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Nostalgia Cinza

 


Em meio a mais um novo formato, o mercado editorial encontra maneiras de levar histórias para os leitores com os mais diversos perfis. Lá fora os audiobooks já representam uma parcela significativa do crescimento das editoras gringas e esses livros são responsáveis pelo brilho nos olhos de muitos profissionais do livro. 

Em uma série de posts exclusiva do Nostalgia Cinza, comecei a falar sobre os audiobooks no Brasil e conversar com quem está sendo responsável por trazer esse novo formato para os leitores brasileiros. No primeiro post da série conversei com a Danielle Machado, responsável pela produção dos audiolivros pela editora Intrínseca e, no segundo, com Claudio Gandelman, CEO da Auti Books. 

Neste post decidi trazer alguns sites para ouvir e comprar audiobooks para quem tiver interesse em começar a mergulhar nesse formato. 


AUDIBLE

Um serviço criado pela Amazon, a Audible é a maior e mais conhecida plataforma de leitura de audiobooks. Como lá fora os livros já estão sendo lançados simultaneamente nos formatos físico, digital e áudio, é uma boa forma de ficar por dentro das novidades que ainda não chegaram por aqui. Mas como é em dólar, é um investimento. A mensalidade é $14.95

SITE: audible.com/


AUDIBLE BR

A Audible também tem seu site em português, com livros exclusivos publicados no nosso idioma. O preço da assinatura é o mesmo da versão americana e você pode ter acesso aos dois catálogos. 

SITE: audible.com/ep/portugues


SCRIBD

A plataforma oferece livros e audiobooks ilimitados por uma mensalidade de R$ 27,99 por mês. O site tem sua versão brasileira com vários títulos publicados em português.

SITE: pt.scribd.com/


AUTIBOOKS

A AutiBooks é uma das principais plataformas de venda de audiolivros no Brasil. Com títulos exclusivamente em português, você encontra principalmente livros de editoras como Intrínseca, Sextante e Record. A assinatura mensal é de R$19,90. 

SITE: autibooks.com/


UBOOK

A Ubook também é uma das principais plataformas de venda de audiobooks no país. Tem um catálogo vasto com títulos de editoras como Planeta de Livros, Leya e títulos exclusivos. A assinatura mensal é de R$16,90. 

SITE: www.ubook.com/


*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente Photo by Lena Kudryavtseva on Unsplash

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04:09 1 comments

Há algumas semanas fiz a seguinte pergunta: Você já pensou em ouvir um livro? No início de fevereiro começamos uma série de posts sobre os audiobooks no Brasil. Danielle Machado, responsável pela produção dos audiolivros da editora Intrínseca, falou um pouco sobre o engatinhar do mercado editorial brasileiro em relação aos audiolivros, compartilhou histórias dos bastidores e falou um pouco sobre a Auti Books, uma das principais plataformas de venda de audiolivros no Brasil.

Em meio a mais um novo formato, o mercado editorial encontra maneiras de levar histórias para os leitores com os mais diversos perfis. Nascida da ideia de que cada vez mais os conteúdos, e principalmente os livros, podem ser consumidos em formatos diversos, além do papel, a Auti Books permite aos usuários “saborear” aventuras, mistérios, romances e muitos outros temas por meio do som, com audiobooks. Dessa forma, é possível ter acesso a cultura, sonhos, viagens e muito mais, não só nos momentos tradicionais de leitura, mas também durante um deslocamento, seja no transporte público ou particular, executando tarefas do dia a dia, fazendo esportes ou mesmo durante a utilização de redes sociais. A Auti Books disponibiliza títulos de todos os gêneros, incluindo grandes sucessos de venda, visando levar entretenimento e aprendizado para toda a população brasileira.

O catálogo da Autibooks estreou em junho de 2019 com cerca de 100 títulos, em diferentes segmentos, como ficção, negócios, comportamento, espiritualidade, política e autoajuda. Atualmente, a plataforma conta com mais de 460 títulos e a previsão é de mais de 1.500 até o final do ano. Em 7 meses de atividades, a empresa já comercializou mais de 40 mil audiobooks.

