facebook google twitter tumblr instagram

Pages

  • Início
  • Sobre
  • Resenhas
  • Cotidianos
  • Devaneios
  • Mercado editorial
  • Parcerias
  • Contato

Nostalgia Cinza

Ela estava sentada sozinha no meio da calçada. Chorava silenciosamente, tentava ser discreta. A maioria das pessoas nem percebia, seu rosto não estava vermelho graças a Deus. Ela precisava respirar um pouco, precisava ver pessoas, observá-las um pouco. Algumas lágrimas rolavam silenciosas por seu rosto.
Ele estava passando por ali, fazia sua corrida de todos os dias, até que viu sentada sozinha uma mulher com um sorriso triste e um olhar distante. Tirou os fones de ouvido e sentou-se ao lado da solitária.
Ela o olhou um pouco assustada. Limpou algumas lágrimas com as costas da mão e olhou tímida para o garoto.
― Quer um lenço? ― o homem sorriu.
― Você carrega um lenço com você? ― ela o olhou com um sorriso debochado.
― Não ― ele riu. ― Mas eu ia te oferecer minha camisa.
― Você sempre oferece suas camisas para estranhas sentadas na rua?
― É um ato bem comum na Itália sabia?
― Ah, claro. ― ela riu baixo. Suspirou e continuou observando as pessoas, os carros. Ele ficou em silêncio, tentou fazer o mesmo que ela.
― Por que você está sentado aqui? ― ela perguntou não querendo ser rude. 
― Você é a primeira garota que vejo sentada assim. E não queria deixar alguém assim chorando sozinha. ― ele sorriu torto.
― Não estava chorando ― ela mentiu. Ele ficou calado, não tentou insistir.
― É idiota.
― Como? ― ela se virou para olhá-lo.
― A pessoa que fez isso com você. É idiota.
Ela deu um sorriso triste, seus olhos ficaram úmidos novamente. ― É, eu sei. Estou cheia de idiotas na minha vida, mas sou burra de acreditar que alguns deles podem valer a pena. ― Ela passou as costas das mãos nos olhos para impedir algumas lágrimas de caírem.
― Não te culpo. Alguns idiotas podem sim valer a pena.
― Mas dói muito esperar por eles. Machuca muito. ― Droga, mais lágrimas surgiam em seus olhos. Por que ela estava chorando sentada ao lado de um estranho? Ela nunca chorava na frente dos outros.
― Vem ― ele levantou de repente e estendeu a mão para ela. Ela ficou parada apenas o olhando. Aonde ele queria chegar com aquilo? ― Vamos andar um pouco e depois tomar alguma coisa.
― Por que você está fazendo isso? ― ela perguntou hesitante ao segurar sua mão estendida.
― Não vou te deixar sozinha. Vai que mais idiotas aparecem e te machucam ainda mais. ― ele sorriu ajudando a garota a se levantar. 
― Quer saber? ― ela perguntou assim que eles começaram a caminhar. As lágrimas voltaram ao se sentir um pouco segura, confortável ao lado de alguém como ele. ― Aquela camisa cairia bem agora.


Mais um dos diálogos que desenterrei do meu cantinho no Tumblr. Adoro ficar revirando algumas coisas. 

Gostou? Comente se você gostaria de ver mais posts assim aqui no blog. 
20:30 No comments
― Nunca sei o que falar quando estou perto de você ― ele murmurou olhando para baixo.
― Converse comigo sobre… O tempo. Típica conversa banal. ― ela riu.
― Odeio quem conversa sobre banalidades.
― Desculpe, mas eu adoro.
― Por quê? ― ele voltou seu olhar para ela.
― Por que são as coisas simples, as tais “banalidades” que me fazem perceber o quanto gosto de conversar com tal pessoa, não importa o assunto.
― Você adora filosofar não é?
― Prefere conversar sobre banalidades? ― Um sorriso maroto surgiu em seus lábios.
― Quer dizer então que você gosta de chuva? ― ele sorriu.
― Amo.
― Por quê? ― ele reprimiu um sorriso.
― Não sei. Amo escutar o barulho dela caindo, o modo como às vezes chega silenciosa e como outras chega causando estrago. E gosto de observar suas infinitas gotas. Parecem lágrimas algumas vezes. Outras, lembranças. Acho que amo a chuva por causa das sensações que ela me causa. É como se fosse uma nostalgia encantadora. É um pouco contraditório.
Ele sorriu, não pôde mais conter.
― Percebeu que acabou de me fazer filosofar mais uma vez em meio a uma conversa sobre banalidades?
― Sim. ― ele sorria. ― Eu percebi.
Ela ficou calada. Ele sempre a deixava confusa.
― Acabei de aprender com uma certa garota que conversar sobre banalidades com alguém faz você ver o quanto gosta dessa pessoa.
― Eu não disse bem isso…
― Eu sei. Mas aprendi mesmo assim.
Silêncio.
― E gosto de ouvir você filosofando.
― Falando assim parece tão… Estranho.
― O que? Filosofar? ― ela assentiu. ― Eu acho perfeito.
― Filosofar?
― Também ― ele olhou em seus olhos.
― Qual a outra parte desse “também”?

