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Nostalgia Cinza


Esse é o segundo post da série Viajando Sozinha. Falei muita coisa no post anterior a respeito de dúvidas frequentes, criando coragem para viajar sozinha, sobre se sentir solitária ou não etc. Para dar uma lida clique aqui.
Recebi várias mensagens desde que falei a respeito de viajar sozinha e compartilhei minha primeira experiência. Várias delas foram a respeito de dúvidas sobre como escolher o destino para viver sua primeira viagem solo. Viajar para fora do país? Mas pra onde? Me arriscar aqui por perto? Mas como escolher?
Decidi contar um pouquinho de como e porque acabei optando por Nova York como palco dessa viagem incrível. Achei melhor listar alguns dos principais motivos a serem levados em conta na hora de escolher seu destino. Depois de muita - muita - pesquisa, leitura e conversas com quem já tem experiência em se aventurar sozinha por aí, cheguei a 8 pontos essenciais.


FACILIDADE COM O IDIOMA

Domino o inglês e me viro muito bem, conversar e pedir informações não seria um problema. Mas, caso algum problema mais sério surgisse, sabia que NY é cheia de brasileiros e estrangeiros que poderiam me ajudar se eu precisasse. Mas atenção: não é porque você não domina um idioma que você não pode ou não deve viajar para o país que deseja conhecer. Encontrei vários brasileiros e estrangeiros que não falavam praticamente nada em inglês e que se viraram muito bem, mas para alguém que vai viajar sozinho e não vai ter alguém 24 horas para ajudar, é recomendado saber pelo menos o mínimo da língua local. Lembrem-se: ninguém é obrigado a saber a sua língua; da mesma forma que você não precisa saber francês para ajudar um turista que vem ao Brasil, os americanos não têm obrigação de entender português só para a sua comodidade. Além disso, por que não se esforçar para aprender um novo idioma? Além de ter oportunidade de conhecer muita gente nova, você ainda acrescenta algo que pesa muito no currículo.

TRANSPORTE PÚBLICO
 
Como eu iria sozinha precisava pensar na melhor maneira de me locomover pela cidade. Nem todos os pontos turísticos ou locais de meu interesse ficam há algumas quadras de distância, seria preciso usar o transporte público. Algumas cidades contam com um grande número de táxis, o que ajuda bastante se o preço for razoável, mas se o destino escolhido oferecer um bom sistema de metrô é melhor ainda. Nova York tem um dos melhores metrôs do mundo com linhas indo para todos os cantos da cidade, além de funcionar 24 horas por dia nos 7 dias da semana. Como estava planejando ir sozinha, sabia que ficaria muito mais em conta e seria bem mais prático usar o metrô. Comprei o MetroCard de 7 dias que permite usar o metrô quantas vezes quiser no período de uma semana. Quando se viaja sozinha é preciso pensar que você não vai ter ninguém para dividir a corrida com você, então escolher um destino que oferece alternativas é sempre inteligente se você não pode gastar tanto.

LOCALIZAÇÃO E DISTÂNCIA DOS PRINCIPAIS PONTOS TURÍSTICOS
 
Vale tudo o que foi dito no item acima. Não seria nada prático se meu destino tivesse pontos turísticos muito distantes que me custariam muito tempo para deslocamento e que, consequentemente, exigissem um gasto maior com transporte. À medida que se ganha experiência, fica mais fácil escolher cidades mais complexas e maiores e a coragem para se aventurar em lugares inusitados cresce muito. Mas para uma solo traveler de primeira viagem acho importante levar e conta esse detalhe, como se está sozinho durante grande parte do tempo, a chance de acontecerem imprevistos se você precisar se deslocar muito para lugares distantes é maior. Nova York é uma cidade relativamente pequena para os padrões brasileiros, não é preciso se deslocar muito para chegar aos pontos turísticos dependendo do lugar em que você se hospedar. Grande parte dos roteiros é facilmente feita a pé mesmo e existem estações do metrô em todos os cantos da cidade.