No segundo post da série Os audiobooks no Brasil, conversei com Claudio Gandelman, CEO da Auti Books a respeito da plataforma, sobre o atual cenário dos audiolivros no país e perspectivas para o futuro desse formato. Puxa uma cadeira e confira essa conversa!

Como funciona o modelo de produção e publicação dos audiobooks no Brasil? Ele se difere, de alguma forma, do modelo americano e britânico?
O modelo de gravação dos audiobooks é similar ao modelo de outros países. Para um audiobook de aproximadamente 300 páginas, são necessárias aproximadamente 25 horas de estúdio. Um narrador grava, em média, de três a quatro horas por dia, no máximo. Mais do que isso, pode ocorrer cansaço excessivo na voz prejudicando e alterando a narração.

Segundo a Nielsen, para o mercado britânico, 40% das pessoas que escutam pelo menos um audiobook por mês, atualmente, descobriram o áudio nos últimos 2 anos, o que mostra um mercado em ascensão. Como isso se reflete no Brasil?
O mercado brasileiro ainda é muito imaturo em relação aos audiobooks. O ano de 2019 foi muito marcante com a entrada de novas plataformas, especialmente a Auti Books, lançada há alguns meses. Entretanto, quando se pergunta para o grande público se conhecem audiobooks, existe uma parcela pequena da população que já teve acesso ao produto e a informação. Por outro lado, há um público potencial muito maior do que o de leitores de livros físicos ou ebooks, em função da capacidade cognitiva de leitura da população brasileira.

O mercado de audiobooks é a área que cresce mais rápido dentro do mercado editorial estrangeiro, há alguns anos. Por que agora grandes players estão chegando ao Brasil e as editoras estão investindo nessa área?
Apesar de existir 210 milhões de brasileiros, somos 60 milhões de consumidores com potencial de comprar um audiobook. Diferentemente do inglês ou do espanhol que, apesar de sotaques diferentes, podem ser consumidos em diversos países, o português do Brasil e de Portugal, Moçambique, Angola e afins são extremamente diferentes.
Ao mesmo tempo, o potencial de mercado comparado aos livros físicos é maior e isso vem atraindo vários players para o mercado nacional. Além disso, com a propagação dos smartphones, mais de um por habitante, é natural que isso chame a atenção para essa nova forma de consumo de literatura, algo já habitual há mais de 50 anos tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.

Segundo a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, mais da metade dos leitores brasileiros são mulheres. Entretanto, segundo relatório divulgado pela Auti Books, 63% dos usuários são homens da plataforma são homens. Por que existe essa diferenciação nesse caso?
A verdade é que ainda não temos essa resposta. Como o mercado ainda está nascendo, pode ser que os homens em geral sejam mais ativos no lançamento de novidades tecnológicas, mas ainda é muito cedo para ter uma visão mais ampla. De qualquer forma, o importante para nós é atender a todos os consumidores, gêneros, idade, crença ou qualquer outra diferenciação.

A Auti Books surgiu de uma parceria entre gigantes do mercado editorial brasileiro: Sextante, Intrínseca e Record. Por que unir forças para lançar uma plataforma de audiobooks brasileira? 
É natural que as grandes editoras se juntem para explorar um mercado que ainda não tem um formato de venda definido. Os players existentes apresentam um modelo de comercialização que, no longo prazo, é bastante nocivo para toda a indústria e de difícil mensuração, que é o pagamento de pay by play, onde só se remunera determinado audiobook depois de 20% de consumo. Mesmo assim, com alto grau de dificuldade no acompanhamento no consumo.
Nada mais natural que a Intrínseca, Sextante e o Grupo Record se juntarem com a Bronze Ventures em um modelo saudável para todos os atores da indústria. Não só as próprias editoras, mas também os autores, agentes e, acima de tudo, os consumidores, que terão sempre os melhores títulos, tanto campeões de venda quanto grandes clássicos.

