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Nostalgia Cinza


Sempre ouvi falar muito de Neil Gaiman, era um nome que sempre me despertou certo interesse. Quando a intrínseca lançou uma coletânea de contos do autor decidi que era a minha chance de descobrir um pouco mais sobre o trabalho de um grande nome no mercado editorial, além de devorar alguns contos. 

É com palavras assim que Neil Gaiman apresenta “Alerta de risco”, uma rica coletânea de histórias de terror e de fantasmas, ficção científica e conto de fadas, fábula e poesia que exploram o poder da imaginação. Em “História de aventura”, Gaiman pondera sobre a morte e sobre como, ao morrer, as pessoas levam consigo suas histórias. No suspense “Caso de morte e mel”, ele nos presenteia com sua versão do mundo de Sherlock Holmes. Em “A Bela e a Adormecida”, duas conhecidas personagens de contos de fadas têm suas histórias entrelaçadas em uma releitura bastante original. “Hora nenhuma” é um conto muito especial sobre Doctor Who, escrita para o quinquagésimo aniversário da série de tevê, em 2013. E há também um conto escrito exclusivamente para esta coletânea: “Cão negro”, que revisita o mundo de Deuses americanos ao narrar um episódio que envolve Shadow Moon em um bar durante seu retorno aos Estados Unidos. Um escritor sofisticado cujo gênio criativo não tem paralelos, Gaiman hipnotiza com sua alquimia literária e nos transporta para as profundezas de uma terra desconhecida em que o fantástico se torna real e o cotidiano resplandece. Repleto de estranheza e terror, surpresa e diversão, “Alerta de risco” é um tesouro que conquista a mente e agita o coração do leitor.

Logo de cara achei Neil bem peculiar. A introdução do livro tem quase 30 páginas nas quais o autor se preocupa em conversar diretamente com o leitor. Algo bem interessante é o fato de Neil se preocupar em explicar e contar um pouco sobre a história por trás de cada um dos contos do livro. Ele fala a respeito de inspirações, motivos para ter escrito aquele conto; alguns mais breves, outros mais detalhados. Gostei muito da conversa de Neil, da forma como ele fala aberta e sinceramente com o leitor, com humildade.
Minha parte favorita do livro está no capítulo Um calendário de contos, com 12 contos representando cada um dos meses do ano. Meus favoritos foram: junho, julho, outubro, dezembro com um enfoque especial em junho que mais parece uma crônica cheia de amor <3 Foi uma sacada incrível do autor para escrever um pouquinho sobre cada época do ano, sobre o que cada mês pode transmitir em diferentes realidades, é algo que levei de inspiração com toda certeza. 


No começo da leitura achei que seria uma coletânea de contos de suspense, tanto pela capa quanto pelos primeiros avisos de Neil. Tomando o primeiro conto, Sombreador, como base, pensei que leria um livro completamente diferente. O primeiro conto aborda uma temática com um desfecho bem sobrenatural. Mesmo com Neil comentando na introdução que apenas descobre o tema de seus textos quando vai relê-los na década seguinte, me senti um pouco perdida. Confesso que me decepcionei um pouco com a leitura, mas mais porque me senti um tanto quanto confusa a respeito da proposta do autor. Não foi o fato dos contos não terem um tema em comum, mas sim o fato de serem completamente diferentes. Enquanto alguns geravam certo suspense, outros me entediavam bastante. O livro todo foi marcado por contos que me agradaram bastante e contos que me fizeram ter vontade de passar as páginas. Isso me decepcionou um pouco.
No geral os contos são extremamente inteligentes, cheios de metáforas. Alguns mais parecem crônicas, recheados de críticas e ironias a respeito de alguma realidade ou acontecimento. Neil Gaiman escreve muito bem e isso é visível em seu texto, sua capacidade de compor cenários é fantástica, não é difícil entender porque seu nome é bastante conhecido. Acabei o livro de forma positiva, mesmo perdendo um pouco o ânimo no meio da leitura. É um livro que buscaria na minha estante para reler alguns dos contos, não ele como um todo. Leria sim outra coletânea de Neil, é um exímio escritor com uma imaginação incrível.

Alerta de risco foi escrito por Neil Gaiman e publicado pela editora Intrínseca.

