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Nostalgia Cinza


Eu acho que entendo um pouco o clichê de que “viajo para me encontrar”. Essa frase tão batida faz tanto sentido quanto o prazer de viajar. Não é difícil entender essa sensação. Cada lugar novo te faz sair da rotina, te da uma nova perspectiva que você talvez não tivesse se ficasse para sempre no mesmo lugar.

Conhecer novas culturas te obriga a sair de si e buscar entender o outro, nem que seja por motivos puramente egoístas como pedir informações ou não querer passar vergonha. Você passa a exercitar o olhar e a escuta, a ver beleza em cada detalhe que, no seu lugar de origem, parece não ter a mesma magia.

Quando viajamos parece que até a boca se abre para novos sabores, como se cada momento fosse digno de degustação. O azul se torna mais forte, as ruas mais coloridas e cada passo ganha um significado impressionante. Não é à toa que viajar revigora, mesmo que você não pare para descansar um segundo.

Viajar é se encontrar em outro lugar.

É ficar atento às suas emoções, sensações e percepções. É ouvir melhor o que o corpo tem a dizer, o que a mente percebe e o que o coração grita no peito. Viajar é ser você mesmo e expressar quem você é.

Acredito que nos encontramos todos os dias, seja onde for, mas fazer isso durante um passeio diferente é permitir que esse encontro aconteça mais rápido, mais intensamente e ainda rende umas fotos memoráveis. Se eu me encontro em Oliveira ou em Veneza, em BH ou em Roma, tudo bem. O importante é não parar. Nunca.

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11:09 1 comments

2018 foi um ano meio louco. Desde o começo eu sabia que seria um ano de transição. De últimos começos e primeiros finais. Na virada do ano eu já olhava para 2018 com apreensão, entusiasmo, receio e ansiedade. Seria o último ano de muita coisa e é um tanto quanto esquisito viver um momento que você sabe que representa as últimas páginas de um capítulo.

Comecei o ano com um estágio que foi se mostrando o início do que pretendo fazer no futuro, apresentei meu TCC e recebi nota máxima, terminei a faculdade da forma mais natural e inconsciente possível, transformei um estágio em um emprego, terminei o ano me preparando e torcendo por possibilidades de estudar e mora fora, e vou passar a virada de ano em um país que sempre sonhei em conhecer.

Comecei o ano buscando mais sobre mim mesma, buscando aquilo que conversa com uma parte intrínseca a mim. Descobri a deeksha e me tornei uma doadora, me aprofundei mais nos meus estudos de Yoga e dos Sutras, fui pra São Paulo para conhecer um templo budista, consegui, pela primeira vez, entrar em contato com algo dentro de mim que eu nem sabia que existia.

Investi mais tempo no blog e nas leituras, consegui novas parcerias fixas e parcerias pontuais com editoras que amo, ultrapassei a minha meta de leitura no meio do ano, li alguns dos livros mais incríveis da minha vida, mergulhei ainda mais no meu amor pelos livros e até criei um clube do livro na minha cidade.

Passei a cuidar mais de mim, do meu corpo, da minha mente e do meu coração. Passei a olhar com mais carinho para mim mesma e busquei refletir isso todos os dias de alguma forma. Comecei a não comer carne uma vez por semana, passei a praticar yoga quatro vezes por semana, cultivei o hábito de meditar com mais frequência, enchi um potinho da gratidão, comecei um scrapbook, busquei me exercitar mais do que já fazia, passei a tomar chá todos os dias, adotei uma rotina de skin care, me dediquei mais aos meus bichinhos, procurei aprender mais sobre a natureza e o ambiente à minha volta.

Aprendi a ouvir mais e melhor a voz que existe na minha mente e a respeitar aquela que me guia de dentro do peito. Me abri para novas oportunidades e reuni coragem para colocar em prática sonhos e desejos que eu guardava há algum tempo. Me libertei de traumas e sentimentos que me acompanhavam desde que eu era nova demais para entender o que significavam. Levei alguns tapas na cara da vida e das expectativas que coloquei em mim e nos outros. Perdi um pouco a ilusão de que algumas coisas deveriam ser perfeitas e entendi que eu também jamais poderei corresponder a qualquer ideal de perfeição.