A Auti Books contava com vendas de audiobooks à la carte. Agora foi implementado um plano de assinaturas. Como funciona?
Agora, além do sistema tradicional (no qual o consumidor escolhe e paga individualmente por cada obra), será possível fazer uma assinatura mensal pelo programa Auti Best, e ouvir qualquer um dos títulos disponíveis por R$ 19,90, independentemente do valor unitário. Mais de 80% dos mais de 460 audiolivros disponíveis no catálogo poderão ser selecionadas pelos assinantes dessa modalidade.

A Amazon estreou, no final do ano passado, o Amazon Prime no Brasil. Você acredita que a Audible também chegará ao mercado brasileiro em um futuro próximo? Como competir com esses players?
Imagino que a Audible deverá vir para o mercado brasileiro, mas fora o mercado americano a Audible, em todos os outros mercados, está competindo de igual para igual com os players locais. Em alguns campos, como nos países escandinavos e na Alemanha, enfrentando alguma dificuldade. Quando eles vierem para o Brasil, tenho certeza que só teremos um fortalecimento da indústria de audiobooks.

O que o mercado brasileiro de audiobooks pode aprender com o mercado estrangeiro?
Ainda temos muito a aprender, o mercado estrangeiro tem mais de 50 anos de experiência, mas estamos sugando tudo o que podemos.

Já existem estatísticas a respeito do consumo de audiolivros no mercado brasileiro?
Ainda temos um mercado muito novo, qualquer tendência que seja antecipada agora seria muito prematura. Hoje existe uma queda pelos audiobooks de autoajuda e negócios, mas isso deve se alterar muito em um curto período.

Você acredita que o consumo de audiobooks pode incentivar a leitura de livros físicos ou são modelos paralelos?
Tenho certeza que teremos um auxílio dos audiobooks no hábito da leitura, especialmente entre os jovens que leem cada vez menos e não praticam a leitura arraigado. O audiobook pode ser uma excelente porta de entrada para futuros leitores.

Um leitor deve optar por um audiobook ao invés do tradicional contato com a palavra escrita?
Na verdade, não deve, acredito plenamente que todos as formas de consumo de educação e cultura através da literatura são maravilhosas. Seja através de audiobooks, livros físicos, e-books ou qualquer outra forma que porventura venha a ser criada é super válida.
Obviamente que gostaria muito de ver um mercado pujante de audiobooks, mas isso leva tempo e é necessário aculturar as pessoas. Mas posso afirmar que não são excludentes e a grande vantagem do audiobook é que o mesmo pode ser consumido em qualquer lugar e a qualquer hora.


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05:14 1 comments


Você já pensou em ouvir um livro? Em meio a mais um novo formato, o mercado editorial encontra maneiras de levar histórias para os leitores com os mais diversos perfis. Lá fora os audiobooks já representam uma parcela significativa do crescimento das editoras gringas e esses livros são responsáveis pelo brilho nos olhos de muitos profissionais do livro. Além de representarem um fôlego novo para o mercado editorial, os audiobooks estão chegando a públicos e leitores que os livros físicos e digitais acabam não alcançando.

Em 2016, foram vendidos 90 milhões de audiobooks nos Estados Unidos. Só em 2017, a venda de audiolivros nos Estados Unidos representou 10% das vendas totais de livros no país. Em 2018 e 2019, enquanto as vendas de livros físicos caíam pela primeira vez em anos nos Estados Unidos e na Inglaterra, o mercado assistia ao crescimento contínuo dos audiobooks. Resumindo: os audiobooks vieram para ficar e o mercado editorial brasileiro está começando a surfar nessa onda.

Praticidade para consumir, inovação em formatos, alcance de novos públicos, narrações feitas por celebridades. Esses são alguns dos vários motivos que fazem com que as obras narradas ganhem cada vez mais espaço nas editoras e no mercado.