            Classificação: 3/5 estrelas.
“Este livro, assim como a vida, contém elementos capazes de perturbá-los. Aqui você vai encontrar norte e dor, lagrimas e desconforto, violência de todos os tipos, crueldade e até abuso. Há também gentileza de vez em quando, espero. Até um punhado de finais felizes. (Afinal, poucas histórias terminam mal para todos os participantes.) E mais: conheço uma mulher chamada Rocky que tem forte sensibilidade a tentáculos é realmente precisa de alertas para coisas que contenham tentáculos, especialmente tentáculos com ventosas, e que, se encontrar um pedaço inesperado de lula ou polvo, vai se esconder atrás do sofá mais próximo, tremendo. Há um tentáculo imenso em algum lugar nestas páginas.
Muitas das histórias terminam mal para pelo menos um dos envolvidos. Considere-se alertado.”


Gostou da resenha? Já leu o livro ou ficou com vontade de ler? Então não esqueça de deixar uma curtida ou um comentário ;)
08:49 6 comments


O box Arquivos Serial Killers foi minha primeira aquisição da Darkside depois de muito tempo babando nas capas maravilhosas que a editora expõe nas prateleiras. Minhas primeiras leituras foram tudo o que eu esperava: eletrizantes, completas e incríveis. 

Ilana Casoy é autoridade no que diz respeito a mentes criminosas e resolução de crimes no Brasil. Para escrever seu primeiro livro, a escritora mergulhou em arquivos da polícia e da Justiça, do FBI e da Scotland Yard, além de ter feito extensas pesquisas em livros e artigos de jornais e revistas para compor um inquietante roteiro de como, por que razão e com que métodos os serial killers agem. Perturbador e por muitas vezes comovente, o relato de Casoy, escrito depois de rigorosa pesquisa em diversas fontes, nos apresenta histórias que nem a ficção e o cinema conseguiram imaginar.

Desde sempre me interessei por assuntos voltados aos famosos serial killers, sempre me interessei pela falta de empatia, por todo o mistério acerca da mente dos grandes psicopatas. O box parecia uma aquisição imperdível, e para quem é fã do tema, com toda certeza é essencial.
Ilana Casoy mostra, em cada parágrafo, porque é uma especialista e como é capaz de mergulhar na mente perturbada dos assassinos. Ao começo dos dois livros, Ilana explica de forma didática como a psicopatia é entendida por especialistas e procura deixar o leitor a par de tudo que será analisado, discutido e observado.
Dois livros compõe o box e decidi começar por Made in Brazil. 


Após o sucesso do seu primeiro livro, Ilana Casoy dedicou-se a uma pesquisa rigorosa para investigar os serial killers brasileiros, no que viria a ser o primeiro livro do gênero dedicado aos assassinos em série do Brasil. Foram cinco anos de pesquisas, visitas a arquivos públicos, manicômios e penitenciárias, além de entrevistas cara a cara com personificações do mal em terras tupiniquins, para compor um inquietante roteiro com rigor investigativo de como, por quê e com que métodos os serial killers brasileiros atuam. Em Made in Brazil, Casoy relata sete casos de serial killers brasileiros, três dos quais ela entrevistou pessoalmente: Marcelo Costa de Andrade, o vampiro de Niterói, um dos casos e depoimentos mais chocantes do currículo da autora; Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho; e Pedro Rodrigues Filho, o Pedrinho Matador”.

Por serem assassinos brasileiros, a leitura me chocou mais, mesmo que alguns dos crimes não fossem tão violentos ou animalescos como os de outros serial killers internacionais. O fato dos crimes terem acontecido muitas vezes em conhecidas cidades brasileiras dá uma sensação de proximidade aterrorizante. Ao contrário do livro Louco ou Cruel? da autora, em que são vários os assassinos retratados, Made in Brazil apresenta poucos, mas relatos extremamente detalhados e aprofundados.
Por ter tido contato direto com os assassinos, o relato se torna extremamente real e cruel. Ilana transcreve a entrevista com Marcelo Costa de Andrade com todas as suas palavras exatas e é bem perturbador. O assassino descreve cada um de seus crimes de forma detalhada e sem medir palavras, é como se nada daquilo o atingisse de forma alguma, como se ele estivesse descrevendo o que comeu no café da manhã. Além disso, Ilana teve acesso a fotos dos crimes e algumas delas compõem as páginas, deixando a leitura ainda mais completa e pesada. Made in Brazil não foi um livro fácil de digerir, não li com tanta rapidez como costumo ler outros livros. Foi uma leitura densa, não só pelo realismo daquilo que Ilana relata, mas pela reflexão dos pensamentos (ou possíveis pensamentos) dos assassinos. 