Aprendi mais sobre minha condição de mulher e sobre o propósito da minha existência como ser humano. Abri os olhos para o que o universo queria me mostrar e direcionei minha atenção para o que minha alma tentava me dizer. Fiz as pazes comigo e com muita gente que às vezes nem sabia que precisava perdoar e ser perdoada. Me abri um pouco mais para o mundo e para a vida. Amadureci muito em pouco tempo.

Tive um final de ano turbulento, com tudo o que me dispus a fazer se acumulando e me exaurindo. Me desviei um pouco daquilo que gostaria de ter feito e senti que perdi um pouquinho do que havia conquistado nos primeiros meses no ano. Senti velhas inseguranças voltando com força e descobri novos anseios que me tiraram o chão por diversas vezes. Deixei de aproveitar vários momentos porque simplesmente não consegui fazer tudo de uma vez. Temi me perder de vez enquanto não tinha mais tempo para continuar me encontrando.

Mas a vida é feita de processos e todo dia vivo um diferente. A vida é feita de ciclos e muitas vezes eles se repetem e precisamos reunir coragem, força e disposição para enfrentar os mesmos demônios de novo e de novo.

2018 foi um dos anos mais intensos que já vivi. 2018 foi um dos anos que mais me proporcionou aprendizados. 2018 me aproximou de pessoas incríveis, me afastou de outras e estreitou ainda mais os laços com pessoas essenciais pra mim. 2018 me bateu, me amou, me derrubou, me reergueu, me tirou o chão e me deu o céu. 2018 me deu o maior presente que a vida poderia ter me dado: me devolveu pra mim.

Em 2018 eu aprendi o real significado da palavra Gratidão.

Começo 2019 ainda tentando absorver tudo o que 2018 significou pra mim e com a certeza de que muitos outros anos vão passar antes que eu consiga. Começo o ano tendo a certeza de que me tornei uma pessoa completamente diferente daquela que observou os ponteiros marcarem meia noite no dia 31 de dezembro de 2017. E sei que, daqui a 365 dias, serei outra mulher olhando para o ano que termina. E isso aprendi esse ano.

2018 me ensinou que cada mudança pode ser desafiadora e linda, que cada virada de página do calendário pode representar o fim de algo que tinha que acabar e o começo de algo que precisa começar. Não preciso ser as nuvens que viajam o mundo em busca de algo maior. Eu sou o céu que as observa passar. Permanente. Presente. Consciente.

2018, gratidão. 2019, estendo a mão.

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07:37 1 comments

Hoje estavam falando de você. Era uma dessas conversas cheias de risadas, lembranças, companheirismo. Escutei seu nome, claro. Perguntaram se eu te conhecia, estavam esperando histórias e recordações. Eles esperaram o que eu iria dizer, acharam que eu iria começar a falar e não iria parar mais. Eu disse que sim, eu te conheci. Não disse mais nada. Nem ousei dizer que ainda te conhecia, deixei claro o verbo no passado.
Acho que fiquei surpresa comigo mesma, normalmente deixo as lembranças falarem por si só. A verdade é que eu não quis demonstrar o quanto você foi importante para mim, não iria dar ao passado o gostinho de trazer aqueles sentimentos de volta. São sentimentos que eu tentei enterrar, sabe?
Mas estaria mentindo se dissesse que não me incomodou todo aquele silêncio. Eu senti orgulho de mim, mas senti saudade. Saudade do de você, saudade de nós, saudade de tudo que aconteceu. Senti saudade de mim, do que eu fui, do que eu era.
Perguntaram o que você era para mim. Normalmente eu teria feito uma piada estúpida, teria uma resposta na ponta da língua. Mas naquele momento eu simplesmente respirei fundo, engoli todas as malditas lembranças e disse: “Só um velho amigo”.
07:07 2 comments


