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Nostalgia Cinza

"A chuva caía forte. Ela apenas observava e escutava atenta ao som das fortes e pesadas gotas caindo do céu. Filetes de água escorriam do lado de fora de sua janela formando momentâneos desenhos abstratos.
— Você não acha a chuva maravilhosa? — Ela suspirou sorrindo.
— Acho que ela pode destruir bastante — Ele simplesmente murmurou enquanto continuava despejando água na cafeteira. 
— Mas essa é a beleza.
— Que beleza há na destruição?
Ela mordeu os lábios antes de responder. Por fim voltou a olhar para a janela. 
— A chuva na qual eu me refiro, não destrói. Ela leva embora o que não foi forte o suficiente para ficar de pé."
15:49 6 comments
"Ela estava cansada. Exausta para ser mais exata. E toda aquela música ensurdecedora não estava melhorando em nada seu humor. Seus saltos pareciam esmagar seus pés, estava cansada de usar um vestido, ela odiava aquilo. 

Foi até o bar já sentindo seus olhos arderem.

— Que tipo de bebida devo preparar para a senhorita? — O homem sorriu com uma sobrancelha erguida demonstrando curiosidade.

— Honestamente? — Ela se apoiou no balcão. — Não faço ideia. Odeio bebida, odeio beber, odeio gente bêbada.
Suspirou.
— Então por que está aqui? — Ele parecia curioso, mas não tirava aquele maldito sorriso do rosto. 
— Por que preciso matar algumas coisas dentro de mim. 
— E você acha que a bebida vai matá-las? — Ele riu. 
— Estou aqui para descobrir, não é? — Ela tentou sorrir, acabou virando uma careta. — Então, por favor, algo forte. Mas não o suficiente para eu ter que voltar acompanhada para casa. 
Ele riu novamente enquanto escolhia uma das inúmeras garrafas na parede e pegava um copo pequeno.
— Sabe, eu sei o que você está pensando. — Ela sentiu a necessidade de dizer enquanto ele despejava um líquido laranja escuro em seu copo. — Mas não sou dessas que se desespera por atenção e acha que bebendo vai conseguir.
Ele não disse nada, apenas entregou o copo e observou com olhos atentos.
Ela levou o copo até a boca e tomou um pequeno gole. Sentiu aquilo queimar sua garganta até o estômago e tossiu por alguns instantes. 
— Eca! — Tossiu mais um pouco. — Mas que… — Mais tosse. 
Ele não conseguia parar de rir. 
— Conseguiu o que queria? 
— Não… — Ela suspirou. Sentiu vontade de arremessar aquele copo no meio da pista de dança. — Pra falar a verdade acho que eu só piorei as coisas. 
Silêncio.
— Ok, agora eu tenho certeza que você não é como as outras. 
— O que te fez chegar a essa conclusão? O fato de eu ter chegado aqui e falado para um completo estranho que haviam coisas dentro de mim que precisavam ser mortas ou foi minha crise por causa de estúpidas bebidas alcoólicas? 
Ele sorriu e ela gostou daquilo.
— Foi quando eu te vi em pé em um canto qualquer fugindo de algumas pessoas só para poder tirar um livro da sua bolsa e ler por alguns minutos. Você não é como as outras. Seu tipo é outro.
— Que seria… — Ela tentou não sorrir.
— O tipo que eu gosto. — Aquele sorriso novamente, droga.
Ela estava sem palavras. Odiava aquilo. Estava odiando muitas coisas ultimamente, ela pensou.
— Meu turno acaba em alguns minutos. Que tal eu te tirar daqui antes que essa confusão dentro ai dentro acabe com você?
— Com uma condição. — Ela sorriu. Sinceramente dessa vez.
— Diga.
— Sem bebidas."
14:12 1 comments
Seu celular começou a tocar ao lado de sua cama. Ela estava ali deitada o dia inteiro. Não que estivesse com sono, mas precisava estar ali. Achava que dormir faria aquela dor cessar um pouco, talvez dormir afastasse aqueles pensamentos desagradáveis. As lembranças a atormentavam. Procurou com esforço o aparelho e o nome na tela fez seu coração doer de novo. “Hora de ser forte”, ela disse a si mesma.
― Oi ― Ela murmurou.
― Decidiu me atender hoje? ― ele brincou. Ela não respondeu, sentir aquela dor aguda não a ajudava. ― Como você está?
― Por que você está me ligando? Você também não atendeu quando eu te ligava.
Ele permaneceu em silêncio por um tempo antes de achar as palavras.
― Eu achava que se te ignorasse como você tentava fazer comigo, seria mais fácil.
― E por que está me ligando agora? ― Aquelas lágrimas ameaçavam voltar aos seus olhos, engoliu com força.
― Porque… ― ele parou. Suspirou. ― Não tem um porquê.
O silêncio voltou a gritar.
― Sinto sua falta ― os dois disseram juntos.
― Volta pra mim? ― ele pediu com um sorriso.
― Não ― Ela respondeu com as lágrimas rolando pelo seu rosto. ― Digo, não sei. Dói demais. ― ela fungou.
― Mas dói ficar longe de você… ― ele apertou o telefone.
― Eu sei, como sei…  ― ela se encolheu debaixo dos cobertores procurando conforto.
O silêncio voltou. Ambos machucados com aquelas palavras. Ambos queriam estar juntos.
― Você está deitada na cama não está? ― ele perguntou de repente. Ela não respondeu, onde ele queria chegar com aquilo? ― Detesto saber que você está assim, sozinha.
― Queria que eu estivesse com alguém?
― Sim ― ele disse. ― Comigo.
― Isso é meio impossível. Não só pela distância…
― Vamos dar um jeito nisso?
― O que quer dizer?
― Não vou mais te deixar sozinha e sei que você também não quer mais isso. E não quero mais te ver chorando, ainda mais por mim.
― É fácil falar ― ela murmurou e fungou novamente. Que droga, as lágrimas não paravam mais de cair. 
― Para de ser teimosa.
― Para de ser insistente ― ela riu involuntariamente.
― Viu, fiz você rir ― ele sorriu do outro lado da linha. ― Não vou mais te deixar sozinha, quero ver minha teimosa rir mais vezes por minha causa.
― Idiota. ― ela sorriu.

― Sou um idiota mesmo. Mas um idiota que trouxe pizza, então abre logo essa porta.
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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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