A primeira parte de Louco ou Cruel? aborda os serial killers sob diversos aspectos e à luz da Criminologia, do Direito, da Psiquiatria e da Psicologia, e dedica-se a dissecar este universo, analisando como tudo começa, quem são as vítimas, os aspectos gerais e psicológicos, os mitos e as crenças, o perfil do criminoso, a psicologia investigativa, a análise do local do crime e a encenação/organização da cena. Na segunda parte do livro, Casoy apresenta em detalhes 16 casos de serial killers que chocaram e marcaram o século XX, entre eles Albert Fish, Ed Gein, Ted Bundy, Andrei Chikatilo, Jeffrey Dahmer, Aileen Wuornos e o Zodíaco, cuja identidade segue desconhecida até hoje. Histórias que habitam as entranhas da humanidade e o que ela tem de pior: frieza, perversidade e falta de sensibilidade que acabam por produzir o mal em escalas inimagináveis.

Louco ou Cruel? foi um pouco mais fácil de ler, não porque os crimes foram “menos cruéis”, mas porque são relatos mais curtos devido à quantidade de assassinos e por já estar preparada para a leitura. Por me interessar muito pelo tema, sempre assisti a programas de investigação e alguns dos assassinos já me eram familiares. Nesse livro, Ilana não faz tantas análises aprofundadas a respeito da mente dos serial killers, até porque seu contato não foi direto, mas não deixa de escrever relatos detalhados e muito bem explicados. 


Ambos os livros foram escritos não apenas para esclarecer a respeito do tema, mas para saciar a curiosidade dos fãs e interessados pelo assunto. São dados estatísticos, entrevistas exclusivas com os "monstros" e várias curiosidades como, por exemplo, uma tabela com o número de assassinos seriais em vários países. Cada capítulo começa com uma frase dita pelo assassino em questão. Além disso, as fotografias deixam os relatos muito mais reais e palpáveis, as vítimas e assassinos ganham rostos e personalidades.
Os livros são extremamente bem escritos, gostei muito da forma com que Ilana escreve. É uma leitura fácil e muito didática. Não é um livro sádico, um livro perturbador, e sim esclarecedor e muito explicativo.
Também são livros muito bem feitos, dá pra perceber o trabalho e o acabamento. Esse é um detalhe que sempre me encantou muito nos livros da Darkside, todos os livros parecem ter sido feitos com muito carinho e de forma muito criativa. A diagramação, as ilustrações, fotos e composição dos relatos; tudo isso serviu para criar um livro visualmente bonito e atraente.
Se eu tivesse que escolher apenas um para ler, leria Louco ou Cruel? por ser uma coletânea mais vasta que Made in Brazil, mesmo que não tão detalhada. Nunca havia lido um livro da Ilana Casoy e com certeza lerei outros da autora, sua escrita me conquistou, além do tema extremamente interessante. Minha primeira leitura de um exemplar da Darkside foi tudo o que eu esperava e estou apaixonada pela editora, com certeza irei ler mais livros do selo e espero me surpreender cada vez mais.

O box Arquivos Serial Killers  foi escrito por Ilana Casoy e publicado pela editora Darkside.

            Classificação: 5/5 estrelas.

“Escrever um livro sobre casos reais e não uma ficção faz diferença no futuro de um escritor. A história de ficção está na imaginação, ela começa e termina quando é como você quiser. Durante o processo criativo não há limite, aí então você publica. Pronto! Trabalho encerrado. Se anos depois você ler e não gostar, paciência. Você pode dizer que mudou seu estilo, oitos podem chegar à mesma conclusão, mas a história ali contada não muda mais.
Relatar fatos reais muda tudo.
[...]
Houve muita reflexão sobre deixar ou não as fotografias dos assassinos, mas penso ser importante que todos percebam como é fácil um lobo se vestir em pele de cordeiro em uma cultura na qual o belo é bom e o feio é mau. Neste livro se vê que não é nada assim na vida real: o mais belo pode ser também o mais cruel. Seria maravilhoso que nossas crianças aprendessem isso.”


Gostou da resenha? Já leu o livro ou ficou com vontade de ler? Então não esqueça de deixar uma curtida ou um comentário ;)
09:02 1 comments

            Sabe aqueles livros simplesmente inspiradores? Clarice Freire conquistou as prateleiras em 2014 com Pó de Lua, agora, Pó de Lua nas Noites em Claro vai fazer todo mundo suspirar de novo.