Ele apenas olhou para ela e ambos sorriram.

Esses dias estava dando uma revirada no meu Tumblr, lendo alguns textos antigos e encontrei algumas coisinhas que gostei de reler. Achei esse diálogo e decidi publicar aqui. Não faz mal algum dar uma olhadinha pra trás de vez em quando, não é?


Gostaram? Comentem se gostariam de ver mais posts assim aqui no blog.  
17:23 6 comments
Seu celular começou a tocar ao lado de sua cama. Ela estava ali deitada o dia inteiro. Não que estivesse com sono, mas precisava estar ali. Achava que dormir faria aquela dor cessar um pouco, talvez dormir afastasse aqueles pensamentos desagradáveis. As lembranças a atormentavam. Procurou com esforço o aparelho e o nome na tela fez seu coração doer de novo. “Hora de ser forte”, ela disse a si mesma.
― Oi ― Ela murmurou.
― Decidiu me atender hoje? ― ele brincou. Ela não respondeu, sentir aquela dor aguda não a ajudava. ― Como você está?
― Por que você está me ligando? Você também não atendeu quando eu te ligava.
Ele permaneceu em silêncio por um tempo antes de achar as palavras.
― Eu achava que se te ignorasse como você tentava fazer comigo, seria mais fácil.
― E por que está me ligando agora? ― Aquelas lágrimas ameaçavam voltar aos seus olhos, engoliu com força.
― Porque… ― ele parou. Suspirou. ― Não tem um porquê.
O silêncio voltou a gritar.
― Sinto sua falta ― os dois disseram juntos.
― Volta pra mim? ― ele pediu com um sorriso.
― Não ― Ela respondeu com as lágrimas rolando pelo seu rosto. ― Digo, não sei. Dói demais. ― ela fungou.
― Mas dói ficar longe de você… ― ele apertou o telefone.
― Eu sei, como sei…  ― ela se encolheu debaixo dos cobertores procurando conforto.
O silêncio voltou. Ambos machucados com aquelas palavras. Ambos queriam estar juntos.
― Você está deitada na cama não está? ― ele perguntou de repente. Ela não respondeu, onde ele queria chegar com aquilo? ― Detesto saber que você está assim, sozinha.
― Queria que eu estivesse com alguém?
― Sim ― ele disse. ― Comigo.
― Isso é meio impossível. Não só pela distância…
― Vamos dar um jeito nisso?
― O que quer dizer?
― Não vou mais te deixar sozinha e sei que você também não quer mais isso. E não quero mais te ver chorando, ainda mais por mim.
― É fácil falar ― ela murmurou e fungou novamente. Que droga, as lágrimas não paravam mais de cair. 
― Para de ser teimosa.
― Para de ser insistente ― ela riu involuntariamente.
― Viu, fiz você rir ― ele sorriu do outro lado da linha. ― Não vou mais te deixar sozinha, quero ver minha teimosa rir mais vezes por minha causa.
― Idiota. ― ela sorriu.

― Sou um idiota mesmo. Mas um idiota que trouxe pizza, então abre logo essa porta.
13:55 No comments
Older Posts

About me

Whats-App-Image-2020-02-10-at-14-04-15

Laura Brand. Editora, jornalista, produtora de conteúdo e apaixonada por contar histórias. É apaixonada por livros e acredita que cada página guarda uma história incrível que merece ser contada. Atualmente você pode encontrá-la falando sobre narrativas por aí, contando histórias escritas e ajudando a transformar sonhos em livros.

Follow

Assine a newsletter!


Seguidores

Follow

Popular Posts

  • Entenda a ordem de leitura da Irmandade da Adaga Negra
  • 8 autoras de romances adultos que você precisa conhecer
  • Resenha: O Inferno de Gabriel
  • 13 episódios de desenhos animados para assistir no dia das crianças
  • Resenha: A sutil arte de ligar o f*da-se
  • Dicas para tirar fotos incríveis de livros
  • Resenha: Peça-me O Que Quiser Ou Deixe-me
  • Resenha: A Seca
  • As capas mais bonitas da minha estante
  • Resenha: Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino
online

Created with by ThemeXpose