Sabe, não tem nada de errado em não ser igual a todo mundo. Às vezes é difícil olhar para o lado e ver que talvez aquele não seja o seu lugar e que na verdade você não faz ideia de qual é esse lugar. É ruim se sentir sozinho no meio daquele tanto de gente e não poder fazer nada além de desejar que tudo fosse diferente, que você fosse diferente. É estranho estar rodeado de gente e ao mesmo tempo sentir como se não houvesse mais ninguém no mundo além de você. Aquele olhar vazio que preenche as pessoas nunca vai ter aquele brilho que você tanto procura. Entende?
Mas numa dessas divagações de fim de tarde, me lembrei de algo que havia esquecido. Algo que não deveria nunca esquecer.
Não tem nada de errado em não gostar das mesmas músicas que todo mundo gosta. Não tem nada de errado em não saber de cor a letra daquele clássico nacional que todo mundo canta na roda de violão. Não tem nada de errado com seu corpo só porque ele não parece com aquele estampado nas capas de revistas. Seu sorriso não se parece com os sorrisos platinados e iguais do resto, mas não tem nada de errado com ele. Não tem nada de errado com o seu cabelo só porque ele não prende do mesmo jeito que o cabelo daquela menina da escola. Não tem problema você não gostar de maquiagem, assim como não tem problema se você passa o dia se maquiando e aprendendo truques novos. Não tem nada de errado com seus desenhos meio tortos, eles são seus.
Não tem nada de errado com os filmes que você assiste ou com a maneira com a qual você passa os seus finais de semana. Tudo bem você não querer entrar na onda de todo mundo, tudo bem você não tentar seguir um padrão. Não tem problema se só você decidiu não aderir àquele penteado ridículo que todo mundo cismou em usar. Não tem nada de errado com o fato de você não gostar de beber e achar ridículo quem bebe só para conseguir aguentar uma festa, assim como não tem nada de errado se você adora aquela cervejinha no final do dia. Não tem nada de errado com a maneira meio desengonçada com que você pratica esportes, é sincera, honesta. Suas roupas expressam um pouquinho da sua personalidade, não tem nada de errado com elas.
Não tem nada de errado com os livros que você ama, com as citações que você sabe de cor. Não tem problema nenhum se você prefere se enrolar na cama e jogar videogame a noite inteira enquanto os outros vão em festas. Não tem nada de errado com o fato de você escolher ficar em casa, assim como não tem problema você preferir ficar em qualquer outro lugar além da sua casa. Não tem nada de errado com as suas particularidades. Não tem nada de errado com você.
Sinto que às vezes as pessoas se esquecem de que aquilo que nos difere é aquilo que os outros vão lembrar. Sempre me lembrei mais daquela pessoa espontânea, que se expressava da sua própria maneira, do que daquela que fazia de tudo para agradar aos outros. Sempre me apaixonei por excentricidades. O diferente é tão mais bonito...
Aquelas pessoas que não se deixam apagar por causa das outras são tão lindas, tão lindas... Pessoas diferentes nos marcam, nos tocam de maneiras que aquelas xerocadas jamais vão conseguir. Pessoas parecidas a gente encontra em todo canto, pessoas especiais a gente guarda no bolso, nem que esse bolso esteja escondido na memória. Às vezes tentamos tanto esconder aquilo que nos difere, que deixamos passar pessoas que nos amariam justamente porque somos diferentes. Acho que o que eu quero dizer é: não esconda aquilo que te faz... você! Não tem nada de errado em ser diferente. Nada.
Aquilo que é seu, e só seu, será aquilo que vai te iluminar por toda a sua vida. Pessoas diferentes se reconhecem e quando isso acontece... é mágico. Diferente. Sempre me encantei por risadas estrondosas, piadas sem graça, roupas esquisitas, penteados loucos. Não tem nada de errado em não se esconder, em aceitar quem você é e se amar por isso. Não tem nada melhor do que olhar nos olhos de alguém igualmente diferente e ver aquele brilho e saber que a pessoa vê o mesmo em você. Porque vocês não se esconderam. Porque vocês se entendem. Porque vocês são diferentes.
17:16 1 comments