PREÇO DAS PASSAGENS

Esse é um ponto importante, né? O que não falta é vontade de viajar, mas o alto preço das passagens aéreas faz com que muita gente desista. Nem todo mundo pode planejar uma viagem com meses de antecedência, certo? Apesar de ser o mais recomendado (planeje, planeje, planeje sempre) nem sempre é possível, a oportunidade de viajar pode surgir de repente, como no meu caso. Surgiu a oportunidade de viajar vinte dias antes da minha data de embarque, não tinha como planejar por meses a fio. Consegui comprar minha passagem duas semanas antes da minha viagem porque as companhias aéreas americanas estavam com promoções fantásticas. Com essa confusão (ou crise) econômica que estamos vivendo no Brasil, pouquíssimas pessoas estão viajando para fora do país e as companhias aéreas sentem isso, principalmente se o destino for um país muito escolhido por turistas brasileiros como é o caso dos Estados Unidos. Acompanhei as notícias e a oferta de promoções de algumas das principais companhias aéreas americanas e consegui um preço muito bom mesmo em cima da hora. Está querendo muito viajar? Pesquise sobre as companhias aéreas dos lugares nos quais você quer visitar, faça consultas com agências de viagem e dê uma olhada em sites como decolar.com que atualizam constantemente suas promoções e ofertas. Pesquisa é essencial.

PREÇO DE HOTÉIS NO CENTRO
 
Nem todas as cidades oferecem hotéis bons e baratos perto dos principais pontos turísticos ou em localizações boas para bater perna. Normalmente os preços dos hotéis bem localizados são muito altos e não compensa se você não tem uma pessoa para dividir o quarto. Apesar de não ser uma cidade barata (o custo de vida é bem alto), escolhi Nova York porque encontrei várias ofertas de hotéis em Manhattan com preços não tão exorbitantes. Ninguém precisa ficar em um hotel 5 estrelas se o objetivo é só usar o quarto para dormir e tomar banho, certo? Poderia ter ficado em bairros mais afastados do centro como o Brooklyn (não é mais perigoso apesar da fama que tem) e economizado bastante, mas por estar indo sozinha pela primeira vez, decidimos que seria melhor pagar um pouco a mais pela comodidade da ótima localização. O hotel não era dos melhores mas era exatamente o que eu estava procurando.  Muitas cidades oferecem mais alternativas de hospedagem. Nova York tem opções de hotéis, hostels, albergues, apartamentos para todos os gostos e bolsos, isso pesou muito na escolha. É possível economizar bastante, só é preciso, como sempre, pesquisar.

ROTEIRO PARA SOLO TRAVELER
 
Esse é um detalhe essencial. Quem viaja sozinho, na maioria das vezes, quer conhecer pessoas, ter opções de lugares para ir e coisas para fazer que não exijam uma companhia. Não iria adiantar nada, no meu caso, escolher um destino em que eu não tivesse nada para fazer. Nem preciso explicar por que Nova York se encaixou perfeitamente nos meus planos, né? O que não falta é opção de roteiros em um lugar conhecido como a capital cultural do mundo. Escolher um lugar que ofereça programas para solo travelers é importante se o seu objetivo não é viajar só para descansar e se desconectar do mundo, aí é outra história. Sabia que não iria me sentir sozinha, mas queria ter a certeza de que escolheria uma cidade que não me permitisse pensar de outra forma em nenhum momento. Barcelona também é uma cidade muito recomendada para solo trevelers justamente por ser conhecida por sua boemia e variedade de programas.

SEGURANÇA

Talvez esse seja o ponto mais importante de todos. Quem viaja sozinho, principalmente se for mulher, tem que levar a segurança em consideração. Durante as minhas pesquisas li relatos de mulheres que viajaram sozinhas para cidades do Oriente Médio e não tiveram muitos problemas porque não bobearam com a segurança e com os costumes locais, mas ainda assim sempre aparecia um ou outro relato desagradável. Imprevistos podem acontecer em qualquer lugar do mundo e não custa se precaver. Pesquisar sobre a segurança, estatísticas e costumes do destino visado é importantíssimo. Nova York sempre teve fama de ser uma cidade violenta, quem gosta de assistir a programas policias sabe muito bem qual o palco da maioria dos episódios. Ouvi mais de uma pessoa falar que eu precisava tomar cuidado porque ocorrem muitos homicídios por lá. A verdade é que não é bem assim. Pouca gente sabe, mas Nova York é a cidade mais segura dos Estados Unidos e pude comprovar isso. É possível encontrar viaturas policiais em todo canto, grandes áreas com câmeras de segurança e até de madrugada Manhattan é uma região muito tranquila. Mas nem por isso se pode baixar a guarda e andar de qualquer maneira. Poderia falar muito a respeito desse tópico mas o mais importante é: quando se viaja sozinho é preciso se informar a respeito da segurança do destino e, mesmo que seja um lugar relativamente seguro, não se pode andar desatento e dar brechas para que ocorram imprevistos. Você anda em ruas escuras sozinho de madrugada na sua cidade? Você deixa seus pertences fora da sua vista na sua rua? Por que fazer essas coisas em outro lugar?