Em uma série de posts exclusiva do Nostalgia Cinza, vamos falar sobre os audiobooks no Brasil e conversar com quem está sendo responsável por trazer esse novo formato para os leitores brasileiros. Na estreia dessa série, conversei com Danielle Machado, responsável pela produção dos audiolivros pela editora Intrínseca. Empolgada com as possibilidades do novo formato e ajudando a montar um catálogo promissor, Danielle falou um pouco sobre o processo de produção dos audiolivros na Intrínseca e seus bastidores. Puxe uma cadeira e confira a entrevista completa!

Você poderia explicar um pouquinho, para quem ainda não está familiarizado, como funciona a produção de um audiobook? A Intrínseca é responsável pela produção ou a Autibooks se encarrega dessa parte?
A Autibooks é uma plataforma de venda, eles não participam dessa produção. Diferente de outras plataformas como a Ubook e a Storytell que têm produção própria, a Auti não trabalha assim. Aqui [na Intrínseca] selecionamos a lista de livros que queremos produzir em audiolivro e, com essa lista selecionada, fomos correndo atrás e aprendendo a fazer. É um tipo de produção que ninguém ainda tem um know-how muito expandido, as pessoas ainda estão ensaiando, ainda existem muitas possibilidades para serem exploradas no produto em si. Então todo mundo está aprendendo e se aprimorando e estamos [Intrínseca] nesse bolo também. Começando a fazer, testando como fica melhor, como é mais rápido, quais adaptações precisamos fazer, que tipo de colaborador trabalha melhor com esse tipo de projeto. Está bem interessante, mas é um garimpo ainda.

Lá fora, editoras como a Penguin, por exemplo, investem em atores famosos para ler os livros. É algo que vocês pensam em fazer também?
A gente pensa sim. Quando vamos planejar um catálogo, a gente acaba ponderando os ônus e bônus das escolhas. Começamos a trabalhar mais nisso em 2019, no primeiro trimestre, e a prioridade era entender como fazia, que atores estariam envolvidos no projeto. Temos o estúdio, os técnicos, narrador, direção, temos a pessoa responsável por trazer um olhar editorial pensando no audiolivro para soluções de texto que não vou funcionar quando lidas etc. Existem revisões que são feitas depois do processo, e demoramos um tempo para entender qual a maneira de fazê-las e inserir as correções de uma maneira que fique segura, que a gente tenha um áudio que possamos confiar depois. A prioridade no começo era essa. A gente ainda não conseguiu produzir com uma dianteira suficiente para tentar projetos maiores, então agora estamos começando a fazer isso. A primeira fase do trabalho foi entender como funcionava. Mas existem alguns audiolivros e já havia alguns lidos por atores que funcionaram muito bem. Tenho na minha lembrança um audiolivro antes de termos tantas lojas que era uma biografia do Tim Maia lida pelo Nelson Mota, acho emblemático para todo mundo que em algum momento do passado leu um audiolivro e era fenomenal. A produção no Brasil está engatinhando bem. 

A título de curiosidade, qual foi o primeiro livro escolhido pela Intrínseca para virar um audiobook?
A gente montou um listão e começou a estudar como fazê-los, mas olhamos primeiro para os clássicos da Intrínseca. A gente, por exemplo, começou a produzir A Menina que Roubava Livros logo no começo e demorou, enfim, quase um ano, estamos finalizando agora para lançarmos em 2020. Deu bastante trabalho. A gente também pensou logo no Stephen Hawking. Ele estava lançando a biografia, a gente tinha lançado seu livro de memórias e pensamentos, que publicamos logo na ocasião de sua morte, foi um que entrou logo na lista. A gente gravou com o Vinícius [Dônola] que é um jornalista maravilhoso que estava lançando a biografia dele aqui com a gente também. Diz-se que os livros que mais funcionam nos audiolivros, e acho que isso está se provando verdade, são os livros de não ficção e desenvolvimento pessoal e a gente também colocou logo A sutil arte de ligar o fod*-se. Foi um que produzimos logo no início também. Estamos cuidando para tentar montar uma lista equilibrada, pensando que o público vai se diversificar com o tempo. Então a gente tem selecionado tanto não ficção, que é o que realmente mais gira, que tem mais procura, quanto ficção. A gente colocou Caixa de Pássaros, O Homem de Giz, que são sucessos aqui da editora. E cada um é diferente.