O amanhecer tentava anunciar sua chegada pelas cortinas de voil. O pequeno espaço entre as duas cortinas permitia que um feixe de luz chegasse até a cama.
Ele empurrou um pouco as pesadas cobertas pra seu colo e se virou tentando alcançar o chão com os pés. Aquela cama alta às vezes podia ser uma benção e uma maldição. Tocou seus pés cansados no tapete persa e se levantou com certo esforço. Caminhou até a janela e terminou de fechar as cortinas antes que ela acordasse, seu sono era mais leve que as pétalas de sua orquídea favorita. Ele sorriu com esse pensamento.
Dando a volta no quarto, olhou para a cama e quase riu ao procurá-la entre as camadas de lençóis e cobertores. Tão pequena, ela ainda dormia como se não fizesse menção nenhuma de acordar.
Ele abriu a porta com cautela e saiu da forma mais silenciosa que seus passos pesados permitiam. O corredor o recebeu com vários porta-retratos e quadros pendurados pelas paredes e um familiar cheiro de lavanda. De vez em quando ele se permitia parar no meio do caminho, escolher alguma daquelas memórias e mergulhar nas lembranças de um passado que parecia cada vez mais distante e, de uma forma estranha, cada vez mais presente.
A luminosidade da cozinha já o presenteava com uma bela manhã antes mesmo que ele virasse o corredor. O tímido ruído da máquina de café era quase imperceptível.
– Bom dia – ele sorriu para a ajudante que acabara de colocar duas fatias de pão na torradeira.

