E com
o tempo todo o brilho que ela tinha dentro de si foi se apagando. Ela tinha
tanto pra dar... Tudo o que ela amava em si mesma foi se distanciando até não
passar de uma vaga lembrança do que antes chamava de amor próprio. Quando ela
abria os olhos, havia luz, havia pureza, havia esperança. Hoje aquela chama não
existe mais, parece que sequer existiu.
Sua
voz alta, alegre e confiante diminuiu algumas oitavas até se tornar um
constante silêncio. Amargura. Ela não ligava de ser a vela acesa contra o
vento, achava que era uma montanha, tinha certeza de que era invencÃvel. Mas as
brisas se tornaram ventanias mais do que capazes de apagá-la. E apagaram.
A cera
secou, a chama morreu. Seu brilho se foi. Ela nunca mais foi a mesma. Aquela
história de ir contra o mundo não era pra ela afinal. Ela não era tão forte
quanto imaginava ser. Talvez nunca fosse forte como queria ser. Ela nem se
lembrava mais de seu brilho, se é que teve mesmo um brilho próprio algum dia.
Conseguiram o impossÃvel; fizeram escorrer lágrimas de uma pedra, fizeram um
anjo sangrar.
Ela não
era invencÃvel, não era uma chama, não era um anjo. Ela não era nada.