“Quando a noite fica mais escura e as ruas se calam, a maior parte das pessoas dorme e sonha. Algumas, porém, preferem o silêncio para sonhar acordadas. Clarice Freire, autora do best-seller Pó de lua, faz parte desse grupo. É nessa hora que costuma criar suas poesias e seus desenhos. Em seu segundo livro, Pó de lua nas noites em claro, ela vira a madrugada ao avesso em palavras e imagens, dedicando uma hora a cada capítulo, da meia-noite ao amanhecer. Além dos versos que conquistam o público desde 2013, quando foi criada a página Pó de lua no Facebook, Clarice alterna passagens em prosa e poesia, acompanhando sua personagem durante um longo e mágico passeio pela cidade quase deserta.”

Pó de Lua nas Noites em Claro, assim com o primeiro, é um livro pequenino, pra levar na bolsa nos momentos em que faltar a inspiração. O livro é dividido em seis partes, ou capítulos, como se fossem as horas da madrugada, de 00h às 05h. Cada um dos capítulos começa com uma pequena história em que a autora situa o leitor e, a partir daí, deixa as palavras e desenhos tomarem conta das páginas.


00:00
As ruas se calam
"E saber por que, afinal, fugi da cama. É que a cidade não entende a agonia de quem ama."


É difícil encontrar pessoas que escrevam com tamanha simplicidade e carinho como Clarice compõe seus versos em Pó de lua nas noites em claro. É impossível conter o sorriso em diversos momentos. A maneira envolvente com que Clarice faz você passar as páginas é deliciosa. Como disse na minha primeira resenha, é quase uma inocência a forma tão bela como ela enxerga as minúcias do mundo.

01:00
A boca se cala
"Deixou para trás suas luzes apagadas. Deixou todas num canto distante. Acendeu-se inteiro e seguiu rAdiante."

Todas as páginas são compostas por ilustrações adoráveis feitas pela própria autora e não são meramente ilustrativos. Desde ilustrações mais coloridas e espaçosas até sutis contornos das letras, cada detalhe faz a diferença na composição do livro. Por diversas vezes seus rabiscos apaixonantes não só fazem parte das poesias, como são essenciais.

02:00
O pensamento fala
"E meu olho feliz daquele jeito de amor passado, de amor vivido, de amor que ama."

As palavras, ora compondo poesias, ora formando um texto, são deliciosas de se ler. Clarice brinca com sons e sinônimos o tempo inteiro. É um livro inclusive para ler em voz alta, as palavras parecem brincar com a língua. São diversas metáforas, versos e pensamentos que parecem criar vida em cada uma das páginas.

03:00
Os moradores da noite
"Quem invade teus sonhos sem ser convidado? Quem vê em teu olho na noite, fechado?"

Pó de lua nas noites em claro me encantou pela identificação. Assim como Clarice, tenho fascínio pela noite, pelo mistério inquietante, pela calmaria imposta pela escuridão. Pelas almas adormecidas e amantes despertos. Ela deixa claro sua paixão pelas estrelas, pelas luzes da cidade, pelos transeuntes solitários. É um livro sobre detalhes feito em detalhes. Cada desenho, cada rabisco, cada vírgula e acento tem um significado diferente, uma intenção específica. É um livro feito com carinho, dá pra perceber em cada página a paixão de Clarice pela poesia.

04:00
Os primeiros raios de sol
"É que a maioria dos seres vive parcialmente do dia, e eu, de Lua."

É um livro encantador, para aquelas noites solitárias ou tardes chuvosas, para quem está sempre procurando palavras apaixonantes e se apaixonando por minúcias. É um presente para aquela pessoa sensível e para si mesmo.

05:00
Sentimentos dourados
"Sempre fui uma pessoa um tanto fugidia. Escorregadia. Por isso sempre me encontrava na noite."



            Para os amantes de poesia, versos, frases inspiradoras ou mesmo para aqueles que só estavam precisando de uma corzinha a mais no cotidiano, Pó de lua nas noites em claro é um aconchego muito bem vindo.

Pó de lua nas noites em claro foi escrito por Clarice Freire e publicado pela editora Intrínseca.

    Classificação: 4/5 estrelas.


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08:56 5 comments
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Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

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