Como foi o processo de unir forças para criar a Autibooks? 
A Autibooks é uma loja que surgiu de uma sociedade entre um investidor de tecnologia e as editoras Intrínseca, Sextante e Record. Então nossos audiolivros são comercializados exclusivamente, atualmente, na Autibooks. Começou como um consórcio de aprendizado, então a partir das três editoras, sendo a Sextante com o maior número de audiolivros produzidos na loja, a Record em segundo e a gente, Intrínseca, tá um pouco com um catálogo um pouco menor, mas todos correndo atrás de aprender e entender. Está sendo muito divertido.

Por que surgiu a ideia de unir forças entre os grupos editoriais?
Quando a venda de ebooks, por exemplo, ainda estava engatinhando, algumas editoras se reuniram para fundar uma distribuidora também, que fizesse frente com mais atores combinados a negociar com as grandes varejistas como a Amazon e essas lojas maiores. Acho que o grupo que fundou a Auti pensa também na mesma direção. O mercado de audiolivros ainda está engatinhando aqui no Brasil, ainda estamos começando e começar juntos dá um pouco mais de poder de organização, de negociação, então acho que a direção é essa, juntos formarem um bloco que ajuda a estabelecer melhor o mercado.

Em Setembro e Outubro de 2019 estive na Inglaterra, em Oxford, cursando o Columbia Publishing Course e era quase unanimidade que todos os profissionais falavam sobre os audiobooks e seu crescimento. O mesmo está acontecendo em feiras literárias. Lá fora todo mundo está empolgado por estar vivendo um boom, por estar em uma crescente e gostaria de perguntar se você acha que, aqui no Brasil, que agora está engatinhando, seria uma estratégia para diminuir os impactos da crise ou se seria nessa mesma linha que vem sendo seguida lá fora, de diversificar formatos, tentar alcançar um público diferente?
A crise aqui é conjuntural, ela não é permanente. Então podemos ser pragmáticos ao dizer que tem aí um mercado, um mercado com bastante potencial se considerarmos os aparelhos que estão na mão de todo mundo e que vão levar esse conteúdo para as pessoas. Então tem aí um canal, eu diria que é um mercado no qual as pessoas se familiarizam. É mais fácil para as pessoas ouvirem um audiolivro no celular, que é algo que todos tem, do que lerem um livro digital, por exemplo. Acho que não dá para ignorar o potencial desse mercado e que é um potencial que tem se realizado em outros países com mercado cultural de livros mais maduro. Sendo pragmática, é uma coisa que ninguém podia deixar de fazer, então todo mundo embarca nessa. A questão da crise é conjuntural e ela responde a diversos fatores que não são só do nosso mercado. Temos problemas no varejo de livros, principalmente livros físicos, a gente tem problemas no Brasil, temos problemas no mundo, então é muito conjuntural. Então deixando de lado esse fator, sendo pragmática, não dá para não fazer como quando se vislumbrou o mercado de livros digitais. A gente naturalmente embarcou. O de audiolivros é a mesma coisa. É uma questão de tempo, quando a gente não começa a fazer, o mercado amadurece e ter uma lista, um catálogo de produtos, é super importante. Acho que com a disponibilidade de mais produtos, de mais catálogo, e de mais players vendendo também, acho que a gente expande mais rápido, chega mais longe e em mais lugares, é importante. Fico fazendo muito esse paralelo com o livro digital porque o tipo de entendimento desse investimento, dentro das editoras, é bem parecido. Investindo para produzir livros no formato de audiobook custa mais do que para produzir um ebook, cuja produção é mais barata e mais simples para quem já produz o produto físico. Então é mais lento e vai ser mais demorada a montagem de catálogo por parte das editoras, mas é imprescindível, todo mundo vai seguir esse rumo de um jeito ou de outro. 