INTERESSE NO DESTINO

De que adianta escolher um destino que se encaixe em todos os itens acima se ele não for do seu interesse? A viagem que deveria ser inesquecível vai se tornar chata, irritante e você não vai aproveitar nada como deveria. Eu já era encantada com Nova York antes de embarcar, então me apaixonar pela cidade foi muito fácil e natural. Poderia falar muito a respeito desse item e de como eu amei a cidade, mas o resumo da ópera é: escolha um destino que te interesse, mesmo que seja um país ou cidade que ninguém mais parece se empolgar a respeito. A viagem é sua, e apenas sua, faça com que ela seja inesquecível do seu jeito <3

Um beijo para todas as mulheres corajosas e independentes que me inspiraram a realizar esse sonho e um beijo maior ainda para aquelas que ainda estão se descobrindo e que ainda farão coisas incríveis <3

E aí? Você já viajou sozinha ou ficou morrendo de vontade de fazer o mesmo? Me conta o que você pensa a respeito aqui nos comentários, vou adorar saber ;)

*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente. Fonte: Pinterest.
11:17 11 comments

Esse é mais um da série de posts Viajando Sozinha. Se você ainda não sabe, viajei sozinha pela primeira vez para outro país e contei muita coisa da minha experiência e respondi algumas perguntas nesse post e nesse aqui também. Se ainda não leu, corre lá pra conferir, tenho certeza que você vai gostar ;)
Várias mulheres têm essa curiosidade e vontade de se jogar no mundo em sua própria companhia, mas falta coragem ou incentivo. Sentir medo é perfeitamente natural e faz toda a experiência valer muito mais a pena no final. Mas não podemos deixar o medo nos impedir de realizar nossos sonhos, certo?
Então para quem estava precisando de um empurrãozinho ou só tem curiosidade em saber por que viajar sozinha é tão bom, aqui vão alguns motivos para abraçar essa aventura:

• A sensação de independência e liberdade é indescritível.
• As experiências são mais intensas.
• Você conhece muita gente, bem mais do que se viajasse acompanhada.
• Se estiver em outro país é uma oportunidade incrível para aperfeiçoar um idioma sem ajuda, você aprende na marra.
• Pode fazer sua programação como bem entender.
• Pode se dar a liberdade de fazer programas espontâneos.
• Conhecer um cara (ou uma mulher) interessante é bem mais gostoso.
• Você se vê mais incentivada a puxar assunto com gente nova.
• Viajar sozinha é se reconectar consigo mesma, se redescobrir e se apaixonar novamente pela pessoa que você é de verdade.
• Você pode acordar a hora que quiser.
• Pode pular aquela atração fantástica que não te interessa sem ninguém te julgar.
• Pode passar horas admirando um quadro que ninguém mais além de você gostaria de ver.
• Participar de um programa legal e diferente é bem mais fácil.
• É um período indescritível de autoconhecimento.
• Você aprende a se virar sozinha de um jeito que não poderia acontecer se viajasse com mais alguém.
• As pessoas se aproximam para conversar mais facilmente.
• Você se torna uma pessoa mais aberta a novas oportunidades e possibilidades.
• Pode escolher o que quer comer, onde quer comer e a hora que quer comer.
• Ninguém vai te zoar para o resto da vida por causa daquele mico básico que você pagou durante a viagem.
• Você tem a desculpa para pedir para aquele cara maravilhoso tirar uma foto sua.
• Não precisa esperar aquela pessoa que demora séculos pra se arrumar.
• Se você é quem demora para se arrumar, pode levar o tempo que quiser sem ninguém te apressando.
• Repetir os programas que você mais gostou é mais fácil.
• Você aprende muito em pouco tempo.
• Se você for a louca das compras pode passar horas passeando por vitrines sem ninguém reclamando no seu ouvido. Se não gostar não precisa nem pisar numa loja pra acompanhar alguém.
• Você vai procurar mais coisas pra fazer.
• Ficar sozinha com seus pensamentos em um lugar diferente é maravilhoso.
• Muitos bares e restaurantes dão mimos para solo travelers.
• Você acaba descobrindo vários programas e passeios legais que talvez não tivesse descoberto com companhia.
• Você percebe o mundo e as pessoas de uma forma mais atenta.
• Você amadurece muito rápido e de uma maneira deliciosa.
• Ninguém vai ter as mesmas histórias que você pra contar.
• Viajar sozinha requer coragem, você mostra para o mundo que está mais do que pronta para começar a viver a sua vida.
• Você se torna uma pessoa mais responsável e madura.
• Superar a timidez e a vergonha é bem mais fácil quando ninguém ali te conhece.
• Você se torna mais confiante de si e das suas escolhas.
• Viajar sozinha vai ser o maior presente que você pode se dar!

