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Nostalgia Cinza


Me senti um tanto quanto perdida nos últimos tempos. Às vezes a gente espera demais das pessoas e esquece que não temos o direito de esperar nada de ninguém além de nós mesmos. E é bem ruim esperar sempre o bem de outras pessoas e só enxergar o mal, só receber aquilo que é ruim. Pra quem sempre teve o coração aberto para o mundo, viver em uma época de ódio não é uma das tarefas mais fáceis.

Fácil é ver que tudo está fora do lugar, que pouca coisa faz sentido. E quando algo não faz sentido pra mim, dói. Às vezes dói bastante. Mas quanto mais me recolho em mim, mais entendo que as coisas acontecem como devem acontecer, por mais que a compreensão esteja fora do alcance. Em momentos e lucidez eu percebo que tudo acontece da forma que deveria, percebo que o caminho está traçado, basta ter coragem para percorrê-lo e humildade para aceitar que ele não será da forma que eu espero.

O caminho para a compreensão é infinito e tortuoso, mas é certo e exige resiliência. E mesmo em momentos de desespero e fadiga emocional, consigo entender que é preciso força. Força para continuar bem quando o mundo está mal, força se manter de pé quando todos querem ruir, força para encarar com bondade toda a maldade do mundo.

Quanto mais abro mão de certezas e me curvo à descoberta daquilo que não sei, mais me parece claro que se sentir perdida e desamparada faz parte do processo. E dá sim pra enxergar beleza tudo. Mesmo agora. Precisa de muito pra me tirar o chão, mas pouco para me devolver a sanidade.

Me sinto sã de novo.
15:21 No comments


O mais difícil é deixar ir
Pessoas, momentos, sensações, sentimentos
Porque a gente sempre acha que pode tirar mais daquilo
Que tudo isso ainda pode render mais lembranças,
Mais lições, mais alguma coisa
E a gente acaba se prendendo naquilo
Que não faz mais tão bem assim
Acaba deixando ficar
Aquilo que já deu tudo o que tinha que dar
Não porque tenha sido algo ruim
Mas porque já não acrescenta mais o que era bom
E nessa insistência nostálgica,
A gente se prende num limbo
Daquilo que não chega porque o que está aqui
Não quer ir embora
Daquilo que já não nos pertence mais
Mas que continua presente
Porque a gente tem medo de perder
Porque a gente não deixa ir


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09:47 1 comments

Tem tanta gente que tem dificuldade em sair de si, procurar lá fora o que lhes falta por dentro. Procurar um brilho diferente nos olhos que as encaram de volta.

Tem tanta gente que procura a si mesmo nos outros, que busca querendo metade, que vai à luta pra se encontrar em alguém.

Tem tanta gente que quer mais de si, mais do mesmo, mais do que já sabe e conhece. Procura um espelho no colo de alguém que nada tem a acrescentar.

Ah, que pena daqueles que não se arriscam, que não se jogam, que não se machucam. Quem quer mais de si deixa escorrer um tanto do outro. Alguém que podia ser mais inteiro que uma metade qualquer. Alguém que vem pra mostrar, não pra refletir.

E, nessa descoberta do outro, a gente entende o que esconde lá dentro, o que escancara de fora. E não tem nada mais gostoso que aprender que ninguém precisa ser metade pra ser o inteiro de alguém.

*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente. Foto: bryanadamc. 
11:41 2 comments

Hoje estavam falando de você. Era uma dessas conversas cheias de risadas, lembranças, companheirismo. Escutei seu nome, claro. Perguntaram se eu te conhecia, estavam esperando histórias e recordações. Eles esperaram o que eu iria dizer, acharam que eu iria começar a falar e não iria parar mais. Eu disse que sim, eu te conheci. Não disse mais nada. Nem ousei dizer que ainda te conhecia, deixei claro o verbo no passado.
Acho que fiquei surpresa comigo mesma, normalmente deixo as lembranças falarem por si só. A verdade é que eu não quis demonstrar o quanto você foi importante para mim, não iria dar ao passado o gostinho de trazer aqueles sentimentos de volta. São sentimentos que eu tentei enterrar, sabe?
Mas estaria mentindo se dissesse que não me incomodou todo aquele silêncio. Eu senti orgulho de mim, mas senti saudade. Saudade do de você, saudade de nós, saudade de tudo que aconteceu. Senti saudade de mim, do que eu fui, do que eu era.
Perguntaram o que você era para mim. Normalmente eu teria feito uma piada estúpida, teria uma resposta na ponta da língua. Mas naquele momento eu simplesmente respirei fundo, engoli todas as malditas lembranças e disse: “Só um velho amigo”.
07:07 2 comments

E com o tempo todo o brilho que ela tinha dentro de si foi se apagando. Ela tinha tanto pra dar... Tudo o que ela amava em si mesma foi se distanciando até não passar de uma vaga lembrança do que antes chamava de amor próprio. Quando ela abria os olhos, havia luz, havia pureza, havia esperança. Hoje aquela chama não existe mais, parece que sequer existiu.