Há alguns anos as pessoas estavam até um pouco assustadas com a chegada dos livros digitais, com receio de que isso fosse prejudicar o livro impresso, mas parece que eles não vingaram tanto aqui no Brasil quanto se esperava. Em comparação com a venda de livros físicos, os ebooks ainda são mais tímidos. Entretanto, como no Brasil o mercado de podcasts vem crescendo, você acha que isso pode ser diferente com os audiobooks, que poderão surfar nessa onda?
Ao nos compararmos com outros mercados, o Brasil apresenta leituras diferentes. O público leitor é diferente e acho que, consequentemente, a fatia de participação do livro impresso, dos digitais, do audiolivro, nesse bolo que é o mercado, é diferente. Mas se a gente entende que, por exemplo, o livro digital, hoje em dia, é uma fatia significativa do faturamento de várias editoras, principalmente editoras de médio porte, normalmente existe um fixo que elas recebem das lojas digitais pela venda de ebooks, que é importante hoje no balanço mensal, imagino que, com o passar dos anos, o audiolivro se torne também mais uma fatia de garantia de vendas no bolo geral mensal das editoras. Não acho que nem um nem outro chegarão tão perto ou irão suplantar o livro físico, mas acho que cada um é um canal de faturamento importante. 

Você acha que o perfil das pessoas que costumam consumir audiolivros seria um perfil de leitores ou de pessoas que estão acostumadas a ouvir um podcast?
Acho que ainda não temos muitos dados para medir, ainda demora um tempo para isso ser significativo. Entretanto, por intuição, acho que a primeira pessoa a se interessar por um audiolivro, para mim, naturalmente é uma pessoa que já gosta de livros porque uma coisa está diretamente conectada a outra. Agora, se uma pessoa já gosta de livros e já está familiarizada, por exemplo, com podcast, temos um cenário muito positivo. Porque ela já está acostumada a consumir um produto de áudio que exige um determinado treino, porque ouvir um audiolivro é diferente de ouvir uma música. Depende de como você quer ouvir aquele conteúdo. Algumas pessoas conseguem fazer muitas coisas enquanto ouvem um audiolivro e continuam apreendendo aquilo. Outras pessoas não. Eu, por exemplo, me perco. Estou ali, não sei se é porque sou de gêmeos (risos), mas às vezes começo a vagar para outros lugares. Às vezes, para mim, dependendo do que estou ouvindo, e não estou nem falando da qualidade do audiolivro, da qualidade da narração, do assunto. Manter-se conectado àquele conteúdo apenas pela audição às vezes, para mim, fica difícil. Acho que uma pessoa que gosta de livros, já está familiarizada a ouvir podcasts, com uma escuta mesmo ativa, é um público natural do audiolivro. Acho que esse é o primeiro público, por mais que pense “ah, o audiolivro é uma alternativa ao livro”, talvez vá ser para algumas pessoas, mas não acho que seja para a fatia principal do público. 

Teve algum título da Intrínseca que deu muito certo, com um feedback bem positivo das pessoas?
A gente tem um feedback mais próximo do audiolivro de quem está trabalhando na produção e escutando. Ainda não temos um feedback muito significativo do público, até porque a venda é por uma loja e a gente acaba não tendo um retorno imediato de opinião do cliente. É diferente do livro, que é bem natural que o leitor pegue um livro e vá nas redes sociais da Intrínseca falar dele com a gente. Com o audiolivro ainda não é natural que esse movimento aconteça, então a gente ainda não tem tanto retorno. Agora, entre nós, temos os produtos que a gente gosta muito. Eu particularmente acho que A sutil arte de ligar o f*da-se ficou um livro muito bom. O Homem de Giz é uma narração que eu adoro. A gente subiu agora perto do Natal um audiolivro que eu estava super esperando que ficasse pronto, que era o Meu livro, eu que escrevi, da Duny. E assim que começamos a falar de audiolivros era certo que precisávamos do Raony lendo o livro da Duny, com a voz da Duny, com os personagens. E a gente subiu agora perto do Natal e foi recorde aqui da semana de cliques nas nossas redes sociais, de Stories e ficou um produto divertidíssimo, eu adorei. Então tem algumas coisas que a gente está fazendo que estamos nos orgulhando muito. A gente fez a biografia do Vinicius Dônola que eu comentei antes que é Histórias Das Histórias Que Contei que é um livro com causos muito bacanas e bastidores de reportagens que ele fez. Ele é um cara super humano, super atento às pessoas que estão na história, e a gravação desse audiolivro foi sensacional porque era ele lendo as suas prórpias histórias e a gente tinha um técnico que chorava, que interrompia e pedia para saber um detalhe, parava a gravação para saber o que tinha acontecido antes ou depois daquele momento da história... Algumas experiências estão sendo muito gratificantes e descobrir uma maneira nova, um produto novo, uma forma nova de contar história está sendo bem bacana para a equipe toda. 