E aí? Sentiu-se mais inspirada a viajar em sua própria companhia? Qual dos motivos mais chamou a sua atenção e qual deles mais combina com você? Não se esqueça de curtir o post e deixar seu comentário aqui <3
10:43 21 comments

            Viajei sozinha pela primeira vez há algumas semanas, uma ideia que já tinha passado pela minha cabeça algumas vezes, mas que eu nunca tinha realmente levado em consideração e hoje não faço ideia do porquê. Falei um pouco sobre o “estopim” para ter tomado essa decisão nesse texto e muita gente veio falar comigo depois disso. Várias mulheres me parabenizaram pela minha coragem, me fizeram perguntas variadas e pareceram genuinamente curiosas a respeito do tema “viajar sozinha”. Reuni várias perguntas e ideias e esse será o primeiro post voltado para o assunto.
            Nesse primeiro post vou falar um pouco sobre a minha experiência, responder algumas perguntas básicas, contar resumidamente como foi a decisão e os preparativos e conversar um pouco a respeito de tópicos que considero importantes. Espero esclarecer algumas dúvidas e abrir a mente de muita gente que vê esse assunto de uma forma diferente. Mas calma, ainda vai ter mais post a respeito ;) Se algum assunto não foi abordado como você gostaria ou se surgiu alguma – ou várias – pergunta, sinta-se mais do que livre para comentar aí em baixo ou me mandar um e-mail.
Tomara que você se sinta tão animada (ou animado) quanto eu me senti, que descubra em você a mesma vontade que eu tinha e que tenha algumas perguntas respondidas. Quem sabe você não é uma solo traveler nata e ainda não descobriu?

ANTES

            Estava precisando muito viajar, sair completamente de uma rotina, conhecer lugares novos, me encantar por pessoas desconhecidas e me apaixonar por momentos únicos. Todo mundo tem essa necessidade de vez em quando, certo? Surgiu a oportunidade de fazer as malas e me deparei com alguns obstáculos. Não queria viajar com meus pais, não estava com paciência para grupos de viagem (eu queria sair de uma rotina, não mergulhar em um planejamento que esses grupos têm), meus amigos não podiam no momento ou não queriam e parecia que dessa vez realmente não iria rolar. Quase desisti dessa oportunidade quando um pensamento me pegou desprevenida: “por que não viajar sozinha”? É mesmo, pensei. Por que não?
            Sempre fui muito independente e já tinha viajado para fora do país algumas vezes. Muita gente sofre com coisas pequenas como ir ao cinema em sua própria companhia ou almoçar em algum lugar sem ninguém e eu nunca me incomodei com nada parecido, se eu queria ir a algum lugar eu ia sozinha e pronto. Por que não poderia viajar sozinha também?
Quando dei por mim já estava sonhando com meus passeios sozinha, me vi andando nas ruas sendo dona de mim mesma, conversando com pessoas diferentes todos os dias e fazendo o que eu bem quisesse quando eu bem quisesse. A ideia de poder acordar a hora que eu quisesse e planejar meu dia – ou não planejar – da maneira que me soasse melhor parecia irresistível. Fazer planos, não fazer planos, ter um roteiro, não ter um roteiro. Seria eu mesma quem decidiria tudo isso. Precisei de 30 segundos para perceber que isso realmente era algo que eu queria e, mais, precisava.