Sua voz alta, alegre e confiante diminuiu algumas oitavas até se tornar um constante silêncio. Amargura. Ela não ligava de ser a vela acesa contra o vento, achava que era uma montanha, tinha certeza de que era invencível. Mas as brisas se tornaram ventanias mais do que capazes de apagá-la. E apagaram.

A cera secou, a chama morreu. Seu brilho se foi. Ela nunca mais foi a mesma. Aquela história de ir contra o mundo não era pra ela afinal. Ela não era tão forte quanto imaginava ser. Talvez nunca fosse forte como queria ser. Ela nem se lembrava mais de seu brilho, se é que teve mesmo um brilho próprio algum dia. Conseguiram o impossível; fizeram escorrer lágrimas de uma pedra, fizeram um anjo sangrar.

Ela não era invencível, não era uma chama, não era um anjo. Ela não era nada. 

11:06 19 comments
Um pequeno devaneio a respeito de uma eterna procura


Viemos ao mundo sozinhos. Vamos deixá-lo da mesma maneira; desacompanhados. Então por que sentimos a necessidade de encontrar alguém que nos faça sentir um pouco mais seguros? Alguém para nos aconchegar um pouquinho? Se vamos terminar exatamente como começamos, por que nos sentimos incompletos a menos que haja alguém para apertar nossa cintura carinhosamente ou colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha? Alguém para dizer exatamente aquilo que precisamos nos momentos que precisamos, alguém para rir um pouquinho, aliviar o peso da constante seriedade que nos rodeia. Se nascemos para ser solitários, por que precisamos encontrar alguém que sopre esse sentimento para longe?
Alguns de nós são espontâneos, fáceis e abertos a todo sorriso novo, qualquer risada diferente já encanta, como um convite. Outros são mais trancados, duros na queda, quase impossíveis. No fundo buscamos a mesma coisa, a mais simplória de todas: alguém para nos fazer sentir em casa. Alguém para ser a nossa casa. Algumas pessoas buscam asas, para poderem voar sem medo de cair e dar de cara no chão. Tudo o que outras querem é uma âncora para ajudar a manter as coisas no seu devido lugar.
Sou dessas que se força a acreditar que nascemos e morremos para dar a cara a tapa, sozinhos. Na realidade estou sempre com barreiras erguidas e soldados a postos. Quem diria que isso viria de uma romântica incorrigível?
Chegar em casa e encontrar alguém te esperando, dormir com braços quentes e cuidadosos em volta do corpo, acordar com o olhar sonolento daquela pessoa que faz seu coração bater um pouquinho mais rápido. Por que isso vale tanto se no final não vai fazer diferença? Talvez seja exatamente por isso.
Talvez, na tentativa de provar que pequenos gestos de carinho mudam a solidão que nasceu conosco, realmente mostramos que não somos tão sozinhos assim. Talvez, não tenhamos nascidos tão solitários afinal. Quem sabe a solidão não seja apenas um passo, um trecho do caminho? Talvez sejamos como as conchas, metades de um inteiro. Um lindo, engraçado e distante inteiro.

Talvez estejamos por aqui buscando nossas asas e âncoras. Ou, quem sabe, sejamos simples como as conchas, apenas procurando nossa outra parte, aquela metade que vai se encaixar perfeitamente em nós e fazer toda essa busca idiota valer a pena.
15:15 6 comments
Eu só preciso de um capítulo novo nessa droga. Nem precisa ser um lugar diferente, só um dia diferente. Com pessoas novas surgindo do nada, mudanças acontecendo e novas risadas pra fazer brotar um sorriso novo no meu rosto. Quem sabe alguém diferente pra compartilhar um livro que li recentemente, uma piada sem graça que escutei outro dia ou até mesmo trocar alguns abraços e carinhos cheios de significados ocultos. Um novo confidente, uma amizade colorida ou quem sabe até um romance desses de cinema mesmo. Talvez um bar novo, conversas novas e outros pontos de vista. Uma nova perspectiva. Um dia novo com tudo pra não ser velho. Quem sabe o sol não nasça de um jeito que nunca havia nascido antes? Quem sabe a chuva que cair no final da tarde não caia para lavar a sujeira do que não presta mais? Novos ares, um novo tudo. Novidade, mudança, diferença. Um pouco de tudo, por favor porque esse café já esfriou.
17:30 No comments
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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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