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Nostalgia Cinza


            Sabe aquele livro que te prende desde a primeira página te obrigando a passar a madrugada inteira lendo até terminá-lo de uma vez? Estava com saudades de ler uma narrativa tão envolvente e empolgante que me fizesse passar as páginas ansiosa para saber o que aconteceria em seguida. Com uma mistura de romance, aventura e suspense, a autora da famosa série Hush, Hush surpreende com seu último lançamento.

“Britt Pfeiffer passou meses se preparando para uma trilha na Cordilheira Teton, um lugar cheio de mistérios. Antes mesmo de chegar à cabana nas montanhas, ela e a melhor amiga, Korbie, enfrentam uma nevasca avassaladora e são obrigadas a abandonar o carro e procurar ajuda. As duas acabam sendo acolhidas por dois homens atraentes e imaginam que estão em segurança.

Os homens, porém, são criminosos foragidos e as fazem reféns. Para sobreviver, Britt precisará enfrentar o frio e a neve para guiar os sequestradores para fora das montanhas. Durante a arriscada jornada em meio à natureza selvagem, um homem se mostra mais um aliado do que um inimigo, e Britt acaba se deixando envolver. Será que ela pode confiar nele? Sua vida dependerá dessa resposta”

            Galo negro me pegou de surpresa. Li a série Hush, Hush e, por mais que eu tenha adorado o primeiro livro, fui me decepcionando com os outros. Quando vi os lançamentos da Intrínseca, o nome de Becca Fitzpatrick saltou aos meus olhos. Gosto muito quando autores conhecidos se arriscam com gêneros completamente diferentes daquele que lhe deu fama. Além disso, a capa maravilhosa e o título chamativo tornaram impossível não escolher essa leitura. O resultado? Gelo negro se tornou meu livro preferido da Becca.
            Britt Pfeiffer ainda sofre por causa do término com seu ex, Calvin. Decidida a surpreendê-lo e provar algo para si mesma, decide ir contra os planos de suas amigas de passar as férias de verão na praia e embarca em uma aventura pelas montanhas. Korbie, sua melhor amiga e irmã de Calvin, se junta a Britt a contragosto. Contrariando todos os planos, uma forte nevasca faz com que seja impossível continuar subindo a montanha e obriga as duas adolescentes a abandonar o carro na estrada e sair em busca de abrigo. Ao encontrar uma cabana com dois homens jovens e atraentes, elas nem imaginam no que aquele encontro pode resultar.
            Quando são feitas reféns, cabe a Britt bolar um plano para tirá-las de uma enrascada que pode custar suas vidas. Várias mortes misteriosas aconteceram nessas montanhas e o assassino pode estar cada vez mais próximo. Mostrando-se inteligente e audaciosa, a adolescente precisa guiar os homens para fora das montanhas, salvar a melhor amiga, entender um enigmático sequestrador e manter-se viva a qualquer custo.
            Durante os assustadores momentos em que é mantida refém, Britt procura alternativas para manter sua mente sã direcionando seus pensamentos para seu primeiro amor, Calvin. Mas ela não esperava se envolver com um homem perigoso e que pode tirar sua vida a qualquer momento. Não sabendo em quem pode confiar, Britt precisa salvar sua própria vida enquanto escolhe entre ouvir a razão ou seguir seu coração.