PESQUISANDO SOBRE O ASSUNTO

            Pesquisei. Pesquisei bastante porque pesquisa é algo essencial. A primeira coisa que fiz foi procurar depoimentos de outras mulheres que viajaram sozinhas e compartilharam experiências. Tinha que existir mais alguém no mundo com a mesma ideia e vontade que eu. E existe. Encontrei muitos blogs com vários textos e inúmeras dicas e, o mais importante, nenhuma das mulheres havia se arrependido da sua decisão de sair pelo mundo em sua própria companhia. Todas adoraram a experiência e recomendaram veemente, até mesmo aquelas que não curtiram tanto (encontrei no máximo dois depoimentos desse tipo) disseram que vale a tentativa porque é um momento único. Fiquei encantada com os textos e histórias que li e senti minha vontade crescer cada vez mais.
            Não é difícil encontrar solo travelers, não sabia que existiam tantos blogs e sites sobre o assunto. Achava que só eu sentia essa vontade de viajar sozinha, mas acabei descobrindo que o mundo é cheio de pessoas independentes e corajosas. O que não faltam são informações sobre aventureiras que decidiram viajar sozinhas, histórias marcantes, dicas essenciais e incentivos de pessoas que decidiram se jogar no mundo sem a companhia de mais ninguém. Li muitas histórias inspiradoras que só me fizeram ter certeza de que era aquilo que eu queria para mim. Com certeza todos os textos que li me incentivaram bastante a tomar minha decisão nesse momento da minha vida, foi o empurrão que eu precisava.

MATURIDADE E DETERMINAÇÃO

            É óbvio que não é fácil simplesmente decidir que quer viajar sozinha e sair mundo afora, a vida não funciona assim. É preciso dinheiro, maturidade, planejamento e oportunidade. Surgiu a oportunidade de viajar bem em cima da hora e consegui passagens muito baratas mesmo com o dólar alto. Acompanhei as notícias e ofertas das companhias aéreas e consegui ótimos preços. Pouca gente está viajando para fora no meio dessa crise e me aproveitei disso.
Se você quer mesmo uma coisa, é preciso correr atrás. Não fiquei esperando alguém jogar uma promoção de passagem na minha cara, pesquisei, pesquisei e pesquisei mais um pouco. O primeiro passo para viajar sozinha é ter maturidade para dar o primeiro passo sozinha, entende? Se não é você quem vai bancar a sua viagem, é preciso mostrar que está correndo atrás e que tem independência para embarcar nessa aventura por conta própria. Quando apresentei para os meus pais minha ideia de viajar sozinha, já tinha em mãos páginas e páginas com: preços de passagens e promoções de companhias aéreas, sugestões de hotéis com boas localizações e preços das diárias, informações sobre os meios de transporte público e preços estipulados, principais atrações turísticas que eu queria visitar e o preço daquelas que não eram gratuitas, planos baratos de celular com internet e ligações para usar no exterior, uma média diária de custo com alimentação e o contato de duas agências de viagem que eu consultaria em seguida. Mostrei que tinha pensado a respeito da minha decisão, que tenho maturidade e independência para me organizar e planejar uma viagem séria, e que eu era mais do que capaz de me virar bem sozinha. O resto é história.