Agora, com você falando isso tudo, pensei em dois livros da Intrínseca que penso que poderiam ficar bem legais como audiobooks. Uma Vida no Escuro, por causa da sua narrativa, talvez a questão da voz, no contexto do livro, fique bem legal. E o Alucinadamente Feliz, que é um livro engraçadíssimo. 
Ahh sim! Ele é engraçadísismo! A Intrínseca tem um catálogo muito grande de livros estrangeiros e acredito que a conexão que conseguimos ter com um livro como o do Vinicius Dônola, como falei agora, narrado por ele, não é a mesma conexão, que temos com um livro que é um livro de memórias, uma contação muito particular, marcada pela voz de outra pessoa. É um desafio que ainda temos que arrumar, a gente ainda não fez nenhum desse tipo, mas vou anotar as suas sugestões para a produção da nossa próxima leva de audiolivros (risos). 

A Amazon estreou no final do ano passado o Amazon Prime. Vi alguns comentários de pessoas falando que esse talvez seja um passo para a Audible chegar aqui. Essa é uma previsão de vocês também? Como vocês pretendem lidar com a possível chegada da Audible?
Não tenho tanta informação de bastidores sobre essa chegada da Amazon, mas o que eu sei e sei de conversas do mercado, é que a Amazon já esteve em vias de ter a Audible funcionando aqui e em conversas com editoras, diversas vezes, em diversas ocasiões desde que chegou. Então não sei em que pé isso existe hoje, mas claro que editoras juntas, unidas com um representante, têm melhores condições de negociar com eles. Não sei quando a Audible funcionaria aqui, em que moldes, mas é bem racional que imaginemos que se nos estruturar para recebe-los seja uma coisa boa de se fazer. 

Você acha o mercado brasileiros pode aprender algo com o estrangeiro, com mercados como o do Reino Unido e dos Estados Unidos e, se sim, o que você acha que podemos tirar?
Em termos de produção dos conteúdos acho que podemos aprender muito, eles são muito profissionais. Estava pesquisando para produzir aqui e vi alguns tutoriais de narradores que estudam o livro, narram, têm o próprio home studio para fazer isso, e que fazem isso muito bem. Aqui, como estamos começando, é muito natural que estúdios que trabalham com dublagens comecem a querer enveredar para o audiolivro, e o que deu para perceber é que a rotina e o tipo de trabalho que se faz na dublagem é bastante diferente do trabalho, por exemplo, específico que estou falando, de um narrador de audiolivro lá fora, que realmente trabalha nisso. No sentido de que é ele que pega o livro, ele estuda o livro, ele “se dirige” nesse trabalho de narração que é bastante diferente da dublagem, que é uma coisa com vários personagens, que tem um diretor, tem um produtor de casting, tem uma engrenagem de edição bastante diferente. Acho que temos muito a amadurecer nesse campo da produção. E, no campo do mercado, são mercados muito diferentes. A gente aprende, mas a gente funciona do nosso jeito. 


Continue acompanhando a série: Os audiobooks no Brasil. Nos próximos dias, é a vez da AutiBooks dar sua contribuição ♥

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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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