            Antes de escrever essa resenha pesquisei um pouco para ver como o livro foi recebido pelos leitores. Algumas opiniões foram bem divergentes e foi interessante observar isso. A grande maioria se apaixonou pelo livro (me incluo nesses números), mas algumas pessoas se decepcionaram e não é difícil entender os motivos.
            O livro é voltado para o público adolescente, ou seja, as cenas de suspense não são pesadas e não embrulham o estômago. Em momento algum a leitura se torna pesada ou difícil de continuar. Os momentos de tensão e ação são calculados para não repelir o público alvo. Para os leitores mais experientes e fascinados por suspenses sombrios e aterrorizantes, o livro pareceu fraco por conta disso. A narrativa acaba se voltando mais para o terreno da aventura e do romance do que propriamente para o suspense. Muitos daqueles que não gostaram da leitura não entenderam o propósito do livro ou o público ao qual ele se destina.
Alguns fatores fazem a leitura ser muito envolvente e empolgante. A narrativa já começa com um prólogo fantástico e a história não demora a começar a partir dali. Os personagens são apresentados rapidamente e já nos primeiros capítulos o leitor se vê imerso nos acontecimentos. Muitos livros pecam no exagero de detalhes e diálogos desnecessários, o que, felizmente, não acontece em Gelo negro, a história é direta e objetiva. Além disso, há todo momento algo acontece, a narrativa não fica monótona e são raros os momentos de calmaria. É um livro rápido de ler tanto pela narrativa quanto pelo tamanho, são 300 páginas.
Um dos pontos altos é a constante relação de amor e ódio com os personagens. Muita gente não gosta disso, mas faz com que a leitura não seja morna e tenha sempre alguma surpresa. A protagonista, Britt, começa como uma adolescente mimada e um tanto quanto irritante, mas seu crescimento é visível no desenrolar da história. O desenvolvimento da personagem foi muito bem trabalhado e descrito. Um de seus sequestradores também foi muito bem pensado, é um personagem sólido e diferenciado. A melhor amiga, Korbie, é uma daquelas personagens insuportáveis de trincar os dentes, ainda mais quando elas se deparam com os dois homens pela primeira vez.
Alguns aspectos negativos: um personagem foi esquecido e isso me incomodou um pouco; algumas cenas de romance poderiam ter se estendido, sendo exploradas mais a fundo; e gostaria de ter lido uma abordagem mais profunda sobre os pensamentos de Britt especialmente refém e não como adolescente como foi muito bem trabalhado no prólogo. Também gostaria de um epílogo maior.
Apesar de o final ser previsível, são as reviravoltas durante a narrativa que tornam o livro tão bom. O objetivo do livro não era ter um final chocante e sim deixar pistas ao longo da história para que o próprio leitor já soubesse quem era o assassino quando chegasse o clímax do enredo e ficasse curioso a respeito do que aconteceria em seguida.


Gelo negro me agradou muito por ter mesclado perfeitamente romance, suspense e aventura de uma maneira pouco convencional. O livro ganha muitos pontos nesse aspecto, é uma abordagem diferente, não chega nem perto de ser uma história medíocre como a grande maioria. O desenvolvimento dos personagens, o cenário incomum e a trama envolvente me encantaram. As páginas foram ficando cada vez mais finas e eu ainda não queria terminá-lo.
Apesar de ser apaixonada por filmes do gênero, não costumo ler livros de suspense, sempre acabo fugindo para as últimas páginas para saber o que acontece. Com Gelo negro me senti motivada a seguir a narrativa página por página porque, de alguma forma, tudo fazia sentido. A leitura foi muito gostosa e fluida.
Como eu já disse algumas vezes, livro bom é aquele que te prende do início ao fim, que te faz entrar na cabeça dos personagens e te encanta de alguma forma, mesmo que tenha alguns detalhes incômodos e que não seja perfeito. Gelo negro é uma narrativa muito envolvente, a escrita é boa, os personagens são bem definidos e a história é diferente. Gelo negro me fez passar as 300 páginas em algumas horas e entrou para a minha lista de favoritos do ano. É uma ótima leitura para quem quer fugir dos cenários e enredos clichês da maioria dos lançamentos atuais e para quem, assim como eu, adora ficar preso a um livro do início ao fim.

Gelo negro foi escrito por Becca Fitzpatrick e publicado pela editora Intrínseca. 



            Classificação: 5/5 estrelas.


“Por um momento, achei aquela imagem muito sedutora, e na mesma hora me repreendi por ter me sentido atraída por ele. Não era real. Se a Síndrome de Estocolmo existia, eu tinha certeza de que minha atração era um sintoma inicial.”

Gostou da resenha? Já leu o livro ou ficou com vontade de ler? Então não esqueça de deixar uma curtida ou um comentário ;)
10:00 19 comments
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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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