CRIANDO CORAGEM PARA VIAJAR SOZINHA

Como eu disse acima, sempre fui mais independente que a maioria das pessoas. Nunca me deixei ser presa pela vontade alheia, tentei nunca deixar de fazer o que eu queria por causa dos outros. Apesar de não morar sozinha e ainda não ter adquirido independência em coisas maiores como me sustentar, sempre fui independente nas pequenas coisas e fui criada para tal. Algumas pessoas têm essa personalidade mais desapegada, digamos assim. Ou, pelo menos, muitas pessoas têm vontade de quebrar esses laços e têm coragem de embarcar em aventuras sozinhas. Acredito que todo mundo tem vontade de ser independente, só falta a oportunidade, seja ela financeira ou não. Apesar de ter encontrado muitas mulheres que, assim como eu, sempre tiveram essa necessidade de serem donas do próprio nariz, várias das histórias que li eram de mulheres que nunca tinham ficado sozinhas, mas que, de repente, sentiram essa vontade e curiosidade de descobrir como se virariam sem companhia.
Queria viajar para Nova York, sempre amei a famosa “selva de pedra” e meu sonho era andar por aquelas ruas sozinha me sentindo dona de mim mesma. Já tinha passado três dias, mas não tinha explorado nada além da Times Square, não podia dizer que tinha conhecido a cidade. Além disso, não tinha ido sozinha, minha primeira vez por lá foi com um grupo de viagem que tinha tido a Disney como parada anterior – essas viagens aos 15 anos que estão se tornando cada vez mais comuns. Já viajei para fora do país algumas vezes então me deparar com hábitos e idiomas diferentes não é surpresa. Também já conheço um pouco essa rotina de aeroporto, imigração, longas horas de viagem etc. Então, para mim, viajar para o exterior não foi um passo tão grande assim, ainda mais para os Estados Unidos que já tinha visitado algumas vezes com meus pais também. Já estava preparada para embarcar em uma viagem internacional sozinha, mas cada caso é um caso.
Muita gente nunca viajou para fora do Brasil e não tem absolutamente nada de errado com isso. Nosso país é gigantesco e as regiões são muito diferentes umas das outras, a variedade de destinos e culturas é enorme. Não precisa viajar para fora do país para ser dona do próprio nariz. Se você ainda não se sente segura para viajar para o exterior sozinha, por que não conhecer o estado vizinho? Ou até mesmo começar pela cidade vizinha? Em alguns dos relatos que li, as mulheres mais viajantes começaram indo para cidades próximas daquelas que elas moravam e foram se testando a partir dali. Ir na rodoviária ver os destinos próximos, pesquisar preços de passagens e hotéis ou albergues em cidades do próprio estado ou do estado vizinho já é um passo gigantesco. Passar um final de semana se virando sozinha em alguma cidade do interior ou em alguma capital brasileira já é uma aventura por si só. Por que não conhecer um pouco do seu próprio país antes de explorar países diferentes? Além de ser mais barato (dependendo do destino já que muitas passagens nacionais estão saindo bem mais caras que internacionais), a questão do idioma deixa de ser um problema e fica muito mais fácil encontrar disponibilidade de datas e se programar, é só escolher um final de semana mais tranquilo.
Se você tem vontade de viajar e sabe que tem capacidade de se virar sozinha, já deu um passo gigantesco. Sentir medo é extremamente natural, até as viajantes mais experientes sentem aquele frio na barriga e ficam nervosas antes de embarcar na próxima aventura. Fiquei ansiosa e nervosa antes de ir, mas nunca de uma maneira negativa. Não cogitei desistir em nenhum momento porque parecia certo, senti o tempo todo que estava fazendo a coisa certa. Isso é importante: sentir que está tomando a decisão correta. A ansiedade vem de brinde. Mas se sentir pânico, não vá. Medo, ansiedade e nervosismo são diferentes de pânico. É preciso saber suas limitações, se conhecer é essencial. Viajar com uma amiga ou com o namorado pode ser uma alternativa; você não vai estar sempre dependente dos seus pais ou responsáveis mas vai ter uma mão amiga do seu lado. Se sentir que adquiriu experiência e confiança, pode partir para aventuras solo a partir daí.

E O FATO DE SER MULHER?

            Esse pequeno detalhe hoje em dia já não passa disso, de um detalhe. Durante minhas pesquisas, 90% dos depoimentos que li foram de mulheres que viajaram sozinhas e que fazem isso regularmente ou pelo menos têm vontade de repetir a dose. Vi várias mulheres mais velhas, casadas e até avós que confessaram preferir viajar em sua própria companhia, é libertador. É claro que o destino conta muito, viajar sozinha para Nova York é completamente diferente de embarcar em uma aventura solo rumo a Marrocos, por exemplo. Mas, mesmo nesses casos, li depoimentos de mulheres que se arriscaram em lugares culturalmente muito diferentes e, apesar do estranhamento, conseguiram se virar bem. Tudo depende da maturidade que cada uma tem, da coragem e dos interesses também, claro. Hoje em dia estamos nos tornando muito mais independentes e isso fica explícito com o grande aumento de mulheres viajando desacompanhadas. Os tempos são outros.
Nem preciso dizer, mas não custa reforçar: não é porque as mulheres estão viajando cada vez mais sem companhia que não é preciso tomar cuidado. Viajar pela primeira vez sozinha para um país em que as mulheres sejam culturalmente obrigadas a se comportar de forma muito diferente da qual você está acostumada pode não ser a melhor ideia. Não estou falando para não viajar sozinha para o Oriente Médio, por exemplo, só digo que é melhor adquirir certa experiência antes de embarcar em uma aventura mais desafiadora.
Resumindo, o fato de ser mulher não determina se você pode ou não, se deve ou não viajar sozinha. Mas é preciso se precaver sempre. Nunca viaje sem ter a mínima noção a respeito dos costumes locais, não fique vulnerável a situações de risco (perder a hora na boate e voltar sozinha de madrugada, por exemplo), não espalhe por aí que está sozinha (se perguntarem diga que está esperando amigos ou o namorado), não ande desatenta, não tenha medo de dizer “não” e ser grossa se for preciso, sempre conte para alguém de confiança onde vai estar ao longo do dia etc. Essas são atitudes básicas e maduras que não tiram sua independência e que podem te proteger de algum imprevisto ou enrascada.

