quero buscar
respostas para algo que talvez simplesmente não tenha motivo algum. Só me diz
alguma coisa porque esse silêncio descabido não é pra mim.
*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente.
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