― Nunca sei o que falar quando estou perto de você ― ele
murmurou olhando para baixo.
― Converse comigo sobre… O tempo. TÃpica conversa banal. ―
ela riu.
― Odeio quem conversa sobre banalidades.
― Desculpe, mas eu adoro.
― Por quê? ― ele voltou seu olhar para ela.
― Por que são as coisas simples, as tais “banalidades” que
me fazem perceber o quanto gosto de conversar com tal pessoa, não importa o
assunto.
― Você adora filosofar não é?
― Prefere conversar sobre banalidades? ― Um sorriso maroto
surgiu em seus lábios.
― Quer dizer então que você gosta de chuva? ― ele sorriu.
― Amo.
― Por quê? ― ele reprimiu um sorriso.
― Não sei. Amo escutar o barulho dela caindo, o modo como à s
vezes chega silenciosa e como outras chega causando estrago. E gosto de
observar suas infinitas gotas. Parecem lágrimas algumas vezes. Outras,
lembranças. Acho que amo a chuva por causa das sensações que ela me causa. É
como se fosse uma nostalgia encantadora. É um pouco contraditório.
Ele sorriu, não pôde mais conter.
― Percebeu que acabou de me fazer filosofar mais uma vez em
meio a uma conversa sobre banalidades?
― Sim. ― ele sorria. ― Eu percebi.
Ela ficou calada. Ele sempre a deixava confusa.
― Acabei de aprender com uma certa garota que conversar
sobre banalidades com alguém faz você ver o quanto gosta dessa pessoa.
― Eu não disse bem isso…
― Eu sei. Mas aprendi mesmo assim.
Silêncio.
― E gosto de ouvir você filosofando.
― Falando assim parece tão… Estranho.
― O que? Filosofar? ― ela assentiu. ― Eu acho perfeito.
― Filosofar?
― Também ― ele olhou em seus olhos.
― Qual a outra parte desse “também”?
Ele apenas olhou para ela e ambos sorriram.
Esses
dias estava dando uma revirada no meu Tumblr, lendo alguns textos antigos e
encontrei algumas coisinhas que gostei de reler. Achei esse diálogo e decidi
publicar aqui. Não faz mal algum dar uma olhadinha pra trás de vez em quando, não é?
Gostaram? Comentem se gostariam de ver mais posts assim aqui no
blog.