DESACOMPANHADA SIM, SOZINHA NUNCA

            Quando estava tudo oficialmente decidido e planejado comecei a contar para as pessoas que iria viajar sozinha para Nova York. Esperava várias reações negativas e preocupadas, mas os tempos são mesmo outros. A maioria das pessoas ficou entusiasmada por mim e nem reclamou muito do quesito segurança, mas uma pergunta sempre surgia: você não vai se sentir sozinha?
            Sempre fui mais na minha, salvo algumas situações ficar sozinha nunca me incomodou de verdade então nem pensei muito a respeito. No entanto, isso varia muito de pessoa para pessoa. Nunca me senti muito incomodada em ir sozinha ao cinema, em almoçar sem companhia em lugares cheios, em fazer trabalhos sem ajuda etc. Afinal, se você não gosta da sua própria companhia, como espera que alguém goste? Entretanto, não é assim com todo mundo. Sempre me virei bem comigo mesma então essa questão não me preocupou, mas o mais importante: eu queria ir sozinha.
Nos últimos tempos recebi várias mensagens de meninas que queriam muito viajar sozinhas mas falta coragem ou sobra aquele medo de se sentirem solitárias durante o passeio. Garanto que não é nada disso. É claro que o destino conta muito, nem todo país possui uma maioria receptiva e fácil de se aproximar, além disso, nem todo mundo sente facilidade em conversar com estranhos. Escolhi um destino fácil nesse quesito, mas algumas mulheres escolhem embarcar nas aventuras mais extremas e mesmo assim não se sentem solitárias nem por um minuto.
            O que muita gente não sabe é que viajar sozinha é a melhor maneira de conhecer pessoas. Juro. Nunca conheci tanta gente diferente e legal em um período tão curto de tempo. Mesmo se você não for a pessoa mais extrovertida do mundo, você vai conhecer pessoas novas. Quando se viaja com alguém, você não sente obrigação de puxar assunto com um estranho, de pedir para um desconhecido tirar uma foto sua, de conversar com alguém que talvez você nunca mais vá ver de novo, de pedir ajuda para uma pessoa na rua. Querendo ou não, ficamos presos à nossa companhia. Quando se viaja sozinho você tem duas opções: ou conversa com alguém ou não conversa. Não sou de sair puxando assunto com estranhos, de fazer amizades com pessoas que nunca vi antes, mas viajando sozinha eu me vi conhecendo várias pessoas diferentes todos os dias, mesmo quando não era a minha intenção. As pessoas se sentem mais confortáveis para falar conosco quando estamos desacompanhados. Vamos pensar em um exemplo: você vê uma pessoa sentada numa praça lendo um livro que você adora e fica morrendo de vontade de ir comentar alguma coisa, mas tem alguém sentado ao lado dela. Você comentaria alguma coisa mesmo assim? A grande maioria responderia que não, não iria comentar nada. Agora pense que a pessoa está sentada sozinha. A ideia de se aproximar e conversar não parece muito mais agradável? Pois é assim para os outros também.
            No começo da minha viagem queria me reconectar comigo mesma, aprender a me virar sozinha e observar como eu lidaria com essa aventura inédita. Nem procurei me aproximar de alguém nos primeiros dias, era tudo muito novo e incrível. Mas é inevitável quando se está sozinha. Quer alguns exemplos?
Logo no meu primeiro dia já servi de tradutora no meu hotel porque muita gente não sabia se comunicar bem em inglês, nisso já havia conquistado duas senhoras de idade que se prontificaram em fazer papéis de avós caso eu precisasse de alguma coisa. Ainda nesse dia fiz amizade com um funcionário do hotel que me ajudou com minhas malas e com um policial do metrô que me ensinou a comprar o MetroCard. No dia seguinte combinei de encontrar uma brasileira que eu havia conhecido em um grupo de viagens para mulheres no Facebook e batemos perna o dia inteiro além de sair de novo no dia seguinte. Ela viajou com sua irmã e foi maravilhoso conhecê-las. Depois que nos separamos acabei me perdendo no caminho de volta para o hotel e conversei bastante com algumas vendedoras de rua que se disponibilizaram a me ajudar. Por indicação de um amigo, descobri passeios gratuitos com guias em vários pontos da cidade e acabei conhecendo dois irmãos e fazendo amizade com duas mulheres nas duas vezes em que participei dos tours, uma delas de Belo Horizonte também. Saí para almoçar com os irmãos e me diverti muito com a minha conterrânea e sua amiga russa enquanto tirávamos fotos. Atleticana pouco fanática como sou, não podia perder nem um jogo do meu Galo mesmo durante a minha viagem, então tratei de procurar um lugar que fosse transmitir a partida. Acabei descobrindo que Nova York tem a maior comunidade atleticana fora do Brasil e, assim que cheguei no bar (a um quarteirão do meu hotel, diga-se de passagem), fui muito bem recebida por todos e fiquei horas por lá mesmo depois que o jogo já tinha acabado. Quando estava sentada sozinha lendo no Central Park, um tímido francês perguntou se poderia conversar comigo porque precisava treinar seu inglês já que havia acabado de chegar aos Estados Unidos. Quando me perdi no metrô conversei e ri horrores com uma mulher do Bronxs que também tinha perdido sua parada, muito simpática e engraçada ela fez questão de me levar até onde eu precisava ir antes de seguir seu caminho.
Tenho várias histórias parecidas e posso escrever um post inteiro só contando algumas delas, mas o que eu quero dizer com tudo isso é: não teria conhecido metade dessas pessoas se não tivesse viajado sozinha. Não teria me preocupado em entrar em grupos de viagens no Facebook; não teria pedido dicas de tours parecidos com o que fiz e não teria entrosado tão animada com essas pessoas; duvido que minha companhia iria querer assistir ao jogo do meu time; e, com certeza, várias das pessoas que vieram conversar comigo não o fariam se eu estivesse acompanhada. Hoje estou trocando indicações de livros diariamente com uma das brasileiras que conheci nos primeiros dias, converso com minha conterrânea, já troquei mensagens com a galera que conheci no bar e ainda mantenho contato com quem conheci durante a viagem. Você não precisa fazer amizades inseparáveis durante seu passeio, esses encontros rápidos e casuais já preenchem todo o vazio que você pode chegar a sentir e, muitas vezes, rendem histórias muito mais legais.
            Viajar sozinha é um aprendizado por si só. Além de se sentir mais independente e mais livre, você se torna mais responsável e capaz de lidar com situações imprevistas. É uma verdadeira escola da vida, você está lidando com pessoas o tempo inteiro e tendo que se virar da melhor maneira que pode em um lugar nada familiar. Como uma aula de sobrevivência básica. Acho que nunca aprendi tanto em tão pouco tempo, voltei uma pessoa bem diferente em inúmeros aspectos.
Quando viajamos sozinhas nos conhecemos muito, é uma experiência auto didática indescritível. Aprendemos a gostar e valorizar nossa própria companhia, nos redescobrimos diariamente e, o mais importante: temos a oportunidade de ver como somos de verdade. Quando se está sozinha você se mostra como realmente é e isso é incrível, as pessoas te veem de uma maneira diferente da qual você está acostumada. As pessoas acabam te conhecendo de verdade, de uma forma simples e pura já que você não está ocupada tentando ser alguém que não é só porque tem algum conhecido olhando. Viajar sozinha é se reconectar consigo mesma, se redescobrir e se apaixonar novamente pela pessoa que você é de verdade.
Ter tido a coragem de viajar sozinha foi o maior presente que eu já me dei. Pode parecer pouco para alguns, mas cada um tem experiências que marcam de alguma forma, e essa com certeza foi mágica para mim.
             