– Bom dia, senhor – ela retribuiu com genuína simpatia. Ela era sempre tão gentil...
Até algum tempo, ele ainda conseguia se levantar antes que ela chegasse, mas ultimamente algumas dores exigiam que ele ficasse alguns minutos a mais na cama de repouso. Nada preocupante.
Ele atravessou a cozinha e abriu a porta de vidro que dava para o jardim. Seus olhos se acostumaram rapidamente à claridade e ele se permitiu respirar fundo e assimilar todos aqueles aromas que ele tanto amava.
O jardim nos fundos da casa era seu paraíso particular, um verdadeiro mar de cores e aromas frescos. Era um cenário digno de um filme europeu. A casa de tijolos, telhado inclinado e arquitetura alemã eram um pequeno espaço de cores vivas em meio a um bairro pacato. Não que as outras casas dali seguissem o padrão acinzentado da cidade grande, mas a sua casa, o seu lar, definitivamente se destoava. Mas o jardim era sua menina dos olhos, era aquilo que ele procurava quando abria a janela de manhã. Ele podia ficar em êxtase só por saber que todas as suas flores estavam crescendo e sendo cuidadas bem debaixo da sua janela.
Fechou a porta da cozinha e seguiu em frente até onde o chão se transformava em um caminho de pedras e o cercava de cores.
As azaleias eram as que primeiro lhe chamavam a atenção. Quando se conheceram, sua esposa lhe disse que eram suas favoritas por causa da cor. Ela sempre amou a cor rosa e nunca se envergonhou disso. Adorava esbanjar sua feminilidade. Com o tempo elas deixaram de ser suas prediletas, mas continuavam embelezando constantemente alguns vasos espalhados pela casa.
Os girassóis, carentes de atenção, se erguiam pomposos. Esguios e chamativos, eram um lembrete constante de sua juventude, de um tempo em que ele mesmo se via cheio de vida, sempre em direção ao sol.
Suas estrelícias, discretas em meio às suas longas folhas verdes, davam um ar exótico ao seu jardim de cores. Depois de alguns anos tentando fazê-las florescer, podia praticamente sentir seu peito se estufando toda vez que passava por elas. Ainda conseguia se lembrar de todas as vezes em que, quando mais novo, se ajoelhou ao lado da muda, com os braços e pernas cheios de terra, e se perguntou o que estaria fazendo de tão errado quando não conseguia fazer nascer uma flor.
Ah, o dente de leão... Quando a primeira planta cresceu em seu jardim, ele se sentiu receoso. Não tinha planejado plantá-la, e mesmo quando fez todas as adaptações no jardim e a arrancou, não pôde deixar de ficar surpreso quando, algum tempo depois, esporádicos pontinhos brancos voltaram a morar por ali. Com o tempo (e mais algumas tentativas), ele passou a deixar de vê-la como uma praga e a vê-la com certa admiração. E como negar a beleza das sementes que voam com tamanha graciosidade?
Quando mais nova, sua esposa adorava arrancar alguns dentes de leão e, com os olhos fechados, soprava e se deleitava com a sensação de vê-los voando por aí. Às vezes ela era capaz de passar uma manhã inteira procurando dentes de leão no jardim. Hoje ele percebe que só permitiu com que continuassem crescendo em seu jardim porque adorava a expressão no rosto da esposa. A quantidade crescente deles era um lembrete de como a frequência das visitas diminuiu. Ele entendia os joelhos cansados, os passos lentos, o fôlego fraco, mas ainda assim, sempre que pisava no jardim sentia a nostalgia visitá-lo por alguns instantes.
As rosas, grandes clichês, em nada se perdiam no jardim. Seu aroma era inconfundível ao seu olfato, mesmo que fosse quase imperceptível à distancia para os outros.
Ele foi até suas roseiras e decidiu pegar duas de cada cor. Com uma tesoura na mão, tomou todo cuidado para escolher vermelhas, amarelas, brancas e champagne. Olhando para as vermelhas e brancas de novo, decidiu pegar mais uma de cada. Com seu pequeno buquê nas mãos, analisou com cuidado as pétalas e levou-as até o nariz. Suspirou em contentamento.
Fazendo sua caminhada diária em seu pequeno paraíso, foi até seu cantinho especial e se sentou no banco de madeira que descansava na sombra. As margaridas eram suas favoritas. Brancas de pureza e amarelas de alegria, eram pequenos pontinhos constantes em seu jardim. Não tinham a beleza extravagante das suas orquídeas ou cerejeiras, eram mais fáceis de cuidar e bem mais encantadoras. Sempre aos montes, ele se orgulhava de olhá-las da janela do quarto, da mesa acomodada no meio do jardim, da varanda da cozinha. Por onde quer que ele passasse na casa, seus olhos sempre buscavam suas meninas.
Por mais que quisesse continuar sua caminhada, sentia suas juntas rangendo e seus braços procurando algum apoio. Forçou-se a dar por encerrada sua caminhada e, segurando seu pequeno buquê entre as mãos, voltou pelo pequeno caminho de pedras que levava até a varanda da cozinha.
Como sempre fazia antes de voltar para dentro de casa, olhou por cima do ombro para admirar seu jardim. Um centro de cores e aromas, de memórias e desejos, alguns mais desvanecidos que outros. Após anos de adaptações, estudos e muita dedicação, ele conseguiu construir um lugar do qual pudesse sentir orgulho. Um lugar para se admirar todo dia.
Limpou os pés no tapete da entrada e, após um copo d’água, retomou seu caminho para o quarto. O sorriso encantado que a ajudante direcionou ao delicado buquê passou despercebido.
Ao chegar no quarto, comemorou mentalmente por ela ainda estar dormindo. Não ficou no jardim tanto tempo assim, afinal. Preocupou-se em ajeitar uma última vez as rosas em suas mãos e as colocou delicadamente na cômoda ao lado de sua esposa.
Todo dia ele se preocupava em acordar cedo, antes que ela despertasse, e descia até o jardim para montar um buquê. Flores eram pequenos presentes da natureza e sua esposa era a maior recompensa de todas. Na época em que “uma flor para uma flor” não soava tão banal, ele pensou que não haveria nada mais verdadeiro que aquela frase.
Todo dia ela acordava com uma seleção de flores que ele mesmo plantou, que ele mesmo cuidou, que ele mesmo adorou até que pudesse colhê-las e presentear a pessoa que mais amava no mundo. Todo dia ela já sabia que acordaria com seu presente e, mesmo assim, o brilho nos seus olhos nunca demonstrava nada menos que a mais completa alegria.
Ele foi até a janela e abriu as cortinas. Quando a luz da manhã adentrou o quarto, ele voltou até a cama e se sentou ao lado dela. Deu um beijo em sua testa e percebeu quando ela começou a acordar. Com os olhos pequenos de sono, suas pálpebras se ergueram e seus olhares se encontraram.
Depois de tantos anos, ele ainda se surpreendia com as emoções que tomavam conta de seu peito toda vez que aqueles olhos verdes encontravam os seus. E quando encontravam... Nem o mais belo dos jardins se comparava àquilo.
12:48 5 comments
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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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