Esse é o primeiro post da série Viajando Sozinha e preciso de perguntas para escrever algumas ideias que tenho em mente. Você tem alguma dúvida a respeito do assunto? Tem alguma curiosidade sobre um tópico em especial? Existe alguma questão sobre viajar sozinha que você gostaria que fosse explorada de maneira mais abrangente? Pretendo montar um FAQ com as principais dúvidas a respeito de viagens solo e agradeceria se você me mandasse perguntas que gostaria que eu respondesse nos próximos posts.

Acho que falei bastante para um post só, né? É claro que tudo o que foi dito não vale só para mulheres, mas queria compartilhar um pouco da minha experiência focando nessa parte também. Tentei resumir muito alguns tópicos, mas sem abstrair informações e comentários importantes. Espero que tenha acrescentado algo para você, que esse post tenha, de alguma forma, mudado alguma coisa. Espero de coração que tenha gostado e que deixe um comentário, uma curtida, ou algo mostrando que esse post fez diferença.
Queria deixar aqui um obrigado à Mari Campos por ter escrito o livro Sozinha Mundo Afora que carreguei na bolsa durante a minha viagem. Você é incrível. 

Um beijo para todas as mulheres corajosas e independentes que me inspiraram a realizar esse sonho e um beijo maior ainda para aquelas que ainda estão se descobrindo e que ainda farão coisas incríveis <3
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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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